A Herdeira do Trono

3 Capítulo II - Maya


Notas iniciais
Olá ♥ ♥ ♥ Mais um capítulo para vocês! Desculpa pelo susto no último cap kkk Beijos ♥

Assim que saltei percebi que o puxão no meu braço foi na verdade Scott, tentando me impedir de saltar. Olhei para cima enquanto a gravidade me puxava e o vi pendurado apenas com uma mão na pedra. O que fazer nesse momento? Eu só pretendia saltar, não esperava que ele tentasse me impedir. Não pude conter o desespero que me dominava em ver ele prestes a cair.

Levei os dedos aos lábios e assoviei o mais forte que pude, apesar de saber que todos lá em baixo já tinham nos visto. Olhei para baixo e ergui os braços fechando os olhos, ganhando velocidade. Já tinha feito aquilo várias vezes, mas ainda ficava com um pouco de medo. Um assovio me fez abrir os olhos, a tempo de ver Hannah me pegar no ar com suas patas.

– Para cima Hannah! – gritei para o pássaro.

Envolvendo-me completamente com sua pata esquerda, ela bateu as asas e subiu em direção a Scott. O mesmo já estava se sustentando no ar apenas com os dedos. Hannah era de uma espécie de águia gigante, e era como um bichinho para mim, apesar de eu a tratar como uma amiga.

Rápido. Pensei. Hannah aumentou a velocidade. Ela abriu um pouco as patas, o suficiente para eu subir pelas mesmas. Escalei suas costas com os ventos zumbindo no ouvido. Montei em seu pescoço e olhei para cima. Scott estava a quase vinte metros de nós. Seus dedos escorregavam, até que não o seguravam mais. Ele gritou e despencou no abismo.

Então Hannah abriu as enormes garras e o segurou no ar. Gritei um enorme “Uhuul!” e comecei a rir, enquanto descíamos numa velocidade enorme em direção – novamente – a aldeia a quilômetros de distância lá em baixo.

Assim que Hannah pousou no chão, todos vieram ver o que tinha acontecido. Desci da enorme ave ajeitando o vestido. Bruno, um amigo, veio ver como eu estava. Dirigi apenas palavras breves em nossa língua para ele. Saí do meio da multidão e fui conversar com o segundo líder da tribo sobre o que fazermos com o Conquistador. Entrei em minha cabana e o vi conversando com minha mãe.

Sentei-me diante dos dois. Sorri para os dois. Ruan, o segundo líder, me olhou brevemente, antes de prosseguir com minha mãe, Jodie.

–... É o melhor a se fazer. – ele dizia. – Não estamos mais seguros aqui. O Conquistador é a prova disso.

– Acho que devemos ouvir os fatos na versão de Maya. – Jodie disse calmamente e se virou para mim. – Minha filha, nos diga o que houve lá.

Ela tinha as feições belas apesar da idade. Não possuía rugas profundas, apenas algumas cicatrizes de batalha. Seus olhos escuros me lembravam da noite, em sua forma mais pura. Cabelos pretos e longos caíam sobre suas costas em um trança enfeitada com penas de belas cores. Ela, depois de mim, era a mais brava guerreira da tribo. Geralmente mulheres não lutavam, mas somos diferentes. Nós duas éramos muito diferentes, e ao mesmo tempo iguais. Minha mãe não possuía os olhos azuis-cobalto igual aos meus. Na verdade, eu nunca soube ao certo de onde eles vieram.

– Eu o encontrei na floresta, enquanto caminhava.

– Ele tentou lhe atacar? – perguntou Ruan.

– Sim. – preferi mentir sobre o ocorrido, mas ao olhar para mamãe pude ver que não daria muito certo. – Então eu sai correndo. Fiquei com medo.

– Você? Com medo? – ele perguntou incrédulo.

– Ele era... Intimidador.

Deixei escapar um suspiro, que passou despercebido por Ruan, mas não por Jodie. Uma vez guerreira sempre guerreira. Digo isso porque fomos treinadas para sermos observadoras. Ruan pensou por um momento, e olhou minha mãe em busca de ajuda.

– Vamos deixa-lo preso. – ela disse calmamente, me olhando fixamente enquanto falava. – Se ele não representar perigo, o deixamos ir, se não, o matamos.

– O que acha Maya? – ele perguntou, dava para ver que não gostava da ideia de ter um Conquistador entre a gente.

– Acho... Boa. Uma decisão sábia. – digo olhando minha mãe, o que ela pretendia fazer?

– Se ele veio até nós, é porque deve haver um motivo. Conquistadores não costumam invadir nosso território. O deixaremos com alguém que possa mostra-lo nossas culturas e crenças.

– Mãe?! – digo incrédula. Ela queria... Queria mostrar nossa cultura para um Conquistador?

– Quem você indica para esse papel? – perguntou Ruan, parecendo gostar daquela ideia.

– Acho que a pessoa mais indicada para isso é Maya. – ela respondeu me dando um sorriso divertido.

– O que?! – exclamei.

Tentei mudar a ideia disso tudo, mas minha mãe estava decidida a me deixar no papel de “instrutora” para Scott. E Ruan pareceu adorar e ideia. Ela provavelmente sabia de algo que eu não havia percebido. Assim que os dois saíram, tranquei a porta da cabana.

Não era bem uma cabana, poderia ser considerada uma casa. Era feita de madeira e tinha apenas quatro cômodos. Nada ali era chique, apenas simples, e cheio de coisas úteis.

O cômodo principal era grande, onde cada coisa ficava e um canto. Assim que você entrava pela porta, via almofadas em volta de um tapete com livros espalhados. Depois dessa área se encontrava um tipo de escritório, onde eu havia conversado com mamãe e Ruan, tinha uma mesa com duas cadeiras na frente e uma atrás. Em cima da mesa se encontrava um caderno e alguns lápis, além de uma adaga e pontas de flechas. Ao lado do escritório havia uma cozinha, que eu quase nunca usava. No canto direito, estava o lugar onde se encontravam minhas armas. Todas estavam posicionadas uma ao lado da outra, penduradas na parede de madeira. Ao lado das armas ficava um pequeno banheiro, e ao lado do mesmo ficava o meu quarto.

Dentro só tinha minha cama, um guarda roupa simples de duas portas, e uma cômoda com um abajur. Tomei banho e coloquei um short marrom claro e uma blusa azul de frio, já que costumava esfriar a noite. Penteei os cabelos que iam até as costas e os prendi em um rabo de cavalo.

Pendurei o arco e aljava nas costas, já que nunca saía sem eles. Então segui para a cabana onde prenderam Scott.