A Ilha
15 Aposta, Acordo e Amizade
Pulik ficou olhando admirado para a arena e logo lançou sua proposta:
- Não sei de como forma você controla suas apostas ou como gosta de fazê-las, mas eu queria aproveitar a chance para faze uma contigo. — Pulik era um homem alto, usava terno e gravata, tinha uma barba rala e demonstrava ser um grande executivo.
- Que tipo de aposta você pretende negociar Pulik?
- Eu não pude deixar de ouvir sua conversa com Zudin e então pensei em entrar no meio dessa brincadeira.
- E de que modo você acha que poderia entrar? — Rebateu Develin.
- Bom, eu tenho uma ótima proposta a fazer, mas precisamos fechar esse acordo, os três juntos.
Develin saiu pela porta e gritou um dos guardas que imediatamente compareceu. Develin ordenou para que ele chamasse Zudin antes que saísse do estádio.
Alguns minutos passaram e Zudin voltava pelo corredor, com sua máscara impondo ordem sobre todos os guardas que passava.
- O que quer Develin? Espero que não tenha feito eu perder tempo. — Zudin falou parecendo um pouco zangado.
Entrou na sala e viu Pulik que acenou para ele, esperou Develin fechar a porta para falar:
- Bom. Eu ouvi o acordo de vocês dois, e queria entrar nesse acordo também. — disse Pulik esperando alguém falar, mas viu que os dois apenas esperavam então continuou. — É o seguinte, se Develin aposta nos favoritos, você aposta no número quinze, eu quero ficar com a zebra desse campeonato, vejo um grande talento nele, e pago o necessário para entrar nessa aposta.
- Se você quiser entrar, entre, mas eu vou levar essa bolada, número quinze vai ganhar. — disse Zudin convicto.
- Bom, eu com certeza mantenho minha palavra com os favoritos e sei que eles irão ganhar. Lembre-se Pulik, que eu tenho uma grande vantagem sobre vocês. — disse Develin.
- Não importa, você é o dono desse lugar e organizador de tudo, você tem que fazer as apostas apenas vantajosas para você, eu pago o triplo do valor do campeão se ele perder, mas eu quero receber todo o valor que eu teria de pagar, caso o número treze ganhe.
- Por mim, esse assunto já está encerrado, se eu ganhar, vou aumentar minha influência sobre esse lugar e me tornarei governante. — disse Zudin enfaticamente.
- Fechado. Aquele que vencer, leva o triplo do título pago pelos outros dois apostadores, ou seja, duas vezes o triplo, é realmente uma grande bolada. — Develin falava gananciosamente.
Após uma troca de assuntos e opiniões sobre algumas mudanças no torneio, Zudin e Pulik foram embora e Develin foi para seu escritório, preparar os contratos para que fosse assinado no dia seguinte antes do torneio recomeçar.
Já era noite, as estrelas enchiam o céu como se fosse uma peneira e a lua a completava como se fosse um furo. Os finalistas foram obrigados a ficarem juntos num quarto especial com quatro camas e um banheiro.
John deitou em sua cama e ficou apenas vendo seus adversários fazerem o mesmo, Logo estavam todos dormindo, menos John, que não conseguia dormir. Resolveu levantar e ir até a janela, onde ficou observando a floresta por trás daquelas grossas barras de ferro que cercavam a janela e ainda o mantinham preso. De repente algo se encostou ao seu ombro, fazendo John pular de susto.
Era o número treze.
- Aqueles dois roncam alto demais! — disse ele.
- É, mas não é por eles que eu não consigo dormir.
- Eu também penso bastante em fugir daqui, desde que Pulik e seus capangas me prenderam há três dias atrás eu fico pensando em escapar, mas enquanto não encontro alternativa, eu luto pela minha sobrevivência.
- Você não liga em matar as pessoas? — disse John encarando agora os olhos frios do número treze.
- Eu ligo, me consciência fica bastante pesada, mas penso que se eles me ameaçam não tem porque eu me sentir culpado em matar alguém, assim me alivio um pouco.
- Eu também quero sair, nem sei que lugar é esse, mas desde que eu atravessei aquela montanha e encontrei uma praia deserta, deitei e descansei mais antes de explorar alguma coisa, fui capturado pelo bando do Zudin.
- Esses sequestradores acham mesmo que são poderosos, queria ter a chance de dar uma lição neles.
- Eu também queria lutar com eles de novo, mas antes precisamos sair daqui de qualquer maneira, nos fizeram escravos sem se preocuparem com nada e nos colocaram num torneio em que temos de matar uns aos outros simplesmente para sobreviver. E depois, o único sobrevivente faria o que? Seria libertado? Ou colocado preso mais uma vez para servir de favorito para a próxima batalha. — John agora desabafa tudo.
- Se tem alguém que sabe o que acontece quando o torneio termina, são aqueles dois deitados.
- Fico curioso para saber o que acontece, se formos libertados seria ótimo, agora esses homens devem ter sido libertados e voltaram por vontade própria para lutar. Será que devemos acordar eles? — John exaltou uma grande dúvida.
- Acho que se quisermos informações para sair daqui, teremos de nos arriscar. — Com o rosto claro banhado pela luz da lua, mas com os olhos negros e frios como sempre.
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