A Ilha

29 Virada, Poder e Líderes


Notas iniciais
Aqui começa a segunda temporada de "A ilha"

\"... Pedimos para todos esperarem as cobras voltarem para água para se retirarem. Assim que elas voltarem fecharemos o rio e traremos de volta ao normal nossa grande arena\".

Algo inesperado por todos aconteceu. A cobra que havia chegado na margem seguinte reparou no corpo de Tico caído ao chão, e sem perder tempo rastejou suavemente até ele. A outra cobra de repente deitou caiu ao chão e fechou os olhos, apagou. Havia passado pouco mais de um minuto e meio que John havia sido engolido, mas descendo por sobre a cabeça da cobra, quase um metro, uma lâmina brilhava e surgia no corpo da anaconda, como se estivesse nascendo ali. Em seguida a lâmina subiu mais, mostrando o sangue escorrendo pela ponta. Começou a girar, e dois minutos depois havia um grande buraco na cobra, e dele John levantou.

Não se ouvia a torcida gritar nem comemorar desde a última vitória de um favorito, mas quando John saiu de dentro da cobra à torcida foi ao delírio vendo que o torneio continuaria.

John estava todo molhado, sendo sangue, suor e o veneno que impregnou em sua roupa, parecia cansado, com pouco fôlego, mas já havia se preparado para enfrentar a outra anaconda, que parou quando sua parceira caiu e agora vinha de encontro com John.

John pensou em usar a mesma estratégia, já que esta primeira vez havia dado certo apesar de todo o perigo iminente. Sabia que o maior perigo seria caso seus dentes venenosos o pegassem. Mas também sabia que fora isso, poderia fatiá-la por dentro, que ao invés de possuir resistência como o lado de fora de seu corpo, possuía apenas uma resistência interna contra seu próprio veneno.

Tico continuava inconsciente e no mesmo lugar para alívio de John, que agora teria de se arriscar mais uma vez para acabar com a última anaconda. John a encarou distante, mas se conformou com o que tinha feito e prometeu a si mesmo que não permitira ser engolido novamente nunca mais.

A anaconda desceu com sua enorme boca tentando pegá-lo, mas John tinha uma enorme resistência e conseguiu desviar facilmente. De repente seu coração acelerou, seus membros enrijeceram e ele sentiu estar recuperado com exceção de suas costas que ainda latejava e ardia como nunca. Para testar esse poder que tinha dentro de si e que o atormentava cada vez mais por não saber como usá-lo, tentou usar toda sua força com a espada para golpear a cobra.

John investiu contra a cobra e foi pego por sua cauda, caindo ao chão com um baque estrondoso. Logo se levantou e desviou para a esquerda contra a tentativa da anaconda de matá-lo, sentiu que agora tinha uma chance, correu, pulou sobre a cobra, levantou a espada sobre a cabeça e golpeou com tudo o que podia.

A anaconda foi cortada ao meio, deixando todos surpresos. Sua cabeça logo foi ao chão e assim John havia conseguido passar no desafio. Sem pensar muito correu de encontro com Tico.

Nesse momento a torcida apenas gritava por John e comemorava a vitória dele, o narrador o elogiava e mantinha seu discurso de sempre.

Zudin, Develin e Pulik haviam voltado ao camarote no instante em que ouviram o narrador dizer que John estava vivo. Develin ficou completamente nervoso, não acreditava que aquilo aconteceu, por outro lado Zudin demonstrou algum sentimento fora sua frieza normal, com um simples gesto com o punho esquerdo fechado em forma de comemoração. Pulik continuava do mesmo jeito, mas feliz por poder continuar na disputa.

Develin ainda lembrou que ele deveria matar a segunda anaconda, e tentou se contentar em ainda ter uma chance de vitória, Zudin sabia que venceria agora. Pulik apenas assistia a batalha, sem se preocupar muito, apenas esperando o desfecho de tudo.

Ao ver a cobra ser cortada ao meio Develin deu um grito que assustou a todos no camarote. Em seguida com um gemido de tristeza e agonia falou:

- Não posso acreditar nisso. — Baixando o tom de voz falou para Zudin. — Vamos ao meu escritório. Pois eu também sou de palavra. — E voltando ao normal completou. — É impossível que um simples ser humano possa fazer um estrago como esse. É algo que não entra na minha cabeça.

- E quem disse que aquele homem é um simples ser humano? — disse Zudin.

- C-como assim? — Completamente diferente Develin esperava entender alguma coisa. — Me explique. — Pulik também se aproximou.

- Eu acredito que ele tenha algum poder diferente dentro dele, algo que eu ainda não consegui descobrir, por isso eu o capturei, o trouxe até aqui. Para que ele possa aprender a manifestar esse poder dele, e em seguida pretendo recrutá-lo como meu braço direito em minha cidade.

- Se entre suas intenções, uma delas for me destronar como o rei desta ilha, sugiro que se prepare, porque a partir de agora terá muitos problemas pela frente. — Develin o encarava como se tivesse aceitado o desafio.

- Eu trouxe Tico até aqui pelo mesmo motivo de Zudin, e não acho que ele pretende te destronar daqui. Queremos é ter influência completa em nossas cidades, mas claro, quem tem influência sobre a ilha por completo é você. — Pulik abriu o jogo revelando seu plano.

- Eu quero o John para que ele me ajude a conquistar território. — disse Zudin.

- Você quer roubar parte do meu território então? — Develin quase que gritava.

- Não o seu território e nem o de Pulik, o que eu quero é acabar com o governo dos outros três líderes desta ilha. — Zudin com sua máscara já tinha seu tom frio e pouco sombrio de volta.

- Entendi, mas para isso você irá precisar de quase um exército.

- Mas ele pode usar John, que tem uma enorme força como vantagem para derrotar os outros. — interveio Pulik.

- E assim como Pulik, eu pretendo pedir a sua ajuda, para que possamos acabar de vez com aqueles três malditos que governam de forma errada, de forma injusta e sempre que possível me causa problemas. Imagino que um deles esteja querendo roubar meu território também, já que faz fronteira.

- Entendo, sendo assim, eu vou proclamar a reunião de líderes e discutiremos alguns assuntos diversos, e dentre eles, tentaremos descobrir algo que eles queiram e podem deixar escapar. — Develin baixou o tom de voz ao reparar nos outros poucos indivíduos que também se encontravam no camarote o observando.

- Se vamos fazer isso, tem de ser no território neutro, no caso o território do rei, seu território Develin. — disse Zudin e Develin acenou. — E teremos de tomar cuidado principalmente com o líder da cidade de Ramet.

- Mas não é Ramet que faz fronteira com sua cidade, é Cumireo. — disse Develin.

- Eu sei disso. Mas o líder de Ramet tem influencia sobre o líder de Cumireo e Tennou, por isso devemos ter cuidado como que vamos dizer.

- Mas, como você sabe disso Zudin? — Perguntou Pulik.

- Tenho meus informantes perto deles.

- Certo, marcarei para daqui uma semana essa reunião, será na sala de reuniões aqui do meu estádio as duas da tarde.

Zudin e Pulik concordaram e seguiram Develin para seu escritório para pegarem a recompensa da aposta.

Os guardas finalmente entraram e chamaram John, que mostrou Tico gravemente ferido e pálido por já ter perdido muito sangue. John carregou Tico rapidamente e cercado pelos guardas. Foi levado até o quarto em que dormiram e logo dois médicos apareceram e começaram a limpar o ferimento, estancar o sangue e recuperá-lo por completo.

John se sentia feliz por ter conseguido salvar o companheiro, pediu para que o médico lhe desse alguma coisa para passar em seu corte e mostrou as costas para ele, que averiguou, passou uma certa pomada e pediu para que John repousasse.

A final do torneio foi cancelada em quatro dias. E só na metade do segundo dia, Tico despertou, e vagarosamente foi recuperando os sentidos até sentir uma tremenda dor na barriga. Olhou para si mesmo e viu que tinha pequenos cortes nos braços e uma atadura que cobria da cintura até o peitoral. Olhou para os lados e viu John que admirava o sol brilhando forte como sempre, as nuvens brancas passeando pelo céu azul e também reparou no pouco vento que batia nele fazendo o pouco cabelo de John balançar.

- Nós vencemos? — perguntou Tico.

- Sim. — disse com uma voz triste John.

- E porque lamenta?

- Porque depois de amanha seremos inimigos.