A História de Uma Semideusa - Os Jogos
23 Vencemos, apesar de...
Notas iniciais
Foi só depois que todos sumiram que eu me dei conta que era primeira vez que eu ficava sozinha com Summy depois do “beijo”. Meu coração batia tão rápido que eu fiquei com medo dele ouvir. Então percebi que Summy estava nervoso, não por minha causa, disso eu podia ter certeza. Eu podia ver no jeito como ele ficava atento a tudo ou como estava vasculhando tudo com os olhos, que ele estava com medo do plano não funcionar.
– Não se preocupe capitão. – falei com um sorriso. – Dessa vez o plano vai funcionar, eu sinto isso.
– Como pode sentir que o plano vai dar certo? – ele indagou, erguendo uma sobrancelha.
– Não me pergunte. Eu simplesmente sei.
Não deu tempo de ele me responder, porque nesse instante a trombeta tocou. Eu fiquei nervosa, porque não podia ver o que estava acontecendo nos outros lugares e eu ODEIO não saber das coisas. Leae já me perguntou diversas vezes se eu não sou filha de Atena, mas acabei chegando à conclusão que eu tenho uma espécie de “benção” da deusa. Fico feliz com isso.
P.O.V Brian
Eu estava chateado por ter que ficar nesse time. Nenhum deles nunca tinha feito nada por mim, mal falavam comigo ou pediam a minha opinião. Pude sentir que não teríamos chance no desafio, porque além do outro time ter mais estratégia, eles eram unidos e isso fazia uma grande diferença em uma batalha estratégica.
Eu havia odiado o plano do meu grupo, principalmente porque eu tinha certeza de que aquilo não era um plano. Íamos todos atacar. De acordo com Mandy, que se tornou uma espécie de líder nesse desafio, nós seriamos mais rápidos e conseguiríamos a bandeira deles antes que eles invadissem nosso território. Eu não tinha tanta certeza disso. Na verdade, eu tinha certeza de que eles conseguiriam pegar a nossa bandeira e nós estaríamos muito ocupados lutando contra quem estivesse na defesa.
P.O.V Beky
Menos de um minuto depois, o primeiro semideus saiu de dentro das árvores. Era Sabrina e fiquei me perguntando por que eles sempre a enviavam primeiro. Dessa vez eu estava muito atenta para receber um ataque de trás. Deixei Summy cuidar dela, porque eu estava prestando muita atenção em Mandy, que saia do meio da escuridão também. Ela tinha uma expressão feroz no rosto. Eu e ela entramos em uma briga de lança contra espada, nada justa, porque eu tinha a vantagem.
Logo Shad apareceu também, brandindo uma adaga e tentando interferir na minha luta.
– A deixe comigo. – gritou Mandy para ele.
Infelizmente ele decidiu atacar Summy. Ele estava em uma luta fácil com Sabrina, a garota não ia aguentar muito mais tempo lutando. Shad começou a interferir na luta, tentando atingir Summy onde ele não tinha defesa. Infelizmente ele conseguiu. Atingiu Summy na coxa, fixando a adaga. O mundo parou ao meu redor. Pude ver uma lagrima escorrendo dos olhos castanhos que eu sempre amei. Então a imagem dele se ofuscou e ele sumiu.
Logo o mundo voltou à tona, porque eu tive que me defender de um golpe de Mandy. Eu devia estar com uma cara muito horrível, porque esta recuou alguns passos. Logo Hally e Brian saíram das árvores também. Selly vinha logo atrás. Eu não tinha como lidar com todos eles. Era simplesmente impossível. Acho que eles perceberam isso, porque Selly me lançou um sorrisinho maldoso.
Então algo maravilhoso aconteceu. Algo que provavelmente salvou a minha vida. A trombeta soou de novo. Todos do outro grupo estavam ali, o que significava que o meu grupo tinha conseguido. Eu abri um enorme sorriso e na hora em que Mandy baixou a lança em mim, eu senti um puxão e apareci de volta na sala plataforma.
Todos estavam lá. Meu time comemorou, mas depois se deram conta de que Summy não estava lá.
– Beky. – chamou Leae ao ver minha cara abalada. – Onde esta o Summy?
Todos ficaram atentos com aquela pergunta. Soube que estavam se perguntando a mesma coisa.
– Shad enfiou uma adaga na coxa dele. – respondi. – Ele provavelmente vai sobreviver, mas agora deve estar na enfermaria.
A animação sumiu do grupo como se alguém tivesse dado descarga. O outro grupo estava chateado com a perda, mas eu vi a sombra de um sorriso no rosto de Hally enquanto eu contava o que havia acontecido com Summy. Brian brigava com Mandy. Pelo que eu ouvi, ele estava chateado porque avisara que o plano não iria dar certo.
A sala começou a descer e eu me sentei no sofá, apesar de já estar acostumada com isso. Sentia-me tonta. Assim que voltei para a “ala dos dormitórios” eu procurei uma porta extra, mas não encontrei nenhuma. Revoltada, entrei no mau quarto batendo a porta, nem ligando para o fato de Carol estar dentro do meu quarto, sentada na minha cama, provavelmente esperando para falar comigo.
– Não estou afim de papo Carol. – falei secamente, me jogando na cama, sem me importar com sua presença.
Se eu estava sendo rude? Talvez. Mas ninguém podia simplesmente tirar o Summy de mim e não me dar nenhuma noticia sobre ele. Eu estava realmente chateada e quando isso acontece, eu desconto a minha raiva em qualquer um que estiver por perto. Errado? Com certeza, mas não existem pessoas perfeitas no mundo. Muito menos nesse mundo que muitos não sabem que vivem.
– Desculpa. – ela falou docemente. – Só queria perguntar o que você pretende fazer em relação ao Summy.
Esse assunto me despertou.
– Como assim? – perguntei, me sentando e prestando atenção.
– Bem, é obvio que você gosta dele. – isso era telepatia? Ah! Claro! Ela é filha da deusa do amor. – O que você vai fazer para conquista-lo? Quer dizer, para ficar com ele, porque o garoto tá na sua total!
– Wow! Calminha ai! Ninguém disse que ele gostava de mim!
– Minha mãe disse. Em rede publica. E ele confirmou.
– No desafio de Afrodite?
– Aquilo não foi bem um desafio para ser sincera.
– Eu sei, mas voltando ao que interessa... Ela disse isso mesmo?
– E o Summy afirmou.
Eu tenho que admitir que já suspeitava. Ele não teria me beijado se não sentisse alguma coisa por mim. A menos que fosse alguma aposta com os amigos. Mas ele não tinha muitos amigos aqui e ele odeia apostas, já me disse isso diversas vezes. Afastei esse pensamento da minha cabeça. Eu e Carol começamos a conversar, apesar do enorme cansaço que eu sentia. Quando já eram cinco da manhã ela foi para o seu quarto e eu finalmente pude dormir. O próximo desafio só seria às nove da manhã.
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