A Ilha

16 Encenação, Rivais e Nomes


- Ei, tive uma idéia. — disse John parando o número treze que estava próximo ao pé da cama do número três.

- Espero que seja boa. — respondeu ele voltando.

- Acho que se acordarmos eles involuntariamente seria melhor, por exemplo, se fizéssemos algum barulho que acabasse despertando eles.

- Espere, irei acender a luz, volte para sua cama e finja que está dormindo, então quando eu acender você finge que acorda e reclama comigo num tom de voz alto para que eles acordem. — disse o número treze indo até o botão para acender a luz.

John correu para sua cama, deitou fechou os olhos disfarçadamente e se cobriu com o lençol, nesse momento a luz se acendeu.

- Ei, quem foi que acendeu a luz? — falou John em tom alto e zombeteiro.

- Me desculpe, é que eu perdi minha pedrinha da sorte, ela me é muito preciosa.

O número três pôs as mãos nos olhos e esfregou, depois tentou abri-los e começou a resmungar consigo mesmo, o número doze abriu os olhos mais facilmente e ficou observando a conversa dos dois. O número três então sentou na cama.

- O que vocês pensam que estão fazendo? — perguntou ele num tom de voz fino e suave.

- Me desculpe cara, eu perdi minha pedrinha da sorte e preciso encontrá-la, sou muito supersticioso e ligado ao assunto, sem minha pedrinha eu nem sei o que pode acontecer comigo. — disse o número treze encenando uma voz triste e deprimida.

- Espero que não ache, assim no mínimo um de nós três estaremos na final amanhã com plena certeza ganhando de você. — disse o número doze com sua voz grave e cansada.

- Cara, eu estava pensando em como fugir daqui, não quero ter que ficar lutando e matando para poder sair daqui. — disse John torcendo para que um dos favoritos falasse algo.

- E quem disse que é possível escapar daqui? — disse o número doze.

- Como você sabe dessas coisas? — disse John provocando e forçando a resposta informativa do seu rival.

- Simplesmente não há como escapar deste lugar, as janelas são bem fechadas, a porta bem trancada com guardas bem armados do lado de fora, deve ter visto ao menos isso. — disse o número doze sem deixar vazar informação alguma.

- Eu me referia a qualquer chance de escapar. — disse John.

- Aqui funciona da seguinte forma, o campeão tem liberdade provisória, mas quando é chamado para lutar é obrigatório voltar, no meu caso eu fui obrigado a voltar. — disse o número doze.

- Eu voltei por gostar de lutar, acabarei com qualquer um que seja meu oponente, sendo ele campeão ou não. — disse o número três rindo sarcasticamente, mas mantendo seu tom suave.

- Quer dizer que não tem como escapar desse lugar, mesmo estando em liberdade? — perguntou John.

- Deve ter algum modo, mas eu fui pego e me trouxeram a força para este lugar de novo. — disse o número doze.

- Então você realmente não deseja lutar. — disse o número treze.

- Não.

- Queremos escapar daqui, vamos nos juntar e fugir? — propôs o número treze.

- Não, prefiro ter de batalhar contra vocês.

- O que existe do lado de fora desse estádio, que lugar é esse? — perguntou John.

- Aqui, é um lindo lugar para se viver, um mundo sem leis... — Antes que o número três pudesse dizer mais alguma coisa alguém bateu na porta e o número treze correu para cama como uma criança com medo de seu pai vê-la fora dela. A porta se abriu e Develin apareceu, e ao seu lado dois guardas com armas de fogo apontadas para eles.

- Boa noite caros concorrentes. — disse Develin com um sorriso maligno no rosto, olhando para John o tempo todo. — Venho aqui para trocar seus números por nomes, para termos uma melhor narração daqui pra frente. Vamos começar logo então, porque eu também preciso de descanso. — soltou um risinho abafado enquanto pegava um caderno e uma caneta e escrevia alguma coisa. — Número três, por favor, o seu nome.

- Michael Torker. — disse o número três.

- Número doze, por favor. — Develin falava enquanto escrevia em sua caderneta sem olha para ninguém.

- Hugo Mefurato.

- Número Treze.

- Tico Tamaradin, treze letras assim como meu número. — Disse e foi ignorado por todos.

- Número Quinze.

- John Wilk Vilas.

- Muito obrigado e boa noite. — Develin apagou a luz, saiu e fechou e a porta, os guardas logo a trancaram e ficaram por ali guardando o lugar.

Tico correu e acendeu a luz novamente. Todos ficaram olhando para ele, e não demorou a John perguntar:

- Quem é esse Develin?

- Como você sabe o nome dele? — perguntou Tico.

- Quando Zudin me capturou, eu o ouvi falando.

- Entendi, esse deve ser o dono de tudo por aqui. — disse Tico.

- Sim, ele é. — Interveio Michael. — Ele tem influência em todo os lugares que vocês imaginam.

- Isso não interessa. — Hugo cortou o assunto. — Apague a luz, quero apenas dormir e estar bem disposto para amanhã.

Tico apagou a luz e voltou para a cama, logo silenciaram, John permaneceu inquieto durante toda à noite. Assim amanheceu, e logo os guardas abriram a porta e colocaram quatro pratos com pão e leite para que pudessem comer.