A Jóia Perdida
2 \"Eles\" estão de volta
Notas iniciais
Estranhamente, talvez pela luz do sol, eu vi os olhos do pássaro vermelhos. Mas não podia ser. Lembrei da lenda novamente. Segundo vovô, apenas monstros tinham olhos vermelhos. Puxei com mais força e fui rapidamente na direção dos portões, e pelo canto do olho, vi o pássaro levantar voo.
Link:
Quando cheguei nos portões, os guardas me pararam, pediram a identificação e inspecionaram a caixa. Eu falei que esta era uma encomenda para o proprietário da Loja de Armas do reino, um deles me acompanhou até a loja, e depois voltou ao portão.
Entrei na loja e o proprietário logo me mostrou onde deixar a caixa. Parece que ele e meu avô haviam combinado uma quantia, mais uma bainha como pagamento. Peguei o dinheiro e a bainha. Logo, tirei a espada das costas e a coloquei em cima do balcão, com a permissão do dono da loja. Assim que desenrolei a espada, o dono da loja ficou interessado em comprá-la, mas eu a coloquei na bainha, e disse-lhe que não estava à venda e que eu ia voltar mais tarde para pegar a caixa, junto com mais uma encomenda.
Saí do estabelecimento e fui comprar algumas coisas que vovô havia pedido para comprar com o pagamento. Verifiquei tudo, para ver se estava tudo certo, e já estava indo buscar a caixa quando ouvi trombetas soarem. Me virei e vi que uma multidão já se formava.
Fui até lá e passei facilmente pelos adultos, afinal, eu sou pequeno. Quando cheguei à frente, vi o por que do tumulto. No meio, vindo do castelo, havia uma garota com longos cabelos louros, um vestido de saia grande e rosa, e olhos verdes. Fiquei-a observando, embora não soubesse quem era. Mas eu não tinha todo o tempo do mundo. Virei-me para ir embora, mas levei um empurrão, que me fez cair aos pés da garota.
Levantei-me rapidamente e vi que todos haviam se ajoelhado. Sem entender o porque, olhei para a garota. Esta me olhava como se fosse superior a mim.
-Não vai se ajoelhar perante mim? – perguntou a garota
-Hã... E por que eu deveria? – perguntei inocentemente, mas a garota pareceu ofendida
-Porque... Porque... – pronunciou ela, visivelmente desconcertada
-Quem é você? – perguntei novamente, inocentemente. Um “Ooh!” se elevou da multidão, mas estes nada disseram.
-Eu sou a Princesa Zelda. Agora você deve se curvar diante da minha presença. – disse ela.
Então essa era a princesa... Devo admitir que ela era realmente linda, mas sua beleza não me afetou... muito.
-Ah! Então você é a Princesa Zelda! Eu sou Link. – sorri e estendi a mão, mas algo me disse que ela não iria apertá-la. Vi que o céu estava se tingindo com um tom avermelhado e virei-me para sair da roda. Mas antes: -Céus! Está tarde! Bom, já está na minha hora. Até mais, e foi um prazer conhecê-la Princesa! – e com isso, saí correndo, deixando uma princesa furiosa para trás e uma parte da galera rindo da minha inocência, e outra perplexa com tal.
Passei novamente na loja pegando a caixa junto com a nova encomenda para vovô. Coloquei as compras na caixa, assim como o pano e o pedaço de corda que faziam de bainha para minha espada antes, agradeci e saí puxando para casa.
No meio do caminho, havia três pássaros com olhos estranhamente vermelhos. Eles me atacariam? Acho que não. Continuei puxando a caixa até ouvir um farfalhar de asas e olhei para trás para ver os pássaros se afastando. O problema, é que eles não estavam se afastando. Eles vinham direto na minha direção.
Assim como qualquer pessoa sensata, me joguei no chão. Seu bicos rasparam a superfície da caixa, o que dizia que eram afiados. E muito. Levantei-me e vi que estavam voltando para um novo ataque. Eles continuavam alinhados horizontalmente. Empunhei minha espada e ergui-a acima de minha cabeça, mas vi que meu ataque daria errado, então me joguei no chão novamente. Voltei a me levantar. Novamente, eles voltavam na linha horizontal. Desta vez ia dar certo. Empunhando a espada com a mão direita, levei a lâmina até o lado esquerdo, e apoiei a mão livre na parte chata desta. Calculei o tempo certo e soltei a mão esquerda da lâmina, liberando a força que eu tinha contido nela. A espada fez uma linha horizontal e acertou os pássaros. Os bicos se estilhaçaram e os corpos cortados fatalmente. O que havia sobrado deles sumiu em uma fumaça.
Guardei minha espada e voltei a puxar a caixa para casa, mas com um pensamento em mente: “Eles estão de volta”.
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