A História dos TeMaS

11 Vasto de Mensione, A Família Nobre


Estou com muito sono para trabalhar hoje e essa é uma desculpa que ninguém aqui aceita. Acho que devo dar uma fugida do castelo e ir visitar a maior feira da cidade, lá é muito legal, as pessoas são gentis, contam coisas interessantes e tem vários objetos impressionantes que qualquer um queria ter. Morar em um castelo de quatro andares, bonito e bem decorado não é ruim,mas muitos compromissos são. Descia as escadas imaginando como seria ser um indivíduo normal e não ser tão exigido pelos pais para postura, trabalho comunitário para a cidade, e estudos. Saía do castelo e caminhava pelas ruas, quase todos que eu encontrava me cumprimentava, isso me alegrava, e é agradável porque realmente a simpatia deste povo não era só com o príncipe de seu reino, mas sim com todos.

Já via de longe a feira, forçava o passo, de repente alguém se esbarra em minha perna, olho imediatamente, era uma garotinha loira e bem arrumada, que caiu no chão e deixou derramar um copo de leite. A ajudei para se levantar.

– Desculpa, moço, eu estava apressada e não vi por onde andava.

– Não tem problema, acho que esse leite deveria ser para algum bichinho de estimação seu.

Um TeMaS, ignorando qualquer situação, poderia viver 400 anos, no entanto, nosso tempo de vida cai pela metade no consumo de nossa existência no dia a dia como sustento. Não comemos refeição igual os humanos fazem, mas nossa fonte de poder que é nossa existência, é nosso sustento todos os dias. E cai pela metade novamente pelo exercício cotidiano de treinamento, lutas ou uso espontâneo de nossa existência. Todos os TeMaS treinam para se tornar mais forte e poder defender a si e a sua família na guerra atual entre as três famílias. Ou seja, um TeMaS vive 100 anos; não conhecemos a velhice, morremos em nosso ápice adulto, mas sabemos quando falta pouco para nosso fim. Morremos rápido, nosso corpo desaparece lentamente no ar e sobem do nosso corpo pontinhos brilhantes para o céu, e nossa alma segue seu caminho.

– Era para o meu lobo pequeno, moço.

– Toma 5 eco (nota da espécie TeMaS) e compre cinco desse leite que acabou de cair.

Fiquei surpreso com o tamanho do sorriso que a garotinha fez para mim, quase que não percebo seu agradecimento, mas foi engraçado o jeito dela correr a caminho da feira.

– Vasto!

Reconheço imediatamente a voz feminina chamando meu nome e olho para trás.

– Emile, o que faz aqui?

– Ouvi por aí que o príncipe estava andando atoa perto da feira. Incomoda você uma plebeia como eu, que é sua melhor amiga, te encontrar fora do castelo? Eu sei que não, já nos encontramos várias vezes.

– Incomoda sim! – Falo brincando.

Ela correu e pulou em cima de mim me abraçando. – Eu também senti sua falta, bobo.

– Admito, eu senti, faz quase uma semana que não nos vemos. – Abracei-a também.

– Vem, corre, disseram que no porto daqui a pouco um navio vai mostrar o novo estilo de fogos de artifício. – Ela pegou minha mão e saímos correndo até lá.

Chegamos ao porto de navio e o navio que a Emile disse estava para partir e soltar os fogos.

– Já vai começar, Vas. – Ela pegou minha mão e encostou sua cabeça em meu ombro esquerdo.

Os tripulantes do navio que estava partindo atiraram pelos dedos os fogos de artifício e no céu víamos formando a imagem de uma floresta, lagoa e três cisnes nadando. Um dos tripulantes apontou para mim e entendi que ele quisesse que eu atirasse também. Apontei para o desenho artificial com o dedo indicador direito e atirei, formei naquela imagem uma ponte e em cima dela dois jovens de costas, olhando os cisnes, claro que era eu e Emile, do mesmo jeito que estávamos agora.

– Seu besta, você sabe que eu sou fraca quanto a romantismo. – Ela admirou mais cinco segundos e depois me abraçou forte, tão forte que quase falei ai.