Notas iniciais
Sou criança... Sou imatura... Fraca? Não se engane.

Zelda, Link e Impa correm para o saguão.


Chegando, eles veem o velho sentado de olhos fechados.

Assim que o senhor percebe que eles chegaram, abre os olhos e se levanta.



– Em que podemos ajudar o senhor? — pergunta Link, sempre com seu ar de desconfiança.

– Vocês são os pais de Saria Hiroshi?

– Somos por quê? – pergunta Zelda nervosa.

– Oh, não se preocupe minha senhora. Ela passa bem. Está grande, posso dizer.

– E onde ela está? – pergunta Impa.

– Está em um castelo em ruínas. Cuidando do garoto pálido.

– Garoto pálido? – questiona Link.

– Zukko, querido – Zelda sorri.

– Ah sim!... Mas ela já conseguiu reverter a maldição de Zukko?!

– Sim. Com grandes feridas e perturbações, ela conseguiu.

– Perturbações? O que quer dizer? – pergunta Zelda.

– Bem, assim que liberou a espada, Saria estava um pouco diferente.

– Diferente como? – pergunta Link.

– Bem, seus olhos... Havia um brilho vermelho. Creio que o poder da espada, que estava guardada há uma data não recordada, havia repreendido muito poder. E a mente inocente de Saria pode ter sido perturbada.

– Isso é ruim? – pergunta Impa.

– Bem, se ela não controlar, ficará louca.

– QUE?! – Zelda diz em tom desesperado – COMO ASSIM FICAR LOUCA?! NÃO DISSE QUE ELA PASSAVA BEM?!



Link a abraça.



– Querida, acalme-se – afaga seu cabelo – Saria não é fraca. Ela não se deixará dominar. Tenho certeza.



Ela respira fundo.



– Ela está cuidando de Zukko?

– Sim – responde o senhor.

– O senhor viu a batalha?

– Não. Achei que fosse melhor dizer á vocês, que certamente estavam preocupados, onde e como ela estava.

– Ah, o senhor fez bem. Obrigado, de verdade – diz Link.

“faz reverência” – É uma honra senhor – sorri.

– Bem, ela está machucada? – pergunta Impa.

– Creio que nada tão grave.



***



Todos de barrigas cheias se sentam no sofá. Zukko se joga na poltrona.



– Hey, porque o Zukko pode ficar na poltrona? – pergunta Kyon.

– Como você é criança! Honestamente! – diz Naori.

– É, a criança a qual você gosta de beijar os lábios – risos.



Naori ferve de tão vermelha.

Todos riem. Menos ela, que vergonha é pouco.



– Ah Naori! Arrasando corações! – diz Zukko debochando.

– CALADO!

– Calma Naori! Não tem nada de mais dar uns beijinhos – diz Saria quase explodindo para não rir alto.

– Ah já chega! Saria Hiroshi é uma mulher morta! – corre atrás dela.

“sai correndo” — EH? ELES QUE TE DEBOCHAM E EU QUE LEVO A SURRA? – risos.

– VOCÊ SABE COMO IRRITAR! — tenta rir.

– E COMO! HAHA.



De repente, Saria sente algo doer dentro de seu corpo. Ela se agacha. Naori imediatamente vai verificar se ela está bem.



– Saria? Tudo bem? Se machucou? Me desculpe eu...

– Me deixa em paz... – sussurra.

– Que?

– ME DEIXA EM PAZ! – sai correndo para fora do castelo.

– Zukko! – exclama Kyon.

– Estou indo! – Zukko corre atrás dela.

...

– Naori, tudo bem?



Ela o abraça forte.



– Kyon...

– O que?

– Os olhos dela...



***



– Saria espera! Saria! – corre atrás dela.

– Cai fora! – continua correndo.

– O que? Saria o que está acontecendo?! – a alcança e a segura pelo braço.

– EU DISSE PRA CAIR FORA! É SURDO?



Nesse momento, Zukko congela. Os olhos dela... Não está nada bem.



– Saria pare! Veja o que está fazendo! – a puxa novamente.

– ME SOLTA! ME SOLTA! SEU INÚTIL! SEM VIDA! ME SOLTA! – ela chorava e batia nele.



Ele não a soltava.



– ME SOLTA! SEU AZARADO! ME DEIXA EM PAZ, ESTORVO!

– Aham. Continue – ele a segurava cada vez mais forte.



Ela havia criado uma força muito grande. Mas Zukko consegue aguentar.

As palavras dela eram como facas cravadas em seu interior, mas Zukko ali permanecia.



– ME SOLTA! – ela grita e tenta empurrá-lo.

– NÃO VOU TE SOLTAR! ENTENDEU? EU NÃO VOU TE SOLTAR! JAMAIS VOU TE SOLTAR! VOU FICAR COM VOCÊ PARA SEMPRE! – uma lágrima cai, e escorre pelo seu rosto, pingando na mão de Saria.



Ela suspira e desmaia.

Ele se abaixa e a põe em seu colo.



– Saria... O que há com você.

...



Por uns longos minutos Zukko ficou ali. Sentado. Com Saria em seu colo.

Ela desperta. Se levanta e se para em frente a Zukko.



– Saria, está melhor? Tudo bem?

– Zukko... Posso estar errada em fazer isso, mas não tenho escolha.

– Do que está falando?!



Ela tira a Espada Mestra de suas costas e crava em seu estômago.



– SARIA! NÃO! – Zukko grita e se levanta tarde demais.



Ele a segura antes de cair. Chorava desesperadamente.

Com as forças que ainda lhe restavam, Saria tira a espada de seu estômago. Com um grito agoniante de dor.

Zukko nunca chorou daquela maneira.



– SARIA O QUE VOCÊ FEZ? O QUE VOCÊ FEZ! O QUE ESTÁ PENSANDO?! VOCÊ NÃO PODE MORRER SARIA, NÃO PODE! NÃO PODE! – ele gritava.

– Zukko – sussurra – Eu te amo... Cuide... De todos... Por mim.



Ela cai. Está fria...

Está morta.


Zukko a aperta forte e num grito tão alto como sua própria voz, diz: — NÃO!

Da boca de Saria, uma pequena fumaça preta sai. E explode no ar.



– O que... – suspira – Eu não posso acreditar... Um pedaço da alma de Ganondorf estava no corpo dela! Mas como?! COMO?!

...

– Ah minha nossa! Foi quando Ganondorf despertou em mim, e eu a feri no estômago com aquela espada! Ela andou controlando a histeria desde aquele dia!... Saria por quê... Não me contou. – chorava.



O corpo gelado de Saria, que Zukko segurava ainda não estava pálido.

O sangue dela, nas pernas de Zukko, ainda estava quente. Por incrível que pareça.

Zukko fitava o sangue escorrido no chão. E a pele de Saria ainda corada.

Estaria ela... Viva?

Num pensamento rápido, Zukko se levanta a segurando em seu colo, e corre o mais depressa, para o Templo do Tempo.

Demoraria a chegar. Mas ainda há esperanças.

Nunca havia corrido tão rápido. Mal sentia suas pernas, pois a adrenalina pulsava em seu organismo como se fosse um cão bravo com um pedaço de carne.

Ele era muito rápido.



– Saria... Se estiver me ouvindo, aguente.



E se passam trinta minutos. Zukko correu tão depressa que chegou em trinta minutos.

Ele entra no Templo e coloca Saria em frente ao pedestal da espada.

A espada emite um brilho.

Ela ainda sangrava. E seu sangue ainda está quente. Aquilo era impossível.

Zukko estava uma pilha de nervos. O que faria agora? Sabe que existem esperanças... Mas quais? O que terá de fazer?

Ele se ajoelha ao lado dela.



– Saria – chorava – Esse não é seu destino. Não se engane! Você sabe! Seu destino é com aqueles que ama! E o meu destino... É estar ao seu lado. Não está destinada a morrer. E sim, a ser uma heroína. Você não pode partir...


Nesse instante, uma lágrima de Zukko cai no ferimento de Saria.

Uma luz azul e bem forte sai de seu estômago. Iluminando todo o local.

Ela se levanta, mas não está acordada. Como se algo a estivesse controlando.

Ela puxa a espada e a coloca no pedestal.

As luzes coloridas surgem. Um enorme feixe de luz aparece. Zukko perde a respiração por três segundos. E logo, retoma o ar.

Quando o clarão some, Saria está no chão. Sem corte algum. Sem sangue algum.

Zukko percebe.

Ela está respirando.


***


– Link! — Zelda corre pelo saguão e o abraça. Chorava desesperadamente.

– O que foi querida?! O que houve?! — nervoso.

– Nossa filha!

– O que tem ela?!

– Ela devolveu a espada!

– Sim percebi — sorri — Mas porque está chorando?

– Não sinto ela! Eu não a sinto! — chorava.

– O que?!

Notas finais
Comentem ^^
Esse capítulo é tenso. Fiz exatamente para preparar o grande final que será logo.
Espero que gostem :)