A Guerra do Alvorecer
5 Uma meditação submersa
Aos poucos pude sentir como se eu estivesse saindo do meu corpo. Comecei a sentir exatamente aquele cheiro de brisa do mar e o vento batendo em meu rosto. Então tudo clareou, como se eu estivesse num quarto escuro e de repente acendessem uma luz á três centímetros de distância dos meus olhos. Tudo estava branco e meus olhos doíam. Começaram então se formar linhas no espaço branco provocado pela luz. Formas iam se desenhando e agora eu estava numa espécie de templo grego. Tudo era exageradamente gigante. Pilares dos dois lados do espaço percorriam o templo e iam até o teto em suas formas cilíndricas. Por esses pilares subiam algas marinhas, que davam a eles cores esverdeadas. Olho para baixo e posso ver que estou sobre uma espécie de aquário fixado no chão. Peixes, tubarões e centenas de outros animais marinhos passeavam sob meus pés. A visão era linda e me fazia sentir em casa. Eu poderia ficar admirando aqueles seres por horas e horas seguidas, mas me forcei a direcionar minha visão para o resto do espaço que não era pouco. No centro do salão havia uma estátua de um homem de mais ou mesmo 3 metros de altura, completamente nu, músculos completamente definidos em um material que me parecia concreto pela sua textura e cor. O homem tinha cabelos lisos que chegavam até o ombro, barba grande e cheia que tomava conta da parte debaixo do seu rosto. Na mão dele pairava um tridente gigante que tinha cerca de trinta centímetros a mais que seu dono. A postura dele era de imperador. Parado segurando sua arma ao lado de seu corpo, a outra mão pairava em sua cintura, ele olhava de cima para baixo, como se não houvesse nada acima dele. Sem dúvidas alguma, esse é Poseidon filho de Cronos o titã do tempo.
O resto do ambiente estava vazio. O teto tinha uma forma triangular, onde dois de seus lados se encontravam no centro do templo. Logo atrás da estátua no outro extremo do templo havia meia dúzia de degraus que levavam até um trono gigante coberto por mais algas que estava vazio. Resolvi então me aproximar lentamente. Passei pela estátua e cheguei aos pés do primeiro degrau que leva ao trono. Quando levantei o pé para começar a subir as escadas senti um tremor em meus pés, um barulho agudo que me fez se encolher com as mãos nos ouvidos e os olhos fechados. Quando o barulho cessou, aos poucos fui abaixando minhas mãos, abrindo os olhos e voltando a minha posição inicial. Olhei para frente e avistei o mesmo homem que habitou meu sonho quando desmaiei mais cedo. Poseidon, o deus do mar e meu pai (ideia que ainda estou tentando entender). Agora vestido com uma túnica no estilo grego, ele estava acomodado no trono empunhando o seu tridente. Então percebi que a estátua que achei exageradamente grande está em tamanho real, ou não, ele é um deus, ficar do tamanho e forma que ele quiser deve ser a coisa mais facil que ele possa fazer. Então ele se ajeitou no trono de uma forma que me visse melhor e se pronunciou:
– Sempre agradável ver meus filhos, ainda mais quando eles conseguem vir até mim sem ser por sonho, coisa que é muito difícil. E você conseguiu Gabriel, estou aqui porque você é merecedor, você consegue controlar suas emoções e ordenar e seus pensamentos mesmo em momentos confusos, e isso graças ao seu amor e dedicação ao seus familiares e amigos.
Não vou negar, meu ego deu uma inflada pequena, não é sempre que se é elogiado desse jeito. Mas não me permito me gabar por elogio nenhum, isso faz parte de mim – Obrigado senhor. E coloca difícil nisso em, não sei o que fazer pra encontrar a pessoa que usará essa pedra e nem no que estou realmente metido – Falei em forma de um lamento exausto. Sem mudar sua expressão ele falou:
– Não se preocupe, você é capaz de fazer o que lhe foi confiado. Se não fosse, o olimpo não o teriam escolhido. Mantenha seus olhos e extintos espertos, use de seus poderes que te dei para observar bem as pessoas ao seu redor e encontrar a pessoa que poderá manipular acálicis. Só com a ajuda dessa pedra, e dessa pessoa, você e seus amigos que serão reclamados por seus pais nas próximas horas conseguiram chegar num lugar reservado para meio-sangues treinar e descobrir seus poderes em segurança. E isso é preciso porque a deusa Hécate está sendo usada por forças contrárias ao olimpo para nos destruir e assim tomar conta do seu mundo. Sendo ela a responsável pelo mágia que separa o acampamento e o mundo real, os semideuses não tem como entrar ou sair do mundo real para o acampamento ou vice-versa. Caso tentem, há 99% de ficarem presos numa dimensão entre uma realidade e outra pra sempre.
A cada palavra eu ficava mais confuso. Mas eu tinha que organizar essas ideias e me preparar, não posso fraquejar, eu tenho que fazer isso – Mas, senhor. Como eu vou dizer para essa pessoa que ela agora está dentro de uma guerra e que ela é chave essencial para tudo dar certo? – Ele se levantou e começou a diminuir de tamanho, levantou um braço e fez um sinal para que eu fosse até ele. Lentamente subi degrau por degrau até chegar a ele. Agora, mesmo assim bem maior que eu, ele colocou sua mão em meu rosto – E ao contrário do que falam no fandom, Poseidon não tem cheiro de peixe e muito menos peixe podre – E falou:
– Confie em você mesmo, você sempre achará o caminho certo.
Ele se afastou voltando ao seu tamanho normal e sentando sem seu trono e concluiu:
– Agora eu preciso ir. Me materializar em sua cabeça gasta muita energia vital. E no meio de uma guerra não posso me enfraquecer – Ele começou a se desmaterializar em luz, mas antes disse – Ah, ultima coisa. Nunca pense em se sentar no trono de um deus, ele pode te fulminar e depois perguntar quem era você.
– Espere! Depois que eu entregar a pedra ao dono, como faço para encontrar a entrada do acampamento? – Ele continuou se desfazendo em uma luz branca e a última parte que vi de seu corpo foi um sorriso. Sorriso que me encheu de coragem.
Depois que o sorriso desapareceu e agora novamente só estava sozinho no templo, virei as costas para o trono para descer as escadas e reparei que na ponta do tridente da estátua uma luz brilhava e ia aumentando de tamanho. E do tridente uma rajada d’água salgada me atingiu. Fechei os olhos e prendi a respiração levado pelo extinto. Através das minhas pálpebras eu podia ver luzes dançando á minha frente. Sentia presenças e ouvia vozes na minha cabeça que diziam:
– Você está em casa.
– Fique conosco e conheça o reino de nosso pai e rei.
– Não tenha medo.
Eu já não tinha mais ar dentro dos pulmões e eles começavam a arder, então comecei a nadar rapidamente em direção à superfície. Mas não encontrava o oxigênio pelo qual meus pulmões imploravam. Já sem aguentar mais, desisti e soltei a respiração. Então senti o ar me encher novamente, o alívio tomou conta de mim abri os olhos e soltei meu corpo. Sim, eu respirava e enxergava perfeitamente de baixo d’água.
Eu estava tomado pela alegria e não queria mais sair dali. Nadava com tubarões, baleias, peixes e uma incontável variedade de espécies marinhas. Mas então me lembrei de que eu estava em numa espécie de meditação profunda e que tinha que voltar pro meu corpo. Parei, me concentrei e forcei minha mente à voltar.
Eu estava de volta ao Ibirapuera.
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