A Jóia Perdida
5 Preocupação Real
Notas iniciais
- Ei! Não durma! – gritou novamente o guarda, mas desta vez não adiantou...
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Os habitantes sussurravam enquanto olhavam os dois guardas dos portões carregando um garoto que sujava o chão do Reino de Hyrule com seu sangue. Quando estavam na porta do hospital, o guarda mais velho disse para o outro:
- Deixe que agora eu o carrego. Vá relatar o que aconteceu ao Rei imediatamente!
- Sim. Segure a espada. Deve ser do garoto – disse o guarda mais novo, estendendo uma espada que ainda estava brilhante.
- Pode deixar – disse o guarda mais velho, pegando a espada – Isso ficará com ele. Agora vá! – enquanto o mais novo deixava o garoto e sua espada aos cuidados de seu parceiro, saiu correndo para relatar ao Rei o que havia acontecido.
Zelda:
Eu estava no salão real, quando um guarda passou correndo para falar com meu pai. Fingi estar arrumando algo atrás do trono para poder ouvir o que o guarda estava dizendo.
- Meu Rei, um garoto loiro e de túnica verde foi encontrado à beira da morte e sendo atacado por um esqueleto, que nós, guardas dos portões, derrotamos facilmente. O outro guarda levou o garoto ao hospital e me mandou vir aqui relatar o acontecido – sussurrou o guarda, mas era o bastante. Eu já sabia quem era.
Saí sorrateiramente do castelo e corri para o hospital. As pessoas se curvavam a mim, mas eu não estava ligando. Eu corri com todas minhas forças. Quando cheguei na porta do hospital, vi a trilha de sangue que, provavelmente, vinha dos portões.
Entrei no hospital e perguntei a recepcionista onde estava o garoto da túnica verde. Às vezes é bom ser a Princesa. Então recebi a informação de que, como ele estava extremamente ferido quando o guarda o trouxe, o levaram para a sala de cirurgia, onde teriam que fechar o peito e as costas, que havia sido perfurado por uma espada. Mas, aparentemente, talvez por muita sorte mesmo, não atravessou seu coração, mas chegou perto. E também havia o nervo do pé, que haviam cortado quando cortaram sua panturrilha.
Fui para a sala de espera que ficava na frente da sala de cirurgia. Lá estava o guarda que, provavelmente, o trouxe para cá. Quando ele me viu, fez uma reverência e me perguntou:
- Ojou-sama*, o que a senhorita faz aqui?
- Eu... Fiquei sabendo que um súdito meu foi encontrado quase morto.
- Bem, eu diria que não é bem um súdito seu. Ele nem mesmo mora no reino. É o neto do ferreiro. Ambos moram fora do reino.
- Não importa! – eu disse, fazendo com que o guarda se surpreendesse.
- Senhorita?!
- Desculpe. Er... Vá falar com meu pai. Dê a ele mais detalhes. E diga a ele para chamar os outros guardas, pois eu lhes dei folga.
- Obrigado senhorita. Com licença.
O guarda saiu e eu sentei numa das cadeiras que ali tinham. Eu fiquei horas ali. Quando finalmente saíram da sala, levando Link na cama, ainda inconsciente, era de noite. O levaram para um dos melhores quartos a meu pedido. Assim, me deixaram com ele, pois, já que eu sou a Princesa...
Dias se passavam e Link não acordava. Eu quero que ele acorde logo...
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Uma semana depois de Link ter sido operado...
Link:
Mesmo com os olhos fechados eu via uma forte luz. Abri o olho, mas logo em seguida eu o fechei. Era, obviamente, a luz do sol entrando pela janela. Onde eu estou? E que peso é esse em cima de mim? Levantei um braço, com muita força e protegi meus olhos da luz. Abri novamente os olhos e vi uma garota de cabelos longos e louros. Só podia ser ela. E estava dormindo. Em cima de mim! Eu sou travesseiro por acaso?!
- Zel...da... – pronunciei. Minha voz estava muito fraca – Zel...da... – pronunciei novamente, e nada. Nessa hora, a luz do sol diminuiu e eu descansei meu braço em cima da cabeça dela. Sorri com um pequeno esforço. Acho que não faria mal se eu voltasse a dormir...
Zelda:
Acordei e vi que já estava de noite. O braço de Link pesava sobre minha cabeça. Espera. Como assim?! Como o braço dele estava em cima de mim? Será que ele...? Bom, a esperança é a última que morre. Tirei o braço de cima da minha cabeça e o coloquei de volta na cama. A movimentação de seu braço fez ele abrir um olho.
- Você acordou... Sabia que eu... não sou... um travesseiro?
- Link você... Você acordou! – eu disse. Limpei as lágrimas que escorriam de meus olhos e contive um impulso de abraçá-lo – Seu... Insolente!
- Desculpe por não ser forte, Ojou-sama. Eu... queria apenas encontrar meu avô. E acabei te deixando preocupada. Me desculpe – ele fez menção de se mexer, mas eu o impedi.
- Não se esforce. E também não se preocupe. – Eu fiquei com o rosto quente só de pensar e imaginar, mas assim o fiz. Dei um beijo em sua testa. Vi que ele também ficou vermelho, então eu disse – Hã... eu vou falar pro médico que você acordou... – e saí correndo.
Link:
Eu não tenho forças nem para me mexer. Que patético. A princesa deve estar rindo de mim lá fora. Rindo de como eu sou fraco. Mas eu não tenho tempo para treinar e muito menos ficar deitado nessa cama. Eu tenho de encontrar meu avô, e é isso que eu farei.
Com um enorme esforço, eu levantei meu corpo da cama e coloquei as pernas para fora. Será que eu conseguiria andar? Apoiei meu pé esquerdo no chão e saí da cama. Até aí tudo bem. Quando apoiei meu pé direito no chão, senti uma dor lancinante e caí. Admito que gritei. Tentei parar de gritar, mas não conseguia. Era mais forte que eu.
O médico e a Princesa entraram correndo. Ele logo me colocou na cama.
- Você não pode sair andando assim, logo depois de ser operado, meu jovem – disse o médico.
- Eu disse pra você não se esforçar Link! – esbravejou a Princesa.
- Eu preciso encontrar meu avô! – gritei sem querer.
- Bom, se quer sair andando, sugiro que fique aqui e se recupere – disse o médico com um olhar reprovador.
- E quanto tempo vai demorar? – perguntei entre os dentes. A dor ainda era forte.
- Não sei, não sei... Mas fique e se recupere e poderá andar novamente – disse o médico – Com sua licença, senhorita. – ele fez uma reverência e se foi.
Eu tenho que encontrar o vovô de qualquer jeito. Mas parece que eu não vou conseguir andar se não ficar e me recuperar. Só gostaria de saber o que está acontecendo...
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