A Guerra das Cápsulas

96 Bulma quer romance


Notas iniciais
Yo mina-san! Aproveitem o capítulo de hoje!

O planeta Vegeta revelou-se mais interessante para Bulma do que ela imaginava. O lugar era quente e a gravidade era pesada, o ar era mais denso e a paisagem não era das mais convidativas, mas a tecnologia dos saiyajins era relativamente mais avançada que a dos humanos, então ela poderia aprender muito naquele novo trabalho. Fora isso, os saiyajins eram possivelmente os mais gatos do universo, todos eram fortes e animalescos, transpiravam testosterona por todos os poros, os que tinham rabos eram exóticos e interessantíssimos de olhar, fora que nenhum deles escondiam o interesse que sentiam por ela. Logo que chegou, Andou pelo centro de treinamento, e foi como se tivesse pedido para receber os olhares mais lascivos, alguns até se arriscaram a dar-lhe uma cantada, nesse quesito eles eram atrapalhados e vulgares, Bulma não gostou muito, mas era engraçado vê-los todos se esforçando para conseguir alguma atenção dela.

Quando recebeu a proposta de ir para o planeta Vegeta, achou que não fosse se acostumar, tinha deixado muita coisa importante para trás, como os pais, muitos dos seus amigos e Yamcha, que apesar de tê-la trocado pela Maron, ainda ocupava um espaço importante no seu coração, mas agora, diante de tantas novas possibilidades, ela já nem se lembrava de Yamcha, e, a expectativa de engatar um romance com um daqueles saiyajins gatos a excitava além da conta.

Bulma havia chegado naquela manhã mesmo, veio com a comitiva terráquea que foi convidada por Chichi para a coroação. Mas no caso dela, além da coroação, tinha uma interessante proposta de trabalho que ela não pensou duas vezes em aceitar. Bulma encabeçaria o corpo de cientistas que trabalhariam para desenvolver novas tecnologias a serem úteis aos saiyajins e aos humanos. Ela passou tanto tempo vasculhando os laboratórios e ficou tão empolgada com tudo o que viu, que acabou perdendo a hora do importante evento daquela noite, a cerimônia de coroação do príncipe, agora rei, Vegeta.

Quando se deu conta, era tarde da noite, e ela teve que cruzar aquelas plataformas escuras sozinha. Andou tranquilamente, mas muito devagar, devido a força intensa que a gravidade do planeta agia sobre si. Então percebeu que estava sendo seguida, tentou manter a compostura, mas o homem aumentou ligeiramente a velocidade, ela queria poder correr, mas isso era impossível. Então ele chegou mais perto ainda, tão perto que quase podia sentir o corpo dele roçando no seu. Então reuniu coragem, se fosse pra morrer logo no primeiro dia, morreria lutando por sua vida. Conhecia a fama dos saiyajins, e por mais que fosse um bonitão, ele poderia muito bem ser um louco assassino ao mesmo tempo. Então virou-se e gritou, na intenção de mostrar que não seria uma presa fácil.

— Que que foi, hein, seu tarado?!

Então se deu conta, que o tarado em questão era o príncipe dos saiyajins, que havia acabado de ser coroado rei. A imagem de Vegeta estava em todo o canto na Terra, nos cartões postais com fotos dele no dia do casamento com a princesa, e Bulma lembrava muito bem que o noivo da sua melhor amiga ficou o tempo inteiro com os olhos grudados nela, era impossível esquecer esse detalhe.

— É você? — ela disse envergonhada — Desculpe, eu não sabia, nunca teria gritado, majestade — ela fez uma reverência desajeitada.

Vegeta estendeu a mão e pegou em um cacho do cabelo dela, perfeitamente estruturado na espessura de um dedo e comprido até a altura dos ombros.

— Cachos? — ele perguntou.

Ela espantou-se com aquela pergunta inusitada.

— É o estilo que estão usando ultimamente na Terra — Bulma respondeu ruborizando.

Vegeta ficou analisando o cacho bem de perto. Era um estilo ousado e bonito, que combinava perfeitamente com ela. Embora essa proximidade deixasse Bulma desconcertada, a cabeça do príncipe estava trabalhando à milhão. Todas as lembranças de tudo o que viveram vieram intensas, doces e dolorosas.

Já podia imaginar todo o prazer que desfrutaria naquele corpo com o qual ele sonhava todas as noites desde a última vez que esteve com ela. Mas junto com a memória do prazer, vieram as lembranças da inúmeras brigas, e como sempre, ele a magoava intensamente. Lembrou-se que Bulma, quase sempre, estava chorando e pedindo para voltar para casa, e ele tendo que mentir o tempo todo para mantê-la com ele. Usando os métodos mais agressivos para conseguir dela o que queria, de modo que no final, quando toda a verdade foi revelada, ela optou por abandoná-lo e esquecê-lo. Essa foi a realidade que viveu com a Bulma da outra linha temporal, e a jovem que estava ali diante dele, não sabia de nada, ele poderia começar do zero com ela, mas sabia que seria o mesmo, afinal ela sequer olhou para ele no pouco tempo em que esteve na Terra. Se Vegeta quisesse Bulma, ele teria que força-la e obrigá-la a sofrer, e ele a amava demais para permitir que ele mesmo a fizesse sofrer. Soltou o cacho de cabelo azul turquesa e perguntou bruscamente.

— O que está fazendo aqui?

— Eu acabei perdendo a hora da cerimônia.

— Eu imaginei... mas quero saber o que está fazendo aqui nesse planeta?

— Foi a Chichi, ela mandou trazer alguns cientistas e eu vou liderar o grupo de pesquisas.

Vegeta cruzou os braços e respirou profundamente. É claro que tinha a mão da "esposa" nisso tudo.

— É perigoso ficar andando à noite por aqui. Eu vou escoltá-la de volta ao castelo — ele avisou.

— Não precisa.

— Não discuta, mulher.

Vegeta a pegou no colo e saiu voando com ela direto para a área dos aposentos dos hóspedes.

— Qual é o seu quarto? — ele perguntou quando a pousou no chão.

— Acho que não é por aqui, a Chichi mandou avisar que eu ficaria hospedada na ala real.

—"Isso é bem ao lado do meu quarto... aquela insolente, já entendi tudo!" — Vegeta pensou irritado.

Andaram pelas galerias e chegando na frente do quarto, Vegeta achou melhor deixar logo tudo claro.

— Você não é bem vinda aqui, volte ao seu planeta, você poderá nos servir melhor com as suas pesquisas lá.

Bulma sentiu-se extremamente ofendida com isso. Fora chamada pela sua melhor amiga, e princesa, agora rainha daquele planeta, não por ele, então se tinha alguém que poderia mandá-la embora era Chichi.

— Eu firmei um compromisso, tem todo um corpo de cientistas aguardando por mim, eu não posso simplesmente ir embora — ela respondeu irritada.

Vegeta conhecia muito bem o gênio dela, e sabia que ela não abaixaria a cabeça e se resignaria facilmente, mas ao mesmo tempo estava empolgado com a possibilidade de tê-la por ali, mesmo que durasse pouco, mesmo que não pudesse estar com ela.

— Bem, faça o que quiser — ele disse agressivo — apenas fique fora do meu caminho.

—"Que príncipe mal educado!" — Bulma pensou indignada enquanto Vegeta dava meia volta e caminhava até o seu quarto.

Ela fechou a porta atrás de si e ficou pensando naquela estranha interação. Aquele príncipe era realmente esquisito, primeiro ficava secando ela no casamento, agora, quando ela estava ali a mandava embora sem nenhuma explicação, como se a odiasse, como se a sua presença lhe causasse mal.

— Que dia, maluco! — ela exclamou enquanto começava a tirar a roupa para um banho.

Do lado de fora, Vegeta andava de um lado para o outro. Bulma estava ali, bem do lado dele, e ele, como sempre, agiu como um estúpido.

—"Como eu sou idiota! Porque eu fui mandá-la embora? Tinha que falar daquele jeito? Ela já não tem motivos para gostar de mim, agora vai me odiar!" — ele remoía seus pensamentos.

Mas enquanto remoía, o coração já batia desesperadamente, precisava fazer alguma coisa à respeito dos seus sentimentos. Ela estava ali, eles poderiam começar do zero, ele poderia tentar fazer as coisas diferentes dessa vez. Lembrou que a Bulma da outra linha de tempo vivia reclamando como ele não demonstrava seus sentimentos, como nunca falava sobre o que sentia por ela, e como isso foi motivo de inúmeras lágrimas da parte dela.

—"Se ao menos eu conseguisse falar como me sinto..."

Vegeta rodeou a porta de Bulma enquanto lutava com esses pensamentos e sentimentos intensos. Bateu na porta enquanto reunia coragem, não sabia como as coisas seriam, mas tinha que pelo menos falar como se sentia, porque independente do que acontecesse, não poderia deixar aquela oportunidade escapar. Era a sua Bulma que estava ali.

***

Bulma havia acabado de entrar na banheira de água quente, quando ouviu batidas na porta. Enrolou-se em uma toalha e foi atender. Deu de cara com Vegeta. Inevitavelmente, revisou os olhos, o príncipe maluco estava de volta. Na certa iria insistir para que ela fosse embora.

— Majestade... — ela disse sem empolgação.

— Bulma... eu preciso falar algo pra você.

— Claro — ela disse — "como se eu tivesse outra escolha".

— Eu amo você — Vegeta falou de uma vez.

Os segundos seguintes foram longos e constrangedores. Bulma encurtou os olhos, como se não estivesse entendendo o que estava diante dela, com certeza tinha ouvido errado. E Vegeta, péssimo naquilo tudo, não sabia como prosseguir a conversa. Então ela quebrou o silêncio.

— Olha, eu sei que não sou bem vinda aqui, você já deixou isso bem claro, mas me deixe pelo menos conversar com a Chichi, assim que ela der permissão eu vou embora e não ficarei mais no seu caminho.

— Você não ouviu o que eu disse, mulher? — ele quase gritou.

— Eu ouvi, mas eu não entendi nada!

— É muito simples, ora! Eu amo você! — ele disse novamente ruborizando.

A situação estava completamente constrangedora, Bulma, como os cabelos molhados enrolada em uma toalha, enquanto o príncipe todo vermelho declarava seu amor como um adolescente apaixonado.

— Isso não faz o menor sentido — ela respondeu rindo — você com certeza não sabe o que isso significa.

— É claro que eu sei! — Vegeta protestou — amor é quando você não consegue parar de pensar na pessoa um minuto sequer, e tudo no mundo, tudo, só tem graça se aquela pessoa estiver junto de você. Amor é quando dói, dói muito, sabe? Mas é uma dor gostosa, uma dor que você não quer parar de sentir, é querer saber de tudo da pessoa, entender tudo dela, e cada detalhe, cada descoberta, é mais valiosa ainda, é como se cada segredo desvendado fosse mais maravilhoso que o mistério. Amor é querer a pessoa bem e feliz, mesmo que isso signifique que ela não esteja com você. Amor é abandonar seu orgulho, e ficar feliz com isso, porque pelo menos você teve coragem de mostrar como se sente!

Bulma o olhava completamente espantada, cada frase dele a constrangia, mas fazia crescer um calor intenso no peito.

— Que é isso, príncipe? Você é casado, além do mais, você nem me conhece... — ela respondeu com um sorriso amarelo.

— É claro que te conheço, eu sei tudo sobre você! Eu sei que morango é a sua fruta preferida, sei que quando você entra em um projeto não consegue pensar em mais nada até terminá-lo. Eu sei que você é leal à sua família e aos seus amigos acima de qualquer coisa. Eu sei que você sonha em casar e ter filhos, mas ao mesmo tempo quer continuar sendo uma cientista independente. Eu sei que você gosta de muitos beijos românticos e, por mais que fique choramingando, você adora ser invadida por todos os lados quando faz amor...

Ele terminou quase sem fôlego, enquanto Bulma estava estarrecida com uma declaração de amor daquelas. Nunca havia recebido palavras de amor tão intensas e apaixonadas. E aquele olhar penetrante, ninguém poderia encenar algo assim, aquilo não poderia ser mentira. Tinha um príncipe apaixonado por ela, apaixonado pra valer e ela não sabia como havia despertado isso nele. Apenas lembrava que nos poucos dias em que ele esteve na Terra para a ocasião do casamento, ele ficou vidrado nela o tempo todo, e ela se incomodou com todos aqueles olhares, então passou a fingir que o ignorava, mas sentia que cada passo seu estava sendo vigiado por ele. Era estranho e constrangedor ao mesmo tempo, que o noivo, e agora marido da sua melhor amiga fosse o cara que a amou loucamente, apenas por olhá-la. Sabia que era bonita, mas sua beleza costumava despertar paixões carnais, não um amor intenso e verdadeiro como aquele.

— Eu... eu não sei... não sei o que dizer — ela balbuciou.

— Não me rejeite, por favor — ele pediu — isso foi muito difícil pra mim.

—"Eu queria um romance, ainda mais com um saiyajin gato, mas justo ele?!" — ela pensou rapidamente.

Vegeta, vendo que nada mais aconteceria se ele não tomasse uma atitude aproximou-se, Bulma não recuou, estava em choque com aquilo tudo, mas o desejo e a curiosidade eram grandes. Ele tocou em seu rosto e depois passeou os dedos por uma mecha do cabelo cacheado ainda molhado. Então ela o agarrou e beijou sem pensar direito no que estava fazendo. Vegeta correspondeu ao beijo furiosamente, Bulma o puxou para dentro do quarto e fechou a porta atrás de si. Lá dentro, ela deu uma chance aos sentimentos do príncipe.

Notas finais
Deixem comentários, abraços!