A Guerra Dos Dois Mundos
12 A Minha Garçonete tem Rabo
Notas iniciais
PDV Nico.
Eu não tinha pensado nisso, ele pode ser um... um impostor.. como eu fui burro! Ele podia ter nos matado e a cupa seria toda minha, eu sou o homem que está protegendo as duas, agora não tem mais o Leo para me ajudar, agora é tudo comigo, eu tenho que zelar pela Chris e pela Isa, mais pela Chris.. porque.. a Isa já sabe se cuidar... e a Chris, precisa mais da minha ajuda... porque... a deixa quieto.. como eu ia dizendo, ele era um impostor todo esse tempo, bom pelo menos é o que parece...
–Eu já falei, aqui é um dos meus esconderijos, tenho vários pela costa, esse é o mais abandonado, mas não deixa de ser meu! — Ele falou olhando com cara de apavorado para a Isa.
–Cala a sua boca! — Ela falou sorrindo, seu rosto apresentava um olhar demoniaco — Eu não te perguntei nada! Eu por um segundo acreditei em você — Ela se virou para nós — Ouviram bem, um segundo! — Ela voltou a olhar para ele — Agora não acredito mais!
–Calma Isa, ele não vai nos matar, pensa.. estamos em três e ele apenas em um.. — Tentei argumentar.
–Ninguém te perguntou nada! — Disse a Isa.
–Nico, a Isa é sempre assim? — Sussurrou a Chris.
–Não, eu estou estranhando.. — sussurrei.
A briga entre os dois durou muito tempo, até que eles se entenderam e resolveram trabalhar em equipe, já que ele conhecia tudo da cidade e ela sabia uma entrada do mundo inferior.
– Então tá resolvido? — Ele perguntou um pouco amedrontado.
– Hum! — Ela disse — Pode ser!
– Então tá bom, nós vamos pela quela direção até chegarmos na avenida principal, quando chegarmos na avenida, vamos virar para a direita, na esquina da loja de tacos Mexicanos — Ele falou apontando para a direção da cidade.
Pegamos as coisas e caminhamos até chegar em uma avenida muito movimentada, nós quatro cada qual com a sua mochila, grande e com aquela cor do exército, sabe? Aquela camuflada, chegamos em uma esquina com uma loja vermelha, e com o letreiro, que dizia o seguinte ''Loja tacos e azuis'' ou ''Loja Tacos e Alcaçuz'' Não consegui intender direito, não era a Dislexia..
–Alcaçuz? — Perguntei.
–Haham.. nunca consegui intender esse letreiro — Disse o Isaac — Não, eu não tenho Dislexia... só TDAH
– Anda! — Disse a Isa.
A Rua em que entramos era uma rua sem saída, a Isa estava toda a hora colocando a mão em seu colar, e eu entendi o recado, podia ser uma armadilha, mas não, não era, porque quando chegamos no final da rua, ele entrou em um quintal, pulou a cerca e saiu do terreno.
–Corte de caminho, vamos chegar mais rápido na estação de trem — Ele disse.
Andamos mais um monte até chegar em uma construção inacabada, ou destruída, cinza, meio triste e tortuosa, o chão era uma grama feia ou morta, quando entramos notei que era a estação de trem, lá dentro era pior ainda, os bancos estavam todos quebrados, os trilhos precisavam de manutenção urgente, e poucas pessoas estavam esperando o trem, apenas uma bilheteria estava aberta, compramos os nossos bilhetes e sentamos no chão para descansar, ouvi ao longe o barulho de algo roçando o chão e o cheiro de fumaça invadiu as minhas narinas, vi apenas um vulto vindo na minha direção, o trem parou.
–Acho que é o nosso — Eu disse.
Entramos no vagão, eu sentei no mesmo banco que a Chris e a Isa se sentou ao lado do Issac, ele estava no corredor e ela na janela, eu estava de frente para ele, apenas uma mesa nos separava, sim, nós ficamos no vagão do restaurante, o trem era velho, mas era confortável, era quente e tinha cheiro de café e capuccino, os bancos não eram individuais, as paredes eram cobertas por um papel de parede de flores com o fundo amarelo claro, os bancos eram também com a mesma cor de fundo e com as flores, uma garçonete vinha atendendo as pessoas, a paisagem passava muito rápido pela janela.
Estávamos conversando cada um com a sua bebida, foi ai que tudo mudou, eu senti um arrepio na nuca, olhei para a Isa e falei mas sem sair som ''Monstro'', ela colocou a mão no colar e eu fiz balancei a cabeça negativamente, ainda não era a hora, temos que localizar ele antes, a Chris e o Issac estão tranquilos conversando. Olhei para o lado e vi a pior visão que um ser humanos pode ter, bom quer dizer, que um semideus pode ter, do lado de fora do vagão, grudado no vidro estava um monstro, que não deveria estar aqui, no nosso mundo, deveria estar lá no mundo inferior, mas o pior não era ele, era a garçonete, ela tinha uma especie de.. de rabo... ela estava atendendo um casal um pouco a nossa frente, ela falava um pouco com eles e olhava o resto do tempo para nós. Não sei como eu não notei ela, só sei que se não agirmos iremos morrer.
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