Notas iniciais
Espero que gostem!

Ás vezes parar de chover em minha cidade era sinal de milagre. Hoje, para minha surpresa, não estava.

Para aproveitar a tarde, saí em busca de algo para fazer. Estava sozinha naquela hora. Meu pai havia seu trabalho na empresa de tecnologia da cidade, era um subordinado dos empresários. Minha mãe era formada em direito, mas desistiu da carreira para ajudar a cuidar da casa, agora ela trabalha em uma loja de autopeças. Apesar de insistir com ela para que voltasse a exercer sua carreira, ela dizia que estava satisfeita com a vida que levava e dizia também para me acostumar com tal. Meu irmão tinha 20 anos, era apenas 4 anos mais velho que eu. Ele, porém, não trabalhava. Dedicava seu tempo estudando para a faculdade de medicina. Se achava o máximo só porque era o mais inteligente de nós dois, vivia interrompendo um assunto qualquer na mesa de jantar para falar de algo curioso sobre a comida que estávamos comendo.

Há três noites estávamos todos reunidos à mesa de jantar, inclusive meus avós e tios, pois era aniversário de minha mãe e todos vieram comemorar juntos. Eu estava ajudando meus pai a por o jantar na mesa — pratos, talheres, copos e toalhas — quando ele parou na cozinha em frente a pia me observando pegar os talheres e disse:

— Está bonita hoje, Annie.

Olhei para ele. Era alto e magro, com mãos ásperas devido ao trabalho na empresa e dedos esguios. Seu rosto era fino com cabelos apenas atrás da cabeça e olhos de um tom castanho escuro. Fiquei surpresa com seu elogio, ás vezes era raro fazer isso e quando fazia eu os guardava como se fosse um presente.

— Fico feliz com certo elogio, Sr. Thomas. — Eu lhe disse com um sorriso no rosto

— Ah, mas é verdade. Nunca reparei como crescera desde a última vez que parei em casa. — Quando ele disse aquilo seu sorriso vacilou. Meu pai havia tido uma semana trabalhosa na empresa, graças aos numerosos pedidos de entrega. Ele vinha de lá para cá, viajando à cidades próximas. Ficaria triste se não fosse acostumada com isso.

— Não se preocupe pai, não cresci tanto assim — disse a ele.

— Tenho viajado tanto, não tive tempo para nossa família nas últimas semanas. Não sei como você vai na escola... — disse com um sorriso sem graça. — Não sei nada sobre você.

— Pai, sabe que não precisa trabalhar mais lá. Pode arranjar outro emprego.

— Não, Não posso. Nós precisamos desse dinheiro! Para pagar a faculdade do seu irmão e os remédios de sua avó. Sem eles... — Ele parou de falar e nem precisava continuar, eu sabia como terminava e não iria forçar faze-lo. — Não se preocupe comigo — continuou ele. — Sei me virar. — Com isso, forçou um sorriso no rosto e piscou para mim. Ele se voltou para o meu lado e me ajudou a pegar os talheres e colocar na mesa.

— Pai, sabe que sempre pode contar comigo, não sabe? — Olhei para ele e este sustentou meu olhar igualmente. Nesse momento percebi um brilho em seu olhos e o reconheci como um ato de alegria, suas bochechas se ruborizaram e ele respondeu:

— Igualmente, minha filha. — Ele acenou com a cabeça saindo da cozinha.

Notas finais
Espero, realmente, que tenham gostado desse primeiro capítulo. Qualquer erro, peço minhas sinceras desculpas! Por favor comentem o que acharam, a opinião de vocês é muito importante para mim. Próximo capítulo em alguns dias. Obrigada!