Notas iniciais
Pessoal, é o seguinte, eu vi que vocês ficaram mega chateados com os acontecimentos do capítulo anterior, e assim, só pra avisar, as coisas vão piorar muito para a Bulma, tá? Muito mesmo, mesmo, mesmo, mesmo... Só pra deixar os senhores avisados, ok? Se alguém quiser fugir ainda dá tempo. E como as coisas pioram mais ainda a partir de agora, eu resolvi ser boazinha e publicar o capítulo hoje mesmo. Enjoy!

Bulma arrastou-se para o laboratório. Sentia-se infeliz e miserável como nunca. Relembrava as palavras de Vegeta e ainda não acreditava em como ele era maldoso, parecia gostar de vê-la sofrer, desdenhando do seu amor e dos seus sentimentos como se eles fossem lixo. Doía lembrar aquele olhar de ódio.

—"Quem no mundo odiaria ser amado?" — ela pensava.

Vegeta era a resposta.

Turles não apareceu para conversar ou a incentivar a ir embora, mas à tarde, quando voltava do laboratório, o viu no treinamento dos novatos, Vegeta inspecionava de perto. Trocaram um rápido olhar e ela pôde perceber o desprezo transbordando. Quis correr e chorar, mas manteve-se firme. Acabou indo parar no quarto de Gure, Tarble brincava com dois dos filhos enquanto Gure amamentava um deles, tudo ali era na base do revezamento. A nova babá arrumava as roupinhas dos pequenos. Bulma ficou brincando com os bebês, conversou com os amigos, mas aquela suave distração não afastaria a angústia que tinha no peito. Retirou-se antes que seu semblante infeliz contaminasse a alegria da família.

Já no seu quarto, chorou. Queria o colo da sua mãe, ou do pai, ou da Chichi. Ou que Yamcha contasse alguma piada engraçada para ela rir. Ou ver os amigos lutando nas areias da praia, ou até mesmo dar uns tapas na cara do Mestre Kame por causa da perversão deste. Riu lembrando dos inúmeros momentos felizes que viveu no seu planeta, lembrou como era gostoso acelerar sua nave, ou o carro que voava, lembrou das vezes em quando foi ao shopping com Chichi disfarçada para não chamar a atenção dos súditos. Chichi sempre escolhia os disfarces mais loucos, como homem gordo, velha louca ou policial. Era sempre uma doideira pior do que a outra para fugir do assédio dos súditos.

—"Como eu quero a minha vida de volta!" — ela pensou desconsolada.

Saiu para a plataforma externa do castelo, estava tudo vazio. Abriu a sua cápsula com a moto, montou nela e acelerou o mais rápido que pôde. Cortou as ruas que circundavam o castelo, logo estava nos limites da cidade. Nunca tinha ido até lá. Não havia nada, só a estrada comprida que ela não fazia ideia de onde daria. Acelerou mais ainda, viu algumas placas estranhas, pegou alguns cruzamentos. No caminho deparou-se com saiyajins comuns, não os soldados em suas armaduras azul e branca que ela estava acostumada, cidadãos comuns. Eles pareciam pobres e tão infelizes quanto ela.

— "Todos são infelizes debaixo do jugo de Vegeta" — ela concluiu.

Não sabia aonde iria chegar, só queria correr e fugir para o mais longe possível daquele lugar, daquela pessoa que a desprezou e a usou, que a tratou como um lixo e fez dela um nada.

Depois de meia hora pilotando na maior velocidade que sua moto alcançava, ela parou. Não havia nada ao redor, só montanhas, o deserto e aquela estrada que aparentemente não chegaria a lugar nenhum. Estacionou a moto na beira da pista e sentou-se no chão quente, aquilo parecia asfalto mas era mais duro e escuro. O céu já estava escurecendo e ganhando aquele tom avermelhado. Pegou pedrinhas e ficou atirando à esmo, observou a vegetação, tudo era alaranjado e estranho. As formas das plantas não eram convidativas, pareciam espinhosas e ásperas.

Estava tão distraída observando a vegetação exótica, que não percebeu que um homem aproximava-se silenciosamente. Ele postou-se ao lado dela. Então ela viu aquelas botas brancas de biqueiras douradas, nem precisava olhar para saber de quem se tratava.

— Estava pensando em fugir? — Vegeta perguntou.

— E se eu estava? — ela respondeu ríspida.

— Você não tem pra onde ir, não tem nada por aqui. As cidades habitadas ficam para o outro lado.

— Eu não sabia...

— Claro que não, você é uma mulher insolente que faz as coisas sem pensar.

Ela levantou-se, montou de novo na moto. Ligou-a.

— Aonde você vai? — Vegeta perguntou.

— Vou continuar indo para lugar nenhum... posso?

— Não.

— Por quê? O que eu faço ou sinto não significa nada pra você, não é verdade?

— É verdade — ele respondeu calmamente.

— Então por que me impede?

Vegeta girou a chave e desligou a moto. Pegou a chave e a esmagou, transformando em aço retorcido e a inutilizando, depois atirou longe.

— Por que você fez isso?

— Porque eu quis.

— Seu idiota! E agora, como que eu vou voltar?

— Tem dois jeitos: andando ou comigo.

— Eu prefiro andar, nem que eu chegue amanhã!

— É? Sabia que à noite na região desértica os bichos saem?

— Que bichos?

— Bichos... que rastejam e comem coisas.

— Mentira sua, você está falando isso pra me assustar.

— Claro que não, em todas as regiões não habitadas os animais tomam conta, é assim na Terra também que eu sei.

Bulma saiu de cima da moto e foi andando.

— Bom, eu vou ficar de olho então, se aparecer algum eu corro.

Vegeta riu.

— Não tem como correr, mulher. O menor lagarto do deserto tem sete metros.

— Sete?

— É.

— Credo...

— Vai aceitar ir comigo?

— Não, eu sei que você está mentindo.

— Então tá bom. Até mais, e boa sorte — ele falou com um sorriso malvado.

Vegeta saiu voando. Bulma ficou sozinha. Tentou procurar a chave, achou o metal todo retorcido, seria impossível tentar desamassá-lo com as mãos. Ficou praguejando. Andou por vários minutos até que começou ouvir barulhos de coisas se arrastando entre as folhagens. Olhou ao redor, estava tudo escuro, não havia luz em lugar algum e a iluminação das luas minguantes não era suficiente. Abriu uma das suas cápsulas e de lá tirou uma bolsa com vários itens de primeira necessidade, dentre elas uma lanterna. Ligou a lanterna e deu um berro. Viu que estava rodeada de lagartos enormes, muito maiores do que os sete metros que Vegeta havia dito, alguns chegavam a vinte metros de comprimento. Os bichos tinham as línguas bifurcadas e os olhos avermelhados, a pele parecia pegajosa e enrugada. Eles se aproximaram de mansinho, fungando o ar como que sentindo o cheiro dela. Um deles, o maior de todos, se aproximou e deu uma lambida no braço dela, Bulma tentou esconder o nojo mas acabou dando um gritinho, isso pareceu atiçar mais os bichos. Então ela atirou a lanterna ligada para o lado oposto, isso chamou a atenção dos monstros e ela saiu correndo. Correu desabalada, acabou torcendo o pé e caiu. Nem chorar podia para não chamar a atenção deles, mas logo os bichos pareceram ter percebido o truque o voltaram a farejar o ar em busca dela. Se rastejaram, Bulma ouviu o sons das patas grosseiras e dos rabos que se arrastavam no chão quando eles se moviam. Logo estavam em cima dela, a cheirando e lambendo. Um mais atrevido deu uma mordiscada. Bulma deu um grito, os bichos vieram todos para cima dela.

Em segundos estavam todos incinerados. Vegeta, que observava a maneira tola que ela tentou fugir deles os atraindo mais ainda, os incinerou quando eles se aproximaram dela. Bulma viu os restos mortais daqueles seres pegajosos, o cheiro de carne queimada a enojou, sentiu ânsia. Vomitou. Acabou desmaiando.

Vegeta se aproximou e a pegou no colo. Voou com ela de volta até o castelo. Lá a levou para o seu quarto. Despiu-a e a colocou na banheira, a banhou com cuidado. Bulma acordou no meio do processo, estava tonta, o estômago doía.

— Sua tola... eu avisei, não avisei? — Vegeta disse.

— Eu achei que você estava mentindo.

— Por que achou isso?

Ela não respondeu. Viu um dos braços arranhado onde um dos lagartos mordeu. Começou a esfregar, coçava muito.

— Não coce — Vegeta avisou — tem o remédio certo pra passar, se coçar seu braço pode cair.

— Mentira!

— Quer tirar a prova também?

Ela parou de coçar.

— Se coçar, o veneno pode espalhar e necrosar os músculos, então eles caem. Já vi acontecer — ele disse.

— Veneno?

— Sim, os lagartos do deserto são venenosos — ele continuou — aliás, tudo aqui é venenoso.

— Por isso que você é assim? — ela riu.

— Já se recuperou, então? Está até fazendo piadinhas.

Ele a tirou da banheira e a secou, pegou uma pomada em uma das gavetas e passou nos arranhões, depois a enfaixou.

— Não mexa, entendeu? — ele a advertiu — Daqui a pouco vai parar de coçar, em alguns dias vai sarar.

Ele deu uma camisola pra ela, Bulma se vestiu.

— Eu vou para o meu quarto — ela avisou.

— Não, fique aqui. Quero te falar uma coisa.

Bulma aguardou. Depois de tudo achou que ele fosse falar que havia pensado direito e concluído que a amava. Mas toda a esperança morreu quando ele começou.

— É o seguinte, terráquea. Eu não vou mais tolerar essas coisas que você faz, entendeu? Vive arrumando confusão, se metendo em encrenca e ainda por cima dando uma de espertalhona, mas no final das contas você é uma inútil que não sabe fazer nada direito, nem fugir daqueles lagartos que são cegos você conseguiu!

— Eles são cegos?

— Calada, mulher! Eu não terminei! A partir de agora você está proibida de sair dos limites do castelo, entendeu?

— Mas foi a primeira vez...

— E a última! Você só vai poder sair dos limites do castelo comigo, ou com o Tarble e a Gure, entendeu?

Ela abaixou a cabeça, no fundo ele deveria estar tentando protegê-la, aqueles lagartos eram mesmo perigosos, ela pensou.

— E tem mais uma coisa — ele continuou — você vai ficar pronta pra mim todo dia às nove da noite, sem choro e nem vela, sem enrolação, sem conversinha furada, sem frescuras e principalmente sem essa história de amor.

Ela o olhou espantada. Além de tudo ele ainda iria forçá-la?

— Vegeta eu não...

— Não tem essa de "eu não"... você vai ficar pronta pra mim fazer o que eu quiser com você e não tem conversa.

— Eu não quero assim! — ela começou a chorar.

Então ele a puxou pelo braço, a levou até o alto da sacada do quarto e a fez olhar para baixo, Bulma tremeu dos pés à cabeça quando viu o que havia ali. Um fosso profundo, cheio de cães horrendos, eles eram muito maiores e mais agressivos do que os do planeta Terra. Eram grandes como cavalos, ao verem Vegeta começaram a latir e grunhir, Bulma entrou em pânico, não fazia ideia de que havia algo assim ali. Vegeta assobiou e os cães começaram a pular, a sacada estava há cerca de trinta metros do chão, mas os cães conseguiam pular pelo menos um terço daquela altura.

— Você nem chegaria ao chão... eles te estraçalhariam antes — Vegeta disse rindo.

— Você não poderia... você me jogaria daqui? — ela perguntou abismada.

— Continue me irritando pra você ver.

— O meu amor te irrita? — as lágrimas cresceram em seus olhos.

— Muito!

Ela se soltou dele e correu para a porta, em meio segundo ele estava em cima dela, não a deixaria sair.

— Aonde é que você pensa que vai?

— Eu vou embora é claro! Não vou ficar nem mais um minuto nesse planeta desgraçado!

— Você não tem como fugir, idiota!

— Eu vou dar um jeito!

— Tente e já sabe... vai para o fosso dos cachorros.

Ela começou a chorar abundantemente.

— Por que você é tão cruel comigo?

Vegeta queria poder falar que a estava assustando como último recurso, pra ver se ela parava de choramingar e eles voltavam a ser como era antes. Queria falar que nunca a jogaria lá de cima, que nunca a daria para os cães. Mas ela já o havia irritado muito com as suas exigências, querendo amor, querendo isso e aquilo. Ele só sabia ser cruel com as mulheres, e era isso o que ele faria com ela enquanto ela não o obedecesse.

— Porque eu gosto — ele respondeu com um sorriso maligno.

Bulma forçou e conseguiu abrir a porta. Vegeta deixou ela sair. Ainda tinha planos para aquela noite. Seu estoque de maldades ainda não havia esgotado.

Notas finais
Akemi é boazinha, já o Veggie nem tanto. Deixem comentários, abraços!