Era uma vez, em uma longínqua floresta onde vários animais viviam, uma Lebre muito vaidosa e convencida, que gostava de viver zombando dos outros animais que ali habitavam.

Nessa mesma floresta também vivia uma velha Tartaruga, que passava seus dias andando lentamente, mas era gentil e amada por todos. O problema é que a pobre da Tartaruga era a principal vítima das zombarias da Lebre, que sempre que a via passando, gritava para todos:

— Cuidado! Lá vem a Dona Tartaruga! Me deixe sair do caminho dela, se não ela me esmaga “lentamente”! — E a Lebre completava rindo de seu próprio comentário.

Um dia, cansada de ser humilhada pela Lebre, a Dona Tartaruga a confrontou na frente dos outros animais.

— Lebre, eu te desafio para uma corrida! O que me diz?

— Você me desafia para uma corrida? — Ela ria com desdém. — Você nunca ganhará de mim, Dona Tartaruga. Para que se humilhar?

— Aceita ou não?

— Já que insiste, por mim tudo bem.

Então, conversando com os outros animais da floresta, a Lebre e a Tartaruga combinaram o dia e o lugar da corrida, que começaria no velho carvalho que ficava no meio da floresta e teria fim nas margens do rio onde os animais se reuniam para se refrescar.

No dia combinada, a Dona Coruja se ofereceu para ser a juíza e acompanhar as duas no ponto de partida, enquanto os outros animais aguardariam no rio, esperando a vencedora.

— Todas prontas? — perguntou a Dona Coruja à Lebre e a Tartaruga, que confirmaram com um aceno de cabeça. — Então, que comece a corrida!

A Tartaruga começou a andar com seus passos lentos, andando um passo de cada vez, mas a Lebre, só para se divertir, deixou que a pobre da Tartaruga andasse alguns metros só para ultrapassá-la em um longo salto.

— Até mais, sua lenta! — gritou a Lebre.

Como esperado, a Lebre atravessou a floresta rapidamente, já despistando sua concorrente e chegando próxima do rio, porém, como o dia estava quente, ela se cansou rapidamente e vendo a sombra de uma árvore, resolveu se deitar abaixo dela para descansar.

— Bem, acho que vou tirar um cochilo. E ainda sobrará tempo para vencer essa corrida.

A lebre se deitou debaixo da árvore e adormeceu. Quando acordou, percebeu que já era tarde devido a posição do sol, mas ainda não viu nenhum sinal da Tartaruga.

— Dormir demais, mas ainda dá tempo de ganhar.

E logo a Lebre se pôs a correr, mas para seu espanto, quando viu todos os animais da floresta ao longe na margem do rio, parou de correr na hora, pois não podia crer no que tinha visto. A tartaruga já tinha chegado ao local e se refrescava na água.

— Mas como você me venceu? — questionou a Lebre.

— Quando te alcancei, você estava dormindo profundamente. Eu até tentei te acordar, mas você não abria os olhos. Então continuei andando e, quando percebi, já tinha chegado.

Envergonhada e de orelhas baixas, a Lebre foi embora para sua casa e depois desse dia, nunca mais tratou nenhum animal com desrespeito.

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