Notas iniciais
Bom tudo começou em uma aula de redação quando fizemos um roteiro de documentário e filmamos um documentário sobre distúrbios psicológicos e a situação das clínicas psiquiátricas. Conhecemos casos de psicopatia infantil e o passado dessas crianças. Foi um trabalho forte de ser feito e difícil de ser assistido, mas que me deu muitas ideias.
Tudo que descrevo aqui são fatos retirados e inspirados do documentário Child of Rage e no filme feito em 1992 com uma garotinha de 6 anos chamada Elizabeth Thomaz que tinha traços de psicopata.

Pequena garota aterrorizada

Ela sairia do quarto se só a saúde curasse

Uma casa não é lugar para se esconder

O coração dela está quebrado pela dor que ela sente

Ela andava pelos corredores do colégio vestida no impotente uniforme de líder. O sorriso travesso e ao mesmo tempo dissimulado encantava a todos a sua volta, não era a toa que estando apenas há três meses no colégio já era uma líder e muito popular.

Finn: Bom dia Babe. – E esse era seu namorado, jogador de futebol e muito apaixonado.

Rachel: Só se for pra você. – Aceitou o selinho.

Finn: Brigou com Cat de novo? – Perguntou já sabendo a resposta.

Rachel: Ela me tira do sério amor e agora eu estou de castigo.

Finn: Pequena você tem que deixa-la em paz ela só tem seis anos e você dezesseis. – Ele suspirou quando ela lhe lançou um olhar totalmente fechado. – Ok, qual foi o motivo dessa vez?

Rachel: Ela queria brincar comigo enquanto eu assistia TV então eu a empurrei do sofá e ela cortou a testa na mesinha de centro. – Ela tinha um sorriso no rosto que sempre aterrorizava Finn.

Finn: Amor isso é errado. – Sua voz soou como uma bronca e Rachel não gostou disso.

Rachel: Lá vem você com certo ou errado eu faço o que eu quero. – A menina saiu deixando o namorado frustrado.

Finn amava aquela menina e na maior parte do tempo ela era uma garota normal e amorosa, mas às vezes seu comportamento o assustava, já que ela era uma montanha russa de emoções que ia desde surtos de raiva quando não faziam o que ela queria até vezes em que ela tentara machucar de verdade seus colegas. Finn sabia que ela escondia algo, mas ele não fazia ideia do que era e da gravidade.

Até os anjos tem seus planos perversos

E você leva isso para novos extremos

Sue: Vamos meninas, até minha avó consegue fazer melhor. – Gritou para as líderes que executavam uma pirâmide humana perfeitamente.

Sue estava prestes a gritar novamente, mas algo aconteceu e ela pela primeira vez não sabia o que dizer.

Uma de suas líderes, a que estava no topo da pirâmide, deveria saltar e cair no colo de seus quatro melhores atletas, Rachel, Santana, Kurt e Josh, porém isso não aconteceu já que Rachel ao invés de ajudar a segurar a menina simplesmente afastou-se e cruzou os braços sorrindo quando a menina caiu bem na sua frente. Ninguém tinha coragem para se mexer.

Sue: Berry, para a sala do diretor Figgins, AGORA. – Depois de recuperar a fala ela foi capaz de dar a ordem.

Rachel: Eu não quero. – Ela ainda mantinha o sorriso dissimulado nos lábios.

Sue: Eu não perguntei. – Vendo que uma de suas atletas estava machucada ela gritou. – Levem-na para a enfermaria e você mocinha. – Agarrou Rachel pelo braço. – Vai me obedecer e vai agora mesmo para a sala do diretor.

Rachel: Solte-me você está me machucando.

Desde que o errado pareça certo

É como se eu estivesse em vôo

Sue: O comportamento dela foi inadmissível. – Sue gritava pela sala do diretor enquanto Rachel assistia tudo com um sorriso no rosto. – Figgins, eu quero essa menina fora do meu ginásio.

Figgins: Mas ela é uma de suas melhores atletas. – O diretor sabia de algo que ninguém sabia. – Vamos tentar resolver isso da melhor forma.

Sue: Então chame o pai dela.

Sue viu o diretor pedir à secretária que chamasse William Schuester, professor do coral da escola e pai de Rachel.

Em menos de dez minutos Will estava na sala, ele parecia um pouco desesperado e Sue não entendia o porquê.

Rachel: Papai. – A menina correu para os braços do pai que a acolheu.

Sue: Will, eu quero sua filha fora do meu ginásio. – Gritou tirando a atenção de homem de sua filha.

Will: O que ela fez? – Perguntou derrotado.

Figgins: Ela deixou uma de suas colegas caírem no chão.

Sue: Correção, ela quase matou uma de minhas meninas.

Will: Ok, querida por que você fez isso?

Rachel: Por que eu quis e eu achei que seria legal. – Sorriu.

Will: E foi? – Perguntou sabendo a resposta.

Rachel: Sim.

Sue: Essa menina é louca.

Rachel: Ela me machucou papai. – Em segundos Rachel saíra da pose calma e fora para um descontrole. – Me tira daqui ela vai me machucar papai não deixa. – Ela gritava enquanto abraçava cada vez mais Will.

Sue: O que? Eu não fiz nada com ela.

Will: Eu sei Sue. – A treinadora estava cada vez mais confusa.

Rachel: Acredita em mim papai.

Will: Eu acredito querida, agora vamos para casa. – Ele pegou a menina no colo enquanto a mesma ainda chorava.

Sue: Mas... – Foi interrompida.

Will: Figgins lhe contará tudo eu preciso leva-la para casa, desculpe Sue.

Sue ouviu cada palavra sobre Rachel em silêncio.

E é doentio que todas essas batalhas

São o que me mantém Satisfeito

Dias depois Finn estava na casa de Rachel, os dois estavam no sofá e aos poucos os beijos se intensificaram. Finn puxou a menina para seu colo e por mais difícil que seja de acreditar ele não tinha intenções, afinal os dois estavam na sala da casa dos pais dela e ele respeitava muito Rachel, mas o que aconteceu em seguida foi assustador.

Rachel: Pare, pare, pare, pare, pare. Eu não quero mais. – Ela soltou-se dos braços de Finn e em minutos estava destruindo a sala. – Eu te odeio, pare com isso PAREEEEEEE.

Em segundos Will e Shelby, os pais de Rachel, estavam na sala. Will tentava conter a menina enquanto Shelby conversava com Finn.

Finn: Eu juro que eu não fiz nada. – Culpada ele argumentava com a mais velha que delicadamente o retirava da sala.

Shelby: Fique calmo nós sabemos que não é sua culpa. Escute Finn eu prometo que se você voltar amanhã eu e Will explicaremos tudo, mas agora você tem que ir embora.

Finn: Mas e a.... – Foi interrompido.

Shelby: Por favor, é pelo bem dela.

Finn assustado com tudo foi embora.

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Will: Finn, você tem que ser forte com tudo que escutará agora.

Finn estava na casa de Rachel de frente para os pais da menina e estava ansioso para saber o que estava acontecendo.

Finn: Eu serei só não aguento mais todo esse mistério em volta da Rachel.

Will: Bom, em primeiro lugar Rachel e Cat não são nossas filhas biológicas. – Finn paralisou. – Nós as adotamos em Nova York seis anos atrás.

Finn: Mas elas são praticamente idênticas.

Shelby: Elas são irmãs biológicas, tanto de pai quanto de mãe. Nós adotamos as duas para não separá-las e por que nos apaixonamos pelas duas desde a primeira vez que a vimos.

Finn: Tá mas, o que isso tem haver com o comportamento da Rachel.

Will: Então, Rachel viveu até os dez anos com a família biológica, mas dois meses depois de Cat nascer à mãe delas morreu e elas foram tomadas do pai pela justiça.

Finn: Por quê?

Shelby: Ele abusava de Rachel e quando Cat nasceu e a mãe delas morreu ele perdeu o controle e os gritos de Rachel fizeram com que os vizinhos acionassem a polícia.

Finn: Você quer dizer que... – O menino estava horrorizado.

Will: Rachel sofreu abusos sexuais, físicos e mentais por parte do pai e da mãe.

Finn: PARA. – Ele gritou levantando do sofá.

Shelby: Finn, nós sabemos que é difícil de aceitar, mas essa é a verdade.

Finn: E por que ela é assim? Digo, violenta.

Will: Bem, essa é a segunda parte da história. Quando nós a adotamos não sabíamos nada sobre o passado dela, mas depois de um mês com ela em casa nós percebemos que tinha algo de errado. Ela não era uma criança normal, nunca a vimos sorrir uma vez, pelo contrário todas suas ações mostravam ódio e raiva. Até que uma vez nós a pegamos tentando sufocar Cat com um travesseiro, aí nós decidimos leva-la a um psicólogo e através dele e como parte do tratamento fomos atrás do passado dela. – Will suspirou pesado e a esposa continuou.

Shelby: Foi quando descobrimos tudo o que ela passou e depois de alguns meses de observação a equipe médica deu um diagnóstico. – Ela parou como se buscasse forças. – Rachel tinha apresentado sinais de sociopatia e psicopatia.

Finn: Rachel é uma psicopata? – Sua expressão era indecifrável.

Will: Não como nos filmes, ela fez tratamento ficou um ano em uma clínica de tratamento intensivo, mas não é algo que deve ser curado já que não é uma doença e sim um desvio de personalidade.

Shelby: Hoje ela está bem.

Finn: Bem? Me desculpem Sr. E Sra. Schuester, mas ela machucou uma colega,

Shelby: Acredite, quando falamos que ela está bem.

Will: Sabe como a mãe dela morreu? – Finn negou com medo da resposta. – Rachel a matou, ela levantou no meio da noite e deu trinta facadas da mãe.

Finn estava desesperado e horrorizado, sua namorada era uma assassina.

Shelby: Nós sabemos que tudo isso é difícil de ser digerido, só pedimos que não a machuque, pelo menos por enquanto.

Finn: Eu nunca a machucaria, eu a amo. Espere, por que disse por enquanto?

Will: Um dos sintomas da psicopatia é a falta de sentimos, essas pessoas não sentem nada por isso matam sem remorso. Rachel iniciou há uma semana a última fase do tratamento para que sinta alguma coisa e vença todo o medo e raiva que tem dentro dela.

Finn: Como isso é feito?

Shelby: Junto com profissionais nós despertamos a raiva nela e tentamos passar pela dor e chegar ao medo e assim reverter o que ela sente.

Finn: Eu posso assistir essas seções, sabe eu amo ela e quero ajudar de alguma forma.

Will: Não é algo bonito de se ver, mas se você está disposto, tudo bem. – Will se levantou deixando Finn a sós com Shelby.

Shelby: Obrigada por amar minha filha.

Pois você não pode fazer curativo nesse ferimento

Você realmente, nunca pode consertar um coração

Finn não estava acreditando que faria aquilo ver sua namorada sendo testada e não poder fazer nada era no mínimo frustrante, mas depois de alguns minutos ele passou de frustrado para paralisada com as palavras que saíam da boca de Rachel.

Ela estava deitada no sofá da sala com a psicóloga tendo sua cabeça no colo, Shelby seu tronco onde podia ter acesso a seus braços e Will tinha seu quadril no colo para ter controle sobre suas pernas. Em volta da sofá haviam dois enfermeiros que estavam prontos para intervir e outro psicólogo que anotava algo, enquanto filmava todo o processo.

Dra. Sarah: Vamos Rachel me diga quem está no comando agora? – Depois de muita provocação, Rachel se debatia e gritava para que a soltassem.

Rachel: Eu te odeio sua vadia. – Era a primeira vez que Finn via Rachel com aquele olhar no rosto, não parecia sua namorada, era algo triste e dissimulado.

Dra Sarah: Mais alto, eu mal posso te ouvir. Quem está no comando Rachel? – Se tinha uma coisa que Finn aprendera era que Rachel não gostava de perder o controle da situação.

Rachel: EU. – Ela gritou. – EU FAÇO O QUE QUERO A HORA QUE EU QUERO.

Dra. Sarah: Qual é você mal pode se soltar. – Rachel chutou como pode. – Até minha avó chuta mais que você. Eu estou no comando e não você escutou bem.

Rachel sussurrou algo inaudível.

Dra. Sarah: Fale mais alto eu quero ouvir. – Provocou mais.

Rachel: Eu vou matar você, sua vadia estúpida. – Finn viu o olhar doentio da namorada em direção a Sarah.

Dra. Sarah: Você pode fazer melhor que isso, fale mais alto o que quer fazer comigo. – Finn achava Sarah mais louca que Rachel, a menina dizia que a mataria e mesmo assim ela continuava a provoca-la.

Rachel: EU VOU MATAR VOCÊ, VOU TE SUFOCAR DA MESMA FORMA QUE FIZ COM CAT. EU PROMETO QUE EU VOU TE MACHUCAR. – Finn estava aterrorizado.

Dra. Sarah: Diga-me por que você quer me matar. – Finn viu a feição de Rachel vacilar e uma lágrima escorrer enquanto ela se debatia cada vez mais, Sarah percebeu o mesmo e pela primeira vez incentivou a menina ao invés de provoca-la. – Vamos lá garota, você está indo bem, diga-me por que quer me matar.

Rachel: Por que você não que me soltar e está me machucando. – Já estava difícil controlar Rachel, pois um dos enfermeiros teve que ajudar a segura-la.

Dra. Sarah: E qual foi a primeira vez que se sentiu assim?

Rachel: EU NÃO SEI. – Seu grito mostrava raiva. – PARE, EU ESTOU MANDANDO EU QUERO LEVANTAR AGORA.

Dra. Sarah: Você não manda nada aqui ouviu bem. – Finn viu Rachel parar de se debater por alguns instantes e sorrir dissimulada antes de reagir novamente.

Rachel: Mamãe, papai, por favor, a faça parar está me machucando. – A voz doce havia voltado, mas Finn viu que nem Shelby nem Will fizeram menção de reagir ao chamado da filha e Rachel pareceu entender isso também. – EU ODEIO TODOS VOCÊS, EU VOU TE MATAR PAPAI, VOCÊ VAI VER O QUANTO VAI DOER, SEU DESGRAÇADO.

Dra. Sarah: Diga-me por que quer matar seus pais? – Provocou de novo.

Rachel: NÃO. – Logo o sorriso voltou e ela direcionou aquele olhar doentio para Finn. – Finn meu amor os faça pararem, eles estão me machucando.

Finn não aguentava mais aquilo, queria tirar sua namorada dali a muito tempo, mas vê-la implorando foi demais e ele até teria a retirado dali, mas Sarah o interrompeu, quando o mesmo se aproximou.

Dra. Sarah: Nem pensar garoto. Ela está te manipulando, não caia nessa. Ela não é sua namorada doce e amorosa, mas sim uma versão fria, dissimulada e que faria qualquer coisa para ter o que quer.

Rachel vendo que ninguém atenderia seus pedidos voltou a se debater.

Rachel: Eu te odeio sua vadia, eu vou te caçar e te matar da forma mais dolorosa e você vai implorar para não ter nascido, sua desgraçada.

Dra. Sarah: Tudo bem, por hoje chega. Podem acalmá-la. – Pediu a Will e Shelby que de imediato abraçaram a filha que caiu em um choro doloroso.

Will: Está tudo bem agora querida, você pode se acalmar. Mamãe e eu estamos aqui e não deixaremos ninguém te machucar. – Ele acariciou as costas da filha enquanto Shelby tinha o rosto dela em seu pescoço.

Até que Rachel levantou o rosto cansado e devastado pelas lágrimas e ainda sentada no colo do pai vomitou no chão da sala. Foi à vez de Shelby acariciar as costas da menina.

Dra. Sarah: É o organismo dela reagindo ao que ela está sentindo.

Shelby: Isso querida, está tudo bem. – A menina continuava vomitando. – Deixe vir, ponha para fora. Eu e o papai estamos aqui com você.

Dra. Sarah: Shelby acho que ela precisa descansar agora, nós continuamos amanhã. – Aconselhou e viu o casal tirar a filha do cômodo.

Finn estava saindo da sala também, quando...

Dra. Sarah: Difícil de encarar não é? – Disse a ele.

Finn: Ela parece outra pessoa. – Confessou em um suspiro. – Por que as câmeras? – Aquilo o tinha incomodado desde o começo.

Dra. Sarah: Rachel foi à primeira criança na América a ser diagnosticada com traços de psicopatia. Desenvolvemos um tratamento exclusivo. Tudo o que foi feito com Rachel durante seis anos foi documentado e no futuro servirá como base de estudo.

Finn: Então Rachel é uma cobaia?

Dra. Sarah: Nem nós sabemos o que ela é. A questão é que nunca vimos nada parecido, ela melhorou muito desde a primeira vez que a vi.

Finn: Ela te ameaçou de morte.

Dra. Sarah: Não foi a primeira vez. – Finn arregalou os olhos. – Escute rapaz, Rachel só é assim por conta do que viveu com os pais biológicos e eu só não desisti dela, pois uma vez ela tentou me matar.

Finn: Como?

Dra. Sarah: Foi em um de seus surtos, ela quebrou um vaso e me ameaçou com um dos cacos, ela tinha apenas onze anos e quando eu vi aquele pequeno ser usando aquelas palavras vindo à minha direção com algo que com certeza me mataria eu senti que deveria fazer algo mais, além de ser sua psicóloga. Eu peguei outro caco e a ameacei da mesma forma, foi a primeira vez que eu desafiei Rachel e não foi uma atitude desesperada, até por que eu sabia que poderia perder meu diploma. Eu não faria nada com ela, disso eu tinha certeza, mas eu vi em seus olhos o medo quando eu apontei o vidro e a ameacei, foi ali que eu entendi que ela podia ser mudada.

Finn: Uauu é uma boa história. – Riu sem humor, depois do que vira hoje nada mais o impressionava.

Dra. Sarah: Rachel nunca será uma pessoa normal, mas ela pode progredir a cada dia.

Finn: Eu posso ajudar na próxima seção?

Dra. Sarah: Você da conta?

Finn: Eu amo aquela garota e eu quero que ela melhore.

Só vai ficar aí me assistindo queimar

Tudo bem, porque gosto da maneira que dói

Só vai ficar aí me ouvindo chorar

Está tudo bem, porque adoro o jeito como você mente

Depois de acompanhar inúmeras seções de Rachel, Finn finalmente ira ajudar efetivamente. Ele, com ajuda de Sarah, provocariam Rachel. Sarah queria entender como Rachel reagia a homens, já que a imagem masculina em sua mente era distorcida.

Dra. Sarah: Finn você não pode deixar que ela te manipule ou todo processo será e vão. Pessoas com esse tipo de distúrbio vão usar todas as fraquezas do outro até ela conseguir o que quer. Nosso objetivo é causar empatia nela através do medo, vamos deixa-la aterrorizada até que de alguma forma ela vai deixar vir à tona o que a incomoda.

Finn: Fique tranquila Sarah, que quero ajudar e acho que já entendi as faces da Rachel.

Era sempre da mesma forma, eles colocavam Rachel deitada de forma que pudessem ter controle sobre todos seus movimentos e Sarah aos poucos ia despertando a ira da menina, porém dessa vez Finn estava sentado de frente para a namorada, não afastado como sempre.

Dra. Sarah: Muito bem Rachel como se sente quando estamos assim?

Rachel: Bem. – A menina nunca olhava nos olhos de Sarah.

Dra. Sarah: Olhe pra mim. – Sarah segurou Rachel pelo rosto e com um dos braços segurou seu colo impedindo qualquer movimento.

Foi o que bastou para Rachel começar a se debater.

Dra. Sarah: O que você está sentindo Rachel?

Rachel: Raiva. – Aquele olhar doentio que tanto assombrava Finn voltava a se instalar no rosto da menina. – Solte-me, eu quero levantar.

Dra. Sarah: Você pode fazer melhor. Quer que eu tenha medo de você? – Rachel assentiu enquanto se debatia. – Então vai precisar de muito mais, vamos tente se levantar.

A seção de gritos começara, Rachel podia ser pequena, mas tinha uma força fora do comum. Sues pés e mãos não paravam um momento.

Dra. Sarah: Muito bem Finn, agora é a sua vez.

Finn: Rachel, por que você quer levantar? – Seu tom de voz calmo, não refletia em nada seu interior que estava entrando em pane.

Rachel: Por que vocês estão me machucando.

Finn: Quem a fez se sentir assim pela primeira vez? – Finn agora segurava o rosto da namorada.

Rachel: EU NÃO SEI, ME SOLTEM. – Ela se debatia cada vez mais forte e foi quando ela sussurrou algo.

Finn: Diga mais alto nós queremos te ouvir.

Rachel: EU QUERO TE MATAR, EU VOU MATAR ELE. – Finn olhou espantado para Sarah, era a primeira vez que Rachel se referia a “ele”.

Porque você me alimenta com fábulas de sua mão

Com palavras violentas e ameaças vazias

Dra. Sarah: Quem você quer matar Rachel?

Rachel: Ele, ele está vindo, ele está vindo. – Seu olhar antes doentio agora era perdido em algum local do teto.

Dra. Sarah: O que você está vendo Rachel?

Rachel: NÃO PAPAI NÃO ME MACHUQUE, PARA, TÁ ME MACHUCANDO. EU TE ODEIO. – Ela gritou antes de começar a chorar.

Finn: Diga a ele querida.

Rachel: EU VOU TE MATAR SEU DESGRAÇADO. – Ela continuaria, mas as lágrimas a interromperam.

Shelby: Sarah não acha melhor pararmos? – Todos estavam assustados.

Dra. Sarah: Não, ela está indo bem. Ela precisa dizer.

Finn: Diga a ele querida, ele precisa ouvir.

Rachel: EU VOU TE MATAR, VOU TE SUFOCAR COMO FIZ COM CAT, VOU ESMAGAR A SUA CABEÇA COMO FIZ COM OS PASSARINHOS, VOCÊ VAI APANHAR DA MESMA FORMA QUE FAZIA COMIGO. EU VOU ENFIAR UMA FACA NA SUA GARGANTA E DEPOIS NO SEU PEITO, VOCÊ VAI MORRER E VAI SANGRAR ASSIM COMO EU FIZ COM A MAMÃE. EU VOU TE MATAR SEU DESGRAÇADO.

Dra. Sarah: Como se sente Rachel?

A menina fez algo inesperado, ela parou de se debater e levou as duas mãos ao meio das pernas e se encolheu chorando forte.

Rachel: Machucada, ele me machucou, está doendo. – Ela confessou em meio ao choro.

Dra. Sarah: Muito bem querida já chega. – Ela acariciou os cabelos da menina. – Shelby abrace-a.

Dra. Sarah: Querida por que você quer matar as pessoas?

Rachel: Por que eu fui muito machucada e não quero ficar perto das pessoas.

Dra. Sarah: Tudo bem. O que o seu pai fazia era certo? – A menina negou. – Você querer matar é certo? – Ela negou novamente. – Você se sentiu bem sufocando sua irmã e esfaqueando sua mãe? – Ela negou novamente e escondeu seu rosto no ombro da mãe.

Rachel: Desculpe-me. – Ela pediu chorando e todos sorriram. Sarah finalmente conseguira.

Dra. Sarah: Seu pai machucou a pequena Rachel, mas agora quem manda é a grande Rachel. Olhe para Will e Shelby. – A menina olhou. – Eles são seus pais agora e nunca lhe machucariam. Você confia neles? – Ela assentiu. – Muito bem querida, agora olhe para Finn. – Novamente ela olhou. – Esse é seu namorado e ele nunca vai te machucar. Você quer nos matar agora?

Rachel: Não. – Ela suspirou controlando o choro. – Eu quero dizer uma coisa.

Shelby: Diga querida.

Rachel: Eu amo todos vocês.

Se dermos um pouco de amor,

talvez possamos mudar o mundo

Notas finais
Músicas usadas:
When she cries
Love the way you lie
Put your hearts up
Fix a heart

Quando Rachel diz: Por que eu fui muito machucada e não quero ficar perto das pessoas.Essa frase foi dita por Elizabeth Thomaz aos 6 anos, quando lhe perguntaram por que ela queria matar seu irmão.

Ninguém nasce sabendo somos ensinados ao bem e também ao mal, Rachel era assim apenas pelo que viveu na infância. Outras crianças na vida real também são vítimas de abuso e se transformam em algo doentio, por pura culpa de adultos.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!