A Ladra De Raios - Brittana
12 Capítulo 12
Notas iniciais
Saímos do hotel assim que tomamos café. Tínhamos um rumo a tomar, e não tínhamos muito tempo. San estava mais calma depois do episódio da Hidra. Mesmo eu tendo dito que a amava repetidas vezes, ela ainda tinha ficado um pouco aflita com a ideia de me perder. E isso era fofo.
Nós três saímos para uma cidade não muito distante do hotel. Provavelmente teríamos que arrumar outro lugar para ficarmos, pois a viagem ainda era longa. Entramos em um trem que nos levaria para a nossa próxima parada, Las Vegas. Nós três fomos brincando durante a viagem inteira. Finn e eu ficamos discutindo sobre os mais variados assuntos, arrancando risadas de Santana. Eu me divertia com o som do seu riso, era algo lindo para mim.
Quando chegamos a Las Vegas, ainda era cedo. Finn não sabia muito bem aonde ir, então tivemos que fazer uma ligação para o acampamento meio-sangue. Ligamos por meio de um arco-íris, o que foi um tanto quanto estranho. Era tipo uma chamada no Skype, só que em uma nuvem gigante. Para o meu azar, Sam “atendeu”.
- Hei Sam, como estão as coisas ai? – Finn perguntou, sentindo a tensão de Santana e eu.
- Uma loucura cara, você nem imagina. Oi loira, tudo certo? – ele me cumprimentou e eu gelei.
- Oi Sam. – respondi.
- Ér, escuta cara, precisamos de uma ajuda. Precisamos de uma terceira pérola mágica, mas não sabemos bem ao certo onde encontra-la. Estamos em Vegas, alguma ideia? – Finn perguntou.
- Vegas? Eu ouvi falar de um hotel cassino, Flor de Lótus, se não me engano. Deem uma olhada por lá, talvez meu palpite esteja certo. – Sam respondeu.
- Ok, obrigado. Vamos dar uma olhada por lá. – Finn respondeu.
- Certo. Britt, quando você voltar, talvez possamos fazer alguma coisa juntos. Sei lá, quem sabe dar uma saída desse acampamento, só eu e voc...
Finn cortou a nuvem antes que ele pudesse terminar. Senti o olhar de Santana queimar a minha pele e me virei para encará-la. Sua expressão não era nada boa, e Finn pareceu perceber o mesmo que eu, pois saiu da sala e nos deixou sozinhas.
- San... – chamei baixinho. Seus ataques de ciúmes estavam ficando difíceis de suportar.
- Não, tudo bem Brittany. Nós nem somos namoradas mesmo, faça o que quiser. – ela respondeu secamente.
Aquilo me magoou. Senti as lágrimas queimarem nos meus olhos, mas não deixei que elas caíssem. Meu ego falava mais alto.
- Se não somos namoradas, não sei o que somos. Mas talvez você esteja certa, uma vez na vida eu podia fazer alguma coisa para agradar alguém além de mim. – eu respondi me afastando – Alguma vez você já parou pra pensar que os seus ataques de ciúmes me machucam? Mas que merda, você não tem a capacidade de confiar em mim uma mísera vez da sua vida? Acha o que, que cada uma daquelas coisas que eu te disse ontem era mentira? Que eu disse que te amava da boca pra fora?
- B... – ela disse começando a levantar.
- Não venha atrás de mim. Deixe-me em paz. – respondi seca.
Sai da sala em que estávamos com as lágrimas escorrendo por meus olhos. Senti braços largos me segurarem e me apertarem. Escondi meu rosto no peito de Finn e chorei baixinho.
- Britt, o que houve? Não chora, por favor... – Finn disse me abraçando mais forte.
Contei a ele o que aconteceu. Sequei minhas lágrimas e sentei em um banco na rua, com Finn ao meu lado. Santana nos observava um pouco de longe com a cabeça baixa. Desviei meu olhar do rosto dela, não queria vê-la. Não por agora, pelo menos. Mas seria preciso.
- Britt, nós temos que ir. – ele disse no meu ouvido.
- Tudo bem. Vá chama-la. Não quero mais perder tempo. – respondi.
Finn chamou Santana e começamos o nosso caminho até o hotel. Ignorei a latina e cada vez que ela tentava se aproximar, eu me afastava, deixando-a frustrada. Finn tentou ficar ao máximo perto de nós duas, mas assim que fomos almoçar ele correu para o banheiro. Maldito menino-bode e sua bexiga pequena.
- Britt, vamos conversar... – Santana disse pousando a mão na minha.
Eu afastei bruscamente, seguindo de um Não seco. Odiava ignorá-la, mas as palavras dela ainda ecoavam na minha mente. Não éramos namoradas. Mas que merda nós éramos então? Por que ela fazia isso? Não entendo pra que esse ciúme todo.
A latina ficou com um olhar magoado para mim e eu senti as lágrimas descerem de novo, queimando a minhas bochechas. Droga, agora não.
A morena levantou e sentou ao meu lado, secando minhas lágrimas e beijando minhas bochechas. Afastei meu rosto mesmo contra a minha vontade, mas nem assim ela desistiu. Senti seus lábios colarem no meu rosto e seus braços me agarrarem pela cintura, mas não me virei. Aquilo doeu muito em mim, de verdade.
Senti mais lágrimas nas bochechas, mas não eram minhas. Santana chorava baixinho, deixando alguns soluços escaparem.
- Britt... Por favor, olha pra mim! É só que... Ninguém nunca me amou antes e eu tenho tanto medo de te perder... Isso tudo é novo pra mim, eu não consigo lidar com todos esses sentimentos de uma hora pra outra. Eu sei que eu te amo e eu confio em você. Só tenho medo que você ame alguém mais do que me ama. – ela disse chorosa.
Finalmente virei meu rosto. Seus olhos estavam vermelhos e ela parecia à beira de mais um ataque de lágrimas. Mas eu não me renderia a ela tão fácil.
- O que quer dizer com ninguém te amou antes? – perguntei.
Ela suspirou alto.
- Eu nunca fui amada. Meu pai nunca me quis. Ele tinha uma família legal, com dois outros filhos. Eu não pertencia a aquele lugar. Eu não tinha ninguém naquele acampamento, nenhuma pessoa sequer olhava para mim. Fui criando independência sozinha e agora tenho fama de fria. Então você chegou, e por algum motivo resolveu se aproximar de mim. Eu te amei desde o princípio, só não sabia que era amor. E ai vem o Bocudo e fica tentando te tirar de mim e eu... Eu tenho medo de ficar sem você, Britt. Por favor, não me deixa... – ela disse afundando o rosto no meu pescoço.
Senti-me triste ao ouvir as suas palavras. Abracei seu corpo pequeno e afaguei seus cabelos negros. A latina levantou o rosto e eu puxei seu queixo, beijando-a. Ela deixou-se levar pelo beijo e logo cessou o choro.
- Eu te amo, Santana Lopez. Mas eu preciso que confie em mim, poxa! E o que você disse me magoou, de verdade. Eu quero ficar com você, mas vai ter que aprender a se controlar Sanny. Eu realmente quero fazer essa relação durar. – respondi indo de encontro aos seus lábios mais uma vez.
Ela assentiu e recostou a cabeça no meu ombro. Finn chegou à mesa e me lançou um olhar como quem diz “É seguro?” e eu ri. Sentamos e fizemos nossos pedidos. Ainda tínhamos muita coisa a fazer.
Fale com o autor