A Ilha do Sherdacé (Hastorn)
1 Prólogo
Notas iniciais
Cartas iniciais:
Lembro-me como se fosse hoje aquele fatídico dia de verão, eu estava na colhendo algumas pedras especiais para meus feitiços quando os vi se aproximando. Eram quatro barcas, elas vinham lado a lado tendo seus lideres a frente de cada embarcação, eles sorriam, gritavam e festejavam. Achei que estavam felizes em ver-nos. Nunca mais fui tão ingênua.
O primeiro a desembarcar foi um homem chamado Tristan. Ele pareceu assustado ao me ver e falava comigo e com seus companheiros uma língua que nunca ouvira antes. Depois as outras três barcas desembarcaram também e ocorreu uma fenômeno chamado ataque. Nós não sabíamos o que era aquilo, desde sempre a paz e cordialidade reinava nessas terras. E ver aquelas criaturas agindo contra gerou uma grande confusão dentro de todos os habitantes.
Após dois anos, eles já haviam nos expulsado de boa parte das nossas terras. E se não fosse pela minha intervenção, jamais teríamos sobrevivido. Ensinei rapidamente todos os verdadeiros habitantes a construir armas iguais aos de nossos inimigos. Logo aprendemos a lutar. A raiva e a indignação ajudaram bastante, mas não o suficiente. Tínhamos pouquíssima pratica nas artes da luta e dos os quatro cantos éramos derrotados e cada vez mais encurralados para o meio, onde canalizei toda a magia, formando uma cerca forte e instransponível. E mais segura.
Fundaram-se os quatro reinos, como assim foram chamadas as divisões de terra. Tristan batizou seu pedaço com seu nome de clã: Hastorn. E em sequencia, formaram-se Druton, Grijim e Reweex. Depois batizaram as terras com o nome Sherdacé, ou selvagem que voa. Essa é conhecida como a primeira historia dos tempos, durante os primeiros séculos foi contada pelos anciões a beira do fogo, antes dos rituais da colheita, mas é claro que era uma versão diferente da nossa.
Mas as coisas mudaram logo nos primeiros 300 anos de habitação. A chegada de uma nova barca alterou drasticamente a vida dos nossos invasores. Os humanos da nova embarcação usavam roupas diferentes, e falavam uma língua estranha. Eles não se misturavam e queriam ir embora o mais rápido possível. Entretanto perceberam que estavam presos na ilha para sempre assim como os descendentes das barcas. Quando finalmente puderam compreendê-los, tanto na língua quanto na cultura mataram o líder da época e um dos homens se intitulou rei. Foi criada a lei de sucessão e a nobreza, que se tornaram umas das leis absolutas. Logo que conquistaram a confiança do povo de toda a ilha, pois foram se espalhando dominando outras partes da ilha se intitulando reis. Impuseram novas regras e de repente em toda a ilha do Sherdacé havia hierarquia financeira e de poder. Parte da cultura original da ilha se perdeu, mas os filhos desses reis se interessavam pela ilha e as duas culturas se fundiram, dando inicio a uma nova era.
Hastorn ganhou subdivisões, à medida que o povo avançava procurando terras melhores e também fugindo dos dragões do norte e do leste-norte do reino. Ao norte ficaram os melhores e mais corajosos pescadores, pois tinham que aprender a pescar com o Dragão vermelho provocando ventos fortes, tão fortes que às vezes eram cortantes e os moradores tiveram desenvolveram mascaras de couro para conseguirem sair de suas casas.
Os que migraram em direção ao centro, ajudaram a construir uma nova sede do reino, a vila de Arandril, povoado por uma mistura de nobres, chefes de exercito, grandes artesões e os melhores feiticeiros e feiticeiras do reino. Um novo castelo, maior e mais luxuoso foi construído, o palácio de Adalegeo. Com salões amplamente decorados com mármore, torres tão altas capazes de comtemplar todo o reino, grandiosos jardins com fontes de água cristalina. Também havia o mercado principal, o Dupratea. E finalmente a Grande Torre, sede dos feiticeiros do reino, e lar do Mago, líder supremo da magia.
Nos subúrbios de Arandril moravam os pobres e “normais”, como os vendedores ambulantes, pequenos vendedores, micro fazendeiros ou os donos de bares. Todos esses trabalhavam no mercado de Panvas, o mercado dos pobres. Mais afastado da cidade se concentravam alguns baronatos, onde as melhores mercadorias eram vendias ao rei.
Entretanto, nós, os verdadeiros donos dessa ilha, que fomos obrigados a aceitar os humanos, comendo, caçando e devastando tudo, fomos sendo cada vez mais afastados das nossas casas, obrigados a fugir deles, até chegar ao ponto de toda a ilha estar infestada de humanos e não haver mais lugar para nós. Todas as formas de vida mágicas que eram vistas como monstros estavam sendo destruídas. Então as fadas começaram a proteger com a magia mais forte o bosque central, e a floresta que o cercava, onde foi possível proteger qualquer criatura não humana. Começou a ser chamada de bosque dos Mil Sonhos, pois muitas historias cercavam o que havia e acontecia ali dentro. Nenhum humano era bem vindo e quem ousasse entrar era morto sem piedade ou então era enfeitiçado, e por mil dias, toda a noite sonhava os piores pesadelos possíveis, até enlouquecer e finalmente morrer.
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