A Jornada

7 O Coração Partido


Notas iniciais
Para comemorar a sobrevivência após uma semana com inúmeras provas e poucas horas de sono... apresento-lhes mais um capítulo!!! P.S.: Espero que vocês gostem :)

Capítulo 7 – O Coração Partido

— Fale logo de uma vez, Wendy. O que tem de tão importante para me falar? – a mulher perguntou, impaciente. Estava começando a ficar preocupada com o que a filha tinha a lhe dizer. Ainda mais quando a amiga dela sentou de um lado e Adam sentou do outro.

— Mãe, eu... – Wendy engasgou com as palavras, e então sentiu a mão calorosa da namorada apertar a sua. Respirou fundo para tentar controlar o coração, que batia enlouquecidamente em seu peito. Tomou coragem e soltou tudo de uma vez. – Mary e eu estamos namorando.

Sua mãe piscou algumas vezes, como se tivesse recebido um tapa na cara. Então, ela passou a mão em seu rosto e olhou para Adam.

— Você sabia disso?

— Sim. – Adam respondeu de forma curta e grossa, já assumindo uma postura defensiva. Sabia que a reação de sua mãe não seria boa e, portanto, estava ciente que teria que defender Wendy de qualquer forma.

— Garota. – Hilary apontou para Mary, que ficou surpresa com o tom de voz seco com que a mulher sempre gentil usou para falar consigo. – Saia imediatamente da minha casa.

— Mãe! – Wendy se levantou para defender a namorada do ataque da mãe, porém Hilary desferiu um tapa em seu rosto. Os olhos negros brilhavam de desgosto, enquanto os de Wendy se arregalaram de surpresa.

— Mãe. – Adam já estava ao lado da irmã mais nova, o tom era de aviso para que a mulher abaixasse a mão e se afastasse da garota. Quando Hilary se sentou novamente, ele se virou para Mary, que estava completamente estática e assustada com o que havia acontecido ali. – Mary, será que você poderia ir embora? Amanhã você e Wendy conversam, tudo bem?

— Conversam uma ova! Nunca mais se aproxime da minha filha, sua depravada! – Hilary falou novamente, dirigindo um olhar de nojo para a garota, a qual se encolheu diante daquilo.

— Mãe, por favor, fique quieta. – Adam a olhou de forma cortante, os olhos dourados brilhavam com uma raiva controlada. Hilary ficou calada novamente. – Mary, por favor, isso é uma coisa que nós três precisamos resolver.

— Tudo bem. – a garota gaguejou, assentindo hesitante. Nunca havia imaginado que a reação da mãe de sua namorada poderia ser daquele jeito. Arrependeu-se de ter forçado Wendy a assumir o relacionamento de ambas aos pais dela e, por isso, olhou com pesar para a namorada. – Desculpa, Wendy. Eu não queria...

— Não precisa se desculpar, Mary. Não é você a preconceituosa da história. – Wendy a cortou, encarando a mãe sem hesitação. Seus olhos negros brilhavam de raiva enquanto olhava para a mulher que havia lhe dado à luz. Então, voltou-se para a namorada e sua expressão facial se suavizou. – Preciso resolver isso com a minha mãe, Mary. Você se importaria de ir embora? Amanhã conversamos.

— Tudo bem. – a garota já ia se virando quando a namorada a puxou e deu-lhe um beijo carinhoso nos lábios. Wendy sabia que enquanto seu irmão estivesse ali, ela estava segura. Hilary berrou algo que ambas sequer prestaram atenção. No mundo agora só existia as duas. – Eu amo você. Independentemente do que acontecer aqui, ou do que sua mãe lhe disser.

— Eu sei. – Wendy sorriu de uma forma que expressava apenas carinho e admiração. – Eu também amo você. Agora, por favor, vai para a sua casa.

Mary assentiu e saiu dali sem dizer mais nenhuma palavra, ouvindo apenas as ofensas que a mãe dos irmãos gritava enquanto o filho a segurava firmemente pelos ombros.

Adam sentiu uma pontada de dor de cabeça e segurou um suspiro. Não queria se envolver naquela história, mas tinha que apoiar Wendy, pois ele havia prometido isso para si há muito tempo atrás. Adam havia assumido a responsabilidade de cuidar de Wendy, pois sempre assistiu o pai batendo na mãe dele. Ele havia tentado ajudar a mãe, depois que entrou na adolescência e finalmente entendeu que aquilo que o pai deles fazia com Hilary era completamente errado. Mas a mulher não queria ajuda. Quando seu pai voltava, normalmente com um lindo buquê de flores, pedindo desculpas e dizendo que nunca mais faria aquilo de novo, Hilary acreditava veemente naquilo. E, depois de algumas horas, ele voltava a bater nela por qualquer motivo. Até que aquilo se tornou um ciclo. Adam não queria que aquilo algum dia acontecesse com a irmã mais nova, seja do próprio pai ou de algum outro homem ou de qualquer outra pessoa. Portanto, prometeu a si mesmo, que sempre estaria ao lado de Wendy para protegê-la e apoia-la em qualquer situação.

— Eu não quero saber, Wendy, você vai se afastar dessa garota imediatamente. Você está me entendendo? Minha filha não é anormal! – a mulher gritava, tentando sair do abraço do filho mais velho e alcançar a filha mais nova. Wendy apenas olhava para aquela mulher com o cenho franzido. – Deus criou o homem e a mulher para ficarem juntos, você não entende isso? Como você vai ter filhos? Isso não é normal!

— Eu não acredito que estou ouvindo isso, mãe! Você está, pelo menos, se escutando? – Wendy disse, torcendo o nariz para a mãe. – Estamos em pleno século XXI e você vem falar para mim esses argumentos ridículos e sem fundamento nenhum? Eu sou completamente normal! E eu amo a Mary! E, sabe qual é a melhor parte? Ela me ama também! Eu não preciso mendigar amor nem deixar de me amar para continuar junto com ela. Eu não quero um relacionamento como o da senhora, apenas para mostrar para essa sociedade hipócrita que eu sigo os padrões que são considerados como “normais” por pessoas como a senhora.

— Wendy... – Adam começou, em tom de aviso. Ele sabia que aquilo era verdade e até concordava que sua mãe precisava ouvir aquilo, mas não achava que aquele momento era um bom momento.

— Não, Adam. Ela tem que ouvir algumas verdades. Eu estou cansada desse discurso preconceituoso de pessoas como ela. Amor não tem idade, não tem sexo nem cor! Mary e eu nos amamos, e nos preocupamos uma com a outra. Então, por que Deus não iria gostar do nosso relacionamento? Para mim, Deus sempre pregou o amor! Então, o que há de errado com o nosso amor? É só porque ele vai contra as regras imposta por essa sociedade preconceituosa e cheia de padrões estúpidos que o meu amor é considerado errado? Se você não gosta ou não acha natural, bom é só você não ser homossexual. Mas a vida de outra pessoa, que é homossexual, não lhe diz respeito algum! – Wendy respirou fundo, agora que havia começado iria até o fim. – Eu não me meto na vida de ninguém, e nem obrigo uma pessoa a gostar de certas coisas só porque eu gosto. Então, por que raios as pessoas tem que tentar se meter na minha vida? Eu não estou usando nenhuma droga, ou fazendo algo ilícito. A única coisa que estou fazendo é amando alguém como achei que nunca ia amar! E se isso é errado, então que seja! Cansei de me preocupar com o que os outros vão pensar de mim. Se alguém não gostar de mim pelo que eu sou, então, meu amigo, que se afaste de mim! Porque coisa ruim eu não preciso levar na minha vida. E isso serve para você, mãe. – outra pausa e Wendy finalmente percebeu que até seu irmão estava lhe olhando, boquiaberto. – Eu estou cansada das pessoas dizendo quem devemos ser, o que devemos fazer e como devemos agir. Se cada um cuidasse da sua vida, viveríamos em um mundo muito melhor do que o que vivemos hoje. Ser homossexual não me torna uma aberração, mãe, não importa o que você acha ou o que os outros pensem. Eu não me sinto uma aberração. Ser homossexual também não me impede de ter filhos ou de ser feliz. O que me impede de ser feliz é ter pessoas preconceituosas na minha vida.

O silêncio reinou naquele cômodo e só foi interrompido quando Wendy lançou seu corpo de volta ao sofá. Hilary se sentou e Adam relaxou o corpo com isso. Estava tão orgulhoso da irmã mais nova que não conseguia esconder o sorriso. Nunca imaginou que Wendy tivesse a coragem de dizer tudo aquilo, ainda mais depois da reação explosiva apresentada pela mãe deles.

— Saia da minha casa. – Hilary disse, calmamente. Aquilo deixou Wendy e Adam surpresos.

— Mãe? – Adam indagou, incrédulo. Wendy então se levantou, mantendo toda a sua dignidade na postura. – Wendy!

— Ótimo. É assim que a senhora quer?

— Não quero ter uma aberração como filha. O que as pessoas vão dizer quando descobrirem?

— Alguma coisa do que eu disse entrou na sua cabeça, por um acaso?

— Sim. Você não é minha filha. – afirmou Hilary com tanta seriedade que Wendy engasgou com a própria saliva. – Se fosse, pelo menos seria normal.

— Certo. Vou arrumar minhas coisas, mas saiba que, se eu sair por aquela porta, nunca mais voltarei.

— É o que deve fazer. – concordou a mulher, deixando ambos os filhos surpresos.

Wendy assentiu e, sem dizer mais nada, subiu para o seu quarto. Adam suspirou e começou a seguir a irmão mais nova.

— Onde você vai, Adam? – perguntou sua mãe e ele a olhou de forma desapontada.

— Eu estou indo embora, junto com a Wendy. – declarou, seriamente. Os olhos negros da mãe se arregalaram com aquilo e ela abriu a boca para replicar, mas ele não permitiu. – Simplesmente por duas razões. A primeira é que eu concordo com tudo o que minha irmã falou e, se você não o faz, não há motivo nenhum para que eu fique aqui sendo que ela não ficará. O segundo é que desde que ela nasceu, eu me tornei responsável pela minha irmãzinha. Por isso, por mais que ela cresça, eu sempre estarei perto o suficiente para defendê-la. E, depois que eu vi que até mesmo a nossa mãe pode ser uma pessoa ridiculamente preconceituosa, o que eu posso esperar de uma sociedade que sequer conhece a Wendy direito? Eu amo a minha irmã e eu nunca a abandonaria. Então, se a senhora continuar com esse pensamento antiquado, a senhora ficará sem filhos.

Aquilo deixou Hilary sem palavras. Ela estava completamente estarrecida. Adam agarrou o pulso da irmã mais nova e, juntos, eles deixaram aquele cômodo.

[...]

Notas finais
Bom, esse foi um capítulo bem curtinho se compararmos com os anteriores, não é mesmo? Mas, mesmo assim, acredito que esse capítulo foi bem intenso hehe Conhecemos a mãe dos irmãos Adam e Wendy, porém ela não parece ser muito agradável, né? Sim. Foi triste? Para mim, pelo menos, foi muito. Deve ser horrível passar pela situação que a Wendy passou, mas infelizmente em algumas famílias encontramos esse mesmo tipo de pensamento ultrapassado quanto a homossexualidade. Mas, eu creio, que todo mundo merece uma segunda chance. Quem sabe a Hilary não se prove uma pessoa melhor? O que esperar desse relacionamento que pareceu tão complicado na família Cooper? Será que veremos uma reconciliação entre mãe e filhos? Será que a Hilary vai mudar de ideia sobre a Wendy? Bom, nos resta agora esperar as cenas dos próximos capítulos, não é mesmo? Beijinhos de chocolate, pessoal, e até a próxima! ^^ P.S.: Por favor, minna-san, não esqueçam de deixar o seu recadinho por aqui, sim? É muito importante pra mim os comentários de vocês, para saber se vocês estão gostando ou se estão odiando, o que eu posso melhor... Enfim, eu agradeceria de coração se vocês compartilhassem comigo seus pensamentos sobre a fic!