A Investigação
1 Capítulo 1
− Hã... Sherlock... você tem certeza disso? – John perguntou lá de trás, bem afastando, esticando o pescoço para tentar ver um pouco além do que a luz da lanterna permitia. E
Era quase meia noite de uma sexta-feira, John havia conseguido finalmente convencer seus pais a deixarem ele dormir na casa de Sherlock – nunca foram muito fã do garoto, sempre o acharam meio esquisito −, mas depois de uma semana insistindo, eles deixaram. Eles estavam planejando há uma semana ir investigar aquela casa, boatos corriam de que uma mulher foi morta naquela casa, mas a polícia nunca encontrou nada. O corpo só foi encontrado porque os vizinhos começaram a sentir um cheiro muito forte vindo da casa, o que era estranho, uma vez que a casa estava desocupada, ou melhor, deserta, já fazia um tempo.
Então um dia, depois de ouvir os boatos sobre ser uma casa mal-assombrada, John e Sherlock decidiram investigar. Passaram um mês observando a movimentação da vizinhança, além de terem decorado cada canto da casa. Do lado de fora, claro.
Em um dia desses estavam comentando sobre isso no canto que sempre ficam no intervalo, e Molly, que passava por acaso ali, ouviu.
− Me deixem ir com vocês! – ela os encarou com aqueles grandes olhos castanhos que sempre conseguiam o que queriam. Especialmente de Sherlock.
Depois de um minuto de silêncio, em que Sherlock e John ficaram se encarando, como se conversassem por pensamento, ambos concordaram.
− Nos encontra na sexta feira, na esquina do hidrante quebrado, as 11h45min da noite.
E agora, as 11h55min da sexta feira a noite, John não estava tão certo se queria continuar com isso.
− Isso parece muito...
− Assustador? – Completou Molly.
− Sim.
− Esse é o ponto, John. Qual a graça de invadir uma casa mal-assombrada de manhã? – disse Sherlock.
John olhou para Molly, mas ela não parecia com medo. Então avançaram mais para dentro da casa. Haviam alguns poucos moveis na sala, uma poltrona, uma televisão toda empoeirada e muitas teias de aranha.
− Há quanto tempo foi o assassinato mesmo? – perguntou Molly.
− Uns três anos. Deve ser por isso que eles abandonaram de vez essa casa. – respondeu Sherlock.
− Quem iria comprar uma casa mal-assombrada? – John perguntou para ninguém em particular.
Eles seguiram em silêncio, observando tudo, atentos a cada movimento. Depois de aproximadamente dez minutos vasculhando a casa, que era relativamente pequena, eles chegaram no quarto em que encontraram o corpo. Lentamente empurraram a porta, com medo do que poderiam encontrar. E corajosamente, entraram.
Foi então que as coisas começaram a ficar estranhas. Quando os três observavam a cena do crime – que na verdade não tinha nada de interessante, Molly pensou, e se lembrou de que esse era um dos mistérios do caso. Não havia nada quando encontraram o corpo, nenhum sangue, fio de cabelo, impressões digitais, nem sequer pegadas, detalhe que foi considerado particularmente curioso, considerando o estado em que a casa foi encontrada.
Bem nessa hora a porta fechou atrás deles e suas lanternas apagaram todas juntas. Molly correu e tentou abri-la de novo.
− Nada.
− Deve ter sido só o vento. – disse John, tentando não ficar apavorado, enquanto batia em sua lanterna, tentando fazê-la funcionar de novo. Funcionou por um breve segundo, mas apagou de novo.
− Que vento? Faz dias que não faz nada além de um calor insuportável nessa cidade. – Disse Sherlock, com aquela voz que ele usava quando estava concentrado pensando. – Molly, você pode testar o interruptor? Molly?
As luzes do cômodo se acenderam de repente e Molly não estava mais lá. No seu lugar só havia sua lanterna e próximo a ela, uma única marca de pegadas.
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