A Guerreira da Deusa
1 Prólogo
—Não. — a voz feminina ecoou pelo salão trancado, reverberando até mesmo nos cantos mais obscuros, enquanto apertava o bebê em seus braços frágeis
—Não estou pedindo sua permissão, mortal insolente. — a bela mulher desceu de seu altar com os oito braços se agitando ao seu redor de forma preguiçosa — Estou apenas comunicando minha decisão. Deveria prostrar-se aos meus pés e agradecer por minha benevolência e bondade em lhe avisar sobre o que acontecerá.
—Se encostar em minha filha, arrancarei cada um de seus braços e alimentarei seu tigre negro com eles. — trincou os dentes observando o animal caminhar majestosamente ao lado da deusa
—May... — o homem do outro lado do salão tentou aproximar-se da esposa, mas um rugido de aviso do enorme felino o congelou no mesmo lugar
—Não ouse abrir a boca, John! — a mulher rosnou apertando a filha contra o peito — Isso é sua culpa! Nos afastou do grupo de turismo, disse que conhecia a saída dessa merda e nos trouxe para o coração do templo dela!
—Seu marido não detém todo o crédito por tal atitude. — a deusa sorriu enquanto se aproximava da mulher com o enorme tigre ao seu lado, encurralando-a em uma parede — Esse é meu templo e eu o controlo como se fosse parte de mim. Confundi seus caminhos para trazê-los até aqui. Para trazer sua filha até aqui. — fechou os olhos, inalando o ar ao redor da criança profundamente, saboreando-o — Senti o cheiro dela assim que pisaram em meu solo. Ela cheira à força, magia e poder. Uma combinação rara e perigosa. — abriu os olhos, encarando a mulher — Qual o nome?
—Aghata. — sussurrou sentindo as lágrimas se acumularem em seus olhos — Aghata de Los Reyes.
—Um bom nome. Um nome forte e poderoso. Como ela. — assentiu e uma de suas mãos tocou o queixo da mulher, firmando seus olhares — Sei que é mãe e se preocupa, mas uma mãe não pode proteger seus filhos para sempre. — baixou o olhar para a criança, outra mão acariciando as feições infantis tomadas pelo sono tranquilo — Ela tem um futuro grandioso e brilhante. Precisa estar pronta quando ele chegar. — tomou a criança em seus braços e, dessa vez, a mulher não resistiu — Vou prepará-la, lhe darei minha benção e virei em seu favor sempre que ela me chamar. — ninou-a suavemente, seus gestos beiravam a ternura — Ela será meu coração e eu irei protegê-la. Lhe dou minha palavra de mãe. É minha promessa para você. Eu irei protegê-la.
—Eu vou perdê-la. — um soluço escapou de seus lábios
—Vai. — Durga assentiu sem desviar o olhar do pequeno bebê, que se remexia suavemente — Ela deixará de ser sua. Pertencerá a si mesma e abraçará seu destino. Ela realizará coisas que você não pode compreender. Ela fará coisas que nenhum mortal jamais será capaz. Mas você precisa abrir mão de seu egoísmo.
—Sou mãe. — respondeu em um sussurro, usando seu único argumento e trunfo — É meu direito ser egoísta.
—Mães de crianças comuns tem esse direito. — lhe entregou a criança — Mães de crianças comuns podem se dar ao luxo de guardarem os filhos si. Mas sua filha não é comum. Ela é especial. Uma criança especial entre os especiais. Ela carrega o mundo nas mãos. Você precisa perdê-la, para que ela possa ganhá-lo.
A deusa lhe acariciava os cabelos com suavidade e delicadeza enquanto sua voz melodiosa e etérea preenchia o salão. May sabia que simplesmente não possuía opções. Ela não dispunha de escolhas. Estava fora de seu controle.
Se tratava apenas de aceitar.
E conviver com isso.
Lagrimas desceram por seu rosto alvo e soluços descontrolados irromperam de seus lábios enquanto ela assentia.
Durga sorriu, voltando seus passos para o altar dourado, colocando-se sobre ele com Damon enroscado aos seus pés. Com um mover de seus dedos, as portas se abriram em rompantes revelando as saídas.
—Estão livres. — o dourado subia por suas vestes, congelando sua figura de forma gradativa — Cinco anos, mortal. É tudo o que você tem com ela. — completou e, em seguida, foi substituída por uma estátua dourada
May encarou o bebê em seus braços sabendo que não havia outra coisa a ser feita.
Mas, se ela realmente tinha agido certo, porque sentia-se tão vazia?
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