A Jararaca
8 Mordendo a Isca
Depois da ida ao mercado, o churrasco aconteceu normalmente. Rodrigo e Luís Carlos conversavam como se a briga não tivesse acontecido, simplesmente não tocaram mais no assunto.
Já estava muito tarde e as crianças foram colocadas no mesmo quarto para dormirem em colchões. Rodrigo e Marta foram hospedados no terceiro quarto, que estava vago, enquanto os donos da casa ficaram no quarto de casal.
O relógio sobre a mesa de canto ao lado da cama indicavam que já passava das 2 da manhã. Luís não conseguia dormir e um pensamento não saía de sua mente, Marta.
O loiro levantou-se da cama, preguiçosamente e caminhou até a cozinha, no escuro, onde apanhou um copo d'água. No caminho da volta, ele percebeu que a porta da frente estava entreaberta. Ele seguiu o fraco rastro de luz e lá estava ela, sentada no chão da varanda, olhando para o céu, que exibia uma lua cheia, parcialmente encoberta com nuvens.
Luís se aproximou e sentou bem ao lado da megera, encostando ombro com ombro. Marta olhava para cima, admirando a beleza da noite.
— Não consegue dormir também? — ela o fitou, demonstrando tranquilidade.
— Eh... Não... Acho que eu comi demais. — Luís respondeu, desviando o olhar.
Marta deixou escapar um discreto sorriso, como se tivesse percebido o quão nervoso Luís Carlos estava perto dela. Aqueles olhos castanhos pareciam enxergar até a alma do loiro. Xingou-se mentalmente por não conseguir nem agir normalmente perto daquela mulher. Aquela mulher maldita com aqueles olhos castanhos escuros... Era como se ela o estudasse e Luís se sentia exposto, como uma presa diante de uma predadora, à espreita de qualquer sinal de fraqueza.
Marta também o observava, assim como o loiro fazia há algum tempo. "Se acalme, seu idiota" ordenava para si mesmo, em pensamento.
— Tudo bem com você? — indagou a mulher.
— Ah.. Er.. Sim! — resmungou o loiro.
— Bom, eu vou tentar dormir um pouco. — ela disse, fazendo menção em levantar. "Não a deixe sair." pensou consigo mesmo. — Boa noite!
— Espere! — exclamou Luís, com urgência. Isso fez Marta voltar para o lugar. — Er... Como você está? Quer dizer... Você e o Rodrigo?
Imediatamente, a mulher murchou e seu um suspiro.
— As mesmas mentiras... A mesma merda de sempre! Mas eu não quero falar disso.
— Tudo bem, então.
Droga! Ele precisava inventar outro assunto rápido, ou a bruxa sairia correndo.
— Sabe, eu sempre gostei de ficar no quintal e olhar a lua cheia. — Marta comentou, olhando novamente para o céu. — Me faz esquecer os problemas, um em específico, chamado casamento. — ela deu uma risadinha.
— Sei bem como é. — disse o loiro, início a outro assunto.
Depois de muitas coisas ditas, trivialidades...
— Sabe, Marta, eu gostaria muito de ter encontrado uma pessoa como você. — Marta olhou voltou seu olhar castanho para Luís, que começou a "travar". — E...Eu teria sido feliz. — acrescentou, tentando fazer suas mãos pararem de tremer.
Nesse instante, Marta ficou ruborizada, porém, lutando para manter a postura de inabalável. Mais uma vez, a jovem mulher parecia hipnotizada pelos olhos azuis de seu rival.
A troca de olhares durou alguns segundos, como se a mulher não conseguisse escapar do "feitiço", por mais que tentasse. A serpente mordeu a isca!
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