A Herdeira do Trono

2 Capítulo I - Maya


Notas iniciais
Oiie! Pessoal eu tô muito feliz com quem comentou no último capítulo, queria agradecer, me ajudo a continuar ♥ Eu queria avisar (pra quem lê minhas outras fics) que eu provavelmente não vou escrever mais, por enquanto estou focada nessa. (E com outras fics digo: Queen e Em Família) Eu sei gente, não me matem, é que eu não tenho ideia de como continuar. Talvez eu exclua e poste de novo algum dia, ou só coloque como terminado. Desculpe mesmo :( Vou parar de enrolar vocês ♥

Andei em silêncio pela mata, seguindo a trilha que havia marcado para o lago secreto. Eu o havia descoberto alguns dias enquanto caçava, e sempre que podia vinha visitar o lugar. Não era exatamente secreto, já que qualquer um podia acha-lo – ainda me surpreendia o fato de ninguém tê-lo feito – mas estava muito bem escondido. Se você for um bom caçador, deverá saber como encontra-lo.

A Floresta Verde fica na área dos nativos no país Maykhan. A Floresta era muito linda. Todas as árvores eram de um tom de verde vivo, com folhas detalhadas e fortes. As árvores tinham troncos grossos e curvilíneos, cheio de galhos que se espalhavam por sua copa. As flores eram cada uma de seu jeito, umas delicadas que precisam de muito amor, outras que não precisava nem de água. Mas todas eram maravilhosas...

Desde que os Conquistadores chegaram aqui, dividiram Maykhan em duas partes. A dos Nativos e a deles. Ninguém de nós gostou dessa divisão, já que o país era somente nosso antes deles. Por isso as duas raças viviam em conflito.

Os Nativos tinham uma crença, nós acreditávamos na Mãe Natureza. Ela era uma deusa que representava os cinco elementos e principalmente a Natureza. Sempre nos referimos a ela como Mãe Natureza ou Mãe Terra, mas seu verdadeiro nome divino era Maya. Assim como o meu.

Agachei sob um galho que estava tombado e o analisei. Alguma coisa estava errada, parecia que algo havia passado por ele e quebrado o mesmo. Isso era um desrespeito e eu precisava achar quem tinha feito aquilo. Passei minha mão sobre ele e a mesma formigou, deixei que o fogo em meu corpo crescesse até minhas mãos, a assim ele fez. Pensei no que gostaria: que aquela árvore ficasse bem outra vez. Minha mão brilhou verde onde estava encostada no tronco e o galho ganhou vida. A árvore se mexeu e o galho voltou lentamente a seu lugar original, como devia ser.

– Muito melhor assim, não? – sussurrei e fiz um carinho na árvore.

Eu era diferente em minha tribo por isso, tinha dons concedidos pela deusa Mãe. Eu descobrira meu dom para a natureza quando cuidei de uma árvore. Sempre tive sentidos aguçados com a Natureza, e ás vezes pensava ouvir sussurros dos ventos e das árvores, mas nunca tinha certeza. Mas sempre fiz o possível para ajuda-los.

Andei mais um pouco até as rochas que levavam ao lago. Mas a rocha que marcava a entrada da caverna estava fora de seu lugar, revelando a passagem para o lago. Estreitei os olhos e agucei meus sentidos. Estudei a grama sob meus pés.

Amassada. Isso significava que algo tinha passado por ali. Andei no maior silêncio possível até estar encoberta pelas árvores. Fui treinada desde pequena para ser a maior guerreira de minha tribo, sabia o que fazer naquelas horas. Então deixei o espírito selvagem tomar conta de mim.

Agachei atrás de uma moita e toquei a terra. Úmida. Alguém havia derramado água sobre ela. Sabia que se for um animal devia atraí-lo para fora da caverna. O correto é se for perigoso não atacamos. Se for inofensivo não atacamos. Mas se for perigoso a ponto de não poder lhe matar, você o imobiliza sem mata-lo de verdade. Passei a mão pela terra até achar uma pedra de tamanho bom o suficiente.

Ela era oval, uma superfície lisa e achatada. Não era grande demais nem pequena demais. Mirei ao lado da porta e joguei. O barulho da pedra batendo sobre a rocha dura e irregular provocou murmúrios de dentro da caverna. Peguei o arco em minhas costas e o preparei com uma flecha, apontando diretamente para a parede da caverna, a fim de dar um susto. Ouvi passos de dentro da mesma e delicadamente soltei a flecha enquanto no exato momento um homem aparecia na entrada da caverna.

Ele largou sua espada e deu um pulo. Depois olhou em volta, e me surpreendendo olhou fixamente para mim. Trajava roupas que o identificavam como um Conquistador. Uma armadura completa na cor prata tampava qualquer parte de seu corpo que poderia ser vulnerável, mas mesmo com armadura pude perceber que ele era forte. Usava um elmo cobrindo o rosto. Ele agachou hesitante e pegou a espada. Mesmo sem o conhecer, meu coração se desesperou.

– Pode sair. Eu não vou feri-la. – ele disse em sua língua.

Eu apenas entendia o sentido de suas palavras porque sabia falar em sua língua. Como treinamento para líder da tribo, aprendi tudo o que devia para manter uma relação com os Conquistadores. Levantei com outra flecha já enganchada no arco. O olhei com expressão feroz.

Vi em seu rosto uma expressão surpresa, mas que logo se tornou choque e depois reconhecimento. O que me surpreendeu, mas não me abalei. O encarei por um tempo, me recusando a trocar palavras com aquele sujeito. Não até saber o motivo de estar aqui.

– Maya, não atire.

Não pude conter o choque. Ele sabia meu nome, droga! Saber nomes é um sinal ruim. Afastei-me a ponto de estar encoberta novamente pelas árvores. Não perguntaria o motivo de sua vinda, e não daria chance de viver. Apontei com a cabeça para a espada afiada em suas mãos. Ele me olhou e voltou seus olhos para onde eu apontava. Ele estudou minha expressão por um tempo.

Pude ver pela fresta em seu elmo seus olhos castanhos escuros indecisos. Agachei devagar e ele copiou meus movimentos. Com movimentos cuidadosos estendi o arco a minha frente e ele fez o mesmo com a espada. Levantei enquanto o observava tirar o elmo que me impedia de ver seu rosto.

Traços fortes marcavam suas maçãs definidas do rosto. O cabelo castanho caia sobre seus olhos de mesma cor. A pele branca se ressaltava. Seu queixo era afinado, o que o fazia bonito. O estudei enquanto em meu peito algo se agitava. Afastei todas as emoções que tomavam conta de mim.

Ele se aproximou com passos hesitantes. Quando estava a uma distância de um metro, percebi que ele era mais alto que eu. Ele me olhou por um tempo e se ajoelhou. Uma atitude que eu não esperava. O olhei com curiosidade.

– Vossa Alteza, eu sou Scott. E vim para busca-la.

Dei um passo para trás. Ele iria me levar embora! Não! Corri mata adentro ouvindo seus passos atrás de mim. Corri desviando das árvores até a clareia que daria no penhasco. Escalei a enorme pedra. Sua estrutura estava escorregadia, subi mais rápido enquanto ouvia os esforços dele. Cheguei à ponta da enorme pedra e vi lá em baixo, a mais de milhares de metros, a aldeia. Virei-me para ele, sorrindo desafiadora.

A mais ou menos três metros de mim, Scott escalava com dificuldade. Ele chegou à parte plana da pedra e ficou de pé, me olhando enquanto seu peito subia e descia pela corrida. Ele estendeu o braço para mim enquanto olhava preocupado para baixo, vendo a que altura estava.

– Maya. – sua voz soava uma ordem.

O que era um pouco ruim de sua parte, já que eu não obedecia a ordens. Coloquei minha melhor expressão de desafio no rosto e me virei. Dei um passo para trás e me posicionei para correr. Corri e senti algo segurar meu braço. Mas pulei com o impulso que já tinha pegado. Senti o ar a minha volta enquanto caía a uma velocidade enorme, em direção a aldeia lá embaixo.

Notas finais
Aceito dicas, críticas, e broncas. Só não me matem.