A História de Laura Caixão
8 As Singelas e o Alienígena Técnico
Notas iniciais
Na hora do almoço, Circe acordou Laura.
– Dormiu bastante, hein. Já está na hora do almoço. Desça comigo que eu te apresentarei os outros.
As duas desceram a caminharam para a cozinha, onde estavam Loki e Nicholas.
– Laura, esse aqui é o Loki, meu marido. – apresentou o homem à Laura, que estendeu a mão e o cumprimentou silenciosamente. – E este... o meu filho e cobaia científica da família, Ner-Nicholas.
Laura franziu as sobrancelhas e fitou Nicholas por alguns segundos. Logo após, estendeu a mão para o jovem, que a cumprimentou, sorrindo. Nicholas jamais havia olhado para alguém daquela forma. Os olhos de Laura e Nicholas se encontraram, e o jovem desviou o olhar imediatamente.
– É muito prazer conhecê-los. – afirmou, esboçando um grande sorriso para os três.
– O prazer é nosso! Sente-se, Laura.
A refeição foi extremamente rápida e Loki se despediu dos três e foi ao trabalho. Circe iria depois, pois iria ajudar Laura primeiramente.
– E então, sobre tudo que eu te falei, Circe, tem como me ajudar?
– Tenho sim, me aguarde aqui, irei procurar uma coisa que irá te ajudar! – afirmou a mulher, correndo em direção à sala de estar, subindo rapidamente as escadas, deixando Laura e Nicholas sozinhos no local.
– O que ela disse que você é, uma... cobaia? – perguntava Laura, confusa. Franziu as sobrancelhas novamente, fitando o jovem, que ficou vermelho.
– Bem, sim, é aquela pessoa que é utilizada para... para experimentos científicos. Eles não me obrigam a fazer isso, faço por vontade própria, em retribuição a eles terem me abrigado quando eu não tinha nenhum lugar para morar.
Naquele momento, o assunto foi interrompido, pois se escutava as batidas dos pés de Circe nos degraus da escada. Aproximava-se cada vez mais, chegando ao cômodo.
– Aqui está, Laura. Siga esse endereço e aqui também tem um telefone. – Circe entregou um cartão à Laura, que, curiosa, tomou rapidamente da mão da mulher, observando-o.
– 9 de Souza Silva, o Alienígena Técnico. Depois de tudo que eu vi naquela nave, esse daí é realmente confiável?
– Pode ter certeza. Esse é um dos nossos, se casou com uma daqui e virou “da família”.
– Muito obrigada, Circe. Nunca esquecerei nenhum de vocês. – despediu-se da mulher com um beijo no rosto e apertou a mão de Nicholas, agradecida.
Laura agora utilizando novas roupas, como um boné, uma camisa vermelha e uma saia bege doadas por Circe, se retirou da mansão, à procura de seu retorno. Seu vestido vermelho estava em uma mochila também doada por ela.
Descendo a pequena montanha, seguiu a estrada. De acordo com o cartão, a residência se situava algumas ruas próximas dali. Era uma rua extremamente grande, na verdade uma travessa, que aparentava não ter fim. Laura, além de não encontrar a casa do próprio Alienígena Técnico, não encontrava casa nenhuma. Depois de tanta caminhada, uma pequena casa havia praticamente surgido na desértica travessa. Bateu à porta.
– Isso tá começando a ficar difícil. – resmungou , quando repentinamente a porta foi aberta. A mulher que havia aberto a porta era alta, loira, e possuía pele branca e olhos azuis. Bem parecida com Loki.
– Olá... No que posso lhe ajudar? – perguntou, sorrindo para a mulher de boné que acabara de ter batido à porta.
– Então... Eu estou à procura de um homem, chamado... Só um instante – disse Laura, retirando novamente o cartão do bolso, para ler o nome do alienígena
– 9 de Souza Silva. O Alienígena Técnico.
– Ah... Entra... Acho que posso te ajudar – disse a mulher, abrindo a porta para que Laura entrasse na casa. Laura entrou e seguiu a jovem por um estreito corredor até chegar à varanda do segundo andar da casa. No local estavam mais três pessoas, dentre elas duas de pele verde, que nem o piloto do OVNI, porém, seus olhos eram castanhos e ambas tinham cabelo chanel, porém, o de uma era ruivo e o de outra, preto. Provavelmente seriam gêmeas. Laura se espantou com isso, pois sentia absoluta estranheza ao encontrar um homem alienígena. Com mulheres, a situação se estranhava mais ainda.
– Gente, essa moça aqui está procurando pelo Alienígena Técnico. Ah, e me desculpe, nem me apresentei. Sou Érin Singela. Você conhece meu irmão Loki? — perguntou ela, sorrindo para Laura. Laura assentiu e Érin continuou a falar. — Esta aqui é Lola. — dizia, apontando para a alienígena morena. — Esta, Chloe. — apontava para a alienígena ruiva. — E, por último, essa aqui é a Cristina. — apontava para a quarta mulher, que tinha pele morena como a de Laura, porém, cabelos longos e extremamente cacheados que desciam até a cintura em forma de cascata.
– Muito prazer. Meu nome é Laura. Conheci seu irmão pela Circe. Eles me ajudaram e muito.
- Ei... Você quer saber onde fica a casa do papai, não é? – disse uma das mulheres-verdes, a do cabelo ruivo, Chloe.
– Sim... Por favor! Eu preciso voltar para a minha casa.
As Singelas então indicaram o local exato de onde estava situada a casa do tão famoso Alienígena Técnico. Laura agradeceu e, correndo, retornou à travessa, porém, desta vez mais esperançosa. Depois de tanta caminhada e corrida, finalmente encontrou a casa.
Na residência havia um jardim, surpreendentemente, pois aquelas terras eram extremamente desérticas e provavelmente um jardim verde como aquele jamais poderia ser plantado numa terra como aquela, porém, Laura não se surpreendia com mais nada naquele lugar.
O jardim era extremamente lindo. Mais bonito do que muitos em Belavista. Nem Laura nem ninguém conseguiria entender como conseguiram plantar uma grama tão bonita em um local no deserto. Seguiu um pequeno caminho de pedras e tocou a campainha. Quem atendeu também foi uma mulher loira, que aparentava ter cerca de a mesma idade de Laura.
– Quem é você? – perguntou a mulher, fitando Laura.
– Bom dia, meu nome é Laura... Eu gostaria de falar com o Alienígena Técnico... – disse Laura, um pouco tímida.
– Ah... Claro. Entra, vou chamar ele. – disse a mulher, agindo indiferentemente. Ela então chamou o homem e o apresentou como seu marido. O homem tinha cabelos grisalhos, a pele verde, e os olhos negros. Ele guiou Laura ao laboratório para poderem conversar melhor.
– Senhora, no que posso lhe ajudar? – perguntou o Alienígena.
– Então... Eu vim parar nesta terra através de uma abdução. Eu e o alienígena que havia me abduzido acabamos brigando pelo controle da nave. Aí a nave caiu. E aqui estou. Indicaram-me ao senhor. Passei por muitos lugares, e finalmente cheguei. E adoraria muito poder voltar para casa. Tenho uma família que sofre com o meu sumiço. Compreende?
– Sim... Várias pessoas já vieram parar aqui exatamente do mesmo modo. Eu tenho a solução, uma nave, que eu mesmo pilotarei e construirei, para o lugar desejado. Porém, há um prazo de três anos para que a construção da mesma fique pronta.
– O quê?! Oh, não! Três anos? Ai meu Deus, vão achar que estou morta. — Sinto muito, mesmo. Mas é a única saída.
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