A Herdeira - Book 1, A Série Trono de Luz
2 I. Desejos
Notas iniciais
Cara
As vezes, desejamos coisas, coisas que, muitas vezes intitulamos como impossíveis para nós e fazemos aquilo tornar-se como sonhos inalcançáveis e irreais para nós mesmos.
Sonhos, o qual se repetiria por noites e noites, como uma lenta tortura, que aos poucos te destroçaria e acabaria com todas as suas esperanças até que não restasse nada além de dor e desesperança.
E disso, Cara tinha experiência, como sobre tudo aquilo ser novamente um sonho.
Sobre aquilo ser um sonho, Cara tinha absoluta certeza sobre esse fato. Todavia, qual seria a resposta plausível para que algo impossível como aquilo estar acontecendo?
Cara lançou mais um olhar profundo em direção a sua mãe, sentada em frente a ela em sua poltrona favorita, a mesma que ela sempre havia tido o habito de quando chegasse um certo horário do dia se aconchegar ali com uma xícara de chá e ler um pouco.
XÍcara. Cara notou que havia uma em suas mãos. Na verdade, havia uma xícara nas mãos de ambas, e Cara reconheceu o líquido fumegante de coloração amarelada que havia ali. Era chá de maçã, o favorito de Collen.
Sua mãe. Ela também aparentava a mesma aparência de antes de... Tudo acontecer. Seu rosto estava corado e sadio. Os olhos estavam brilhantes que mesmo de longe poderia se notar.
Estranhamente aquilo tudo se parecia vagamente familiar para Cara. Como um dejavu de uma lembrança preciosa e antiga para ela. Tudo aquilo a fazia ter vontade de chorar.
Notando seu olhar sobre si, sua mãe questionou-lhe, logo após bebericar um pouco de seu chá:
— O que há querida? Há algo que lhe incómoda? — a calmaria que havia na voz de sua mãe a atinge dolorosamente, fazendo-a a relembrar de coisas que ela tentara bloquear em suas lembranças. Coisas sombrias que a fizeram se encolher.
Secamente Cara respondeu-lhe, embora com uma dolorosa sinceridade ainda contida nela:
— Sim. Há algo. Você.
— Eu? — havia surpresa e uma nota de dor no seu tom de voz. Cara ignorou-o. Isso não é real, ela se relembrou. Não importa o quanto parece.
— Sim. Como você pode aparentar ser tão real para mim, quando sei que é apenas uma mera fantasia? Como uma miragem pode ser assim tão verdadeira? — melancolicamente, Cara remexeu em seu chá com uma colher, sem sequer um momento olhar para a miragem. Sem intenções de bebê-lo, ela repousou a xícara sobre a mesa de centro.
— Ora, filha! Sobre o que você está falando? — ela riu. O som era tão familiar, tão dolorosamente familiar.
— Você não é real. — ela mais dizia para si mesma do que para a miragem a sua frente. Não é.
— Se eu não fosse real, como eu estaria aqui? — levemente, a cabeça de Collen tomba para o lado enquanto ela direcionava um sorriso a Cara. Aquele sorriso que Cara tanto amara. Aquele que a fazia ter esperanças e que fazia seu medo ir embora. Também era aquele sorriso que ela nunca mais veria.
Porque esse é meu maior desejo. Cara pensou que aquela era a única resposta plausível para aquela questão. Ter você novamente comigo.
— Querida — sua mãe havia se locomovido da poltrona até está sentada a sua frente, no sofá. Ela pegou em suas mãos, entrelaçando seus dedos aos delas, apertando-os delicadamente. -, você se esqueceu? De nossa promessa.
Cara não respondeu. Ela somente observou-a com a visão embasada pelas lágrimas. Não chore. Isso é apenas um sonho, Cara. Não chore. Não seja tola a esse ponto. Não se deixe levar. Apenas acorde logo.
Por que isso é apenas um sonho.
— Não te deixarei até vê- la ao menos se casar.
Aquele fora o limite que Cara podia suportar.
Infelizmente, mãe. Você não pode mantê-la. Mesmo que não fosse sua culpa, você não manteu nenhuma das suas promessas a mim. Cara queria gritar e chorar. Mas naquele momento tudo o que ela ousou fazer foi abraçar-lhe com força. Como ela queria que tudo fosse real. Como ela queria que não fosse apenas um sonho.
— Está tudo bem, meu amor. — sua mãe sussurrou suavemente, acariciando os cabelos de Cara. Como ela fazia com Cara quando ela ainda era apenas uma criança e tinha uma crise após ter um pesadelo.- Eu estou aqui.
De repente um som alto de algo metálico e pesado soou. O corpo de sua mãe automaticamente pesou contra o dela. Cara assustada, chamou-a:
— Mãe?
— Cara — a respiração dela havia se tornado irregular. Cara se desesperou. Era exatamente como o que ocorrerá na vida real.
— Mãe! — Cara chorava, enquanto o corpo fraco de sua mãe era no chão daquela sala. — Mãe!
Sobreviva. Por favor, apenas sobreviva, mãe!
— Por favor, Cara — ela mal conseguia falar. A voz estava fraca e baixa.-, sobreviva. E não deixe que ela te encontre. Não deixe que ela se aproxime de você, minha filha. Fuja.
— Mãe! — Cara soluçou.
— Eu amo você.
×××
Doloroso.
Foi mais doloroso daquela vez. Muito mais. Cara lamentou- se no momento seguinte após acordar. Sonhar com sua mãe. Aquilo estava tornando-se cada vez pior. Ela suspirou alto, sentido a frustração e a dor de ter passado 7h00 inteiras sentada penetrando por cada parte de seu corpo.
— Senhores passageiro, por favor…- a voz eletrónica soou por todo o recipiente, alertando a todos que estavam prestes a pousar.
Curiosamente, Cara esticou-se ligeiramente em direção a janela, a fim de olhar a paisagem e percebeu naquele momento as gotículas de água escorrendo pela vidraça da janela. Era exatamente o oposto do que ela havia presenciado em Addis.
Bem-vinda, Cara Hughes. Ela se auto felicitou em uma falsa animação.
Bem-vinda a Porien.
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