A Lenda

33 Capítulo Final


Notas iniciais
É, eu também não consigo me acostumar com a ideia do fim... mas aqui vai!

Sua visão enturvara. Estava cansada demais, fraca demais. Sua respiração e as batidas de seu coração eram tudo o que conseguia ouvir com clareza. Sua cabeça latejava e não sabia se estava acordada ou não. Ao longe, podia ouvir a voz da Senhora Kaede, mas nada conseguia decifrar.

Lembrou-se que havia dado a luz, contudo, não ouvia o choro do filho. Deveria estar tendo alucinações. Será que estava morrendo? Lembrava-se bem da quantidade de sangue perdida e a complicação do parto. Não importava. Só queria que aquela terrível sensação passasse.

- Kagome! Kagome! – Sango gritava, apertando a mão da amiga.

- Calma, Sango, ela está bem! É só o efeito da erva. Ela irá dormir enquanto nós damos um jeito nisso tudo...

- Acha que pode salvar a vida do filho da Kagome-chan, Senhora Kaede?

- Não, Sango. Não podemos fazer nada a respeito.

Sango confirmou com a cabeça e Kaede deixou a sala. Ela olhava a amiga adormecida e lhe acariciava o rosto. Tão bela tão serena. Parecia um anjo sem asas. Que injustiça. Uma pessoa tão boa quanto Kagome perder um filho assim. Uma vida que passou por tantas turbulências, por tantos altos e baixos.

Suspirou. Pousou delicadamente a mão de Kagome sob a cama e soltou-lhe um beijo. Quando estava deixando o cômodo, Kaede retorna com pedaços de metal quente, outras ervas e toalhas.

- O que está fazendo aí? Mexa-se, Sango! Vá buscar água!

- Eu não entendo. O que nós vamos fazer?

- Não me desobedeça! Corra, Sango, corra!

Sango correu. Não sabia bem para onde ia, mas precisava encontrar um balde e levar água morna. Seus pés a conduziram até sua casa. Esquentou a água numa panela de ferro e despejou cuidadosamente numa bacia de madeira.

Voltando ao cômodo, pôde ver que o nariz de Kagome estava encoberto por uma toalha. Sentiu um cheiro forte. Ela continuava dormindo, e talvez esse fosse o propósito daquela droga, mas o que a Senhora Kaede estava fazend...?

- SENHORA KAEDE!

- NÃO GRITE, MENINA! O que foi?

- A senhora está... está... por Buda, o que a senhora está fazendo?!

Com o pedaço de metal, Kaede cortava Kagome abaixo do ventre. Suas mãos já estavam vermelhas, encharcadas de sangue.

- Me ajude aqui!

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Do lado de fora da choupana, Inuyasha tremia. Sentia o cheiro do sangue de Kagome e, para sua infelicidade, sentia o cheiro de cadáver. Naquele momento, apenas procurava uma solução. Não encontrava.

Calafrios percorriam sua espinha e os seus pelos da nuca se eriçavam. Que situação desagradável. Como iria olhar o corpo do seu filho? Como iria consolar Kagome? Pior, como iria consolar a si mesmo?

Levou as mãos aos olhos e obrigou-se a não chorar. Sentiu uma mão tocar-lhe o ombro. Sem sequer mover-se, soube que era Miroku.

Ele nada disse, apenas sentou-se ao lado do hanyou e orou. Orou para que tudo acabasse da melhor forma possível.

- Miroku?

- Sim, Inuyasha?

- Eu posso... rezar com você?

Surpreso, Miroku abriu um sorriso tímido e respondeu:

- Claro.

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Cerca de uma hora se passou e ouviu-se um choro. Os pássaros, assustados, deixaram as árvores da região. O sol brilhava com força e o clima pesado pareceu dissipar-se. O barulho vinha de pulmões cheios de força e preparados para uma vida longa e próspera.

Miroku e Inuyasha adentraram correndo, sem bater nem pestanejar. Procuravam o motivo de tamanha algazarra e o encontraram sem esforço algum. Ah, como desejavam sair gritando e pulando, esnobando toda a sua alegria. Afinal de contas, não era todo o dia que uma bênção era concebida.

Inuyasha pulou em cima de Kaede e Miroku fez o mesmo, quase derrubando a anciã. Kagome permanecia imóvel em seu leito. Com os olhos marejados, Sango observava a cena, enquanto segurava o motivo de tanta alegria em seus braços.

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Kagome acordou apenas no dia seguinte. Estava desnorteada. Sua cabeça latejava, doía. Seus olhos estavam abertos, mas poucas coisas conseguiam – de fato – distinguir. Para ela, tudo parecia um enorme borrão. Tentou levantar-se por impulso, entretanto, sentiu uma força pressionando-a e fazendo com que deitasse outra vez.

- Vai com calma! – era Inuyasha, tinha certeza – Ainda está muito fraca.

- Meu filho... Er... Inu... Filho... Ahm... – não conseguia desembaralhar seus pensamentos. Estava tudo tão confuso.

- Calma, sua baka...

Pode sentir algo quente tomar seus lábios. Eram os de Inuyasha. Aparentemente, ele gostava de vê-la naquele estado, pois um beijo só a deixaria ainda mais imersa em pensamentos sem sentido. Contudo, não parecia se importar. Era tudo tão bom...

- Calma, a velha disse que você ainda precisa de tempo pra se recuperar. – disse beijando-a outra vez. E outra. Cada uma com mais doçura, mais desejo.

- Inuyasha... – ela sibilou. Parece que sua língua estava desenrolando.

Ele passou cerca de meia hora apenas mimando-a. Mexia em seu cabelo, brincava com sua boca, mordia sua orelha e a abraçava com cuidado. Há muito tempo que não era tão acarinhada.

Ela abriu os olhos e pode ver o marido encarando-a. Podia ver o costumeiro brilho âmbar e as brancas orelhinhas em pé. Um sorriso confiante e bobo invadiu lhe os lábios e o olhar transbordava alegria.

- Seus olhos são tão lindos. – disse sorrindo.

- Bah! Não me deixe sem jeito... – respondeu emburrado. – Agora vamos! Você tem de... de... você sabe. Aquela coisa que a Sango faz com o Ichiro... – ele corou violentamente.

- Amamentar?

- É, isso mesmo...

- O que há de errado em falar “amamentar”, Inuyasha?

- Não, nada, é só que... é tão estranho. Quer dizer, não que seja estranho ruim, é um estranho bom! Quer dizer, não que eu fique reparando, é só que é bonito relação de mãe! Digo, relação mãe com filho. – Inuyasha não tinha sequer coragem de encará-la. Era tudo tão novo para ele.

- Bobo. – disse abrindo um sorriso largo.

Kagome lentamente sentou-se na cama e aproximou-se do rosto de Inuyasha. Tomou seus lábios para si e, vagarosamente, beijou-os. Perdidamente apaixonada, totalmente tomada de amores por aquele bobalhão. Aquele hanyou cabeça-dura, irritante, atrapalhado e seu, muito seu.

- Kagome... eu preciso te contar uma coisa. – Inuyasha interrompeu o beijo.

- Qualquer coisa... – disse sorrindo meigamente. O coração de Inuyasha foi dilacerado por aquele sorriso, que iria ser desfeito assim que contasse o ocorrido na noite passada.

- Eu... eu não sei como te contar isso.

- O que foi? – percebendo a seriedade do momento, seus olhos entraram em alerta.

- Espere aqui.

Na mesma velocidade que foi, voltou. Trazia consigo um emaranhado de panos debaixo do braço. Desajeitadamente entregou-o a Kagome. Ela, ainda sem entender, pegou os tecidos no colo e, aos poucos, foi desemaranhando-o.

Por fim, Kagome desenrolou o corpo de seu filho. Ela levou as mãos à boca e lágrimas preencheram seus olhos negros. Ele era lindo. Jazia imóvel como um anjo sem asas. Ele era perfeito. Com certeza, os olhos seriam âmbares como os do pai. As pequeninas orelhinhas negras no topo da cabeça indicavam o sangue youkai. Ele era uma réplica de Inuyasha quando recém-nascido, a única diferença era a cor de seus cabelos: intensamente negros como os da mãe.

- Inuyasha...

- Eu sei. – ele disse abraçando-a. Tentava não desmoronar também.

- Inuyasha, o nosso filho...

- Eu sei...

- Inuyasha, o nosso filho! – ela soluçava.

- Era isso o que eu queria te contar. Mas eu tenho uma boa notícia também...

- BOA NOTÍCIA?! O NOSSO FILHO MORREU, INUYASHA! O QUE PODE SER UMA BOA NOTÍCIA NESSAS HORAS? QUE A TENSEIGA VAI TRAZÊ-LO DE VOLTA? QUE UM MILAGRE VAI ACONTECER E ELE VAI VOLTAR A VIDA? NÃO HÁ BOAS NOTÍCIAS, INUYASHA! NÃO HÁ!

Inuyasha ia responder, mas foi interrompido por um choro vindo do quarto ao lado. Kagome arregalou os olhos e encarou o marido que abriu um pequeno sorriso. Sua expressão claramente dizia “eu disse”.

Kagome andou lentamente até a fonte do barulho e seu coração derreteu-se. Encontrou gêmeos esfomeados contorcendo-se em um berço. Ela abriu um enorme sorriso. Embora a dor de uma perda ainda lhe consumisse, era impossível deixar de sorrir perante tamanha fofura.

Ela pôs um deles no colo. Diziam que o desenvolvimento de um bebê youkai era assustador durante as primeiras vinte e quatro horas de vida, e era verdade. O recém-nascido era maior que Ichiro e aparentava ter três meses.

Era um menino. Ele tinha uma curta franja repartida ao meio. Tinha a marca do clã dos inuyoukais: uma meia lua em sua testa. Os olhos âmbares e bem abertos e os cabelos prateados como os do pai. Ela sorriu ao ver o pequenino tão forte.

- É um menino!

- Não comente o óbvio, Kagome... – ele respondeu rindo.

Sem delongas, Kagome ofereceu-lhe o peito e o pequenino não recusou.

- Nós fizemos isso também... – Inuyasha disse desviando o olhar.

- O quê?!

- A velha Kaede e a Sango colocaram os dois pra... pra...

- Amamentar?

- Comer em você.

- Inuyasha, você precisa deixar de besteiras! Tudo isso é tão natural e lindo. – Kagome riu da besteira de seu marido. Iria demorar até que ele se acostumasse com a amamentação.

- Se você diz... Eu é que não ia achar natural alguém fazendo... amemantando... amantando... amam... fazendo isso em mim!

Kagome soltou outro riso e observou a criança que estava no berço. Seu sorriso alargou-se. Era uma menina! Um casal – como sempre quisera. Ela tinha os seus traços, o mesmo nariz, os mesmos olhos, a mesma boca... mas os cabelos eram incrivelmente prateados e lisos. As orelhinhas brancas no topo da cabeça não negavam que era filha do pai. Os olhos âmbares e incrivelmente doces.

- Ela parece com você. – Inuyasha disse sorrindo.

- Não comente o óbvio, Inuyasha... – Kagome retrucou e beijou-o. Ele hesitou ao perceber que a esposa ainda estava amamentando.

– Termine e depois a gente... “conversa”. – Abriu um sorriso malandro e deixou o cômodo.

As horas voaram e, depois de bem alimentados, os pequeninos adormeceram no colo da mãe. Ela estava sentada numa cadeira de balanço e, enquanto cantarolava, pensava na perda de seu primogênito. Por mais feliz que estivesse, não tinha como não pensar nele...

Antes mesmo de nascer, já era amado imensamente. Não há dor maior no mundo do que perder um filho e Kagome descobriu da pior maneira. Pensou em como faria o enterro do pequenino e como seria difícil ver os outros dois crescendo e saber que ele poderia estar lá também. O que será que deu errado?

Inuyasha entrou no cômodo e ela enxugou as lágrimas. Ele foi para trás da cadeira e pôs as mãos em seus ombros. Kagome suspirou.

- O que será que aconteceu, Inuyasha?

- Ei, eu sei que nós nunca vamos esquecê-lo, mas tente se alegrar com o agora. Essa tristeza não vai fazer bem para os gêmeos e... olha como eles são bonitinhos. – Inuyasha sorriu fracamente – Agora ele é nosso anjo, Kagome. Só nosso. E isso nunca ninguém vai nos tirar.

De certa forma, aquelas palavras confortaram a miko, que sorriu levemente em seguida. Não havia pensado daquela forma. Ou melhor, não sabia como Inuyasha tinha pensado daquela forma. Ele realmente sabia o que dizer (de vez em quando).

- Obrigada. – respondeu sinceramente.

- Kagome...

- Sim?

- Nós ainda não pensamos nos nomes!

Ela arregalou os olhos e sentiu-se a mãe mais relapsa do mundo. Já havia pensado em alguns, mas jamais debatera isso com Inuyasha.

- Vamos escolher agora!

- Mas eu estou com fome...

- Inuyasha! O que vem primeiro: o seu filho ou sua barriga?

- Seria engraçado se alguém tivesse feito essa pergunta quando você estava grávida...

- OSUWARI! Responda que é seu filho!

- É o meu filho... – disse com a voz abafada pela madeira. – Desgraçada...

Naquele momento, o menino acordou com tamanho barulho. Parece que esse puxaria ao gênio de Inuyasha e a menininha preguiçosa e dorminhoca, ao de Kagome.

- Vamos começar com o dele.

- Certo.

- Que tal... – Kagome parou, pensativa – Sayuri. Significa pequeno lírio.

- Kagome, eu quero um nome de homem para o meu filho! Tem de ser Isamu. Signifia corajoso, guerreiro.

- Sayuri é um nome lindo! E Isamu é horroroso. Parece nome de bárbaro! Não, o meu filho será um lorde. Hiroko, que significa generoso.

- Você e suas frescuras... Hiroko não! Hiroki, que significa força.

- Por que não Hiroko?

- Por que não Hiroki?

É, aquela decisão daria trabalho.

- Inu no Taishou... – Kagome repetiu baixinho e a criança passou a encará-la. – Era o nome do seu pai.

- Não quero colocar o nome do meu pai. – Inuyasha disse incerto. – Um parecido, talvez, mas igual...

- Que tal... Inumago? – Kagome sugeriu – Significaria “neto de Inu”.

- Por que não... Inutaishito? – Inuyasha replicou – Seria uma mistura de Inu, Taishou e Shitamuki no (descendente). Uma mistura mais... equilibrada.

- Inutaishito. Descendente de Inuyasha e Inu no Taishou, sobrinho de Sesshoumaru-sama. Inutaishito – repetiu – parece um bom nome. O que você acha? – voltou-se para o pequenino.

Ele riu para ela, como se aceitasse o novo nome.

- Oi, Inutaishito! Eu sou a sua mãe. E aquele feio ali é o seu pai.

- Eu ainda estou aqui, Kagome!

- Quieto, Inuyasha, sua feiura vai assustar a criança! – ela riu e beijou-o apaixonadamente, ignorando por um momento o pequenino que assistia.

- E quanto a ela? – Inuyasha perguntou, ainda bobo com o beijo.

- Izayoi? – Kagome sugeriu.

- Já não basta “Inutaishito” ser uma homenagem ao meu pai? Não, por favor, outro nome! Tenha um pingo de criatividade, sua baka...

- Eu sou criativa! – Kagome protestou – Que tal... Kazumi. Beleza harmoniosa.

- Kazumi parece Kagome... Não, outro nome.

- Yumi. Porque ela tem olhos lindos.

- Hmm... por que não Sayuri?

- Esse não foi o nome que eu sugeri para o Inutaishito?

- É sim.

- Não é nome de homem?

- Não é nome de homem pra mim...

- INUYASHA, OSUWARI! – os hormônios não estavam fazendo bem à Kagome – Não deboche. É um assunto sério. O que acha de Yumi?

- É legal, mas... Não sei. Falta alguma coisa.

- Concordo.

- Por que não Akane? Significa brilhante.

- Por que não... Ayaka? Significa flor colorida, fragrante, verão.

- Flor... Agora que eu percebi. Ela tem quase o seu cheiro, Kagome! É tão bom quanto o seu. Só que... é mais doce, mais suave.

- E o que isso tem a ver? – Kagome disse, sentindo suas bochechas corarem com o elogio.

- Misaki. Beleza, florescer.

- Estamos chegando perto... – ela sorriu.

- Sakura, flor de cerejeira!

- Não, muito comum...

- Yuka, amigável, flor.

- Não gostei. – Kagome disse em desagrado e desacordo.

- Hana.

Naquele momento, Inuyasha olhou para a pequenina e ficou todo bobo. Imaginou vê-la crescendo e como iria cuidar direitinho para que a sua vida fosse perfeita. Ele faria de tudo para fazê-la feliz. Era praticamente o mesmo que sentia por Kagome, mas era diferente, de certa forma. Era mais intenso, mais protetor. Ela era mais sua e ele era mais dela.

- E o que significa? – Kagome sorriu encarando os olhos brilhantes do marido.

- Flor. Só flor. – Ele riu babão, sem se importar se era assistido ou não – Minha Hana. – sussurrou.

Sem dizer mais nada, a nova mamãe apenas sorriu e massageou a pequenina em seu colo. Bateu suas mãozinhas, fazendo-a acordar num pequeno susto.

– Hana, diga “oi” para o papai! – e a menininha sorriu, derretendo o duro Inuyasha.

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Uma semana se passou. Os aldeões estavam reunidos embaixo da Goshin Bokun, em um silêncio respeitador. Usavam vestes negras e se lastimavam pela morte do pequeno.

Kouga e Ayame marcaram presença no evento. Era perceptível o início de gestação de Ayame, o que a deixava terrivelmente sem jeito. Aparecer grávida no enterro do filho de sua amiga é algo, no mínimo, constrangedor. Mas Kagome não se importara nem um pouco. Desejou votos sinceros de felicidades ao casal.

Sesshoumaru, Jaken e Rin também estiveram presentes e desejaram força aos pais do pequenino – ou ao menos Rin desejou. Até mesmo Toutousai e sua vaca de três olhos apareceram para apoiá-los.

Kagome olhou em volta e percebeu a quantidade de amigos que havia feito ao longo desses anos na Era Feudal. Não se arrependia. Não se arrependia de nada que havia acontecido, do que tinha feito ou deixado de fazer. Não podia ter uma vida melhor.

Naquele momento de dor, percebeu que tudo aquilo seria importante para o seu crescimento como pessoa e como mãe. Que aquilo lhe servisse como amadurecimento e aprimoramento pessoal. E, pensando assim, decidiu não mais chorar.

Ao fim do velório, Kagome e Inuyasha ajoelharam-se para um último adeus àquele pequeno rostinho.

– Até logo, filho – Inuyasha disse.

– Adeus, Tenshi. – Tenshi, que significa anjo. Kagome acabara de nomeá-lo naquele exato momento. Inuyasha não apresentou objeções.

O corpo foi enterrado e todos voltaram às suas respectivas casas. Kagome podia sentir os olhares de Kouga sobre si, mas preferiu ignorar e fingir que nada havia acontecido.

Ao longe, uma pequena garotinha correu até sua casa e perguntou:

– Vovó, quem são aqueles?

A anciã olha pela janela. Seus olhos cansados já mal aguentavam a claridade daquele dia, mas, com um sorriso no rosto, respondeu à neta:

– Aqueles são Inuyasha, Kagome, Miroku, Sango, Shippou e Kirara, meu anjo. É uma longa história, que começa há cinquenta anos atrás...

A menininha de cabelos negros, lisos e presos sentou-se no colo da senhora e preparou-se para uma longa história. Estava ansiosa para conhecer a vida daqueles seis amigos.

A senhora não poupou palavras. Contou desde o aprisionamento de Inuyasha e a morte de Kikyou até a perda do pequeno Tenshi, que estava sendo sepultado nesta manhã. A neta, após ouvir todos os detalhes, correu para contar aos amigos.

Assim, tudo deixou de ser uma história e tornou-se lenda.

Naquelas palavras que seriam passadas de geração em geração, Inuyasha e seus companheiros foram imortalizados. Afinal de contas, não é todo o dia que um hanyou supera as barreiras do preconceito e poder. Nem que uma menina cruza eras através de um poço. Muito menos que um monge budista enganador e mulherengo, prostra-se aos pés de uma exterminadora de youkais órfã pelo próprio irmão. E ainda é difícil de encontrar um kitsune treinado por youkais lobos.

E foi assim que tudo aconteceu. Sem mais, nem menos. De uma união de forças a uma união conjugal. De amizade à inseparabilidade. E sempre serão assim, até que mudem o mundo, cruzem os céus sem nada a temer.

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Alguns meses se passaram. Kagome foi zelar pelo sono dos gêmeos quando algo lhe chama a atenção na pequena Hana. Um brilho conhecido e muito poderoso brotou na altura de sua barriga. Ela era a escolhida.

– A joia de quatro almas?

Uma certeza lhe veio à mente: a lenda não termina por aqui.

Notas finais
É isso. Bem, é com muita alegria mesclada à tristeza, eu anuncio o fim dessa fic. Muito obrigada por terem me acompanhado, por não terem desistido. Admito que, depois de ter encostado-a por 10 meses, achei que não teria coragem de retomar, mas... nossa, como eu odeio deixar algo incompleto! Eu quis fazer um final que pudesse me dar um gancho pra escrever uma continuação e que, ao mesmo tempo, marcasse vocês. Fico muito, muito feliz quando recebo um review dizendo que estão felizes com a fic e gostaria de agradecer especialmente a Liki, Lice e Jamily, que são minhas leitoras fiéis que continuaram aqui até o fim. As outras também são IMENSAMENTE importantes. Todos(as) me marcaram de formas especiais durante esses longos dois anos. Por favor, não duvidem disso de forma alguma.
Muito, muito obrigada. Espero revê-los em outras histórias, em outros contextos, em outras oportunidades. Espero que isso não nos falte!
Prometi que não iria chorar e estou tentando arduamente, então... vou logo embora. Mas garanto uma coisa: esse não é um adeus.
Beijo ENORME! E, mais uma vez, muito obrigada. Muito obrigada por alimentarem os sonhos de uma escritora amadora.
Cchan.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!