A Guerra em outro Mundo.
15 Capítulo 16
Notas iniciais
Achei que sairíamos da cabana pela porta da frente, mas não foi isso que aconteceu. Abaixo do gigante tapete que cobria o chão perto da lareira, havia um alçapão que levava para um túnel subterrâneo. Primeiro, desceu Rick para verificar o lugar, pois: entre nos três, ele era o único quem mais sabia sobre os túneis e porque nem Dougie não sabia aonde iríamos. Após Rick, fui eu, e fechando o trio, Dougie.
–Uma pergunta – disse eu – Por que os túneis?
–Além de ser mais rápido, não seremos vistos, Oddie – disse Rick, concentrado.
Assenti, e logo saímos desse túnel para a superfície novamente. Estávamos em uma floresta. Olhei ao redor: estava frio ali. Será que Josh descobrira algo?
–Olhem. – disse Rick, também sentindo a repentina mudança no clima do ambiente. – Fiquem aqui. Preciso verificar algo. Dougie... Cuide dela.
–Rick...- o olhei, suplicante.
Ele avançou uns passos e segurou meu rosto entre suas mãos. Me deu um leve, mas longo beijo e depois disse baixinho:
–Voltaremos a nos encontrar.
Dizendo isso, partiu. Fiquei ali com Dougie, e logo abri a boca para falar:
–A gente precisa sair daqui. Dougie, não estou gostando nada disso.
Instintivamente, ele segurou meu braço, com força.
–Não pode ser... – disse ele.
–O que?
–Afaste-se – disse ele – Bem devagar.
Dei uns poucos passos, e fiquei logo atrás dele. Uma leve névoa de cor roxo claro invadiu o ar, e nele, eu conseguia distinguir leves sibilos de vozes humanas. Ou seriam essas, vozes sobrenaturais? Eu ainda estava me afastando de Dougie. Tropecei, dei um grito, e senti Dougie virando em minha direção. Seu rosto era uma máscara de terror. Antes que ele pudesse gritar para eu correr, me senti engolida pela escuridão.
************************************************************************************
–O que faz aqui, princesa? — disse uma voz feminina, um tanto suave demais.
Uma forma atravessou as partes mais escuras das sombras que me cercavam e se formou na minha frente. Era um corpo. Um corpo de uma mulher. Apertando um pouco os olhos, pude ver seus traços mais claramente.
Com certeza era mais baixa que eu. Uns dez centímetros, talvez. Sua pele era pálida, muito pálida. Seus olhos e cabelos eram escuros. Negros, lisos e brilhantes. Seus olhos tinham uma expressão mortal. De cara, já senti um tanto de medo dela. Senti uma aura negra pairando ao seu redor, creio que isso facilitou a minha apreensão nesse momento. Demorei um tempo para achar as palavras certas a dizer, mas consegui.
–Quem é você?
–Não está me reconhecendo? — respondeu ela, simplesmente.
Fiz que não com a cabeça.
–Eu sou Angel — ela suspirou — Pensei que Josh e Dougie tinham falado de mim para você.
–E eles falaram. Mas eu não imaginei você tão...
–Jovem? — ela riu — Deixe-me ver... Você me imaginou como... Uau, por Odítia. Assim mesmo?
Não vou mentir, sinceramente imaginei Angel como uma pessoa quase idosa.
Entendi o que Rick queria dizer antes, e nesse momento, senti muito ciúme. Angel era muito bonita. Será que, em algum momento ele já se sentira atraído por ela?
–Relaxa. — disse Angel, lentamente — Rick não gosta de mim. Assim como quase todos, ele me odeia.
–Como posso ter certeza de que você está falando a verdade?
–Não é possível ter certeza.
–Mas...
–Tire suas próprias conclusões.
''Fria como a morte'' , dissera Dougie uma vez.
Após o encontro com Angel, eu fiquei sem saber o que fazer. Ela havia me dado muito medo sim, mas esclareceu muitas coisas também. Contou as injustiças e os abusos que sofreu. Certo que nem tudo justificava tudo que ela havia feito, mas em partes, eu entendi.
A mesma névoa que me levou até ela me trouxe de volta. Agora... Para onde eu fui, não fazia ideia. Apenas vi que estava em um local aberto. Céus... Como Rabdash era um lugar grande. Tudo diferente de um local até outro. Eu simplesmente estava... sozinha. Incrivelmente, desejei estar com Rick. Estar nos braços dele. Sentir seu calor. Fechei os olhos e me imaginei assim.
Ouvi passos apressados na minha direção, e em segundos o meu desejo se tornou realidade. Ele estava me apertando contra si, e isso era maravilhoso. Ficamos em silêncio por um momento, até que ele me perguntou onde eu havia estado, e o que havia feito. Falei sobre Angel, e vi seus olhos virarem duas pequenas bolas de fogo. Antes que pudesse protestar, senti uma imensa vontade de o beijar, e o fiz. Ele correspondeu a mim imensamente, e enquanto suas mãos passeavam por meu corpo, senti 1001 arrepios. Quando nos soltamos, por fim, seus olhos haviam voltado ao normal. Com a voz ainda sedutora (infelizmente), sussurrou para mim:
–Precisamos voltar. Estaremos entrando no Castelo. Dougie já nos espera.
Rick havia explicado o que eu deveria fazer.
Inicialmente, ‘’nada’’ foi o que eu entendi desse plano dele. Enquanto andávamos na direção do Castelo (o que demorou muito, logo que a saída do covil de Angel fora para muito longe dali)ele me falou u pouco mais sobre isso. Quando chegamos perto do porão, percebi um Dougie super irritado discutindo com um dos guardas do Castelo. Não captei muito da conversa, pois logo Rick chamou Dougie, que se aproximou de nós. Ele me cumprimentou com um aceno de cabeça, e começou a falar com Rick.
–Eles não nos querem lá dentro. Ordens do novo ‘’líder do Castelo’’.
–Josh não manda lá – protestei – Ele apenas...
Fui interrompida pelos dois agora. Eles falaram para eu ficar em silencio, e juntos, andamos para perto do porão, mais uma vez. Eu estava no meio. Rick andava à minha esquerda, e Dougie, na direita. Avançávamos devagar, mas mesmo assim, pude sentir o temor no olhar dos guardas. Incrivelmente, ao me aproximar de lá, eu sabia o que dizer.
–Saiam da frente e me deixem entrar.
–Desculpe-nos, princesa, mas não podemos. – respondeu um deles.
–Ordens de Josh?
Ele assentiu.
–Chame-o aqui.
–Como?
–Eu disse: CHAME-O AQUI!
No momento em que gritei, senti o vento chicotear meus cabelos. Como se ele o estivesse dominando. Ignorei isso e continuei o encarando, furiosa. Ele se afastou, ainda olhando para mim e foi buscar Josh, que segundos depois, apareceu ali. Como se não tivesse notado a diferença em mim, direcionou o olhar para Rick, e depois para Dougie.
–O que diabos fazem aqui? – disse.
–Viemos pegar de volta o que é de direito de Rick. – Dougie.
–O Castelo não é de vocês. – Josh.
–Pelo que eu lembro, nem de você, Josh. – disse Rick, se divertindo.
Josh avançou um passo, como se estivesse se preparando para atacar ou algo assim. Eu fiz o mesmo, e por um momento ele pareceu perder seus poderes. Rick aproveitou a chance, avançou também, e imobilizou Josh. Os guardas tentaram o defender, porém Dougie criou pequenos redemoinhos que os levaram para os ares; Rick estava quase sufocando Josh. Gritei, mas Dougie me segurou. Esperneei, mas ele não soltou. Rick o arrastou para dentro enquanto Dougie me jogava acima de seus ombros e me levava também para dentro. Chegando nos aposentos iniciais do castelo, fui solta, mas não me permitiram acompanhar Rick, Josh (e agora Dougie também), até o subsolo, para as masmorras do castelo. Oh, droga, eu havia ajudado Rick a entrar no Castelo e agora ele estava prendendo Josh. E eu colaborei para que isso acontecesse. Em algum momento, passei a ouvir gritos. Suplicas desesperados de Josh para que os outros dois parassem seja lá o que estavam fazendo. Mais uma vez fui detida ao querer ir para lá, mas agora, por Rick.
–O QUE ESTÃO FAZENDO COM ELE? – berrei.
–Nada! – disse ele segurando meus braços – Nada, Oddie!
–POR QUE ELE GRITA ASSIM? POR QUE?
–Ele não está gritando. Pare isso comigo, por favor.
–Como assim não está? – abaixei o tom de voz, mas continuei descontrolada. – Ele está pedindo para pararem com isso! Agora mesmo.
Rick me soltou devagar e inclinou a cabeça para o lado, como se estivesse indagando mais uma vez o que eu acabara de confirmar.
–Ele está gritando. – comecei a chorar baixinho.- Por favor, parem com isso.
Rick fechou os olhos, e apenas os abriu quando Dougie adentrou na sala. Rick me entregou para ele e disse que logo voltava.
–Ele vai voltar a fazer o que estava fazendo? – choraminguei.
–O que, Oddie?
Contei para ele o que eu estava ouvindo. Os gritos de Josh ecoando na minha mente, o que Rick havia acabado de falar para mim. Dougie não estava entendendo o que estava ouvindo. Ele confirmou o que Rick havia falado antes; que eles não haviam encostado nenhum dedo para machucar Josh. Eles apenas o haviam trancado em uma cela. Perguntei qual o motivo de eu estar escutando Josh então. Dougie disse que havia pensado em algo para fazer. Ele entraria na minha cabeça, para tentar entender o que acontecera; hesitei, e depois confirmei com a cabeça. Ele me pediu para fechar os olhos, e eu o fiz. Ele segurou a minha cabeça com as mãos e aproximou meu rosto do seu. Quase parei de respirar, achando que seria beijada por ele. Por sorte, ele apenas colou nossas testas.
Senti um imenso desconforto dentro de mim, enquanto ele adentrava em minha cabeça. Ter vozes gritando dentro de sua cabeça e outra pessoa entrando dentro dela, realmente, era de deixar qualquer um maluco. Estremeci, e senti ele me apertando mais. Os gritos estavam quase se extinguindo... sugando uma enorme quantidade de ar, separei nossos corpos e me afastei dele. Sua respiração estava devagar, mas a minha, acelerada.
–Você estava tentando ir mais adiante. – acusei.
Fale com o autor