A Herdeira do Trono
8 Capítulo VII - Aurora
Notas iniciais
Aurora não gostava que as pessoas mexessem com ela, é por isso que enquanto caminhava com Aura, sua irmã gêmea, pela calçada de Atlanta, ficou extremamente furiosa quando um grupo de homens as atacou. Quer dizer, ela não tinha feito nada dessa vez. Imaginou vagamente as outras vezes que fora presa e liberada em seguida por ser de menor.
O primeiro homem avançou a empurrando. Aura gritou, e levou as mãos aos lábios. Aurora se desequilibrou, mas conseguiu firmar o pé o suficiente pra se manter de pé.
— O que... – balbuciou, mas o mesmo homem tirou uma espada do cinto, e avançou novamente.
Aura puxou a irmã bem quando a espada passou a centímetros do seu rosto.
Pelo menos você serviu pra algo além de gritar Aurora pensou enquanto tirava a estaca da bainha da calça e virava, atacando o homem. Aura agiu também, mesmo com a expressão de pavor. Aurora se abaixou quando ele passou a espada com um arco pela sua cabeça. Os outros dois avançavam. Estes eram diferentes da guarda, reconheceu, se vestiam a agiam de modo diferente.
Aura, que tinha uma estaca igual a da irmã em mãos, de repente gritou de dor. Aurora olhou com raiva pro que tinha acertado o braço da irmã. Como um impulso, ela atacou quando o homem abaixou a guarda, enterrando a estaca em seu coração. Ela retirou a adaga, o chutando em seguida. Sorriu. Girou e deu uma rasteira naquele que arranhou sua irmã.
Ele caiu no chão, e Aura deu um chute entre suas pernas. Depois olhou pra irmã, seu cabelo ruivo* balançando solto, enquanto corava.
Aurora recebeu a mensagem: Isso não foi adequado.
Revirou olhos, sorrindo sarcasticamente para o homem gemendo de dor a seus pés. Nesse meio tempo, se esqueceu do ultimo homem. De repente estava no chão, a cabeça batendo fortemente. Gemeu e girou, pontos pretos dançando em sua visão. Arfava e sentia dor, bem atrás em sua cabeça. Tentou levantar, mas um soco a atingiu no rosto, fazendo a mesma bater novamente e gemer, imponente.
Ouviu Aura gritar, e logo uma mancha ruiva caiu ao seu lado.
Ela observou, com sua cabeça vibrando de dor, a visão embaçada e cheia de pontos negros, o cara sorrindo maleficamente, em seguida agachando ao seu lado.
Então caiu na escuridão.
.
Aurora odiava celas. Por isso ficou decepcionada assim que acordou em uma.
Ela deveria saber. Alguma coisa havia acontecido pra que fossem atacadas. E então subitamente lembrou-se da irmã, sentou depressa, logo se arrependendo. O mundo ficou turvo por um momento, enquanto uma dor de cabeça a atingia com força.
Gemeu e levou a mão para trás de sua cabeça, o mundo entrando em foco lentamente. Quando tocou os cabelos, sentiu algo líquido e ainda seco em seus fios. Trouxe a mão de volta aonde podia vê-la e se espantou com a visão de sangue em sua mão.
Praguejou e se levantou, observando sua cela.
Era pequena, suas paredes em tom marrom claro pálido. Na frente se via as grades, cercando a entrada do cômodo. No canto direito, uma porta dava para um banheiro em que continha basicamente um vaso, um chuveiro e pia para enxaguar as mãos. A cela em si, consistia em uma cama presa ao chão, uma pequena mesa com uma cadeira.
Aurora apressou-se até a mesa, e puxou a cadeira.
Nada.
Tentou com a mesa, novamente sem sucesso. Bufou irritada, estavam presas ao chão. Então, se lembrou da estaca e começou a procura-la pelo corpo. Não a encontrou.
— FILHOS DA PUTA! – gritou dando um soco na mesa, se arrependendo quando uma dor atravessou sua mão.
Correu para a grade, jogando seu peso contra a mesma, tentando ver lá fora. Um corredor escuro e aparentemente mais celas. Forçando seu rosto contra as barras viu que dois homens, vestidos iguais àqueles que a prendeu, montavam guarda logo a frente no corredor.
— EI! – gritou. Sem reação. – Eu quero sair daqui! O que eu fiz?
Bufou.
— Que lugar é esse? – tentou novamente, mais uma vez o silêncio.
Bateu na grade, soltando um suspiro.
— Merda. – se jogou na cadeira de aço, não se importando com a dor. – Merda, merda, merda!
Ficou lá por sabe-se lá quantas horas até ouvir passos no corredor. Levantou num pulo, quando uma mulher parou na frente da cela, acompanhada de um guarda. Respirando rápido, andou até as grades, segurando-as.
Lançou um olhar feroz pra mulher, que parecia frágil carregando coisas nos braços.
— Quem é você? Quem são eles? Onde estou? E por que estou? – Bateu na grade, assustando a mulher. – Responda!
— E-eu... – ela olhou para o guarda, que retirou uma chave do bolso e abriu a porta da cela.
A mulher entrou depressa, antes que Aurora pudesse reagir. E logo depois, o guarda fechou a porta, se postando na frente.
Aurora observou enquanto a mulher colocou panos e outras coisas na mesa, depois se virou pra ela, levantando os ombros.
— Não tente me atacar. – começou, a voz estranhamente calma. — Eu sou Maryse, e vim limpar seu ferimento. – ela levantou a mão quando Aurora abriu a boca pra falar. – Você está no castelo, e esses são os Invasores. – terminou a última parte num sussurro.
A mente de Aurora girava, tentando acompanhar as informações.
— Mas por que... O que...?
— Só posso lhe falar isso.
Aurora apertou os lábios, e notou algo.
— Onde está o Rei?
A mulher levantou o olhar para encará-la, a expressão agora triste.
— O Rei foi assassinado.
Aurora soltou uma exclamação de surpresa. Logo depois xingou.
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