A História de Uma Semideusa - Os Jogos
25 A Flecha Dourada
Notas iniciais
Arranjei um ramo da lateral que parecia bem firme e comecei a subir. Coloquei primeiro um pé, esticando o braço para alcançar um ramo mais alto de apoio. Logo eu coloquei o outro pé, apoiando o outro braço. Então eu fui colocando um pé após o outro, procurando ramos firmes. Teve uma hora que eu dei uma escorregadinha porque acabei pisando em falso, mas consegui chegar ao topo com somente um arranhão no braço.
Então tentei me equilibrar em pé, mas o melhor que eu consegui foi engatilhar. Ao meu redor eu só via o labirinto. Se aguçasse bem os meus ouvidos podia ouvir ao longe uma multidão gritando. Então comecei a andar (lê-se engatilhar) pelo muro do labirinto. Foi fácil. Ao longe avistei Selly gritando revoltada e se eu me concentrasse podia ver Bonny tendo a mesma ideia de eu. Então me lembrei de que tinha que chegar até a flecha.
Esforcei-me e consegui ficar em pé, mas era muito difícil conseguir me equilibrar e eu só consegui andar bem devagar. Olhei de novo na direção de Bonny e vi que ela não estava em melhores condições do que eu. Uma nevoa densa me separava do solo e da visão do resto do labirinto. Comecei a andar um pouco mais rápido, pegando o jeito. Infelizmente, Bonny também. Estávamos em uma corrida para um lugar que nós ainda não sabíamos onde era. Fuzilei o espaço com os olhos, mas não consegui encontrar muita coisa.
Cruzei algumas vezes as paredes e até arrisquei um salto para mudar de lado. Bonny saiu da minha vista, provavelmente tinha ido para outro lugar. Eu não tinha um objetivo, só estava seguindo os meus “instintos” em direção à flecha, afinal de contas, o parentesco com Apolo tinha que servir para alguma coisa. Quando me senti preparada, comecei a correr, mas sempre com muito cuidado, pois a queda não seria uma coisa bonita.
Depois de vagar muito, comecei a ficar cansada. Já devia fazer umas duas horas que eu estava ali. Minha corrida já não era tão rápida. Ouvi um ruído e estreitei os olhos na direção do som. Era Leae. Ela também tinha tido essa ideia. Não me surpreendi, afinal de contas ela é filha de Atena. O único problema era que ela estava correndo em direção ao mesmo cruzamento que eu e eu não acho que poderiam ter parcerias nesse desafio.
Pensei em parar e esperar ela passar para continuar de novo, mas então me lembrei de que estávamos em uma corrida. Apressei meu passo, com sorte eu poderia correr mais rápido do que ela e passar no cruzamento primeiro. Infelizmente, eu não estava com tanta sorte assim. Na hora do cruzamento, nos chocamos e caímos cada uma para um lado do labirinto. Deu tempo de eu acenar e dar um sorrisinho para Leae, mas acho que ela não viu, porque me lançou uma carranca.
Como se não bastasse, eu tive mais um “infeliz” acidente. Eu cai em cima de alguém e esse alguém segurava uma espada, e essa espada deixou um corte muito feio no meu braço.
Consegui me levantar com algum esforço e então olhei para o portador da espada super afiada que quase me matou.
– Oi Beky. – disse Summy, esticando a coluna que tinha sido muito maltratada porque eu não fiz uma dieta decente.
– Oi. – eu respondi, relaxando, afinal de contas eu não podia culpa-lo por andar com a espada assim.
– O que você estava fazendo lá em cima?
– Tentando achar o caminho... – eu ofeguei, meu braço estava doendo. – só que acabei me chocando com Leae... – parei de novo, doía muito. – no cruzamento.
– O que houve com o seu braço? – ele se aproximou.
– Sua espada. – eu respondi quase num murmúrio, mas infelizmente ele ouviu.
– É de ferro estigio! Se não cuidarmos agora vai acabar com o seu braço!
Ele me fez sentar na parede do labirinto e depois buscou alguma coisa no bolso. Era um saquinho de ambrosia. Ele me entregou uma e eu comi o gosto de bolo de chocolate invadindo a minha boca.
– Obrigada. – falei. – Já estou melhor.
– Se eu fosse você descansava um pouco. – ele me repreendeu.
– Pra você correr lá e ganhar a corrida? – perguntei.
Arrependi-me na hora. Era obvio que ele não ia se aproveitar do meu machucado para correr e ganhar. Eu não faço ideia do que eu estava pensando.
– Não. – ele me respondeu com a cara fechada. – Porque eu estou tão perdido quanto você.
– Eu não... Eu não quis dizer que você iria realmente...
Ele me fez parar com um aceno de mão. Pegou sua espada caída e sumiu em um dos milhares de tuneis do labirinto. Eu sou uma completa idiota. Naquela hora eu tinha certeza disso. Porém, uma luz me fez esquecer os pensamentos. Literalmente. No final do túnel que eu estava seguindo tinha uma luz dourada. Eu comecei a correr mais rápido. Não poderia ter sido tão fácil assim! Mas era. Quando o túnel acabou eu estava em uma clareira e no centro estava uma enorme flecha dourada.
– Tarde demais perdedora. – falou uma das vozes que eu mais estava odiando.
Mandy estava parada do lado da flecha. Não estava tocando-a, mas estava muito perto. Eu sabia que se ela encostasse um dedo naquela flecha, tudo estava acabado. Então eu vi a flecha da salvação, literalmente. Uma flecha passou zunindo pelo meu ouvido e acabou acertando o ombro de Mandy. Só depois eu fui percebeu que acertou o tecido da roupa dela e ela foi atirada contra a parede, ficando presa.
Virei-me para trás e dei de cara com Bonny em cima do muro. Ela mirava uma flecha murro em mim. Eu sabia que se não corresse agora, só correria na enfermaria.
– Desculpe Beky. – ela disse e lançou a flecha.
Mas a flecha não me acertou. Na verdade, quando eu abri os olhos, estava segurando a luva de Box que ficava na ponta da flecha. Uau! Pensei Quando mesmo que eu ganhei esse superpoder? Bonny parecia mais confusa do que eu. Mas eu não podia perder tempo. Corri em direção à flecha. Ela parecia brilhar cada vez mais. Quando eu estava quase encostando meu dedo na flecha me virei para a Caçadora.
– Desculpe Bonny.
Toquei a flecha. Ela era muito quente e estava queimando meus dedos, mas eu me segurei. Senti um puxão e estava de volta a sala plataforma, assim como todo mundo. Na minha mão, uma flecha dourada jazia.
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