A oeste o sol já estava se pondo. Os últimos raios de sol do dia nos comtemplava. Eu já falei o quanto eu amo o sol? Não? Pois então, eu amo o sol tanto quanto eu amo o mar. Já fazia uns 20 minutos que estamos deitados na grama, calados. Pi, Duh, Anna e Giu já tinham voltado pro bosque. Mas o Léo continuava misterioso, calado e imóvel. Eu estava com meus irmãos, eu estava com saudade disso, é difícil estarmos os três juntos, pois o Dan não pode vir em muitos eventos seguidos. E esse tempo fez bem pra mim, eu estava precisando colocar as ideias em ordem, tudo estava mais claro na minha cabeça. O clima estava muito agradável, o calor já não nos fazia mais suar. Eu estava exausto, estava segurando o sono desde a hora que deitamos. Minhas pálpebras pesaram demais até eu me render e cair no sono. Meu último pensamento foi: usar os poderes da água te deixará exausto.

Acordei num pulo ordenado por um grito do Dan:

– Rezende, Rezende. O Lelo sumiu. Levanta.

Acho que esse foi o pior susto que já tomei enquanto acordava. A Gabi perdeu pro Dan em como me acordar com um susto – Como assim ele sumiu Danilo? Você dormiu também? Ai meu Deus – O Dan parecia saber o que estava acontecendo, pois ele estava desesperado como eu. Mas agora eu tinha que encontra-lo, receio que a descoberta dele não seja agradável como a minha. Apenas falei – Temos que encontra-lo. Agora – Saímos andando rapidamente. O Dan parecia sentir tudo o que estava acontecendo, pois ele não questionava o que eu falava, apenas me seguia. E eu agradeci aos céus por isso.

Estávamos andando sem uma direção definida, apenas andando e olhando pra todos os cantos possíveis. Fomos em direção ao bosque o lugar mais óbvio, mas eu sentia que ele não tinha ido para lá. Mas mesmo assim fui para garantir. Encontramos todo mundo. Já estavam se reunindo pra ir para o Burguer King. Passei no meu chalé peguei minha mochila e o Dan a dele. Fomos em direção á Gabi, e a Saraiva estava com ela, como eu tinha pedido. Fiquei muito feliz de ver que ela atendeu o meu pedido. Chegando até elas logo perguntei se tinham visto o Léo, e tentei disfarçar o nervosismo, mas pelo visto não consegui e a Saraiva provou isso:

– Gabriel, olha aqui. Eu não faço ideia do que está acontecendo. Mas você está muito estranho. Chega super atrasado no evento. Some por horas do nada. A Gabi tem ataques de choro. Vocês ficam de segredinho. E agora o Leonardo some. Você vai me explicar agora o que está acontecendo!

Eu vi uma Saraiva que eu nunca tinha visto antes. Ela me subjugou com seus 1,55 metros, seus cabelos e olhos claros e suas bochechas rosadas. Ou seja, eu me senti humilhado. Mas eu não tinha muito tempo pra perder. Apenas coloquei as mãos em seu rosto e falei num tom tranquilizador – Ei, me escuta. Está tudo bem, ou vai ficar tudo bem, não sei. Eu vou resolver as coisas. Mas você tem que confiar em mim. Não posso te contar nada por enquanto. E por favor, por mim... Não insista. Eu te amo – E dei um beijo em sua testa. Ela se acalmou, mas ficou calada. E por fim, falei – Obrigado.

Fui falar com a Gabi, ela estava sentada brincando com uma pedra – SANTO POSEIDON. A PEDRA – Gritei e parei de andar e fui logo verificando meus bolsos, soltei um suspiro de alívio – UFFA – Ela estava lá, no meu bolso esquerdo dos shorts. A pedra da deusa da magia, acálicis. E lembrei – Eu tenho que achar a pessoa que vai usá-la – Eu tinha me esquecido completamente disso. Algo a mais para me perturbar. Agora cheguei até ela e fui falando – Gabi me escuta. O Léo sumiu... – Ela me interrompeu:

–Sim, eu sei.

Me inclinei em direção à ela com as mãos na mesa e perguntei – Como? – Franzi o cenho. Sem olhar pra mim ou parar de mexer na pedra ela disse:

– Não sei. Apenas sinto. Ele está naquele lugar em que você o Dan e ele fizeram seu laço de irmandade. O primeiro dos lugares.

Tive um flashback daquele momento. Um calafrio subiu pela minha espinha. Eu ia insistir em saber como ela sabia que ele estava lá, mas lembrei-me que ela é filha de Hécate, seus poderes devem ser profundos e sinistros. Então apenas falei – Fique ai! Se o pessoal for pro BK vá com eles que logo eu chego – Ela apenas consentiu com a cabeça. Olhei pro Dan, ele estava cada vez mais confuso, mas não falou nada. E eu estava cada vez mais assustado com isso. Fomos correndo para lá.

Atravessei a marquise avistei aquelas árvores que se fechavam como se fosse uma cabana. Uma tontura me atingiu, parei de andar e me apoiei no ombro do Dan:

–Rezende, está tudo bem?

Eu balancei a cabeça forcei apertei as pálpebras e respondi ainda com a cabeça baixa – Estou sim. Relaxa – Levantei a cabeça e olhei novamente pra cabana de árvores, pude ver uma fumaça preta saindo por cima, mas não era uma fumaça comum – Dan, olha lá – E apontei – Você está vendo aquela fumaça? – Ele olhou por dois segundos e balançou a cabeça negativamente. Olhei pra ele e falei – Vem – Saímos correndo.

Chegando perto fui diminuindo a velocidade. Entrei debaixo das árvores. Estava tudo escuro e tinha apenas a luz prateada da luz entrando pelas brechas das folhas das árvores. A visão que tive foi perturbadora: o ar estava denso, a terra estava mole como se estivesse molhada. Léo estava em pé de braços abertos e olhando para cima. O medo tomou conta de mim e quase não consegui me mover. A fumaça preta saia dele, e do chão ao seu redor brotavam mãos de esqueletos como se fossem plantas. Olhei pra trás o Dan estava jogado no chão desmaiado. Fui correndo até ele. Gritei, balancei e nada dele acordar. Com um susto senti uma mão pousar em meu ombro, era o Léo, ele estava em pé ao meu lado, a expressão voltou ao seu rosto, mas continuava pálido e sua mão estava incrivelmente gelada. Me levantei lentamente. Ele olhou pra trás ergueu a mão direita e aos poucos os esqueletos se afundavam no chão. A fumaça foi se extinguindo, a pressão do ar abaixou e a terra ganhou firmeza novamente. Agora quando tudo tinha voltado ao “normal”, eu pude respirar novamente e o medo descomunal passou.

Eu estava o encarando e ele devolvia um olhar que eu conhecia; a confusão pairava em seu rosto. Eu não sabia o que falar, apenas o abracei. Suas mãos não estavam mais geladas. Perguntei num sussurro – O que ele falou pra você? – Dois segundos se passaram:

– Ele disse que a guerra começou, e nós precisamos chegar até o acampamento. Mas tínhamos que esperar, pois mais descobertas aconteceram de hoje pra amanhã.

Apenas falei – Estamos juntos.

Saímos do abraço e começou uma ventania muito forte. Mas o que me fez acordar foi; o cheiro do mar. Mas não era como antes, estava forte e eu podia ouvir o barulho do mar. Isso despertou uma adrenalina muito forte em mim. Olhei pra trás, sobre o Dan se formava-se um redemoinho de vento e água. O Léo protegia seu rosto com as mãos, agora ele podia ver tudo. Eu olhava aquilo maravilhado. A luz da lua iluminou um tridente formado de água e vento que reluzia em nossos rostos. O Dan começou a ser erguido por algo. Logo ele estava em pé dois palmos erguidos do chão, mas ainda desmaiado. O tridente formado deitou-se apontado em direção ao Dan. E se lançou sozinho. Ouve uma explosão de água e vento. Imediatamente ordenei que minhas roupas não se molhassem. E no fim da explosão eu estava seco e o Léo totalmente encharcado. O Dan estava de pé na minha frente, ele exalava uma aura azul. Poseidon, meu pai reclamou Dan, meu irmão.

Ele abriu um sorriso e os abraços eu corri, o abracei e gritei – AH MULEQUE, EU SABIA! EU SABIA! – Sentir aquela aura novamente foi incrível. Olhei em seu olhos e ele me disse:

– Ele mandou você me explicar tudo. E pediu pra te dar um abraço por ele.

O Léo continuava a secar e xingar. Ele olhou pra mim e pro Dan e disse:

– Quando vocês verem o papaizinho de vocês de novo. Diga pra ele que eu o odeio. Obrigado.

Eu e o Dan caímos na gargalhada. Olhei pro Dan e falei – Não temos como ir pro BK com um cara todo encharcado né? – Ele ainda rindo da cara do Léo balançou a cabeça positivamente. E enquanto eu ia na direção do Léo ele perguntou:

– Léo, você trouxe roupa?

E eu respondi – Pra que roupa? – Coloquei a mão no ombro do Léo e água foi saindo da roupa dele em direção a minha mão. O Dan abriu a boca e falou – Caraca, Rezende. Me ensina? – Eu dei risada e falei – Ensino sim, cara. Mas depois, temos que ir pro BK – Agora seco o Léo falou:

– Ahhhh, menos mal.

Pela primeira vez no dia, eu estava feliz, e não mais confuso agora. Coloquei o braço sobre o ombro do Léo e puxei o Dan, coloquei o braço no seu ombro e ele fez o mesmo. E falei – Então meus irmãos semideuses. Juntos vamos conseguir ir até o fim, confiem nos seus poderes e vamos confiar um no outro. Mas agora temos mais amigos para guiar na descoberta pela qual já passamos – Fomos andando em direção ao portão que saímos pra ir pro BK. No caminho fui explicando tudo, contei cada detalhe das minhas conversar com Poseidon, sobre acálicis, sobre o sequestro de Hécate, sobre a pessoa que vai poder usar os poderes da pedra, etc.

Estávamos no meio do caminho enquanto o Dan que foi o último até agora a ser reclamado, contar como foi sua conversa com Poseidon. Quando ele mudou de assunto falando:

– Estão sentindo esse cheiro podre de gente morta?

O Léo logo se doeu e revidou:

– Estou sim. Mas o pior cheiro é de peixe podre que estou sentindo em dose dupla aqui. Seu palhaço.

Caímos na gargalhada. O Dan faz piada com tudo, então não sabemos quando ele está falando sério, se é que alguma vez na vida ele fala totalmente sério. Ainda rindo o Dan falou:

– Não Lelo... Estou falando sério.

Minha cabeça pesou e nós paramos juntos. Eu lembro dessa sensação; no meu sonho quando a suposta Gabrielli me atacou, era sensação de perigo. Automaticamente ficamos de costas um pro outro olhando ao redor, então eu falei – Fiquem espertos, algo vai nos atacar – Pude perceber eles concordando com a cabeça.

Na próxima esquina á uns 15 metros na minha frente viravam 5 criaturas de 3 metros, cabelos grandes, sujos e embaraçados. Suas roupas se baseavam em apenas um pedaço de couro que cobria isso mesmo que vocês estão pensando. Eram barrigudos e verdes e carregavam cada um, uma tora de madeira apoiados em seus ombros. Mas o que entregou suas identidades foi o único olho acima de seus narizes gordos. Eram ciclopes.

Eles ainda não nos enxergaram o que deu tempo pra nos escondermos num movimento rápido atrás de um carro que estava ao nosso lado. Pude os ouvir farejando. E depois de mais alguns passos eles pararam e um deles falou:

– Cheiro bom de semideus dos três grandes. Hoje o jantar vai ser bom. Ou melhor, um banquete.

Eles voltaram a andar, e estavam vindo em nossa direção. O Dan e o Léo estavam quietos e imóveis, porém prontos pra correr. O Dan olhou pra nós dois e levantou três dedos. Entendemos o recado. 3...2...1. Saímos correndo bem na hora que duas daquelas coisas de tronco de árvore passou zunindo pelo meu ouvido e estilhaçando a parte de trás de um siena. Continuamos correndo com os cinco ciclopes atrás de nós e viramos na esquina à direita. Nos agachamos atrás de outro carro eu cochichei – Temos que usar nossos poderes, ou nós já era – Sim, temos que usá-los. Mas como?

Me sentei de pernas cruzadas e me concentrei. O Dan fez o mesmo, ele sabe meditar também. Nos último segundos antes de um porrete me transformar em carne moída, minha aura se expandiu e um jato d’água segurou o porrete. Abri os olhos e mal pude acreditar. O Dan tinha feito o mesmo. Me levantei e vi o Léo á frente desviando rapidamente de todos os golpes de um dos ciclopes. Ordenei que o jato que eu tinha invocado se expandisse jogando o ciclope para longe. E assim o fez. Ele bateu na parede e caiu no chão atordoado. Com o mesmo jato afoguei o ciclope e quando a vida não habitava mais aquele corpo ele explodiu em pó. O Dan ordenou que o jato dele se duplicasse e se enrolasse no pescoço da fera enforcando-o até ele virar pó.

O Léo continuava a desviar bravamente dos golpes e furar o ciclope com um pedaço de osso que eu não sei da onde saiu. Corri em direção para ajuda-lo quando o Dan gritou:

– NÃÃÃÃO

Eu me abaixei e pude ver uma chuva de pó fedorento caindo sobre mim. A minha frente o Léo estava sem entender nada. Assim como eu e o Dan.