A Jogadora

10 Capítulo 9 - Más notícias


Notas iniciais
OIEEE GENTII! Ainda estão bravos pelo que aconteceu com o Georg? Não contavam coma minha astúcia né? UAHASU Até que não demorei muito u-u Vim por livre espontânea pressão (fui mais ameaçada do que Judas ;=;) Amor por Sagas, obrigada pela sua recomendação MARAVILHOSA ♥ UASHUS Eu vou fazer muitas surpresinhas ainda xD Obrigada pelos elogios, por favoritar, recomendar e comentar, gata ♥ GENTE!! Agora temos um grupo no facebook! Lá você pode me ameaçar (é o que mais fazem), vou postar alguns spoilers e tudo o mais. Para quem quiser entrar: https://www.facebook.com/groups/823293307718110/ Respondendo a pergunta do último cap: Espero que 2015 seja muito melhor que 2014 xD Arrumei um beta bem sádico e que me ajuda pra caramba ♥ Mat, seu gato, love u ♥ Boa leitura, espero que gostem ♥ Minha mãe voltou a trabalhar, ou seja, vou ter o computador de volta para poder responder todos os comentários até agora ♥

Mel estava latindo. Provavelmente foi isso que me despertou do topor em que me encontrava. Ficar sentada do chão frio da cozinha não era o que eu deveria estar fazendo. Em modo automático levantei-me e contornei a crescente poça de sangue para pegar o telefone e ligar para a emergência. No início da chamada minha voz estava tão trêmula que a mulher do outro lado da linha teve um pouco de dificuldade em entender o que eu estava falando, mas consegui dizer o que havia acontecido e uma ambulância chegaria em, no máximo, quinze minutos. Eu odiava sangue, tinha pavor, mas ele estava se alastrando pela cozinha e pela primeira vez não tive vontade de desmaiar ao vê-lo.

O som dos latidos de minha cachorra parecia distante e abafado, como se eu estivesse debaixo d’água. Ouvi um barulho alto e gritei quando vi três homens entrando na cozinha com armas em punho como se estivessem em um filme de ação ruim. Mas aquilo não era ficção, era real. Georg estava sangrando no chão, a poucos metros de mim e se ele morresse, não teria mais vidas para voltar de onde havia parado e continuar, como em um videogame.

– Senhorita Bicard, fique calma. Nós somos agentes da SMMJ, estamos vigiando sua casa desde o momento que aceitou nos ajudar e vamos assumir daqui pra frente. Tem mais alguém na casa?

– Não sei. – respondi assustada.

O homem continuava falando comigo, mas tudo que eu conseguia fazer era pensar no Georg. O que eu posso fazer? Peguei um pano de prato da beirada do fogão e ajoelhei-me ao seu lado pressionando o ferimento. Era isso que se fazia nessas situações, não era? Alguém me chacoalhava, mas eu estava tão perturbada que mal via sua fisionomia.

– Nós conferimos a casa, o atirador já foi embora. Você vai ficar bem, certo? O Georg é forte, ele vai sobreviver. A ambulância está virando a rua, não se preocupe.

Não me preocupar? Esse cara está de brincadeira comigo? Fixei meu olhar no rosto cada vez mais pálido de Georg sentindo meu coração se afundar no peito. Nas semanas de convivência, ele havia ganhado um espaço grande e importante em minha vida e se tornado um maravilhoso amigo. Pessoas como ele não deveriam morrer. Aquele homem era uma das pessoas mais incríveis que já conheci, não podia ir daquela maneira – ainda mais por minha causa!

Fui empurrada delicadamente por um homem em um uniforme de paramédico e o ouvi parabenizando-me por ter tentado entancar o sangramento e dizendo que Georg ainda tinha uma fraca pulsação. Ah, então era aquilo mesmo que se fazia nessas situações. Pelo menos tentar assistir Pronto Socorro serviu para alguma coisa. As coisas pareciam acontecer de forma muito rápida para que eu pudesse assimilar. Antes que me desse conta já estava em uma ambulância com um outro agente rezando para qualquer deus que viesse a mente. A medida que ia fazendo novas promessas, ia me esquecendo das anteriores, mas isso não importava. Só queria que Georg sobrevivesse. Meu Deus permita que ele sobreviva!

Acompanhei a maca que o levou às pressas para dentro do hospital, mas não pude continuar a segui-lo quando passaram da recepção. Observei, impotente, Georg sumindo de vista e a porta balançando. Eu sou uma inútil. Não havia mais nada que pudesse fazer. Minhas roupas, meus braços e até mesmo meu cabelo estavam sujos de sangue e todos me olhavam com preocupação e dúvida, querendo saber o que havia acontecido. Aquela situação era apenas um show para elas. Se Georg morresse hoje, as pessoas continuariam vivendo suas vidas normalmente, seria como se ele nunca tivesse existido, exceto, é claro, para os que conheciam bem.

Foi naquele momento que comecei a chorar.

Georg já deveria ter salvado a vida de várias pessoas, feito coisas importantíssimas e pouquíssimas pessoas lamentariam sua morte. Pra que servem as notas boas, todas as realizações quando no final você será mais um sob a terra? Minhas pernas não conseguiam mais me deixar em pé e caí no chão, cobrindo o rosto repleto de lágrimas com meus dedos frios e melecados de sangue.

Senti alguém me abraçando e não me importei se aquela pessoa fosse um desconhecido, o abracei também e chorei como um bebê. A recepcionista ajudou a me levantar e me pôs em uma cadeira, estendendo um copo de água com açúcar em minha direção. Tomei a bebida e fiquei amassando o copo vazio em minhas mãos a medida que as lágrimas iam acabando. Era assim que eu me sentia: um copo vazio e amassado.

– Obrigada. – murmurei com a voz rouca para o homem sentado ao meu lado.

Ele era um dos agentes que tinha entrado em minha casa e deveria ter uns quarenta e poucos anos. Seu cabelo era preto com vários fios grisalhos nas têmporas, os olhos castanhos transmitiam confiança e preocupação e era possível ver rugas em sua testa e no canto dos olhos. Usava uma blusa preta e jeans junto a um tênis marrom de corrida.

– De nada. Sabe, o Georg é forte, já passou por coisa pior, vai melhorar com certeza. – falou tentando me animar – A propósito, meu nome é Hector.

– Sério? Tipo o que? – perguntei.

– Ele já... Certo, talvez essa tenha sido a maior furada em que já se meteu, mas não podemos perder a esperança, certo?

Dei um leve sorriso acenando positivamente com a cabeça.

– Georg provavelmente fará uma cirurgia demorada agora, que tal voltarmos para sua casa para que possa tomar um banho e retirar essas roupas ensanguentadas? – arregalei os olhos, não queria de modo algum pisar novamente em casa com ela ainda parecendo o cenário de um episódio de CSI – Dylan e Wagner já devem ter limpado todo o sangue da sua cozinha.

Suspirei um pouco aliviada e o segui para fora do hospital. O vento noturno me fez tremer de frio por causa do sangue que ensopava minhas roupas, meu cabelo e meus braços. Precisava de um bom banho ou vomitaria. Senti o braço de Hector me segurando quando cambaleei e agradeci pelo apoio.

Não me lembro como cheguei em casa, era como se meu cérebro estivesse tão sobrecarregado que havia apagado em certo momento para poder resfriar e reiniciar o sistema. Olhei a cozinha completamente limpa, era como se nada tivesse acontecido naquela noite e agradeci por isso. A única pessoa que estava ali comigo era Hector, que, segundo ele, cuidaria da minha segurança até o substituto de Georg chegar.

Ele me contou que assim que viram os vídeos de segurança dentro do trailer no fim da rua, os três agentes vieram para minha casa, mas infelizmente haviam chegado tarde demais. Eu tinha até me esquecido das câmeras e agradeci mentalmente Georg por ter tido a ideia de coloca-las no dia em que se mudou.

Retirei minhas roupas após trancar a porta de meu quarto e joguei-as no lixo. Não iria querer vê-las novamente nem se viessem com Gears of War 3. Lavei meu cabelo para tirar o sangue seco sem me importar com o horário, como eu não iria dormir, não tinha chances de eu acordar com ele parecendo uma juba de leão depois de levar uma surra. Tentei relaxar um pouco, mas não conseguia desviar meus pensamentos de Georg. Estava até mandando pensamentos positivos para ele.

Vesti uma calça jeans e uma blusa de moletom juntamente com uma sapatilha. Peguei minha mochila e conferi se as pastas e minhas anotações ainda estavam dentro dela. Após confirmar que sim, acompanhei Hector até a porta para voltarmos ao hospital. Eu tinha que fazer alguma coisa. Não podia ajudar Georg, mas iria me empenhar ainda mais em descobrir quem havia feito aquilo com ele.

Georg ainda estava em cirurgia e tivemos que esperar no quarto vago onde levariam ele caso sobrevivesse. O lugar era amplo, as paredes de cor creme e o piso branco passavam um ar de tranquilidade que estava longe de me afetar. Havia um banheiro pequeno, uma cama espaçosa, um sofá de três lugares azul marinho e uma ampla janela em que podíamos ver toda a cidade.

Aproveitei aquele local para estender no chão tudo que já tinha escrito e as pastas dos mortos. Agora parecia que estava óbvio desde o começo que iriam atacar Georg. Para começar ele era o chefe dos agentes da SMMJ, atingi-lo causaria muito mais dano do que com qualquer outro e ainda tinha as letras que formavam seu nome. Bem, não era exatamente seu nome, mas a mensagem ainda não estava completa, aquele ‘‘a’’ que sobrara deveria ser da próxima palavra que iria ser formada. Que ódio! Deveríamos ter previsto isso.

– Tenho um conselho para você, Marcela. Se você quer descobrir quem fez isso, não seja qualquer uma. Seja a melhor. – falou Hector sentando na poltrona e me dando ainda mais vontade de me empenhar.

Se eu falhasse, pelo menos não seria por falta de esforço. O que eu sabia até agora? A Jeu Terminé iria atacar definitivamente no torneiro Utek, que era no início do ano que vem, daqui a dois meses. Eu precisaria de todas as pastas que Georg havia me mostrado assim que nos conhecemos, as iniciais antigas também seriam importantes. Será que teria alguma outra coisa em janeiro além do Utek? Franzi o cenho e cocei a cabeça. Peguei meu celular e procurei no Google, mas não encontrei nada que pudesse ter alguma relação com Urei.

– Droga. – murmurei com a cabeça já começando a doer.

Eu não iria conseguir sozinha, precisava de alguém que tivesse outro ponto de vista , talvez com a ajuda de outra pessoa eu conseguiria ter uma outra visão das coisas. Mas em quem eu confiaria? Até onde sabia, alguns agentes deveriam trabalhar para a Jeu Terminé. Comecei a fazer uma lista mental das coisas que tinha que fazer e por enquanto a mais importante de todas era ver os vídeos das câmeras de segurança. O assassino poderia ter dado algum deslize, ter deixado algum fio perdido em que eu pudesse me agarrar e seguir. Sou teimosa como uma mula, iria descobrir quem eles eram ou morreria tentando.

~♥~

Georg não estava morto, mas havia passado bem perto disso. O médico disse que ele estava em coma, sem previsão de acordar. Apesar da notícia ter me deixado um pouco pior, o pensamento de que pelo menos havia uma mínima chance dele acordar, mesmo com sequelas, me dava esperança. Quando ele abrir os olhos, eu estaria ali para dizer que a Jeu Terminé tinha sido levada à justiça.

Observava Georg deitado imóvel na cama com um monitor cardíaco apitando cada vez que seu coração batia. Sondas saíam de sua mão e braços ligadas à bolsas de soro e medicamentos, uma faixa envolvia toda sua cabeça, um tubo saía de sua boca e ia pra um aparelho estranho. Havia tantas sondas e instrumentos em Georg que mal conseguia vê-lo naquele emaranhado complexo. Ele parecia estar dormindo e eu queria sacudi-lo até que ele acordasse. Infelizmente eu sabia que isso não iria dar certo, só me faria com que o médico me jogasse do quarto pela janela. Ele precisava de pelo menos um acompanhante em tempo integral, mas infelizmente eu não poderia ficar ali com ele. Tinha trabalho a fazer.

– Falar com ele pode ser bom. A audição dele não foi prejudicada e estímulos auditivos podem ajuda-lo a acordar mais rápido. Há um botão para chamar a enfermeira na cabeceira da cama. – falou o médico antes de sair do quarto.

O homem era baixinho, moreno e possuía poucos e grisalhos cabelos em sua cabeça. Apesar de já ser bem tarde da noite, nem seus olhos castanhos nem sua postura demonstravam cansaço, talvez ele tivesse acabado de trocar de turno. Olhei para Georg e passei a mão em sua bochecha um pouco bronzeada. O tempo que ele passou no Brasil o fez ganhar uma ‘‘corzinha’’ e tirou o aspecto pálido de sua pele. Ouvi a porta do quarto batendo e percebi que Hector havia saído.

– Georg, você é um idiota. Ficou falando tanto na minha cabeça para que eu tomasse cuidado e tudo o mais, mas na primeira oportunidade se enfiou na frente de uma arma. Você está até parecendo o Charlie Harris de Saving Hope. Será que sua alma também está vagueando o hospital? Eu sei que você nunca entende minhas referências, mas quem sabe você acorda para me pedir para explicar? Sabe, o Charlie acorda do coma então por favor, por favor, acorde também. – falei sentindo um bolo se formar em minha garganta e meus olhos arderem.

Que merda eu estava chorando de novo! Odiava chorar, minha cara ficava horrorosa e eu soluçava sem parrar. Já era a segunda vez que fazia isso na frente de Goerg, uma com ele para me acalmar, outra para ser um espectador que mal estava presente e nada podia fazer. Parecia que minha irmã ter sido liberada do outro hospital havia acontecido semanas antes, ao invés de ter sido naquela manhã. Não acredito que pensei que Georg fosse um dos assassinos.

– Sabe, eu sei que te dei uma trabalheira e quase nos fiz perder o voo de São Paulo, mas por favor não descanse ainda. Deixe-me te atormentar um pouco mais. Ainda tem gente querendo me dar um tiro na bunda, você deveria acordar logo. – fiz uma pausa e respirei fundo – Eu gosto de você Georg, por favor acorde! Você foi, ou melhor, é uma das poucas pessoas que conseguiram ganhar um lugar em meu coração em tão pouco tempo, preciso que você abra os olhos ridicularmente verdes, seu idiota!

Será que eu podia chacoalha-lo um pouco? Não tinha ninguém no quarto para ver e provavelmente não haveria câmeras também. Jogar água em alguém era um método eficiente para acordar a pessoa, será que também funcionaria para pessoas em coma? Antes que eu pudesse pensar em mais métodos para tentar acordá-lo, Hector abriu a porta com uma expressão preocupada. Ah não! Mais notícias ruins não! Será que aquilo realmente podia piorar?

– Eu sei que esse não é o melhor momento e que você está farta de notícias ruins, mas algo realmente preocupante aconteceu. Não estávamos conseguindo contactar os outros dois jogadores e quando fomos investigar soubemos que ambos sofreram ataques há poucas horas. – desculpou-se – O senhor Ivan e seu agente estão bem apesar do susto, já o agente que acompanhava o senhor Akihiko Ishizaki foi encontrado morto na casa e o jogador está desaparecido.

Realmente podia.

Notas finais
UASHASUH ELE NÃO MORREU (ainda) :B Tem alguma coisa tensa acontecendo por aí hein? Quais são suas suposições? u-u Comentem galera ♥ Pergunta do cap: Como vocês eram quando criança? Faziam muita bagunça ou eram mais quietos?