A Ilha

8 Escravo, Caverna e Negócios


O tempo passava e ninguém nem ao menos se movia, pareciam robôs apenas esperando uma nova programação para se movimentarem, então algo iluminou o céu, parecia ser algum sinalizador, John não pôde ver direito.

O líder levantou, fez alguns gestos com as mãos e seus homens levantaram, pegaram a gaiola com John dentro, levantaram e os seis juntos carregaram numa pequena trilha que o líder abria à frente.

Uma caminhada complicada para John, que não sabia para onde estava sendo carregado, mas esperava algo que pudesse tirar proveito. Agora o caminho abriu e facilitou a passagem para os seis homens.

Mais alguns minutos caminhando e chegaram a um local com duas enormes pedras entrecruzadas, formando um buraco, parecendo à entrada de algum lugar.

Colocaram a gaiola ao chão, o líder caminhou próximo das pedras, quando alguém saiu de dentro.

- Pois não? — Um jovem rapaz surgiu de dentro sem reparar com quem conversava, então ao perceber expressou alguma alegria em sua voz. — Ah! Meu querido Zudin, líder do grupo de seqüestradores de humanos, Banjkaeri, o que nos trouxe do bom hoje?

- Eu trouxe um humano habilidoso, espero ganhar um bom dinheiro por ele. — dizia o líder próximo da gaiola, mostrando sua mercadoria. — Então Develin, o que acha?

- Bom, não parece ser daqueles fortes, mas deve agradar ao público mais tarde quando eu o estrear.

- Então eu cheguei a tempo de conseguir uma vaga para este aqui? — Zudin parecia agora muito contente.

- Sim, com isso você tem seis escravos capturados, sendo o terceiro melhor grupo classificado, dos dez inscritos. Espero que tenha sorte, quem sabe fature essa bolada? — Develin continuou conversando com Zudin já distante de John, que não conseguiu ouvir mais a conversa.

Os seis homens estavam sentados ao chão e pareciam estar apenas esperando ordens mais uma vez, Zudin recebeu algum dinheiro de Develin, que pediu para que prendessem John.

- Vamos coloquem ele na caverna. — disse Develin.

Zudin fez algum sinal com as mãos e os seis homens rapidamente levantaram, pegaram a gaiola e colocaram-na com seu único lado aberto para a escuridão da caverna, John, solto do cabo da lança, mas com os braços amarrados, seguiu caminhando vagarosamente para não bater nas paredes que não podia enxergar. John teve uma última visão de Zudin olhando para seu rosto e rindo, então tudo escureceu.

John ouvia algumas vozes lamentando, outras chorando, outras gritando e muitas outras furiosas, logo sentiu algo segurar seu braço e lhe puxar, era Develin, chamando-o para acompanhá-lo.

- Vamos criatura, eu fiz um belo negócio com Zudin. — e ria fantasmagoricamente. — Aquele idiota, tentou me vender você caro, e me disse ainda que era forte. — agora uma pigarreada. — Espero que não morra muito rápido na arena mais tarde.

- Que lugar é esse? — perguntou John.

- Não lhe interessa que lugar é este, a única coisa que você deve saber é que deve derrotar qualquer um que aparecer a sua frente na arena, deve se importar apenas em sobreviver.

Logo, um pequeno feixe de luz pôde ser visto à frente, e a partir dele, John viu que acabara de ultrapassar uma enorme grade, que Develin fechou em seguida. Agora se imaginava sozinho dentro daquela escuridão, quando chegou próximo da parede e viu muitos homens escravizados assim como ele, sentados e de cabeça baixa, apenas lamentando. Procurou algum espaço e assim conseguiu algum tempo de sossego e de paz. Sabia que era temporário, logo estaria fazendo algo que precisasse reunir todas as forças para sobreviver. Então John sentou entre dois homens, num pequeno espaço que lhe havia sobrado em meio aquela escuridão, colocou a cabeça entre os joelhos e ficou pensando em como poderia escapar daquela caverna.

Estava preso, mesmo sem ter feito nada e sem ir a julgamento algum, John só queria sair, voltar a ser livre e poder fazer seus negócio livres e progredir em sua vida profissional, tinha uma grande carreira a seguir e por um pequeno desvio trágico que não lhe tirou a vida, lhe colocou em um grande perigo.

De repente o pequeno feixe de luz ao centro da caverna aumentou, ficando enorme, logo John conseguiu ouvir gritos. Era uma platéia agitada que comemorava a vitória de alguém. Então uma escada de madeira desceu, John ficou apenas observando e viu que alguém descia, a luz de fora era forte e isso permitiu a John ver o rosto jovem, pálido e ensangüentado do homem que descia. Aquele homem desceu vitorioso, realmente tinha que comemorar, mas ao descer, apenas sentou num canto isolado e começou a chorar.

A escada subiu, e logo a caverna voltou a sua escuridão inicial. John ficou arrepiado, não agüentou mais aquele silêncio todo e perguntou:

- Contra quem você lutou lá em cima? — Então o homem demorou a responder, John estava preste a repetir quando ele começou a falar.

- Ele não queria me ver morto. — disse amargamente. — Ele sabia que seria doloroso para ele se eu perdesse. — a angústia aumentava em suas palavras. — Ele sabia que não conseguiria matar o seu próprio filho!