A Ladra De Raios - Brittana
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Ainda me encontrava na mesma posição em que estava quando as chamas voltaram ao normal. Minha cabeça começou a latejar e eu senti braços pequenos me segurarem delicadamente pela cintura.
- Britt... Vem, vamos sair daqui.
Eu ouvia a voz distante e pude reconhecer o tom de Santana, mas as palavras ditas ainda ecoavam na minha mente. Senti meu corpo se desligar do mundo exterior e simplesmente deixei que me levassem de volta ao meu chalé. Não me lembro de nada que me disseram nem nada que aconteceu depois, a minha mente era um borrão. Apenas deitei e dormi.
Quando acordei, sentia-me um pouco melhor. Não conseguia tirar minha mãe da cabeça, mas ao menos pude prestar atenção no ambiente ao meu redor sem quase surtar. Santana estava sentada na minha cama, e minha cabeça repousava em seu colo. Ela acariciava distraidamente as minhas mechas loiras e não percebeu quando acordei.
- Bom dia, latina. – cumprimentei, tentando soar um pouco menos mal.
- Bom dia, Cabeça de Alga. – ela cumprimentou sorrindo.
Sentei-me ao seu lado e comecei a me espreguiçar. Ela pegou as minhas roupas e atirou em mim. Sorri com o ato nada delicado da morena. Ao menos ela não estava me tratando como se eu fosse uma debilitada. Queria só ver o resto do acampamento.
- Se vista em cinco minutos. Se eu voltar e te enxergar ainda de pijamas, teremos um pequeno problema. E você não vai querer que eu o resolva do meu jeito, vai peixinho? – ela perguntou abrindo um leve sorriso.
- Não, Salsa Caliente. Pode ficar tranquila, já vou me vestir. – respondi pegando minhas coisas.
Arrumei-me e em cinco minutos estava com Santana. Ela parecia mais tensa do que o normal, como se não estivesse certa do que ia fazer.
- Aonde vamos, San? – perguntei – Que eu saiba, a arena é pra lá.
- Você vai falar com o Oráculo, Britt. – ela respondeu, sem fitar meus olhos.
- Eu vou falar com quem? – perguntei.
Ela revirou os olhos e abriu um sorriso. Sorri também, provavelmente ela já havia me falado sobre o Oráculo em uma de nossas aulas. Mas eu não conseguia me lembrar, mesmo que me esforçasse.
Santana e eu seguimos para a casa grande, onde o Sr. Schue já me esperava. Ele sorriu e nos cumprimentou de maneira agradável. Santana olhou torto para ele, mas o homem a ignorou. Finn também estava lá e nos cumprimentou animadamente.
- Dia meninas! Britt, a latina irritante já te explicou o que você vai fazer? – Finn perguntou sorrindo.
Olhei torto para ele. San era minha amiga, minha melhor e provavelmente única amiga em anos. Minha mãe não contava.
- Não fale assim com ela, Finn! Peça desculpas! E sim, Santana já me explicou que eu vou falar com esse tal de Oráculo. – respondi.
Santana abriu um sorriso largo ao me ouvir e Finn arregalou os olhos.
- Britt! Eu só estou brincando. Santana sabe disso. Mas desculpe mesmo assim, Santana. – ele disse surpreso.
- Tudo bem, já me acostumei. – ela respondeu ainda sorrindo.
Eles me explicaram como o procedimento seria. Eu absorvi toda a informação com facilidade. Basicamente, eu ia falar com um troço que ia me dizer o meu destino em riminhas e eu tinha que desvendá-las. Não entendi porque, é mais fácil simplesmente me dizer o que vai acontecer e todo mundo sai ganhando. Mas... Cada louco com a sua mania.
Subi as escadinhas pequenas e quase bati a cabeça no alçapão. Apesar de ter apenas doze anos, eu tinha mais do que um metro e sessenta. Muito maior do que a maioria das meninas da minha idade.
Entrei no sótão e comecei a buscar pelo Oráculo. Encontrei uma múmia sentada em uma cadeira e supus que fosse ele. Ou ela, sei lá. Caminhei até a múmia e me ajoelhei a sua frente.
- Ah, bem... Então, qual é o meu destino dona múmia? – perguntei levemente nervosa.
Nada aconteceu. Estava prestes a me levantar e avisar ao Sr. Schue que o Oráculo estava quebrado quando os seus olhos ficaram em um brilho verde e ele começou a falar.
“Você irá para oeste, E irá enfrentar o deus que se tornou desleal.
Você irá encontrar o que foi roubado,
E o verá devolvido em segurança.
Você será traído por aquele que o chama de amigo.
“E, no fim, irá fracassar em salvar o que mais importa.”
- Mas como assim? Que amigo, dona múmia? – perguntei sentindo-me atordoada.
Mas o Oráculo calou-se. Suspirei, dando-me conta de que ele não voltaria a falar, e desci as escadas. Santana estava com a cara fechada para o Sr. Schue, mas sorriu assim que me viu.
- Então, Cabeça de Alga. O que ele disse? – San perguntou estudando minha expressão. Ela era adorável.
Repeti tudo o que eu ouvira o Oráculo dizer e os três ficaram pensando em silêncio. Por fim, o Sr. Schue tomou a iniciativa de falar.
- Brittany, partirá amanhã direto para Oeste. E poderá levar consigo apenas dois acompanhantes. Três da sorte.
Assenti para ele e sentei-me à mesa. Quem levaria comigo? Santana pareceu ler meus pensamentos, pois foi logo se pronunciando.
- Nem pense que eu vou te deixar partir em uma missão sozinha, Cabeça de Alga. Se você vai, eu vou. Te manterei protegida. – ela disse aproximando-se.
- E eu vou também! Sou seu melhor amigo, Britt! Pronto, já tem os acompanhantes. – Finn completou satisfeito.
- Perfeito. – respondi. – Então... Arrumaremos nossas coisas agora ou o quê?
Santana sorriu e me puxou para fora da casa grande. Corremos juntas para o chalé, pois ainda tínhamos muito que aprontar para amanhã.
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