A Jararaca
10 Apenas mais uma de amor
Notas iniciais
— Você tava tentando gravar que música? — perguntou o loiro, tentando aliviar a tensão.
— Uma música chamada histeria, do Deff Leppard. — respondeu a castanha, frustrada. — Mas essa porcaria de rádio sempre coloca propaganda de sabão em pó ou açougue da puta que pariu...
— Bom, eu acho tenho uma fita com essa música. Se quiser eu trago um dia desses... — disse Luís, sem jeito.
— Sério? — Marta ficou radiante na mesma hora. — Poxa, obrigada!
Luís apenas acenou com a cabeça, de maneira tímida. O loiro percebeu que Rodrigo não parecia satisfeito com aquela conversa fiada e mudou de assunto. Conversas e garrafas de cerveja depois, era a hora de voltar para casa. Finalmente Rodrigo começara a ver a cobra que a esposinha dele era.
Tudo estava caminhando como o planejado, porém, Luís não tinha a fita com a música.
Duas semanas depois de pedir música por música nas rádios, Luís finalmente conseguiu gravar a tal fita.
Era mais uma manhã de segunda-feira e ainda faltava meia hora para o início do expediente, Luís Carlos já estava pendurado no orelhão em frente à firma. A temperatura começava a mudar graças à troca de estação, até o céu parecia mais escuro do que o normal.
— Err... Marta? — iniciou ao ouvir um "alô" do outro lado da linha. — Eh... — "Que merda, Luís! Seu burro, fale alguma coisa!" disse à si mesmo em pensamento. — Marta, eu... Eu consegui encontrar a fita...
Marta ao telefone:
(Legal! Você quer que eu vá até aí buscar?)
— N... Não, pode deixar que eu busco... Quer dizer... Que eu levo...
Luís estava... Nervoso? Justo ele que era o porra louca, cara de pau, que não tinha vergonha de nada? O que estava acontecendo? " Foco, seu merda!" amaldiçoou-se internamente. Ele pôde ouvir uma risadinha pelo telefone.
(Tudo bem! Muito obrigada, Luís, de verdade...)
— De boa! — respondeu o loiro, sentindo suas bochechas corarem. — Ah, e... Você sabe se o mercado tá aberto? — questionou ao perceber que a conversa iria acabar.
Que porra de pergunta foi aquela? Como é que Marta iria saber? Ela nem morava perto do mercado, sem falar que ainda nem eram 6h da manhã.
(Eu não sei, Luís, ainda é meio cedo e eu moro longe do mercado. Você quer que eu busque alguma coisa pra você?)
Ela nem percebeu que o assunto do mercado era só uma desculpa para esticar a conversa.
— Não, tá tranquilo! — droga, já era hora de ir para o trabalho. — Eu... Eu tenho que ir. Te vejo hoje à tarde.
(Tchau, Luís!)
— Tchau! — exclamou, ao praticamente bater o telefone no gancho.
Respire fundo, Luís Carlos, você não pode demonstrar que ela te deixa nervoso. E que frio é esse no estômago? E esse sorriso bobo nos lábios? Por que você quer telefonar de novo?
"Não, não, não, não! Mas que porra tá acontecendo comigo?" "Essa filha da puta conseguiu ME manipular... QUE MERDA!"
Luís Carlos colocou a ficha telefônica de volta no bolso da jaqueta e entrou pelo portão da fábrica, junto com os outros funcionários.
Eu gosto tanto de você
Que até prefiro esconder
Deixo assim ficar...
Subentendido...
É uma ideia que existe na cabeça e não
Tem a menor pretensão de acontecer
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