A Irmandade

1 O estranho benfeitor


sultava em mais brigas.

E claro havia a duvidosa proposta de juntar-se aos infames, mas, famosos e temidos Comensais da Morte, o poder e influência oferecidos eram muito mais que ele poderia ambicionar, e também a promessa de ter seus inimigos em suas mãos.

Porém, como boa serpente criada que era Severus sabia que nada (absolutamente nada) vantajoso era oferecido de graça e mesmo não tendo tido muito contato com os aspirantes a comensal (alguns colegas de casa influentes) sabia que uma vez que se tornasse um dos cães de caça do lorde das trevas não havia contrato de encerramento, isto é, não poderia simplesmente declinar com um adeus e voltar a sua vida normal.

Sem falar que havia uma certa pessoa de belos cabelos acaju e olhos mais verdes que sua gravata de segunda mão da sonserina, que certamente não ficaria nem um pouco feliz com sua atual decisão.

Ah, como Lilian lhe fazia falta.

—Ficar lamentando vai adiantar alguma coisa Severus? —Uma voz doce despertou Severus de seus pensamentos e suas mãos que batalhavam incansavelmente com a gravata que não queria dar nó rumaram imediatamente para onde deveria estar sua varinha. Apenas para perceber que ela não estava lá

— Procurando por isto? — Seguindo em direção a voz Severus encontra uma figura um tanto quanto curiosa.

Um garoto um pouco mais novo que ele, uma mecha de cabelo vermelho escarlate preso a um estranho capacete com formato estranho e olhos dourados e um estranho traje lhe sorria com sua varinha em mãos

—Quem... diabos é você?

—Sou o que pode ser sua salvação ou sua perdição, você que decidirá.

Severus lhe encara incrédulo, aquele garoto estranho tinha sua varinha em mãos e aquilo era o menor dos males, em teoria ele deveria ter sido barrado pelas proteções de Hogwarts e sua presença notada por Dumbledore.

— Já disse que você pensa demais? Mais um pouco e sua cabeça irá ferver

E com a naturalidade de um velho amigo ele retira o estranho capacete/ elmo parecendo suspirar aliviado ao sentir seus ondulados cabelos caírem em uma cascata sob seus ombros, e senta na confortável cama de dossel de Severus.

—Deve estar se perguntando o que eu sou e como consegui passar pelas poderosas proteções do velho tolo que possuem como diretor não é? Na verdade eu não deveria estar aqui se quer saber, Dumbledore pensou que poderia me impedir com aquelas runas mágicas que recitou, mas, esqueceu que meu maior poder estava no profundo desejo que habita no coração de cada mortal que caminha sobre esse planetoide miserável.

Vendo que o adolescente continuava em seu lugar estático e com os olhos fixos na varinha que possuía em suas mãos, o poderoso e desconhecido ruivo estalou os dedos e rapidamente três esferas de fogo surgiram a sua frente, o que pareceu assustar a Severus

—Vamos logo aos negócios, ok? O que eu tenho aqui sob meu controle podem parecer chamar poderosas de um poderoso feitiço que podem lhe desintegrar em poucos instantes não é? Mas, é muito mais que isto, estas chamas conjuradas podem ou não realizar o maior desejo de seu coração, mas, está certo que realizarão grandes mudanças nesta coisa patética que chama de vida.

Severus ainda estava assustado e desejava com todas as forças acordar e ver que tudo aquilo lhe era um sonho louco e bizarro causado pelo exagero de sorvete que comera na noite anterior junto a Régulos, antes de “aquilo” acontecer.

Sacudiu a cabeça ao lembrar-se da atitude inesperada do Black mais novo e apesar de ter gostado de sua breve experiência bi curiosa só tinha olhos para Lily não é?

—Alô? Alguém aí? — Ok, aquele garoto estranho ainda estava lá e agora bem próximo a si, junto às esferas luminosas e misteriosas paradas logo acima de si como que aguardando a primeira ordem para atacar.

— Se você tivesse a mísera chance de mudar uma das várias atitudes erradas que tomou, faria mesmo sabendo dos riscos que correria? — E somente com aquela breve fala, ele relembrou do momento ao qual faria de tudo para fazer diferente.

O menino lhe sorria, ele parecia ser algo ou alguém extremamente poderoso para reverter sua lamentável situação.

Mas, nada na vida tinha lhe vindo de graça.

Da mesma maneira que a associação com Lucius Malfoy lhe rendera proteção, também havia obrigações e deveres a serem cumpridos para garanti-lo, e contestar um Malfoy não era exatamente uma decisão sábia

—Olha quem está pensando em decisões sábias? A pessoa que estava pensando em juntar-se a um lunático megalomaníaco que pensa que pode se prender a este plano usando meios sujos!! Vamos Severus, você não tem muito a perder aceitando o que eu tenho a lhe oferecer não é?

E se ele estivesse mentindo? Ou fosse apenas mais um engraçadinho tentando encontrar seus pontos fracos para chantageá-lo depois? Ou fosse algum bruxo das trevas poderoso que pudesse fazer mal as pessoas que ele prezava?

— Posso lhe dar o que você precisa, e quem sabe o que mais deseja?

O desconhecido tinha razão em um ponto, do jeito que as coisas andavam, não havia muito a perder.

—Se eu aceitar seja lá o que você estiver oferecendo, o que terei de fazer? — O menino deu-lhe um sorriso que poderia ser definido como predatório

—Um pequeno preço para um pobre tolo desesperado, segundo a sua lei bruxa se eu lhe fizer um favor tu estarás me devendo um, e costumo cobrar com juros, com um grande favor que lhe farei deverás ser eternamente grato a mim mas, o que vier a seguir é de sua total responsabilidade.

E afastando-se subitamente fazendo as esferas brilhosas desaparecerem, ele novamente sentou-se a sua cama.

—O que está a esperar? Deseja ou não deseja mudar?

Era agora ou nunca, talvez aquela decisão entrasse para sua lista de “bolas foras” de uma maneira mais grave ou talvez fosse a primeira vez que ele finalmente tomasse uma decisão correta em toda sua vida.

—Eu aceito.

“Continua....”