Notas iniciais
Estamos no século XXI agora. As ameaças do mundo diminuíram, sobretudo para adolescentes cuja maior dificuldade é passar no ensino médio. Exceto pelo grupo dessa história. Esse é só início... Obrigada por todos que comentaram e começaram a acompanhar!

"Estou falando sério!" Exclamou Luisa, fazendo com que todos a olhassem até perceberem que era só mais uma de suas maluquices."Não sei do que vocês estão rindo", relatou, séria. "Eu posso muito bem estar certa. "

"Claro", disse, sarcasticamente, um de seus colegas, de nome André e que não concordava com nada que Luisa dizia, mesmo ela estando certa ou maluca. "Porque nós somos ursos."

"Não estou falando de ursos!"

"Muito menos, Luisa", falou Larissa, fazendo um sinal com as mãos para que a outra parasse.

Danielle e Mateus, também integrantes do grupo, só estavam prestando atenção para rirem. Luisa olhou o mais feio que conseguia para os dois e continuou a falar:

"Por que não? Não tem outra explicação para todo mundo ficar com essa merda de sono toda vez que vem um friozinho mais avantajado."

"Eu não fico reclamando de sono... "

"Digo e repito: você não é normal", falou Luisa, cortando o colega. "Não conta. Devíamos fazer uma enquete, isso sim. Aposto com você que uns 90% dessa sala vão reclamar do sono. E, de quebra, do frio."

"Apostar é para idiotas", retruca André, com um sorriso estúpido no rosto.

Permanece com o sorriso enquanto Luisa tenta inutilmente queima-lo com os olhos. Danielle, Larissa e Mateus só riam.

Enquanto isso, Heitor, integrante do grupo que havia chegado atrasado naquele dia, entrou na sala e viu a cena, se perguntando pela primeira vez o motivo de o professor estar atrasado.

O jovem sentou-se na cadeira vaga ao lado de André, que permanece olhando de modo convencido para Luisa, que mal notou o outro chegando em sua tentativa de fazer com que a Força a obedecesse e esganasse todos os irritantes do sexo masculino do mundo.

"E aí? "Falou Heitor, chamando a atenção dela e dos outros naquela parte da sala. "O que você fez dessa vez? "

O grupo explodiu em risadas com a fala e com a reação de Luisa, que escancarou a boca e fechou as mãos em protesto.

"Absurdo!"Ela gritou. "Blasfêmia! "

"Você usou a palavra errada... "

"Quietinho aí, André, tô ocupada aqui" virou-se para Heitor, indignada, apontando para o outro. "Por que eu? Por que não ele? "

"Porque discutir é coisa de idi..."

"Argh!!!!" Exasperou-se Luisa. "Que coisa! Parece que tirou o dia para encher o meu saco!!

André só olhou pra ela com a mesma cara com a qual um guaxinim olha para a casa da qual vai roubar alimentos. A menina bufou e voltou a atenção para o outro, que a respondeu antes mesmo que ela perguntasse novamente.

"Pelo que ele fez, não pelo que ele falou"

“Acho que não vai falar algo mais, então...” Luisa disse, já desanimada e dando de ombros.

Heitor já ia virar para frente para tirar seus materiais da mochila quando se lembrou do motivo de ter entrado na conversa.

“Sobre o que vocês estavam falando mesmo?” Perguntou, fazendo sua voz inocente.

“Luisa acha que somos ursos”, declarou Danielle, que saiu do seu celular só para cortar o discurso que a outra ia fazer sobre sua teoria.

Heitor fez cara de riso, bloqueando a boca para impedir uma gargalhada, enquanto Luisa batia com a cabeça sobre o caderno de 20 matérias.

“Não foi isso que eu disse!! Não é porque ursos hibernam que somos ursos. Além disso, ursos hibernam no inverno e eu estou falando de outono E inverno.”

“Na verdade... “

“Eu tomei uma decisão. Vou ignorar os nerds. Acho que eles tem algo contra a minha pessoa. Heitor, o que Danielle quis dizer de verdade é que o governo anda manipulando nossas mentes nos impedindo de hibernar durante a metade mais fria do ano.”

Heitor abriu a boca e a fechou. Sua cara mostrava espanto, mas Luisa sabia que ele não era do tipo que tinha essas teorias do nada.

“Tô certa, não tô?” Perguntou ela, para tirá-lo do seu falso transe.

Heitor mudou sua cara para o seu normal, esboçando um sorriso sacana no rosto.

“Sabe que está maluca, não sabe?”

Luisa e os outros foram poupados de mais uma discussão, pois Mateus fez o favor de lhes avisar que Wilse havia chegado para dar mais uma aula sem a mínima noção do que ele chamaria de biologia. Não voltaram ao assusto pelo resto do dia.

***

Depois de 11 horários na escola naquele dia de terça-feira, Heitor volta a pé para sua casa, se despedindo de seus companheiros de caminhada bem antes do seu destino final.

Antes que entrasse na rua e sua mãe o pudesse avistar pela janela de casa, ele virou a esquina e continuou a caminhar. Passou por uma floricultura, parando nela para comprar uma única flor, uma Sempre Viva, antes de continuar seu caminho.

Aquela noite estava particularmente fria, considerando que ainda era outono e que aquilo era uma zona tropical. Mas, se a noite já estava vazia e fria, o cemitério estava ambos ainda mais.

Heitor caminhava por entre as tumbas com tranquilidade, mesmo com o ambiente estando sendo iluminado apenas pela lanterna de seu celular. Não que fizesse diferença para ele. Já fizera aquele caminho tantas vezes que era capaz de fazê-lo de olhos fechados. E, se não conseguisse se orientar sem a visão, poderia usar como guia o aperto que sentia no coração sempre que ali ia.

“Oi”, disse ele para uma lápide em especial, se ajoelhado na frente dela. “Nós estamos com um problema. É aquela colega da qual eu lhe falei. E tudo o que eu sonhei naquela outra noite está acontecendo, nesse exato momento. Logo os outros vão descobrir sobre ela e saber do segredo não vai ser seguro pra ninguém. Não sei... não sei o que fazer. Faz tanto tempo que quero contar... agora já não sei mais se é seguro” bocejou, erguendo-se só o tanto necessário para pegar sua mochila, colocá-la sobre o mármore e deitar sua cabeça nela. “Gostaria de ter te conhecido. Espero chegar tão longe quanto você. Eu...”

Dormiu antes de completar a frase. A flor, que segurava, saiu de sua mão e caiu sobre a inscrição do túmulo que não era coberta pelo corpo de Heitor, deixando aparente apenas as inscrições “Cientista e gênio.”

Notas finais
E agora? O que acharam? Comentários?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.