A Guerra das Cápsulas
70 Espólios
Notas iniciais
Com a ajuda de Trunks, rapidamente os terráqueos e os saiyajins conseguiram derrotar os alienígenas de Freeza. Com a ausência de Goku e Vegeta, que ainda estavam se recuperando nas câmaras de regeneração, Tarble assumiu a liderança dos dois grupos. A sua primeira ordem foi levar todos que precisavam de ajuda médica para o castelo o mais breve possível, um outro grupo foi designado para identificar e recolher os mortos. Tarble estava ajudando um terráqueo ferido quando viu um dos saiyajins, branco como um papel, trazer um pequeno corpo no colo.
— Príncipe Tarble... eu nem sei como dizer isso — o saiyajin falou.
Tarble então viu o rosto da pessoa que o saiyajin trazia e momentaneamente sua vida perdeu todo o significado.
***
Alheios aos acontecimentos finais da guerra, os gêmeos choravam junto da mãe. Gohan os havia levado para o castelo e eles indicaram o quarto da mãe, única que poderia os consolar nesse momento. Gure, já havia sentido um intenso aperto no peito quando seu primogênito morreu, mas ainda queria acreditar que não havia sido nada grave, porém ao ver os rostos chorosos dos outros dois filhos, não tinha mais dúvidas de que uma tragédia imensa havia caído sobre suas cabeças. Aninhou a filhinha bebê no colo e chorou junto com os filhos, que agarrados às pernas da mãe, também choravam inconsoláveis.
Gohan observava a cena calado, também com lágrimas nos olhos. Nesse momento ele decidiu que nunca mais lutaria, nunca mais se meteria em guerras ou situações violentas.
***
A morte do primogênito, fez renascer em Tarble o desejo de sangue e luta que todo saiyajin carrega. Gritou e bateu em quem estava ao redor. Pegou o filho no colo e chorou enlouquecido, sem conseguir entender como aquela criança estava ali no meio da batalha. Tinha certeza que os filhos estavam seguros no castelo quando foi lutar.
— E os outros? E os meus outros filho? — Tarble gritou.
— Não os encontramos, alteza. Eles não estão entre os mortos ou entre os feridos.
Tarble correu levando o corpo do filho para o castelo. Ainda tinha esperança, então o levou ao médico para o colocar em uma câmara de regeneração, mas o médico examinou o corpo e declarou que era impossível, que o jovem príncipe estava morto. Tarble ainda chorou, jurando vingança e olhando com todo ódio que tinha em si para o saiyajin sendo regenerado dentro de uma das câmaras.
***
No dia seguinte, Goku já estava completamente regenerado. Tarble estava retirado com a sua família devido ao luto e Trunks estava aguardando que Goku acordasse para ter a sua conversa importante com ele. Goku recebeu as notícias do fim da guerra com alívio e desagrado. Freeza havia sido derrotado, assim como os alienígenas dele, mas muitos terráqueos e saiyajins haviam morrido também. De todas as mortes, a do pequeno príncipe era a mais cruel. Mesmo que ninguém o conhecesse, a morte de uma criança naquelas circunstâncias era algo terrível para qualquer um. Então, quando foi apresentado a Trunks, Goku o agradeceu do fundo do coração por ter ajudado a todos a derrotar aqueles inimigos. Retiraram-se para um lugar afastado das outras pessoas para conversarem abertamente.
— Goku-san, eu preciso conversar com você, é algo extremamente sério.
— Quem é você afinal?
— Meu nome é Trunks, eu venho futuro.
— Diante de tudo o que eu já vi não vou perguntar como isso foi possível.
— Não pergunte, apenas creia. Agora isso não existe, mas no futuro a tecnologia desenvolvida pelos humanos vai possibilitar muitas coisas que agora são impossíveis, até mesmo essa viagem no tempo que me trouxe aqui.
— Ok, se você diz, eu não duvido. O que aconteceu afinal?
— Goku, você precisa treinar mais ainda, se tornar mais forte do que já é. Freeza pareceu assustador, frio e cruel, mas ele é apenas uma criança mimada perto do inimigo que nos espera no futuro.
— Eu atingi o nível do super saiyajin, apenas sucumbi porque me distraí.
Então Trunks se transformou em super saiyajin também.
— Uau, você também consegue? — Goku disse espantado.
— Sim, eu treinei muito e atingi o nível do super saiyajin, mas isso não é suficiente para derrotar esse guerreiro. Por isso vim pedir a sua ajuda, treine mais e se supere, só assim será possível salvar a Terra.
Goku pensou nas palavras de Trunks, ele se envergonhava de sequer ter conseguido um embate, de todas aquelas mortes sem sentido, principalmente de uma criança inocente. Na Terra não havia mais oponentes para ele treinar e se superar, nem mesmo Vegeta era oponente suficiente para ele. Se continuasse ali nunca seria um guerreiro forte o suficiente para proteger a Terra e sua família.
— Eu vou ter que buscar outros lugares para treinar — Goku falou.
— Vá, faça isso! As coisas estão calmas agora, penso que você pode se dedicar ao seu treino sem causar prejuízos a ninguém. Tem algo que te prenda aqui?
— Aqui não. Mas na Terra... — ele lembrou-se de Chichi e Gohan.
Tinha sorte de ter desobedecido Chichi e ensinado Gohan a lutar, assim o menino poderia protegê-la, mas mesmo assim sentiria falta dela, já estava sentindo. Mas só de pensar nela morrendo de novo, rejeitou a ideia balançando a cabeça várias vezes e decidiu que iria aonde fosse necessário para treinar mais e ser o melhor, para poder proteger a Chichi de tudo.
— Eu vou com você.
— Não posso te levar para o futuro, isso mudaria a história — Trunks respondeu.
— Me leve para outra planeta então. Onde existam guerreiros mais poderosos para eu poder treinar e me superar.
— Tem certeza? Quer ir agora?
— A situação é crítica, não é? Não quero mais perder tempo.
— Ok, segure-se em mim.
Goku segurou no braço de Trunks. Este colocou dois dedos na fronte e ambos desapareceram.
***
Gohan estava junto de Tarble, Gure e os gêmeos naquele período de luto. Ele sequer pensou em voltar para a nave dos terráqueos, temia uma represália do pai. A presença dele ajudou os meninos a aguentarem a dor do luto, e como todos julgavam que ele fosse um amiguinho da academia saiyajin, ninguém se opôs à presença dele ali. Enquanto Gohan tentava distrair os gêmeos, Bulma apoiava o casal de amigos que havia passado por uma perda inestimável. Ela mesma já havia chorado tudo o que podia quando soube da morte do pequeno.
— O culpado é Vegeta. Ele incitou essa guerra ao matar a princesa de vocês e roubar as cápsulas. Ele poderia ter fortalecido o império saiyajin antes com os recursos que roubou de vocês, mas não fez nada. Isso manteria Freeza longe. Vegeta foi quem matou meu filho. As ações dele trouxeram isso para a minha família — Tarble disse — ele sempre nos desprezou e até mesmo no passado insinuou que eu deixasse um deles morrer, que não faria falta, você lembra?
— Eu lembro — Bulma respondeu.
Ela se envergonhava pelas ações egoístas de Vegeta, mas agora que o seu próprio sobrinho havia morrido, era evidente que ele nunca mudaria. Lembrou dele a oferecendo para Freeza em troca das cápsulas. Imaginou-se sendo despedaçada por monstros sádicos, mesmo a despeito do que Turles fez com ela no passado, ele ainda permitiria que outros a machucassem. Os pensamentos trouxeram lágrimas aos seus olhos. Olhou Gure com a filhinha no colo, Tarble abatido, e os gêmeos com os olhos vermelhos de tanto chorar pelo irmãozinho morto. Aquela família que ela aprendeu a amar como sua, estava agora em ruínas, por causa do homem que ela insistia em amar, um homem que não merecia o amor de ninguém.
Bulma já havia decidido que partiria com os humanos, mas sabia que sofreria com a ausência de Vegeta. Ela era totalmente apaixonada por ele, e isso não mudaria com a distância. Lembrou-se de uma conversa que teve com Tarble anos antes, quando ele disse que na ocasião do estupro que Turles cometeu contra ela, ele havia oferecido que Gure apagasse sua memória, mas Vegeta, egoísta como sempre, proibiu. Ela ficou muito magoada, mas encontrou forças dentro de si para esquecer a violência daquele monstro e o egoísmo de Vegeta. Agora queria poder esquecer Vegeta, de vez para sempre. Apagar totalmente aqueles anos que passou ali quase como uma escrava. Ela tirou as cápsulas do bolso e entregou para Tarble.
— Acho que se meu pai soubesse o que isso causaria no futuro, ele não teria inventado essas cápsulas — ela disse.
— Ele não poderia saber que a ambição cegaria a todos. Mas eu não posso ficar com elas, Bulma. As cápsulas são de vocês terráqueos, meu irmão roubou.
— Eu sei que vocês também precisam.
— Sim, mas vocês precisam mais, creio eu. Leve de volta com você.
— Eu não seria capaz de levar tudo, sabendo que vocês também precisam. Julgue isso por mim, por favor. Você é um príncipe justo, nasceu para governar, vai poder tomar uma decisão melhor do que eu.
— Sendo assim, metade fica pra vocês e metade pra nós — Tarble disse.
— Acho justo — Bulma sorriu — Agora eu vou voltar para a Terra com os meus amigos.
— Faça isso, Bulma. Pois assim que o meu irmão acordar você não vai ter mais chance de sair daqui. Nós gostamos muito de você e vamos sentir sua falta.
— Mas eu não quero sentir a falta de vocês.
Tarble se espantou, mas logo um sorriso formou-se em seu rosto.
— Eu entendo, você quer tentar aquilo?
— Eu quero, se possível, por favor.
Tarble pegou a filha do colo de Gure. A esposa sentou diante de Bulma e colocou as mãos na cabeça dela.
— Pensa nele — Tarble disse — Pensa no Vegeta que ela vai apagar ele da sua memória.
Bulma pensou em Vegeta e Gure fez sua mágica.
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