A Herdeira - Book 1, A Série Trono de Luz
4 III. Eles
Notas iniciais
Estranhamente, Cara percebeu ao olhar pela janela que havia em seu quarto, a manhã seguinte ao dia de sua chegada amanhecera apenas nublada, sem ameaças de que em algum momento choveria. Para um lugar como Porien, aquele deveria ser um dia raro.
Este fato fizera o humor de Cara ligeiramente melhorar.
Já era quase meio dia quando Cara decidira finalmente sair do quarto, ela estava ali desde o dia anterior e não sabia como seu tio não surtara e fora acordá-la. Até ela mesma havia se assustado com a quantidade de tempo em que ela dormira. Aquele havia sido seu Record! Ela riu ao pensar isso. Não que fosse algo para se orgulhar, ela se repreendeu. Ela andou rumo em direção a sala de estar mas antes de chegar ela se deparou com Judith na porta de seu quarto, que se localizava no corredor à frente ao dela.
— Cara! — Judith acenou para ela. Cara ao se aproximar finalmente notou que ela estava acompanhada. Havia um garoto ao lado de Judith. Ele aparentava ter a mesma idade que a dela, ou até mais velho. Ele era moreno, os cabelos negros meio rebeldes, tinha olhos escuros, de porte forte e Cara tinha que reconhecer, apesar dele não ser seu tipo: ele era bonita.
Judith ao ver que Cara encarava o garoto curiosamente, sorriu.
— Este é Ethan Howard, meu namorado. — ela acenou em direção ao garoto. Este sorriu simpaticamente para Cara, covinhas adoráveis foram exibidas ao ato.
Cara retribuiu, embora ainda meio contida.
— É um prazer conhecê-la finalmente, Cara. Ouvir muito sobre você.
— Igualmente, apesar de ser a primeira vez que ouço sobre você. Desculpe-me, estou um pouco desinformada.
Muito.
— É compreensível. Já que faz muito tempo que você não vinha a Ceran. — ele sorriu. Cara imaginou ter sido Judith a dar-lhe esses tipos de detalhes.
— Estamos indo ao centro de Porien, porque preciso comprar algumas coisas. Quer vir connosco? — fora Judith que propusera.
Cara pensou por um instante e percebeu que, na verdade, haviam muitas razões para ela aceitar o convite. Desde que ela chegara ela não saira de casa, e ela queria passear um pouco pela cidade, visitar as redondezas, e também haviam coisas que ela deveria comprar, ainda mais porque ela começaria a estudar no Eldyn College na próxima semana.
Isto era mais do que suficiente para não rejeitá-lo.
Fora por estes motivos que ela dissera:
— Claro, por que não?
— Yeahh. — comemorou Judith, alegremente, fazendo Ethan e Cara rirem.
×××
Ethan e Judith eram simplesmente aquele casal impossível. Cara notara isso após passar aquela tarde com eles.
Eles discutiam por tudo. Seja roupa, comida, filmes, música ou qualquer outra tipo de coisa. Eles nunca entravam em concordância, ela pudera perceber. Um sempre boicotava o outro, colocando defeitos em tudo. Apesar disso, estavam sempre sendo muito gentis com Cara, elogiando tudo o que ela escolhia, não que ela havia escolhido muitas coisas, na verdade. Cara notara a delicadeza que eles a tratavam, como se ela fosse feita de porcelana, ela só não sabia dizer se considerava isso algo bom, ou algo ruim.
Não importava, na realidade.
O mais importante era que Cara estava se divertindo muito com eles. Ela dera mais importância a este fato e ignorara a todos os outros.
×××
Naquele momento eles estavam dentro de uma loja de roupas. Judith insistira muito que precisava comprar um vestido novo, fazendo aquele drama. Cara e Ethan não tiveram escolhas a não ser segui-la, pelo que Cara notara Judith não deveria ser nada suportável se discordassem dela. Ela escolhera um, pelo que dissera ela já havia pesquisado o modelo que queria, e faziam exatamente quase meia hora que ela entrara naquele provador e não dera mais sinais de vida.
Sem ter nada o que comprar, Cara vagou pela loja durante esse tempo todo, somente observando — Ethan, este havia sentado-se em uma das poltronas espelhadas pela loja, sacara o celular do bolso da jaqueta e agora parecia estar em outro mundo, sem notar nada mais a sua volta. Cara sentira certa inveja dele, Ah, se ela tivessa trazido o seu… — e olhou ao redor até que percebeu que havia uma ala aberta naquela loja que era quase como uma varanda. Ela discretamente se dirigiu até lá, sem que ninguém notasse, seguindo ligeiramente em frente. Cada passo era altamente calculado. Rápido, mas suave.
Fora desta forma até chegar lá.
Cara se surpreendeu ao observar ao redor ao chegar naquele ponto. Dalí, ela obtinha uma vista privilegiada de boa parte daquele andar onde estavam. Ali, ela podia observar a todos, mas ninguém a notava. Ela sorriu.
Então, Cara notou-os.
Dificilmente eles passariam despercebidos por ela. Eles estavam apenas em três, um trio- uma menina e dois garotos com aproximadamente a sua idade, ela não podera distinguir claramente pela distância em que estavam. Eles, assim como Cara, pareciam estar passeando brevemente por ali.
Mas um sentimento estranho instalou-se em seu peito. Como se algo neles a incomodassem de certa forma. Ela não saberia explicar aquele tipo de sentimento, pois era a primeira vez que ela sentira algo assim.
O que parecia mais estranho era o fato de que aonde eles se dirigiram as pessoas pareciam recuar em volta deles, muitas delas o faziam sem ao menos notar, Cara percebeu. Era como se algo neles despertasse esse instinto nelas também.
Como só de estar perto deles um alarme disparasse, indicando: "Perigo!".
O que era aquilo? Ela se questionou.
De repente, alguém para ao seu lado. Cara olhou para o lado, assustada.
Era Ethan.
— O que está fazendo aqui sozinha? — ele a olhara de forma curiosa.
Era uma boa oportunidade para Cara. Ela não a desperdiçou.
— Estas pessoas — Cara acenou discretamente em direção a eles. — São realmente tão importantes assim?
Ethan pareceu notar a quem Cara se referia após olhar brevemente para a direção indicada. Os olhos negros vagaram por todo o andar em apenas alguns segundos e então logo se voltaram a ela.
— Infelizmente, sim. — ele bufou. Havia uma certa aspereza e desprezo em seu tom de voz, ela percebeu. Como se algo o irritar-se ao admitir isso.
— Estes são Tiffany Bowen, Jordan Hancock e Eric Hess. — ele indicara discretamente em direção a eles, Cara não deixara de notar o sarcasmo ácido que havia na pronuncia de cada nome.
Ele continou, dizendo:
— Muitos dizem que a família deles são uma das famílias mais antigas de Ceran. E que há muitas terras aqui em Porien que pertecem a eles.
— Entendo. — apesar de que esse tipo de relato não explicava o porquê dela estar se sentido assim tão inquieta. O quê mais você esperava? Uma ficha criminal? Ela se questionou, um pouco irritada com si mesma, Não julgue pelas aparências, ela se repreendeu.
— Ei. — Judith, chamou-os, sorrindo. Ambos se virarm e olharam para ela. — Como eu estou? — ela deu uma volta.
— Maravilhosa.
Ethan olhou-a com verdadeira admiração refletida em seus olhos escuros. Cara entendera o porquê. Judith estava incrível, naquele vestido. As bochechas alvas de Judy se tornaram carmesins sob o olhar de Ethan.
— Você está um filé! — Cara ergueu os polegares, positivamente, imitando-a. Ethan olhou-a com um sorriso que estampava diversão em seu rosto.
Judith riu.
— Só que… — Cara não terminou. Ela torceu os lábios, hesitante. — Hmm.
— O que foi? — Judith já se preocupou. Ela verificou novamente o vestido em seu corpo, procurando por falhas, falhas as quais não existiam pois aquele vestido caíra perfeitamente em seu corpo pequeno e cheios de curvas.
— Por que um vestido branco?
Esta era a questão que a incomodava. Por quê? Quem em sã consciência usa branco hoje em dia? Ela se perguntou. Branco, além de transparente, era uma das cores que mais tinha facilidades para se sujar. Ela tinha experiência sobre esse assunto.
Mas a pergunta parece ter surpreendido Judith.
— Hã? — ela piscara.
— Oh, você não sabe? — até mesmo Ethan havia ficado surpreso pela pergunta dela.
— Sobre o quê? — o quê ela deveria saber?
— É que haverá um festival em Porien comemorando o aniversário de Ceran. Como é uma data nacional, as pessoas costumam vir até a Porien somente para comemorar. Como a tradição manda.
— É mesmo?
— Sim. E também é uma tradição usar branco ou dourado. Você deveria escolher um para você também. — ela apontou para onde havia outros vestidos pendurados em cabides e manequins.
— Eu deveria?
— Com certeza.
Fale com o autor