A Invasão da Terra
5 Capítulo Quinto
Capítulo Quinto
A rendição da ONU.
Nova York estava sendo arrasada pela frota megatopiana. Vários dos edifícios gigantescos da megalópole ardiam em chamas devido ao efeito dos disparos laser e das bombas atômicas leves, mas de devastadora potência.
As unidades militares que defendiam a cidade estavam quase aniquiladas. Harper, a conselho de Gorsk, usou a mesma tática que havia empregado na Lua: todas as redomas de radar foram primeiramente destruídas pelas naves-caça, cegando as defesas. Com os canhões fora de ação, o único problema era a frota de naves-caça terráqueas, que mesmo assim não chegavam a ser uma dor de cabeça, pois estavam em número muito menor.
Na nave de comando de Harper, onde estavam este e Gorsk, além de todos os homens de confiança do megatopiano, o ex-general perguntou:
– Você não vai incorporar seus homens à nossa força de ataque?
– Primeiro seria mais prudente tomar o poder, não acha?
Harper calou-se, vencido pela verdade.
Nisso, toda a nave tremeu, atingida por uma nave-caça terráquea em rota de colisão. O veículo espacial ainda estava armazenando energia para ativar novamente o escudo magnético, mas não havia perigo da nave ser derrubada, pois o sistema de reparo cuidava dos mínimos danos que ela sofria.
A nave de comando se aproximou do prédio da ONU. Ao receber essa informação, Gorsk ordenou a um soldado:
– Prepare uma nave de transporte para mim e mais oito homens armados. Você vem, Harper?
– Sim! – respondeu o megatopiano.
– Para mim e mais nove homens – corrigiu o russo. – Harper me acompanhará!
O soldado foi cumprir a ordem. Harper armou sua pistola laser, que estava sem carga, e perguntou a Gorsk se ele não levaria nenhuma arma. O russo estendeu a mão como resposta, permitindo que Harper pudesse ver raios elétricos passarem entre seus dedos.
Os dois comandantes e os outros oito megatopianos armados com metralhadoras giratórias logo partiram na nave de transporte, que entrou pela garagem de naves do prédio das Nações Unidas, que estava aberta.
A dezena de invasores não encontrou nenhuma resistência até ganhar os corredores do prédio. Gorsk sorriu com tom de ironia, vendo que cruzara aqueles corredores pela primeira vez para seu julgamento, e agora os cruzava para tomar controle do planeta.
Quando ficaram de frente para a porta da sala do chefe da ONU, ou seja, o presidente americano John Terrance Walker, os invasores se viram de frente para dois soldados armados com desintegradores de partículas, poderosas armas que faziam qualquer adversário virar pó.
Um dos soldados, apontando a arma para Gorsk, mandou que se rendessem. O russo, porém, fez um gesto para que os homens de Harper e este não fizessem nada.
Sob os olhares cheios de medo dos soldados, Gorsk apontou o dedo indicador esquerdo para cada um dos dois, liberando uma carga elétrica que os eletrocutou.
Gorsk e Harper pegaram as armas dos defuntos e entraram na sala de Walker. A amedrontada figura do presidente surgiu de trás de uma mesa, com os braços erguidos. “Eu me rendo”, disse o chefe da ONU, chutando uma pistola laser, que deslizou pelo chão e atingiu os pés de um dos homens de Harper, que a pegou.
– Foi mais fácil do que eu pensava... – murmurou Gorsk.
– Nos encontramos de novo, Gorsk Koskorva... – murmurou o presidente, ainda com os braços para o alto. – Vejo que realmente escapou da prisão...
– Cale a boca!
Seguindo as ordens de Gorsk, os homens de Harper escoltaram o presidente até a sala de conferências, local onde eram realizadas as reuniões e dadas coletivas de imprensa, sendo ali o local da condecoração de Gerald Grey e Pedro Cintra, onde, segundo o russo, o chefe da ONU “se renderia incondicionalmente” às forças invasoras.
O presidente daria uma coletiva de imprensa para o mundo todo sobre a invasão e havia um representante de cada país da Terra na sala de conferências. Seria o melhor momento para a rendição. O presidente, na sua posição de chefe da assembléia, já sendo visto por bilhões de pessoas e sob a mira das metralhadoras dos homens de Harper, fez o seguinte pronunciamento:
“Queridos compatriotas e cidadãos do mundo todo. Como vocês já devem saber, a frota invasora está atacando a cidade de Nova York. Eles há pouco invadiram o prédio da ONU e domaram completamente as nossas forças. Por favor, não me enxerguem como um covarde, mas como um homem que viu esses invasores derrotarem o nosso exército e que quer proteger os dezoito bilhões de habitantes deste planeta. Eu, como chefe da Organização das Nações Unidas, declaro a rendição incondicional das forças militares dos cento e oitenta países membros da organização. Se algum dos representantes desses países discordar da decisão, por favor, queira se manifestar”.
Silêncio mortal. Gorsk, sorridente, observava tudo da entrada da sala de conferências. O mundo todo ficou em silêncio naquele breve momento que durou um século.
Gorsk, então, tomou o lugar de Walker como chefe da assembléia e discursou:
“Eu voltei. Gorsk Koskorva voltou para governar este planeta de uma vez por todas. Eu estou por trás de toda a invasão e não vou descansar até controlar o último palmo de terra deste planeta! Vocês não podem resistir! É impossível! Quando me tornei líder da Rússia tinha vinte e sete anos! Agora tenho cinqüenta e verão que esmagarei qualquer um que se atreva a se opor contra mim! Rendam-se ao meu poder!”.
E com apenas um gesto eletrocutou o presidente Walker, que caiu morto aos pés de Gorsk, e este deu uma longa e sonora gargalhada.
Naquele momento, o “Memorial dos Heróis”, situado na antiga Baía de Nova York, foi destruído. Gorsk mandou que o Empire State Building of Victory fosse evacuado, pois ali seria sua fortaleza. Ele contatou Otto, que informou que a frota zamuriana estava quase chegando à Guatemala.
O russo, então, começou a preparar a ida para a Sibéria, onde junto com Harper encontraria seus homens e retomaria o controle de suas máquinas de guerra para iniciar a segunda parte do seu plano: eliminar Gerald Grey.
Na refinaria de Ken Robinson, os que haviam chegado na nave pilotada por Pedro Cintra mais o responsável pelo complexo haviam assistido a tudo o que havia acabado de ser transmitido diretamente de Nova York na TV que havia no escritório de Robinson. Gerald exclamou, indignado:
– Vocês viram? Eu não falei que o maldito Gorsk Koskorva estava por trás de tudo isso?
– É verdade... – murmurou Pedro. – Você estava certo, Gerald...
– E agora? – perguntou Eva. – Os americanos se renderam!
– Eu sabia que isso ia acontecer, mais cedo ou mais tarde! – exclamou Ken.
– Mas não foram apenas os americanos que se renderam, mas os exércitos de todas as nações do mundo! – disse Peter.
– Logo eles virão aqui... – murmurou Gerald. – Eu sinto isso...
– Você não é um zamuriano nem nada para sentir coisas... – murmurou Wilson. – Vocês viram aquele raio que saiu da mão dele e eletrocutou o presidente Walker?
– Aquilo deve ser algum aparelho de choques! – disse Pedro.
Não muito longe dali, a uns cinqüenta quilômetros de distância, numa ampla planície, a frota zamuriana se preparava para a invasão por terra.
Da nave de comando zamuriana saíram várias naves menores transportando tropas e máquinas de guerra. Aos poucos as forças terrestres se dividiram em grupos: a infantaria regular, com cerca de trezentos mil homens, a infantaria montada, que era constituída de zamurianos armados, montados em zeres, uma espécie de cavalo zamuriano parecido com um pequeno dinossauro, que no total somava cem mil homens, a infantaria especial, composta de soldados protegidos com armaduras de Stelix, que tinha cinqüenta mil homens, e a infantaria mecanizada, composta por tanques com canhões laser zamurianos regulares ou com couraças de Stelix, que somavam quinhentas máquinas de guerra e dez mil mecânicos e zamurianos que dirigiam os veículos. No total, como Otto havia dito a Gorsk na prisão, ele tinha quinhentos mil homens e mil máquinas de guerra. O resto, que não fazia parte das forças terrestres, era composto pelas naves-caça e seus pilotos e técnicos.
Logo que os grupos se organizaram, começaram a seguir pela planície verde, da mesma cor dos zamurianos, o que gerava certa camuflagem.
Era uma tarde de céu azul com poucas nuvens. Numa espécie de veículo terrestre especial, que se locomovia através de quatro pernas mecânicas, estavam Otto e Zamur, que seguiam no meio do grupo da infantaria mecanizada. A esquadrilha do Barão Verde seguia acima deles, junto com a nave de comando.
– Tudo está correndo como o planejado – disse Otto. – A invasão está sendo um sucesso!
– Estamos a três quilômetros terráqueos da base da Stelix Corporation na Guatemala, Vossa Excelência – informou Zamur. – Tomando controle dela a nossa missão aqui estará completa.
Logo as forças invasoras se aproximaram de uma ampla base de mineração da Stelix Corporation. Disparos dos canhões laser dos tanques abriram grandes buracos no muro de concreto que cercava as instalações. A resistência oferecida pelos guardas da companhia foi mínima. Logo Otto e Zamur estavam dentro do prédio de onde as atividades da Stelix na Guatemala eram controladas.
A esquadrilha do Barão Verde se dividiu e algumas refinarias da Stelix foram atacadas, mas a maioria delas se rendeu sem oferecer resistência.
Otto e Zamur voltaram para a nave de comando zamuriana. Na sala de comando, o primeiro observava o progresso da invasão: todas as refinarias da Stelix já estavam sob o seu controle, exceto uma refinaria independente, fora dos domínios da companhia, situada num monte perto da antiga cidade maia de Techión...
– A quem pertence esta refinaria independente? – perguntou Otto a Zamur, apontando para o local num mapa digital que era exibido na tela de um computador.
– O dono dela é um tal de Ken Robinson – respondeu o general de Otto, exibindo uma ficha do chefe da refinaria na tela do computador. – É um ex-soldado das Forças Armadas dos Estados Unidos do Norte.
– Prepare algumas naves de transporte para nós e mais uns quinhentos homens, além de uns dez tanques. Nós vamos acampar no centro de Techión e negociar com esse tal Robinson...
– Não seria melhor usar logo todo o nosso poder bélico?
– E arriscar nossas armas? Vamos tentar negociar. Se ele não aceitar, tomaremos a refinaria à força!
– Sim senhor.
Otto comunicou-se com Gorsk, que já estava em sua recém-tomada fortaleza, o Empire State Building of Victory, se preparando para partir na direção da Sibéria.
– Já tomou as refinarias de Stelix? – perguntou o russo.
– Só falta uma independente – respondeu Otto. – Tudo está correndo como o planejado.
– Ótimo. Estou partindo para a Sibéria para encontrar meus homens. Depois poderemos iniciar a segunda parte do plano.
– Eliminar aquele tal de Gerald Grey?
– Exatamente, meu caro. Tenho umas contas a acertar com aquele sujeitinho...
– Quando tomarei controle da África e das colônias terráqueas na Galáxia?
– Logo. Primeiro nós vamos assegurar o nosso domínio sobre o planeta. Mas antes, lembre-se que eu quero capturar Grey vivo para matá-lo com minhas próprias mãos...
– Certo. Desligando.
Otto encerrou a transmissão, enquanto Zamur informava que eles estavam prontos para partir na direção de Techión. O chefe da frota zamuriana carregou sua pistola laser e partiu, junto com Zamur e o contingente de quinhentos soldados e dez tanques.
Caiu a noite sobre a Guatemala. Na refinaria de Ken Robinson, este, Pedro, Peter e Wilson jogavam uma partida de White Skull. A nave em que os exploradores de Stelix City haviam vindo já estava na garagem de reparos da refinaria.
Cada um havia apostado algo na partida: Pedro arriscara perder mil dólares, Peter uma Medalha de Honra recebida após a batalha da Guatemala, Wilson um dente de ouro que tinha (seria difícil arrancar, mas havia um dentista na refinaria) e Ken que, se ganhasse, pediria a Peter que o apresentasse melhor a Eva Tucson e não iria querer mais nada, mas se perdesse daria uma armadura de Stelix ao vencedor.
Quem ganhava a partida era Pedro, que sabia jogar como ninguém. Wilson reclamava, acusando-o de trapaça, mas o brasileiro jogava honestamente.
– Que pena... – murmurou Ken. – Eu queria tanto que Peter me apresentasse melhor a Eva...
– Quem sabe jogar acaba ganhando, mas o importante é competir! – riu Pedro.
– Eu ainda acho que você está trapaceando... – murmurou Wilson.
– Como, se nunca joguei tão honestamente?
Nisso, o ex-militar brasileiro exibiu um par de reis: havia ganhado.
– Droga! – exclamou Wilson.
– OK, OK... Todos paguem o que me devem! – disse Pedro, rindo.
Ken lhe deu uma armadura de Stelix, Peter lhe entregou sua Medalha de Honra e, Wilson, após ter seu dente de ouro arrancado a laser pelo dentista da refinaria, também o entregou ao brasileiro.
Enquanto isso, em cima da refinaria, ao lado de uma das grandes chaminés, numa espécie de corredor externo, Gerald e Eva, apoiados numa grade de metal, observavam o céu estrelado.
– Quantas estrelas existem, Gerald? – perguntou a vaqueira.
– Trilhões e mais trilhões, minha cara, e quase todas possuem um sistema solar. Portanto, deve haver muito mais planetas do que estrelas.
– Nossa... Até hoje, os únicos planetas onde nós já sabemos que existe vida são a Terra, Megatópia, Globônia e Zamuria?
– Não. Esses são os planetas principais da Aliança, mas existem planetas que são, em quase sua totalidade, colônias de Megatópia e que possuem vida: Caninos, habitado por lobisomens sanguinários que, pelo que ouvi falar, devoram humanos em banquetes sádicos; Arcádia, planeta desértico habitado pelos famosos “tuaregues do espaço”; Plucto, planeta gélido habitado por seres cristalizados e vários outros...
– E se esses planetas se unissem e resolvessem invadir a Terra?
– Se um grupo de forças inteiramente mercenárias comandadas por um russo que é considerado o mais perigoso ditador da História só perdendo para Adolf Hitler e Augusto Pinochet já invadiu o planeta, eu não duvido de mais nada!
– Gerald, se eu lhe perguntar algo sinceramente, você responderá sinceramente?
– Claro.
– Aquilo que você pensou no laboratório quando estava com o capacete de leitura de pensamentos é verdade?
– Não... Eu só pensei aquilo para ver a sua reação! Foi uma brincadeira!
– Mas, se quiser que eu lhe beije mesmo, eu gostarei muito...
Eva o agarrou e os dois se beijaram, deitando sobre a plataforma. E assim, os dois fizeram amor até quase de manhã...
Logo o sol surgiu no horizonte. Um dos guardas da refinaria, fazendo a sua patrulha de rotina em volta do complexo, ao observar Techión com um binóculo para averiguar se tudo estava tranqüilo, surpreendeu-se ao ver várias tendas armadas, suprimentos, o movimento constante de zamurianos armados e alguns tanques na antiga cidade maia.
Por um rádio, o guarda informou o que vira ao chefe da guarda da refinaria, que relatou o fato diretamente a Ken Robinson, que tomava um modesto café da manhã: uma xícara de café importado de Megatópia e algumas pílulas de proteína.
Ken dirigiu-se até o ponto onde o guarda havia visto os zamurianos no centro de Techión e averiguou tudo com seus próprios olhos, através do binóculo.
– O que nós faremos, chefe? – perguntou o chefe da guarda da refinaria, que seguira Ken até ali.
– Eu ouvi rumores de que os invasores tomaram todas as refinarias da Stelix no país, e como a nossa é a única independente... – murmurou Ken. – Eles devem estar se preparando para atacar o complexo...
– O senhor está certo disso, chefe?
– Eu tenho plena certeza.
Ken voltou para a refinaria e foi contar o que ocorria aos hóspedes que haviam chegado no dia anterior. Todos acordaram rapidamente, mas faltavam dois: Gerald e Eva.
Os dois dormiam abraçados na mesma plataforma onde haviam passado a noite. Tinham um belo sorriso no rosto, que deixava Eva muito mais atraente.
Quem encontrou os dois foi Pedro, que, após dar uma breve e baixa risada e murmurar “Isso não demoraria a acontecer”, acordou os dois e os colocou à par dos acontecimentos.
– O quê? – surpreendeu-se Gerald. – Os zamurianos estão acampados em Techión?
– Exatamente. Ken quer que todos se reúnam em sua sala.
– Então vamos!
Os três seguiram até a sala de Ken, que se tornou pequena para todos os trabalhadores da fábrica mais os hóspedes do dono da refinaria que estavam ali. Ken espremeu-se entre alguns trabalhadores, e, subindo numa mesa, começou a falar:
– Eu chamei todos aqui, pois quero informar que os zamurianos estão acampados em Techión e provavelmente planejam um ataque à refinaria. Alguém tem alguma sugestão do que podemos fazer?
– Vamos esmagá-los! – exclamou alguém que ficou anônimo entre toda aquela gente amontoada.
– Como nós vamos esmagá-los? – perguntou Ken. – Eles estão em número bem superior!
Todos começaram a falar ao mesmo tempo, gerando uma confusão sem igual. Ken gritou “Chega!”, e todos se calaram. O chefe da refinaria disse:
– Gerald! A nave de vocês já foi reparada e reabastecida. Se vocês quiserem ir embora, fiquem à vontade!
– Do que está falando? – perguntou Gerald. – Nós ficaremos aqui até essa ameaça desaparecer!
– Sim, amigo! – disse Wilson. – Nós ficaremos aqui!
Nisso, o andróide Juan surgiu entre um grupo de trabalhadores e propôs:
– E se um grupo de destemidos homens penetrasse no acampamento para descobrir o que realmente os zamurianos querem por aqui?
– É uma boa idéia... – reconheceu Ken.
Todos começaram a comentar a idéia entre si, gerando nova confusão. Ken gritou “Chega!”, novamente e perguntou:
– Quem se oferece para essa missão?
– Eu – disse Gerald, saindo do meio daquele amontoado de gente. – A causa de um homem justo é a causa da comunidade!
– Pode contar comigo! – disse Pedro, juntando-se a Gerald.
– E comigo! – exclamou Derek Wilson.
Ninguém mais se ofereceu. Eva abraçou Gerald aos prantos, dizendo:
– Não vá, Gerald... Por favor, não vá!
– Eu tenho que ir, querida!
– Mas eu não quero me separar de você, nem lhe perder... É uma missão muito arriscada...
– Tudo correrá bem... Não chore...
Peter e Ken observavam a cena com olhar de desprezo. Estavam morrendo de ciúmes. Este último finalizou:
– Sigam-me, bravos homens! Vou lhes emprestar minhas melhores armas e o meu melhor óleo protetor!
Uma nave de transporte megatopiana pousa nas terras gélidas da Sibéria. De dentro saem Gorsk, Harper e mais dez megatopianos armados, todos cobertos de óleo de proteção contra raios ultravioleta.
– É aqui? Aqui... Aqui... – perguntou Harper, repetindo “aqui” sem parar com o seu aparelho no pescoço piscando.
Gorsk deu um chute na perna do ex-general, que voltou ao normal. O russo respondeu à pergunta:
– Sim, é aqui! Sigam-me!
Os doze seguiram na direção de uma caverna, onde entraram. Quanto mais andavam, mais escura a caverna ficava.
De repente, tudo ficou completamente escuro, impossibilitando a visão. Gorsk bateu palmas e várias luzes se acenderam. Eles então puderam ver que estavam numa gigantesca caverna, onde havia milhares de câmaras de criogenagem contendo soldados armados, que dormiam congelados.
– Você congelou seus soldados? – perguntou Harper.
– Não está vendo que sim?
Gorsk apertou um botão num painel que estava num dos extremos da caverna e abriu todas as câmaras, de onde saíram os russos armados com canhões laser e revestidos por armaduras de Stelix, só ficando exposta a cabeça.
– Como sabe que não são impostores? – perguntou Harper, impressionado.
– Veja! – riu Gorsk.
O ditador apertou um pequeno botão na armadura que usava, que era igual àquela que usavam os seus homens, e revelou o ombro esquerdo, onde havia uma tatuagem do símbolo do comunismo: um martelo e uma foice cruzados.
Todos os cinco mil homens de Gorsk fizeram o mesmo, revelando todos terem a mesma tatuagem no ombro esquerdo. Harper ficou mais impressionado ainda.
Depois, Gorsk seguiu para uma outra caverna onde estavam guardadas suas poucas máquinas de guerra: tanques com canhão laser e blindagem de Stelix.
Tudo foi colocado dentro da nave de transporte megatopiana, que partiu de volta para a cidade que nunca dorme...
Enquanto isso, na Guatemala, três homens revestidos com armaduras de Stelix e carregando canhões laser se aproximam cautelosamente de Techión.
Eram os três voluntários que tinham a missão de descobrir os planos dos zamurianos: Gerald, Pedro e Derek.
Gerald olhou o relógio em seu pulso esquerdo: oito da manhã. Os três destemidos aventureiros desciam lentamente um pequeno barranco que separava a estrada de terra que levava à refinaria de uma pequena floresta tropical.
Os três se embrenharam entre as árvores, rastejando como cobras. Seus rostos estavam cobertos de óleo de proteção contra raios ultravioleta e de tinta para camuflagem.
Após cruzarem trezentos metros de mata, apenas cem metros os separavam do acampamento zamuriano. Gerald ergueu-se discretamente entre algumas plantas cactáceas e, com um binóculo, observou o acampamento zamuriano: vários extraterrestres armados patrulhavam a área e algumas improvisadas torres de vigilância feitas de madeira erguidas pelos próprios zamurianos continham canhões laser automáticos, acionados por sensores.
– E agora? – perguntou Derek, encostado a uma árvore. – O lugar está muito bem vigiado!
– Eu tenho uma idéia... – murmurou Gerald, tirando uma faca do bolso e rastejando na direção do acampamento.
Os outros dois destemidos voluntários seguiram Gerald, esperando que o herói da humanidade soubesse o que estava fazendo.
Como um raio, Gerald Grey, com sua faca, rendeu um zamuriano próximo silenciosamente, que entregou seu canhão laser. Com uma coronhada de sua arma, Pedro Cintra eliminou silenciosamente o alienígena.
– O que faremos com o corpo? – perguntou Wilson.
– Vou pendurá-lo naquela árvore! – respondeu Gerald. – Ele poderá ser útil!
– OK.
Os três destemidos rapidamente buscaram esconderijo atrás de uma pilha de engradados contendo armas biológicas zamurianas. O pior obstáculo estava próximo: as torres com canhões laser.
Gerald se aproximou de uma delas, mas não tão perto ou acionaria a armadilha. Ele jogou uma granada contra a torre, o que causou uma explosão que destruiu o canhão laser e quase toda a improvisada construção, mas também colocou todo o acampamento em alerta.
– Corram! – gritou Gerald.
– Por que fez isso? – perguntou Wilson.
– Era o único jeito! – disse Pedro, correndo.
Os três rolaram para dentro de uma barraca, onde havia dois zamurianos. Gerald passou fogo e os dois extraterrestres voaram sobre uma pilha de engradados.
Um grupo de dez zamurianos se aproximava. Gerald jogou sua segunda e também última granada fora da barraca e eliminou os alienígenas. Um pouco de sangue zamuriano, um líquido verde e gosmento, voou sobre Derek Wilson, que fez expressão de repugnância.
– Estamos perdidos! – exclamou Pedro.
– Estou ouvindo algo... – murmurou Gerald. – Parecem disparos laser de armas terráqueas!
De fato, Gerald estava certo. Ken Robinson, Eva Tucson e Peter Janissary, seguidos por toda a guarda da refinaria, invadiam o acampamento atirando.
Eva tinha o capacete de leitura de pensamentos de Einstein na cabeça. O gênio disse que seria uma boa maneira de evitar que os zamurianos se comunicassem entre si, pois assim, se eles usassem o poder da telepatia, a vaqueira iria perceber e poderia “encerrar” a comunicação.
Os zamurianos não paravam de cair atingidos. Sob cobertura de Ken, os destemidos Gerald, Pedro e Wilson puderam sair da barraca e se juntar ao grupo invasor.
– Você chegou na hora certa! – disse Gerald.
– Você chegou a pensar que nós os abandonaríamos assim? – perguntou Ken, rindo. – Vá encontrar Eva. Ela te adora, meu amigo...
Gerald abraçou a vaqueira e a beijou. Nisso, um tanque zamuriano entrou em cena. Ken propôs que eles fizessem uma “retirada estratégica”. O grupo de invasores penetrou na mata e desapareceu. Gerald não esqueceu do corpo do zamuriano que pendurara na árvore: ele o arrastou com cuidado até a refinaria.
Nisso, Otto e Zamur saíram de uma das barracas do acampamento. O líder rebelde zamuriano, ao ver o caos em que o local havia se transformado, mandou que os corpos fossem recolhidos e que os reparos fossem feitos. Ao averiguar se seus homens haviam eliminado algum invasor, encontrou três guardas da refinaria mortos.
– Se eles querem guerra, terão guerra! – exclamou Otto, entrando de volta na barraca seguido por Zamur.
Continua...
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