A Ilha
13 Espada, Cortes e Treze
Surpreso John recuou e o número dezesseis avançou, alcançou John e agitou a espada fina e afiada em suas mãos. John ouviu a espada zunindo próximo ao seu ombro esquerdo e desviou, agachou, se jogou para a direita, o gramado alto lhe dava a vantagem de diminuir a força de um golpe de espada.
Não demorou muito até o número dezesseis conseguir acertar John, deixando um corte fino em seu antebraço, John agora se desesperava, corria como louco tentando encontrar alguma coisa no meio de todo aquele gramado, mas nada, logo uma pequena parte do gramado ficou manchada de sangue, a espada foi agitada novamente e dessa vez rasgou a roupa que usava e marcou as costas de John, que caiu com um gemido de dor. Rapidamente o número dezesseis parou ao lado de John, levantou a espada para dar o golpe final, quando John pegou sua perna e puxou, derrubando-o ao chão, movimentou a espada com velocidade, e de leve criou um fino corte na maçã do rosto de John.
A batalha estava num ponto crítico para John, tentou usar sua força, levantou rapidamente, acompanhou o movimento da espada para chutá-la para longe. O número dezesseis agora estava de pé, correu para pegar a espada quando John o segurou, ao virar o rosto, John lhe serviu com um soco, derrubando-o ao chão novamente. A torcida ia ao delírio somente de ver lutas emocionantes.
\"... Eu ainda continuo admirando muito a coragem do número quinze, primeiro ao enfrentar um leão cara-a-cara, e agora ao enfrentar um homem armado com as mãos nuas, realmente são atos para se admirar. E agora o número dezesseis está em desvantagem, parece estar nocauteado com aquele soco\".
John se aproximou dele, teria que dar um último golpe para terminar a batalha, relembrou a curtíssima amizade que teve com ele, mas não podia hesitar, ajoelhou-se, estava preparado para dar um golpe ao estômago do número dezesseis, levantou o braço direito, colocou força e de repente sentiu um corte queimar em seu braço esquerdo, o número dezesseis, havia pegado a espada e atingiu o braço de John, que desviou o golpe para segurar o ferimento, o corte era profundo, tinha quase certeza que se aproximava do osso próximo ao cotovelo. Seu adversário estava levantando quando John tentou ignorar seu ferimento e com muita força socou o estômago dele. Ficou apenas observando seu inimigo implorar para conseguir respirar, quando John atingiu o estômago mais uma vez.
O número dezesseis havia largado a espada, estava com as mãos na barriga, quando John resolveu dar o golpe final. Pegou a espada, Apontou para o pescoço, hesitou. De repente começou a pensar no que estava fazendo, estava completamente louco, estava tentando matar alguém, nunca faria isso. Ficou de pé, fincou a espada no chão e acertou um chute no rosto do número dezesseis, que agora ficara completamente inconsciente.
\"... O número quinze é misericordioso com seus inimigos, isso é demonstração de grandeza interior, mas também de uma enorme fraqueza, a torcida pede a morte de um inimigo, o mínimo que deve ser feito é satisfazer o público\".
O narrador continuava a fazer um discurso que pressionava John a matar o número dezesseis, a torcida gritava \"Mata, mata\" e John, de cabeça baixa, apenas olhando para seu inimigo, que estava completamente apagado.
John não se conteve, irritado com tudo que havia acontecido e com todos presentes gritou:
- Eu não sou obrigado a matar ninguém, como foi dito no início. O adversário é considerado derrotado quando fica realmente impossibilitado de lutar.
Ao dizer tais palavras, alguns guardas correram para a arena, foram verificar o adversário, o público ficou em silêncio, mexeram no número dezesseis, e logo um guarda levantou e pronunciou \"Batalha encerrada, número dezesseis, impossibilitado\".
A torcida demorou e apesar de tudo comemorou a vitória de John, o narrador continuou com discursos dizendo que John era fraco e aquilo poderia lhe causar sua ruína.
Dois guardas direcionaram John para a cabine onde os números três e doze assistiam ao duelo. Ao entrar na cabine, os dois adversários encararam-no e logo voltaram seus olhares para a arena.
John sentou em um dos bancos e ficou assistindo a entrada do último dos favoritos, o número oito, e atrás dele um homem magricela, o número treze.
\"... Vamos ter inicio a última batalha do dia, a batalha em que teremos mais um favorito pela torcida, campeão do mês retrasado, voltando à arena para ser bicampeão e conquistar alguns privilégios por aqui. Conhecido pelos punhos, está aí o número oito. E agora, o homem que derrotou o número zero incrivelmente, não aparentando ter força alguma, o desconhecido número treze\".
A torcida efervescida pelo duelo, o estádio inteiro tremia com as vibrações da torcida para o número oito, que acenava para eles. Número treze permanecia em silêncio, focando os olhos de seu adversário que continuava a ignorá-lo.
\"... Comece a batalha\".
Pela primeira vez o número oito encarou seu adversário e sentiu a frieza no olhar dele.
Fale com o autor