A Herdeira do Trono
4 Capítulo III - Scott
Notas iniciais
Literalmente me prenderam numa cabana. O lugar em si não aparentava bom estado, e deveria ser chamado de barraca. Não era nada mais que tábuas de madeira cobertas por um tecido grosso que deixava o ambiente escuro. E no meio disso, eu estava amarrado em um tronco enfincado no chão que dava sustento ao lugar.
Cá entre nós, esses Nativos não eram muito inteligentes. Quero dizer, me amarrar na tábua que sustentava o lugar era realmente uma grande falha. Eu poderia — se quisesse — fugir a qualquer momento. Mas precisava resgatar a princesa maluca.
A "porta" da barraca foi aberta e lá estava ela. A luz de fora estava contornando seu corpo. Ela deu um sorriso sem mostrar seus dentes e caminhou em minha direção.
– Olá, Scott. – a voz era uma melodia boa de ouvir, que transbordava confiança.
– Achei que você não sabia falar.
Ela tirou uma faca do bolso e passou com agilidade por cima de minha cabeça, onde se encontrava minhas mãos amarradas. Alisei meus pulsos enquanto ela observava de braços cruzados.
– Achei que você fosse inteligente. – ela disse virando as costas.
– Do que está falando?
Ela levou a mão ao arco e girou numa velocidade incrível, a flecha já encaixada. Com a mesma rapidez agachei e passei no meio de suas pernas. Levantei e dei um chute na parte de trás de seus joelhos. Vi ela saltar para frente, impedindo a queda com o peso do corpo.
– Eu sou. – respondi confiante.
Ela olhou para mim por um tempo e abriu um sorriso divertido. Estendeu a mão e apertei a mesma.
– Vamos. – ela disse antes de sair andando da barraca.
Segui-a até lá fora e observei o cenário. Eu estava num lugar onde só ficavam cabanas iguais a minha, com postes de luzes ao lado de cada uma, e mesmo com estes a iluminação era rarefeita.
– O que vamos fazer? – perguntei à princesa.
– Sou sua guia. Vamos, tem um lugar de onde posso te mostrar tudo.
Dizendo isso saiu correndo, e tomando essa atitude como um exemplo para segui-la, fiz o mesmo. Apesar de selvagem, aquela garota corria majestosamente. Ela desviava das pedras como se seus pés soubessem exatamente onde pisarem. Ela nasceu aqui, óbvio que conhece muito bem o lugar.
Maya chegou ao começo da floresta, que dava posteriormente na base da montanha. Ela adentrou a mata e a segui tentando não perder seu rastro. Chegamos (vulgo ela chegou, eu estava lá atrás ainda) no começo da montanha.
– Sabe, você não ficou presa e amarrada por quase seis horas, sem água. – digo respirando rápido. – Então quer ir devagar?
Ela fingiu que não ouviu e começou a escalar.
– Cuidado onde pisa. – foram suas únicas palavras até chegarmos a uma “caverna” na montanha.
Sentei recuperando o fôlego enquanto ela me observava. Era incrível como seu peito não subia e descia rapidamente como o meu, que estava lutando por ar. Depois de alguns segundos, adquiri minha expressão séria e fui até onde ela estava. De onde estávamos, conseguia ver a aldeia toda. Maya começou a explicar:
– A aldeia dos Nativos é posicionada por setores, e é cercada por duas montanhas, mas estrategicamente colocada. Com isso quero dizer que não esta em um nível tão baixo a ponto de não conseguirmos sair dali ou se defender se formos atacados, mas baixo o bastante para nos escondermos.
Observei com atenção e vi que ela tinha razão.
– A montanha esta cheia de cavernas como essa aqui, que atravessam a montanha inteira. – ela continuou.
– Isso é inteligente.
– Sabemos, por isso construímos. – ela disse enquanto cruzava os braços.
– Essa divisão de setores, como é? – perguntei curioso com a divisão deles.
– Cada parte da aldeia está situada um Setor de Trabalho. Os Setores são: Caçadores, esses caçam na floresta e alimentam as pessoas da aldeia; Agricultoras é o trabalho das mulheres, elas plantam os vegetais; Guerreiros são os que defendem a aldeia, e por último tem a Ala da Elite, onde ficam as pessoas mais ricas.
– E você fica em qual Setor?
– No dos Guerreiros, mas moro na Elite. – ela disse calmamente. – Sou a líder da tribo.
– Nossa. – exclamei surpreso. – Que prazer o meu ter sua companhia.
– Cala a boca, Scott. – ela disse e fechou a cara.
Não entendia sua atitude, ela deveria se gabar como qualquer princesa fútil dos reinos que eu já visitara. Mas, por incrível que pareça, aquela atitude me fez gostar mais dela. Maya ficou em silêncio observando a paisagem, e percebi estar nervosa, pois mexia seus dedos da mão constantemente.
– E você, o que faz aqui? – ela disse de repente, me pegando de surpresa.
– Ahn... É... Eu, vim a mando do Rei Roland para, hum... Busca-la. – digo com dificuldades.
Qual é? Eu estava a mais de vinte metros de altura, aquela garota era uma selvagem, era minha vida em risco ali.
– Como? – ela perguntou surpresa, o que me surpreendeu também.
Quer dizer, eu literalmente despenquei de quase mil metros para salvar aquela garota, e agora estava a vinte metros de novo, talvez despencar para a morte por garotas bonitas seja meu fraco.
– Talvez Jodie possa explicar melhor. – acredite, fiz um grande esforço para lembrar o nome da sua mãe.
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