A História de Uma Semideusa
1 Converso com um centauro
Notas iniciais
Finalmente as férias de verão chegaram e a alegria junto com elas, só não sei se foi isso ou por não fui expulsa do colégio Hills Washington – a segunda opção –. Nada de maluco acontecendo, nem coisas me perseguindo, explosões, simplesmente nada; também estava feliz porque não iria deixar os meus amigos. Tinha feito grandes amizades nesse novo colégio como, por exemplo: o Logan e sua namorada Reily que conheci primeiro, eles não se desgrudam um do outro e nem de mim me fazendo toda hora fugir deles – ou tentar.
Ah, me chamo Isabella Carter, tenho quatorze anos, moro com a minha mãe Rose, meu padrasto Phill e meu irmãozinho de nove anos Alex. Eu infelizmente tenho dislexia e TDAH, mas a mais ou menos um ano e meio venho tomando remédios, às vezes jogo eles fora porque me dão dores de cabeça pela manhã. Insistia em dizer que não precisava de remédios, mas ninguém ouvia – como sempre.
Hoje era o primeiro dia de férias poderia dormir ate mais tarde, mas infelizmente acordei na hora que sempre acordava para o colégio, as dores de cabeça vieram logo em seguida me fazendo aconchegar a cama e dormir mais um pouco apenas, pois ainda tinha que encontrar Logan e Reily para irmos à praia. Logo que fecho os olhos o sonho vem de supetão.
Era uma paisagem lindíssima o mar cristalino tomando conta de toda a minha visão, o vento soprando em brisas refrescantes, pude ver altas copas de arvores ao redor da praia, mas logo fui envolvida a uma conversa que acontecia a beira do rio entre uma menina e um menino que não eram visíveis a mim, apenas conseguia ouvi-los, então o fiz.
O menino estava com a respiração acelerada podendo ouvir o inspirar e o expirar de seus pulmões, a menina, por sua vez estava com raiva, bufava e dava gritinhos, pude ate ouvir alguma coisa se quebrando.
– A gente vai buscar ela quando? Eles te falaram alguma coisa? Annabeth me responde...
– Calma, por favor, não vou te contar nada se você continuar esbaforido deste jeito
O menino assentiu e deixou-a falar.
– Logan e Reily disseram que tem muitos monstros tentando atacá-la, mas eles estão conseguindo mante-los longe dela. Eles estão fazendo o possível dizem que o cheiro de muitos da escola dela estão os ajudando, mas não por muito tempo. Mas porque você esta assim, eu realmente não entendo.
– Eu também não sei, tem haver com aquele sonho que eu tive e achei que não tive-se outros filhos de Poseidon depois daquele acordo entres eles...
– Percy, você tem que botar uma coisa nessa sua cabeça, ela pode ser filha de muitos outros, não é porque Reily te mostrou uma foto que vocês têm que ficar botando esperança em tudo. Você pode ter milhões de irmãos e irmãs espalhados pelos quatro cantos do mundo, porque esse apego a ela?
– É que se ela for filha de Poseidon, seria a primeira que conheceria depois de Tyson, tirando que ela não é um ciclope
– Mas, enquanto tudo estiver ao controle deles ela ficara por lá, mas...
– Mas?
– Mas, Logan e Reily levaram-na à praia amanhã, não terá tantas pessoas para acobertar seu cheiro, provavelmente o nível de monstros deve aumentar...
– Vocês iram mesmo levá-la a praia? – o menino já gritava indignado
– Se ela for realmente filha de Poseidon a água não será um problema. Mesmo sabendo que Logan e Reily podem controlar a situação, ficaremos de vigia, apenas de vigia entendeu? Quiron nos deu permissão.
Acordei do meu sonho assustada, aquilo fora tão real, eles haviam falado de Logan e Reily, que iríamos à praia, sobre Poseidon, um ciclope... Mas foi tudo um sonho não?
Com esses pensamentos levantei para tomar uma ducha, mas fui surpreendida por meu telefone tocando – Reily – Atendi ao telefone e antes de falar qualquer coisa Reily como sempre deu seus gritinhos matinais me chamando, me impressionava com ela a essa hora da manhã estava com um humor incrível.
– Belinha, animada para ir à praia?
– Sim Reily, vou tomar uma ducha e me arrumo em uma hora te encontro na praia – sabendo que ela iria questionar falando que iria me buscar dei um tchau e desliguei o telefone ouvindo batidas na porta.
Não poderia ser a mamãe porque havia saído com Phill e só voltaria no outro dia. Sabendo quem era abri a porta e recebi um abraço – Bom dia Alex – Meu irmão fazia meu dia realmente feliz, aturar Phill não era tarefa fácil, mas meu irmão sempre me ajudava com essa parte.
– Oi Belinha – disse ele com um sorriso meigo no rosto
– Pegando os apelidos da Reily é mocinho? – ele fez um bico indicando com a cabeça que sim – Que tal irmos à praia hoje? – seus olhos castanhos claros brilhavam para mim
– Sim, vou colocar uma roupa
Enquanto ele ia colocar uma roupa tomei meu banho e logo depois coloquei minha roupa também, estava simples, uma bermuda jeans, uma camisa de manga azul e um All Star de mesma cor e claro que estava com um biquíni por baixo. Ajeitei minha mochila colocando tudo necessário para o dia. Arregacei as mangas e fui ate a sala aonde Alex me esperava sentado no sofá vendo TV como sempre. Ele estava vestindo uma bermuda caqui, uma blusa regata branca e chinelos, como eu, também carregava sua mochila com tudo necessário para o dia.
– Vamos? – ele se levantou e foi ate a porta para abri-la aparecendo uma surpresa. Reily e Logan estavam à porta praticamente acampando, Reily como sempre parecia sem energia, pálida, mas nunca demonstrava isso. Ela se levantou assim que nos viu e pude notar a dificuldade. Logan rapidamente ajudou-a e me deu um sorriso.
– Bom dia Belinha
Quando os olhei estavam parecendo que iriam ao colégio, ao shopping, mas não à praia. Logan usava uma calça jeans clara que entrava por dentro do tênis – eu ainda perguntava o porquê disso e ele dizia que era estilo –, uma blusa branca soltinha que provavelmente caberiam duas de mim, e seu boné de beisebol favorito e não pude deixar de notar que sua barbicha havia crescido um pouco. Reily usava uma calça da mesma cor que minha bermuda, uma regata verde e seus cabelos cor de caramelo estavam presos ao boné preto que usava, os dois carregavam suas determinadas mochilas que pareciam estar cheias pelo volume.
– Reily que maluquice é essa? Falei que encontraria vocês na praia e que roupas são essas? Vocês realmente estão indo a praia?
– Ela decidiu vir aqui e sim vamos à praia – respondeu Logan – Alex vai?
– Sim, não vou deixar o meu irmão aqui sozinho – pude ver os olhares nervosos deles, mas simplesmente concordaram com um aceno de cabeça e fomos em direção ao nosso destino.
No caminho de ônibus, Reily e Alex conversavam sobre árvores, não me pergunte o porquê, mas esses dois sabiam tudo sobre elas e a conversa parecia bem animada. Aproveitando que Reily estava distraída perguntei a Logan o que me preocupava.
– Reily estava doente? – ele arqueou uma sobrancelha e me olhou, parou para pensar em alguma desculpa talvez
– Claro que não Isabella, ela está ótima deve ser fome, cansaço, nada de mais
Não pude deixar de notar o nervosismo em sua voz. Com a insistência dele mudamos de assunto, mas nada me tirava da cabeça que algo estava errado, algo que eles pelo visto estavam me escondendo e eu iria descobrir.
Chegamos à praia em provável meia hora e nos ajeitamos. Reily e Logan em nenhum momento insinuaram tirar as roupas, porém eu e Alex já estávamos prontos a ir à água.
– Aonde vocês vão? – perguntou Reily com seu sorriso meigo de sempre, mas parecia estar preocupada. O que poderia acontecer?
– Não vou ficar ai vestida, isso vocês podem apostar – disse dando uma risada
– Ok. Mas não demorem
Sem nem escutar a frase direito Alex me puxou em direção a água que estava cristalina com ondas médias que deixavam meu irmão com um pouco de medo. Fiquei falando em minha mente que o mar poderia ficar tranquilo, ate que senti as ondas se acalmarem até que avia marolas e não ondas. Um pouco assustada fui me banhar junto a meu irmão.
– A água esta gostosa não? – perguntei a Alex que estava boiando junto a mim.
– Uma delicia
Ficamos lá por longos minutos. Parando de boiar vi que havíamos nos afastado um pouco da praia, mas continuava vendo Reily e Logan o que não era difícil, apenas procurar as únicas pessoas vestindo calça jeans e tênis. Alex ainda boiava quando eu vi algo na água, pareci que era apenas uma mulher com longos cabelos negros me observando, mas olhando direito desta vez percebi que sua cara era áspera e verde, parecendo até um peixe, quando ela abriu a boca havia grandes dentes pontudos como de tubarões, passou sua língua pelos lábios grossos e machucados antes de sumir pela água que deixara de se tornar cristalina adquirindo um tom mais esverdeado.
Puxei Alex que me olhava sem entender nada até que a mulher que vira deu um salto em minha direção. A cena parecia passar em câmera lenta o que facilitou um pouco, empurrei Alex para longe e saltei para o outro lado, mesmo tendo saído da frente de seu ataque ela conseguiu me puxar pelos pés para a água segurando-me forte para que não volta-se a superfície. Consegui ver tão perfeitamente embaixo da água que se não estivesse sendo puxada por uma louca ficaria assustada. Olhei novamente a mulher, ela apresentava dois trocos de serpente e se movia rápido embaixo da água, a cada ondulação de suas caldas ela ia mais fundo e mais fundo e eu ia percebendo que conseguia respirar tranquilamente. Debatia-me sem parar até que com um golpe de sorte consegui soltar um de meus pés de suas mãos e chutar sua face, o primeiro chute pareceu não doer mais o segundo veio com muito mais força, pois usava os dois desta vez. A cara dela serviu de apoio para usá-lo como impulso para subir, ela teria me alcançado com facilidade se um garoto que apareceu do nada – minha salvação – não tivesse me ajudado a subir. Eu não sei como ele sacou uma espada de bronze que brilhava debaixo da água e acertou-a no braço, enquanto ela gritava um som ensurdeceste de dor e sumia em cinzas ou se reduzia a pó, ele me deslocou rapidamente para a superfície.
Chegando lá em cima vi meu irmão montado em um cavalo, sim um cavalo, preto com assas enormes, ele estava acompanhado de uma menina e assim que os encontrei me ajudaram a subir, o menino veio logo depois, suas roupas estavam secas o que me assustou, mas não falei nada. O cavalo alçou voou e eu estava desesperada ou ficando maluca, eu Isabella Carter montada em cima de um cavalo voador? Só pode ser brincadeira.
Abracei Alex muito forte parecendo até que estava segurando minha vida, só aquilo me importava estar com ele, nem me lembrava que estava em um cavalo alado. Olhei para a menina que usava uma blusa laranja escrito acampamento meio-sangue, uma bermuda jeans que passava um pouco o joelho, seus cabelos presos em um rabo de cavalo solto com seus olhos cinzentos fixos em mim, ela olhou um machucado que havia em meu tornozelo que por um acaso já estava cicatrizando, havia somente um corte, bem que falavam que água salgada ajuda na cicatrização.
– Seu machucado, foi a dracaenae que fez ou já estava ai? – ela perguntou um pouco afoita, parecia que se responde-se algo iria acontecer
– Dracaenae... Oh sim – lembrei de minha aula de mitologia que tive no penúltimo dia de aula, lembro de alguma coisa sobre uma mulher metade serpente e com certeza seu nome era Dracaenae – sim a dracaenae que o fez, mas estava bem pior, um corte horrível achei ate que não iria cicatrizar...
Seus olhos cinzentos se arregalaram e se voltaram ao menino que também estava com seus olhos verdes – parecidos com os meus só que o brilho era maior – estavam fixos se alternando entre mim e a menina. Se eles queriam falar alguma coisa desistiram porque começaram a tentar me explicar o porquê de eu estar em cima de um cavalo com assas e pode acreditar, queria muito saber o motivo.
– Isabella – disse o menino me olhando com um aspecto de calma, mas sua voz vacilava em alguns momentos. Como ele sabia meu nome? – sei que você tem aula de mitologia grega na escola – assenti nervosa com a cabeça e ele continuou – tenho certeza que deve ter ouvido dos deuses gregos...
– Como Zeus, Poseidon, Hades... – o completei e ele deu um sorriso satisfeito
– Exatamente, de tempos em tempo eles descem a terra e tem filho com humanos, sendo esses, metade deuses, metade humanos, chamados meios-sangues...
– E o que isso tem haver com eu estar aqui? Quem são vocês? PORQUE ESSE CAVALO TEM ASSAS? – eu necessitei gritar a ultima frase, era muito surreal um cavalo ter assas
– Estou tentando dizer que você é um meio-sangue, seu pai é algum deus grego, e eu tenho lá minhas duvidas de quem ele é – Sussurrou a ultima parte, porém ouvi perfeitamente mesmo assim na falei nada tentando absorver a frase.
– Meu pai não é um deus grego, eu nem sei quem ele é, ele foi embora antes de eu nascer por causa do trabalho, não sei ao certo, minha mão disse que ele está morto...
Estávamos passando por uma praia – A mesma praia do meu sonho, com as mesmas copas de arvores e o ar refrescante –, conseguia ver um acampamento eu acho, conseguia ver cerca de doze chalés. As mãos do menino se levantaram e uma parede de água se levantou ao nosso lado – AAAH – dei um grito cobrindo minha boca com uma mão enquanto a outra segurava Alex que por algum acaso havia dormido.
– Sou Percy, filho de Poseidon e essa é Annabeth, filha de Atena. Você acredita agora?
Olhei a menina que tentava dar um sorriso e Percy que fazia o mesmo com um sorriso bem maior mostrando os dentes muito brancos – balancei a cabeça que sim e seu sorriso aumentou. Agora é que eu fico cega.
– Mas... mas se deuses realmente existem qu... quem é meu pai?
Percy fixou seus olhos nos meu, mas antes dele poder falar algo foi interrompido por Annabeth que falara que havíamos chegado ao acampamento – realmente era um acampamento.
Pousamos em um estábulo, havia cavalos como o que estava montada, não tão bonitos como o nosso, tinhas assas a maioria era de cor branca, eram pagasus, tinha lembrado novamente no que tinha lido nos meus livros de mitologia, tinha muitos deles em casa.
Até mais chefe – disse o cavalo, ou pensou ele
– Até mais Blackjack
Depois de me ajudar a descer, Percy falou que tinha que me levar para falar com Quiron o diretor de atividades que estava a minha espera. Mas eu ainda estava boba de eu cavalo ter falado.
– O cara do sonho – sussurrei lembrando no meu sonho a menina falará o nome desse Quiron, mas tinha como ser ele? – impossível
– O que é impossível? – Perguntou meu irmão que percebi estar de sunga e naquele momento percebi que estava de biquíni, corei e coloquei meu irmão em minha frente, tentando erroneamente me tampar
– Nada... Reily e Logan? – Quando estava colocando meu irmão em minha frente vi Reily e Logan um pouco mais a nossa frente, uma sensação de alivio me tomou, pelo menos eles estavam lá não poderia ser um lugar estranho não?
Eles correram em minha direção segurando nossas mochilas, Reily tinha uma cara ótima desde que a vi, sua pele tomou uma coloração saudável e seus olhos amendoados brilhando com muito mais intensidade.
Ela me deu um abraço forte e eu custei a solta-la, estava assustada, voei em um pegasu, descobri que deuses existem e que meu pai que nunca vi em minha vida pode ser um. E ver Reily e Logan de novo me fez acalmar meus nervos.
– Esta tudo bem agora belinha – Falou Reily com seu sorriso derrubador de paredes que todos se derretiam
– Como pode estar tudo bem? Eu quero ir pra casa Reily, o que esta acontecendo? Como você veio parar aqui? – as perguntas não paravam de vir e as respostas que eram limitadas me deixaram tensa.
– Calma belinha, Quiron vai esclarecer tudo pra você, eu estou aqui, esta tudo bem agora. Mas por favor, se acalme.
Ela me entregou minhas roupas e as vesti rapidamente sobre meu biquíni.
Percy e Annabeth chegaram por trás e tocaram meu ombro dizendo que tínhamos que ir. Relutei, não podia levar meu irmão, mas Reily se ofereceu pra cuidar dele falando que ia mostrar o acampamento a ele. Depois de muita conversa eu fui levada para falar com o diretor de atividades – Quiron.
Não prestei muita atenção no caminho e sim nas pessoas que andavam com armaduras, espadas, lanças e muitas outras coisas letais. Quando chegamos vi que era uma grande casa branca com um lindo jardim, a casa parecia ser um pouco velha, tinha três andares e o sótão me dava arrepios só de olhar, a madeira velha e desgastada parecendo que há séculos estavam ali.
Me virei dando de cara com um centauro jogando algum jogo de cartas – sim um centauro – ele parecia um pouco velho já apresentando cabelos grisalhos, branco da cintura pra baixo com seus pelos penteados e sua barba desalinhada ao meu ponto de vista. A sua frente um homem baixinho que era um pouco acima do peso, com um pescoço roliço, seus cabelos negros cacheados estavam um pouco desarrumados e seus olhos púrpura me fitaram assim que me viu; ele usava uma camisa com tigres de pelo alaranjado, bermuda e sandálias.
– Olá Isabella, estávamos a sua espera – ele disse dando um sorriso torto e cumprimentou Percy e Annabeth. Sério, eu deveria estar andando com uma plaquinha escrito, Oi, sou Isabella.
– Quando eu vou pra casa? – o centauro bufou desanimado e voltou a me olhar caminhando em minha direção, dei passos para a trás ate não ter mais pra onde ir
– Não tenha medo minha querida, só quero conversar – Ele ficou entre Percy e Annabeth estendendo uma mãe para mim.
Fui ao encontra de sua mão, era um pouco áspera mais confortável.
– Irei dar um volta com a senhorita Isabella, Percy poderia nos acompanhar? – Percy assentiu já vindo ao meu lado e sussurrou para que eu me acalma-se e não tivesse medo – Annabeth já sabe o que tem que fazer querida – Ela assentiu com a cabeça e saiu e em seguida nós.
Começamos a andar pelo acampamento, pessoas me olhavam feio e os que não nem olhavam. No caminho vi pessoas treinando arco-flecha, esgrima, arco-flecha, canoagem e muitas outras coisas que quase não prestei atenção na conversa.
–Isabella, sei que Percy lhe falou sobre seu pai ser um deus
– Sim, e pelo visto isso realmente é verdade
– Sim minha cara é verdade, sei que é difícil para você este momento, mas sinta-se em casa porque essa realmente é sua casa.
Pelo visto até você ser reconhecido pelo seu pai/mãe olimpiano tende de ficar no chalé de Hermes, o chalé dos visitantes. Alguns nem erram reconhecidos e tinha de ficar lá para sempre. Eu ficava me perguntando se eu poderia ser filha do rei dos ladrões e definitivamente a reposta era, não!
– Eu não vou pra casa?
– Eu ia chegar nesta parte. Lembra da Dracaenae que te atacou na praia? – assenti com a cabeça, um calafrio rondou meu corpo fazendo-me estremecer apenas de lembrar. Ele continuou – Aqui só foi o começo, muitos outros monstros e bem mais fortes que a Dracaenae te atacaram. Você precisa ficar aqui no acampamento que te manterá segura desses perigos. Aprendera a lutar e se defender como todos os outros.
Por um tempo fiquei em silencio para digerir a informação. Meu pai é um deus grego, monstros vão me atacar se sair daqui, um centauro esta do meu lado e voei em um pegasu. Depois de tudo mal digerido suspirei fundo ate tentar falar alguma coisa.
– Então quer dizer que terei que ficar aqui estas férias de verão e depois posso voltar para casa? – Quiron alisou sua barba desalinhada e se virou para mim
– Você também pode ficar aqui o ano todo e deixar eu te treinar, mas isso é sua escolha
– Ótimo, então ficarei aqui, mas e minha mãe? Ela sabe que meu pai é um deus grego? Porque ela escondeu isso de mim? – A indignação tomou meu consciente, como ela pode me esconder algo tão sério como esse? Apesar de deus ou não ela tinha que ter me falado sobre ele.
– Claramente que sim, ela só não te contou pra te proteger Isabella
Depois de muita conversa – Poe muita nisso – sobre o acampamento, minhas atividades, os jogos e os chalés, Quiron pediu a Percy que me acompanha-se ao meu chalé
– Quiron – ele virou apenas o rosto esperando eu falar – Meu irmão, ele não é um... um meio-sangue e não vejo “humanos” aqui
– Ele terá que ir embora Isabella, mas não se preocupe como esta tarde ele pode ir amanhã. Resolveremos pela manhã este assunto
Meu coração se apertou e quando Quiron foi embora galopando Percy me ofereceu seu ombro para apoiar-me. Como poderia ficar as férias todos sem meu irmão, como deixaria ele com Phill e minha mãe, tudo bem que eles não são más pessoas, mas ele se sentira sozinho. Teria que falar com ele, aquela Dracaenae me deixou apavorada não pagaria para ver outro monstro ainda pior.
Quando chegamos onde estavam os chalés que estavam em um formato de um grande “U” de cabeça para baixo. Parei logo no primeiro da esquerda para a direita que era o chalé de Hermes nem dando tempo de observar os outros. O chalé de Hermes parecia um chalé de acampamento normal, velho, com a pintura descascando e um caduceu muito confundido com o símbolo da medicina, porém percebi que este tinha uma cobra, logo era o de Hermes.
Encontrei Reily com Alex na porta e fui em sua direção por incrível que pareça arrastando Percy.
– Oi belinha, como foi lá?
– Bom... na medida do possível. Tenho que falar com Alex pre... precisamos ter uma conversinha. – Alex me olhou preocupado, mas logo dei um sorriso a ele a cara de preocupação se foi e meu peito doía em dar a noticia.
Percy e Reily nos deixaram sozinhos e caminhei com ela ate a praia onde nos sentamos observando as ondas se quebrando com suavidade e leveza.
– Alex, Reily te falou o porquê de nos, eu estarmos aqui?
– Não, falou apenas que você tinha que ficar aqui pra se proteger e me proteger. O que ela quis dizer com isso? Você vai embora?
– Calma, escute bem o que eu vou te falar Alex, vou ter que ficar aqui ate as férias acabarem
– Por quê? – ele me olhava com os olhos arregalados e já com água
– Sabe aquelas historias que eu te contava sobre os Deuses, o Olimpo, os Monstros... – ele balançou a cabeça e continue com um suspiro – Meu pai é um desses deuses, e eu sou um meio-sangue. Metade deus metade humano
– SÉRIO? – assenti e prossegui
– Sim, e monstros tentam matar todos os dias esses meios-sangues, igual aquela mulher que me atacou na praia. Por isso tenho que ficar aqui ate aprender a me defender para poder voltar para casa.
– Você jura juradinho que volta? – ele esticou o dedinho mindinho para mim, dei uma risadinha e estiquei o meu.
– Eu juro juradinho – nossos dedos se entrelaçaram e a promessa estava feita, não podia decepcioná-lo.
Enquanto voltávamos expliquei para ele que dormiria aqui hoje e amanhã Quiron arrumaria um meio de ele voltar para casa em segurança. Encontramos Percy que conversava com um menino alto, magro, sua camisa do acampamento marcava um pouco seu abdômen mostrando-me que era definido, cabelos loiros lisos bagunçados dando certo charme, quando se virou para mim pode ver seus olhos azuis esverdeados me fitando de cima a baixo.
– Esse menino parece estranhamente com você – disse Alex me cutucando
– Percy? – olhei para ele esperando uma resposta e ele apenas balançou a cabeça.
Chegamos ao lado deles e o menino continuava me olhando agora com uma cara feia com a dos outros que me viram.
– Connor está é Isabella e seu irmão Alex
– Prazer Isabella, Alex – ele ficou um tempo olhando Alex que se arrepiou, olhei para Percy e tentei colocar um assunto em jogo
– Aonde vamos dormir? – Connor estendeu sua mão em direção ao chalé e fez um movimento para que entrássemos.
Já dentro percebi que era uma zona, dois beliches que pareciam que mal eram tocados e vários sacos de dormir empilhados. Connor entrou logo depois seguido de Percy e apontou um canto ao lado do beliche, pegou dois sacos de dormir e nos entregou. Já arrumados ao chão coloquei nossas mochilas em cima de nossas camas improvisadas e me sentei quase quebrando todos os ossos da minha bunda, mas o fiz.
Uma concha soou indicando que era o jantar, Percy veio ate o chalé de Hermes para nos buscas. Recusei o convite tanto quanto Alex, estávamos muito exaustos para pensar em comida, minha cabeça estava a mil. Deitei minha cabeça em um travesseiro quebra-galho e me cobri abraçando Alex que se ajeitou e logo estava dormindo. Custei pra dormir, mas depois o sono me venceu e desmoronei pensando também que o dia amanhã seria tão puxado como o de hoje.
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