A Ladra De Raios - Brittana
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Não há nada divertido em ser um semideus. Se você desconfia de que pode ser um, pare de ler imediatamente. Não diga que eu não avisei.
Eu não fazia ideia do que era um semideus, muito menos que os deuses do olimpo existem. Para mim, era tudo uma história inventada para dar uma razão a tudo. Mas eu logo descobri que estava enganado. Para a minha infelicidade.
Tudo começou na minha antiga escola. Eu estudava em um internato para crianças como eu. E como eu, pode-se entender encrenqueiros do pior tipo. Eu vivia me metendo em brigas e confusões com qualquer pessoa que me tirasse um pouquinho do sério, e já havia sido expulsa de várias escolas.
Eu estava na sala de aula, junto do meu melhor amigo Finn Hudson. Finn tinha algum problema nas pernas que o impedia de andar normalmente, por isso usava muletas. Ele era gigante, mas inofensivo até para uma mosca. Tão inofensivo que não ligava para as pessoas implicando com ele ou se divertindo as suas custas. Mas um bom amigo, acima de tudo.
O Prof. Schuester estava explicando alguma matéria no quadro negro, a qual eu não prestei muita atenção. Mesmo que ele fosse o único professor que não me fizesse dormir em aula e conseguisse com que eu aprendesse alguma coisa, alguns dias meu déficit de atenção e dislexia eram tão ruins que eu não conseguia prestar atenção nem no que eu fazia. E hoje era um desses dias.
- Brittany, poderia me dizer os nomes dos três grandes? – o Prof. Schue perguntou.
Olhei para o alto tentando me concentrar. Uma tarefa quase impossível para mim, mas eu simplesmente não conseguia desapontar o Prof. Schue. A cara de decepção dele era horrível, fazia com que eu me sentisse mal comigo mesma.
- Hm... Zeus, Poseidon e... E... E Hades. – falei satisfeita por ter lembrado.
- Correto, Brittany. – ele disse com um sorriso no rosto.
- Boa Britt. – Finn disse sorridente.
Voltei minha atenção para o quadro branco e tentei ler o que estava escrito. Nada. As letras simplesmente flutuavam do quadro e eu sentia uma enorme dor de cabeça quando me esforçava muito.
- Finn, o que está escrito? – perguntei sentindo-me tonta.
- “Passeio ao museu nacional na sexta”, Britt. – ele respondeu.
Museu. A maioria das pessoas acha que visita-los pode ser no mínimo entediante, mas eu acho divertido. Até porque o museu nacional não fica longe da minha casa. Perto da minha mãe. Sorri com a minúscula ideia de encontra-la por lá.
- Vem B, vamos almoçar. – Finn chamou.
Assenti e acompanhei-o até o refeitório.
Estávamos sentados no ônibus que nos levaria ao museu. Finn parecia nervoso, digo, mais do que ele já parece.
- Ei, — disse cutucando-o – você está bem? Parece meio... Nervoso.
- Não é nada, só... Não se meta em confusões, certo? Prometa-me isso, Britt. – ele disse voltando o olhar para mim.
- Ok, vou tentar... – murmurei incerta.
Chegamos ao museu e logo começamos a visita. Passamos pelas mais diversas estátuas de deuses e semideuses. Até alguns monstros. O Sr. Schue olhava atentamente para mim enquanto explicava sobre algum dos monstros.
- Brittany, será que pode me dizer de quem é esta estátua? – ele perguntou.
Olhei para a estátua de um homem forte e que me parecia grandioso. Logo abaixo dele havia uma inscrição em grego antigo. As letras começaram a mudar para o alfabeto normal e pude ler o que estava escrito.
- Perseu. – respondi ainda fitando a estátua.
- Muito bom Brittany. Agora, se puderem me acompanhar para o pátio, tenho certeza que apreciarão o lanche de vocês. – Ele falou sorridente.
Saímos do museu e eu sentei ao lado de Finn perto da fonte. Uma menina loira irritante veio em minha direção e lançou um sorriso irônico.
- E aí, aberração? Aproveitando o passeio enquanto ainda pode? Logo vai ser expulsa de mais uma escola, não vai Pierce? Não consegue se controlar, o seu instinto de troglodita sempre fala mais alto do que você, não é? – Kitty falou.
Senti meu sangue ferver e me levantei cerrando os punhos. Não sei bem como aconteceu, apenas vi quando Kitty estava caída na fonte, completamente encharcada. Não me lembrava de ter tocado nela, mas o que mais podia ter acontecido?
Kitty me xingava de vários nomes e me acusava de tê-la empurrado em direção à fonte. Revirei os olhos quando senti um toque no meu ombro.
- Brittany Pierce, venha comigo. – disse a nossa professora substituta de matemática, a Sra. Walker.
A Sra. Walker era uma mulher velha extremamente enrugada que parecia ter pleno ódio da minha pessoa. Eu não estou bem certa se é porque eu sou muito ruim em matemática ou se é porque ela não vai com a minha cara. Ou os dois.
Segui-a para dentro do museu e fomos para uma sala separada. Achei que ela fosse me fazer comprar uma camiseta seca para Kitty ou algo do tipo, mas quando entrei na sala ela havia sumido.
- Sra. Walker? – chamei.
- Onde está? – ouvi uma voz sibilar do alto de um armário.
Olhei para cima e vi a Sra. Walker. Mas não era a Sra. Walker. Quer dizer, tinha ainda os traços do rosto, mas tinha um corpo medonho. Asas no lugar dos braços e garras no lugar dos pés. Dei um passo para trás apavorada e ela avançou em mim. Abaixei-me na hora em que as garras iam cravar no meu corpo e sai ilesa. Mas ela não desistiu e avançou mais uma vez. Eu sai correndo pela sala quando vi o Sr. Schue na porta.
- Brittany! Pegue! – ele gritou, atirando uma caneta na minha direção.
Uma caneta. Genial, um monstro horrendo tentando me matar e ele me joga uma caneta. Grande ajuda, Sr. Schue. Não sei o que faria sem você.
- Destampe-a! Rápido! – ele voltou a gritar.
Obedeci e nas minhas mãos apareceram uma espada dourada, reluzente como o ouro. O monstro veio em minha direção mais uma vez, mas pude me defender com a espada, transformando a minha professora de matemática em pó.
- Ai meu deus! Eu matei a Sra. Walker! Eu sou uma assassina! – gritei apavorada.
- Britt, calma... – Finn disse tocando meu braço.
- Calma? Eu matei uma pessoa, Finn! Eu sou horrível! Mas, espera... Não era uma pessoa... O que era aquilo? Eu só posso estar ficando louca...
- Hei, se acalme. Eu vou explicar tudo mais tarde. Mas por agora, preciso que venha comigo. Confie em mim, B. – Finn disse indicando para que eu o seguisse.
Ainda tremendo, tampei a espada. Ela se transformou em caneta de novo, e eu fiquei ainda mais apavorada. Caminhei logo atrás de Finn, tentando acompanhar seu ritmo rápido.
- Para onde vamos, Finn? – perguntei aflita.
- Para casa – ele disse sorrindo – digo, para a sua casa.
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