Notas iniciais
Olá!
É minha primeira fanfic por aqui e resolvi começar por algo que amo muito, Harry Potter. Espero que gostem!
Beijos!

Fazia frio em Godric's Hollow.

Não que isso fosse alguma novidade, sempre fazia frio no vilarejo, não importava qual fosse a estação. Na primavera, as flores desabrochavam e eram carregadas pelo vento gelado. No outono, folhas secas eram varridas pela brisa cortante até as calçadas das casas. No inverno, nevava tanto que as vezes mal se podia sair de casa. No verão, o sol aparecia brevemente, mas ladeado por nuvens pesadas de chuva e granizo.

Era início do outono e uma boa quantidade de folhas já cobria as ruas. Harry Potter, um homem ainda jovem, cabelos muito pretos, olhos muito verdes, óculos de aro redondo e sua famosa cicatriz na testa, apertou o casaco mais forte contra si.

Ele se encontrava em um cemitério, o único do vilarejo, ao lado da igreja. Fazia cerca de meia hora que estava ali, parado, aguentando o frio, encarando as três sepulturas a sua frente.

Eram duas grandes, uma a direita e outra a esquerda, e uma menor entre as duas. Na da direita se lia; Megan Loren Whitaker, Boa mãe, esposa e amiga. Na da esquerda estava escrito; William Clay Whitaker, Bom pai, marido e amigo. E na do meio, a menor, dizia; Marie Loren Whitaker, Boa filha e amiga.

Na opinião de Harry, as inscrições eram terrivelmente superficiais. Aquelas palavras não definiam os Whitaker, a família mais cheia de vida e energia que ele já conhecera. Mas aquelas palavras não foram postas lá por quem verdadeiramente os conhecia, de modo que Harry não podia reclamar tanto.

Ele se inclinou e ajeitou as coroas de flores que deixara em cada túmulo; tulipas azuis para Megan, rosas brancas para Will e violetas para a pequena Marie. Naquele dia, 5 de agosto, faziam nove anos que os Whitaker se foram, mas mesmo assim Harry lembrava deles com clareza, como se os tivesse visto pela manhã. Ainda lembrava do choque ao receber a notícia, da casa queimada, do enterro, da dor...

O caso dos Whitaker era um dos mais famosos no mundo bruxo. Todos sabiam quem eles eram, todos tinham histórias sobre eles, todos tentavam mirabolar uma teoria da morte deles. Metade daquilo era mentira, mas havia algumas coisas reais que Harry ouvira nas esquinas de Godric's Hollow e no Ministério da Magia. Até mesmo o ministro tinha teorias a cerca da morte da família.

Mas ninguém sabia da verdade e isso para Harry era bom e ruim.

Bom, porque apenas os amigos dos Whitaker conheciam o quanto excepcionais eles eram, Harry em especial presenciou vários momentos desses. Ruim, por que ele queria saber desesperadamente quem havia matado os Whitaker.

Ele conhecera Megan e Will quando estavam no curso de aurores e viu se tornarem incríveis em pouco tempo. Megan era especialista em feitiços de defesa e Harry a levava sempre que podia nas missões do Ministério. Will preferia feitiços de ataque e por ter bons reflexos, era também bom em brigas. Os dois entraram no coração de Harry rapidamente.

Logo, eles entraram no coração da Armada de Dumbledore inteira, pois tinham a incrível capacidade de conquistar os corações das pessoas. Eram, porém, o oposto do outro. Megan era explosiva e pavio curto. Will tinha uma paciência eterna e era calmo. Ela era hiperativa e não conseguia ficar quieta. Ele podia ficar parado por horas. Ela era distraída e as vezes ficava desatenta. Ele era focado, decidido e se concentrava em uma coisa e esquecia do mundo.

Harry achava que um compensava o que o outro não tinha. Eram perfeitos juntos, apesar das diferenças. Eles também perceberam isso em algum momento, pois Harry lembrava de notar que as brigas entre os dois tinham diminuído e que eles buscavam qualquer pretexto para ficarem a sós.

Gina, porém, fora quem descobriu tudo, ao pegá-los escondidos na cozinha, aos beijos. Mas, como todo mundo sabia, eles acabariam ficando juntos mais cedo ou mais tarde. E de fato, ficaram. Casaram-se dois anos mais tarde, tendo Rony e Hermione como padrinhos. E, depois de tentarem duas vezes, tiveram uma filha.

Marie Whitaker era a combinação perfeita de seus pais. Inqueita e ao mesmo tempo tranquila. Não chorava, nem se agitava muito, podia ficar quieta por horas, mas quando era fim de tarde, não conseguia ficar parada. Uma criança doce, sorridente e linda. Ela era afilhada de Harry e Gina, pois segundo os pais, não havia melhores pessoas que eles para esse cargo.

E Harry aceitara, muito feliz, essa responsabilidade. Mas, tudo durou apenas dois anos, quando um incêndio, de origens misteriosas, matou os Whitaker. Ninguém sabia quem havia causado o incêndio e parecia que o caso viraria apenas mais uma história.

Mas Harry não deixaria isso acontecer. Por Megan, Will e a pequena Marie, ele descobriria o culpado e o colocaria na cela mais escura de Azkaban.

Harry olhou a hora no relógio, a mente vagando entre lembranças e pensamentos. Já era tarde, Gina deveria estar procurando-o. Ele suspirou e olhou ao redor, visualizando o túmulo de seus pais, aos longe. Por anos, as pessoas também deixaram que a morte dos Potter se tornasse história. Ninguém, ou quase ninguém, soube toda a verdade sobre aquela noite.

O mesmo estava prestes a acontecer com os Whitaker.

Harry cerrou as mãos em punhos e caminhou para fora do cemitério, seus passos fazendo barulho ao esmagar folhas secas e galhos retorcidos. Ao olhar para trás, com o canto do olho, prometeu a si mesmo que encontraria o culpado da morte dos Whitaker. E não o prenderia, o mataria na primeira oportunidade.

Notas finais
Obrigada por lerem!
Beijos!