Capítulo IV


Sentada no sofá de couro, com a cabeça apoiada nas mãos enquanto bebericava café para fazer passar o efeito da bebida, Lara aguardava o pai junto dos novos heróis da Liga da Justiça e pelo canto do olho viu um deles examinar com curiosidade o velho relógio da casa.


- Ei, deixa de ser enxerido e senta aí como seus outros colegas coloridos. – gritou para ele e não se importou que parecesse rude


- Por quê? O que você tem a esconder aqui?


- Se eu fosse você me afastava urgentemente daí ou então vou te dar uma surra como você nunca viu antes.


As outras pessoas na sala riram, achando-a bêbada demais e sem a menor noção de que ela era realmente capaz de dar a surra que prometia, mas o tom bêbado e incerto de suas palavras a mascarava ainda mais do que uma máscara de couro preta.


- Perdão?


- Estou tonta e tudo ao meu redor está girando. É melhor você sentar essa bunda bonitinha aí no chão de uma vez ou meu pai não vai gostar de te ver aí quando chegar.


- Então estamos os dois ferrados? – ele perguntou com um tom de divertimento na voz.


- Vá se foder. – respondeu antes de tomar mais um gole enorme de café e balançar os cabelos pretos enquanto recompunha aos poucos a consciência. – Então vocês são, tipo assim, o quê, super-heróis unidos pela justiça?


- Basicamente. – respondeu uma das mulheres do grupo. Era alta, bonita e negra e imediatamente o nome dela veio à mente de Lara: Rebeca. Era a filha do Lanterna Verde e da Mulher Gavião e Lara brincara com ela na infância.


- E vocês não, tipo assim, se cansam disso?


- O tempo todo.


Então ela não estava sozinha.


Estava prestes a fazer outra pergunta e já distanciara até os lábios um do outro para formular a pergunta quando seu pai entrou na casa escoltado pelo Super-Homem.


- Puta que pariu, me fodi. – respondeu instantaneamente e se jogou no sofá, mas ao contrário do que imaginara seu pai não fizera um escândalo.


Bruce Wayne deu boa noite a sala cheia e colocou o chapéu e o sobretudo na mão de uma empregada que vinha agora lhe atender. Chamou o nome de Lara e ela o seguiu, olhando a capa vermelha do Super-Homem ondular no vento enquanto os três seguiam para o outro escritório da casa.


O velho Batman sentou-se na cadeira de couro atrás da escrivaninha enquanto que o Super Homem ficou de pé atrás dele e Lara encostou na porta, temendo que se a deixasse fosse desabar aos pés de seu herói favorito.


- Não preciso dizer o quanto estou decepcionado, preciso? – seu pai começou a dizer, mas não terminou. – Já que conheceu os novos heróis da Liga, vou resumir meu encontro e do Clark hoje dizendo que você é o mais novo membro e deverá organizar tudo para ir com eles amanhã de manhã.


Fez uma careta com a boca, mas não era pela idéia de juntar-se a Liga e sim por não ter levado a bronca para a qual vinha se preparando. Pensou nos efeitos da cafeína no cérebro sobre os quais pesquisara em um dia qualquer e se ao invés de beber Martini não cheirara cocaína.


- Oi?


- É só o que tem a perguntar? – o Super Homem perguntou num tom de divertimento.


- Eu provavelmente faria mais perguntas e estaria pedindo pra tirar uma foto com você caso minha cabeça não estivesse girando tanto.


- Eu provavelmente faria a mesma coisa. – foi a resposta que nunca sonhou ouvir e a única coisa que teve o poder de arrastá-la do mundo bêbado onde estava até voltar a sobriedade e subir para o quarto e arrumar as malas. Nem ao menos retrucou quando o mesmo rapaz de olhos verdes implicou novamente enquanto subia as escadas. Continuou subindo, sem se importar com as risadas, jogou duas malas na cama e foi para a janela para ver todos irem embora voando, desejando ir junto.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.