A Guerra Do Amor
35 Fazendo boas lembranças
Notas iniciais
Capítulo 35 – Fazendo boas lembranças
– Dimitri vai ficar louco quando te ver Rose. – Lissa estava encantada com meu vestido. Que dessa vez eu mesmo pude escolher.
Eu me olhei no espelho e me vi em um vestido branco com mangas amplas e que chegavam ao chão e um decote que caia pelo ombro. Bordados dourados e em formato de flores passeavam pelo corpete apertado, que era intercalado com vários cordões. Era lindo e simples ao mesmo tempo. Eu optei por deixar os cabelos soltos, apenas uma grinalda fina e dourada tinha sido colocada meticulosamente caindo na minha testa.
– Você está linda. – Olena tinha lágrimas nos olhos.
Finalmente seis meses depois, Dimitri e eu estávamos nos casando. Eu havia conhecido toda a sua família dois meses atrás, quando anunciamos nosso noivado. Dimitri ficava insistindo para que fosse antes, mas muito havia para ser feito aqui, e eu queria ter tudo caminhando normalmente para quando esse dia chegasse.
Olena tinha se tornado uma mãe para mim, ela era tão doce e carinhosa, não tinha como não se apaixonar por ela logo de cara. Ela também me considerava sua filha e sempre me lembrava de que eu era a melhor coisa que aconteceu para o seu filho. As outras irmãs do Dimitri, Sônia e Karolina tinham uma grande admiração e amor por mim. No começo Sônia não parecia muito feliz com nosso noivado, mas Dimitri dizia que era por conta da gravidez que estava deixando seu humor bastante instável. Acabou por ser verdade, porque um mês atrás quando sua filha nasceu nós nos tornamos inseparáveis e ela tinha vindo para Teremur me ajudar com os preparativos.
A coisa mais engraçada de tudo foi conhecer o sobrinho favorito do meu atual noivo.
Flashback
– Roza, essa é Karolina minha irmã e seu marido Deron. – O salão de festa em Teremur estava recebendo nosso noivado. Não havia nada de formal ou requintado, Teremur tinha definitivamente voltado a dar suas festas famosas pela cerveja e música alegre.
Eu olhei para a mulher alta na minha frente. Cabelos e olhos da mesma cor que os do Dimitri, não havia como negar, toda a família tinha os mesmos traços. Ao seu lado estava um homem forte, cabelos escuros que estavam amarrados na nuca e olhos verdes encantadores.
– É um prazer conhecê-los. – eu disse educadamente. Deron beijou a minha mão, enquanto karolina me abraçou apertado.
– O prazer é todo meu Rose, eu nunca vi o meu irmão tão feliz. – Dimitri sorria de orelha a orelha ultimamente.
– É eu tenho descoberto maneiras de fazê-lo feliz. – sorri para meu russo. Ele me puxou pela cintura e depositou um beijo casto nos meus lábios. Karolina soltou um suspiro apaixonante.
– Rose! – Eu me assustei, quase caindo no processo quando algo, ou melhor, um garoto agarrou as minhas pernas.
– Paul! Meu filho, não foi assim que eu te ensinei. – Karolina repreendeu. Mas então eu reconheci o garoto, arregalando meus olhos no processo.
– Paul! – eu me abaixei, o abraçando. – É bom ver você de novo. – eu sorri bagunçando seu cabelo, agora eu sabia por que ele sempre me lembrava de alguém.
– Você nunca mais apareceu, eu achei que tivesse te acontecido alguma coisa.
– Eu sinto muito por sair sem avisar Paul. Mas foi inesperado para mim também.
– Eu te perdoo. – ele sorriu me abraçando mais uma vez com seus bracinhos finos.
– Como vocês dois se conhecem? – Dimitri perguntou atordoado. Karolina e o marido tinham semblantes semelhantes.
– Eu conheci Paul no acampamento russo. Ele sempre estava nas salas de curas ajudando, assim como eu. – entendimento passou por todos.
– Eu nunca vou perdoar meu pai por leva-lo para lá. Paul está sofrendo com pesadelos constantes desde então. – Karolina parecia preocupada com o pequeno. Eu senti raiva, me lembrando dos olhares de pavor que ele lançava para os feridos, é claro que era Victor quem deveria estar envolvido nisso.
– Eu soube que meu tio vai se casar Rose. Agora meu sonho nunca vai se realizar. – Paul tinha os olhos furiosos na direção do tio, que estava mais uma vez confuso. Eu ri.
– Karolina você poderia deixar Paul passar a primavera aqui comigo. Eu prometi que eu ia ensina-lo a manobrar uma espada. – os olhos do garotinho brilharam. Então ele correu para sua mãe, puxando a sua saia suplicante.
– Por favor, mamãe, me deixe ficar com a tia Rose.
– Eu já disse que você sempre me surpreende Roza. – Dimitri sussurrou no meu ouvido me fazendo contorcer. A última vez que ele tinha dito isso foi ontem à noite, quando eu fugi pro seu quarto durante a madrugada.
– Você vai ser tão ocupada com os planos para o casamento Rose... – eu interrompi Karolina.
– Eu não vou estar tão ocupada assim, Lissa vai planejar quase tudo.
– Mas Dimitri não vai estar aqui. – Dimitri estaria voltando com a sua família para a Rússia, a ordem precisava ser reestabelecida lá também e Robert não sabia como lidar com tudo. Nós só nos veríamos de novo no dia do casamento depois disso.
– Eu posso cuidar dele. – o olhar do garoto irá irresistível para todos.
– Tudo bem eu... – ela nem terminou de falar, Paul soltou um grito em comemoração.
– Não vá dar trabalho para a minha futura esposa Paul. – O tio disse divertido, Paul arregalou os olhos. Era para ser surpresa.
– Você é a noiva do tio Dimka?
– Sim, agora eu sou oficialmente sua tia. – Para o resto da noite, Paul se sentou no colo do tio, contando tudo o que ele queria fazer enquanto estivesse comigo em Teremur. Eu não pude deixar de notar um leve ciúme vindo do meu noivo. Karolina também percebeu e durante o tempo todo trocava olhares divertidos comigo.
Fim do Flashback
– Obrigada Olena. – eu sorri, espantando as boas lembranças.
O casamento seria em Teremur a pedido de Dimitri. Ele disse que tinha uma surpresa para mim e que era essencial que o casamento fosse aqui. Eu confesso que fiquei feliz, eu queria meu povo assistindo a cerimonia, afinal Dimitri seria seu futuro rei. Ele tinha conseguido o amor do povo de Teremur durante os últimos meses, assim como eu tinha conseguido o respeito do povo do oeste. Apesar de nunca ter ido para aquelas terras.
Quando Robert passasse a coroa, ela seria do Dimitri. E então finalmente, oeste e leste estariam unidos em um só grande reino.
– Dimitri já está esperando. – Yeva Belikova apareceu na porta. A avó do Dimitri tinha me dado calafrios desde o começo.
Flashback
– Dimitri. – Uma senhora baixinha e muito magra apareceu do nada, puxando Dimitri com seus braços finos. Meu noivo teve que se abaixar para tornar o abraço possível. O cabelo dela era completamente branco e estava preso em um trança bem feita.
– Babuska. – Dimitri a cumprimentou em sua língua materna. Uma sequencia de frases estranhas se seguiram, eu acho que nunca aprenderia essa língua
Quando eles finalmente se afastaram o olhar da velha caiu em mim. Seu olhar era um tanto arrogante, mas eu podia jurar que tinha diversão neles.
– Roza, essa é a minha avó Yeva. – Dimitri a apresentou.
– É um prazer conhece-la. – eu estendi a mão educadamente. Mas depois de alguns segundos com a mão no ar e a puxei de volta, estreitando os olhos para a velha.
Dimitri disse algo que parecia uma repreensão.
– Você será boa para o meu neto. – foi tudo o que ela disse antes de se afastar. Dimitri me disse para não se preocupar com sua avó, mas eu estava incomodada com sua reação.
Em um momento em que Dimitri tinha se juntado ao meu pai em uma conversa amigável eu sai para procurar Lissa, que provavelmente estava perdida em algum canto com Christian. Pensando nisso eu mudei de ideia e ia voltando para a mesa no pavilhão quando senti olhares perfurarem as minhas costas. Eu me virei e olhei direto para Yeva. Eu não ia deixar essa velha me intimidar, então eu marchei de encontro a ela.
– O que eu fiz para você não gostar de mim? – perguntei cruzando os braços.
– Eu nunca disse que não gostava de você. – ela disse olhando para o lado.
– Mas também não provou o contrário. – quando ela não falou nada, eu continuei. – Eu e Dimitri nos amamos e não precisamos da sua aprovação para esse casamento. Porque já está decidido e em dois meses nós vamos nos casar, goste ou não. – eu já respirava com dificuldade quando acabei meu discurso. A velha sorriu.
– Eu aprovo o casamento minha filha. E agora eu gosto de você. Eu só queria ter certeza de que você não era uma tola para o meu neto. Não quero uma mulher fraca gerando meus bisnetos. – seu olhar me dava medo de uma forma estranha.
– Bom, porque esse casamento aconteceria de qualquer jeito.
– Sim, eu também acredito nisso. Mas devo dizer que ele veio em boa hora, mas alguns meses e as pessoas poderiam começar a desconfiar.
– Desconfiar do que? – perguntei franzindo a testa.
– Você vai descobrir em breve. – então a velha, com seu pequeno tamanho, sumiu no meio da multidão.
Fim do Flashback
– Eu já estou pronta. – sorri para Yeva. Algumas semanas depois eu entendi o que ela queria dizer. Eu vinha sentindo mal estar toda manhã e até cheguei a desmaiar enquanto fazia um passeio ao ar livre, minha sorte era que Mason sempre estava ao meu lado. Alberta dizia que estava desconfiada há algumas semanas, mas a prova veio quando meus seios incharam e o enjoo aumentou. Eu estava grávida. Eu não podia tirar o sorriso do meu rosto por semanas. Ninguém sabia ainda, apenas Lissa, Alberta, Mason e Christian, por intermédio da Lissa. E claro Yeva. Eu gostaria de entender como ela descobriu, afinal, eu deveria ter apenas alguns dias de gravidez na época. Eu tinha começado a ganhar algum peso apenas agora, então ninguém desconfiava de nada por enquanto. Principalmente meu pai, se ele soubesse eu tenho certeza de que Dimitri seria um homem morto.
Eu não tinha visto Dimitri por dois meses, e mesmo que a vontade de contar a ele fosse enorme eu não podia arriscar mandando uma carta. Eu esperava contar na nossa noite de núpcias.
– Vamos Rose, está na hora. Finalmente meu filho está se casamento. – Olena era a mais empolgada entre todos. Eu já a amava tanto.
As tradições de Teremur e da Rússia tinham sido mescladas na cerimônia. Na Rússia o casal chegava junto de cavalo, enquanto aqui o pai da noiva a levava até o noivo. Meu pai fez questão de que essa tradição fosse mantida.
O casamento seria realizado nos jardins de pedra do castelo. Estávamos em pleno verão e uma brisa agradável corria pelos corredores.
As mulheres se despediram quando encontramos meu pai parado na enorme porta trabalhada que dava para os jardins.
– Minha filha. – meu pai sorriu ao me abraçar. – Você está linda. – ele disse me olhando de cima a baixo.
– Obrigada pai. – ele colocou meu braço sobre o seu, apertando a minha mão suavemente.
– Tem certeza de que quer fazer isso? Você é nova ainda e tem tempo para mudar de ideia...
– Pai. – eu interrompi. – Eu tenho certeza, eu amo o Dimitri. – meu pai acenou. Ele tinha se tornado muito protetor desde o fim da guerra.
Quando uma música suave, tocada por arpas e flautas, foi ouvida eu sabia que a hora tinha chegado.
– Está pronta? – eu concordei, engolindo o caroço na minha garganta. Eu esperei tanto tempo para que esse dia chegasse.
Guardas abriram as pesadas portas e uma brisa com cheiro de flores e frutas cítricas encheu meu nariz. O sol estava se pondo, manchando o céu de tons coloridos e fortes. Os jardins ficavam na ponta do penhasco que fazia parte do castelo, a vista era livre de qualquer árvore ou aldeia, parecia um lugar mágico e único.
Os convidados estavam todos de pé, reunidos entre arranjos de flores. Um corredor de pedras marcado por pétalas brancas me levou direto para meu noivo. Ele estava parado e com um sorriso que me fez perder o folego por um instante. Usando uma simples túnica branca e dourada, combinando com meu vestido O cabelo lhe caiu solto pelo ombro, emoldurando seu lindo rosto. Ao seu lado estava Robert e Olena, que acompanhados do meu pai eram as três testemunhas que precisávamos.
Meu pai me guiou até parar de frente para o meu noivo. Nós dois não podíamos conter nossos sorrisos de felicidade.
– Estou lhe dando a minha filha neste dia, para que você possa se tornar seu senhor e marido. Cuide dela com a sua vida Belikov. – meu pai disse com sua voz imponente, em seguida, ele pegou a minha mão e estendeu para o homem na minha frente, que rápido de mais, a meu ver, pegou minha mão me puxando de frente a ele.
– Você é linda. – ele murmurou, apenas para eu ouvir. Eu sorri.
– Eu, Olena Belikova testemunho esse casamento, que é fruto de muito amor e respeito. Que os deuses os abençoem. – Olena nos deu seus votos. O sol estava se afundando, fazendo as luzes laranja e roxas dançarem por nós.
Dimitri e eu não conseguíamos tirar os olhos um do outro. Dois meses sem vê-lo tinha sido uma tortura, ele também deveria estar sentindo o mesmo pelo seu olhar.
– Eu, Rei Robert, da Rússia, testemunho esse casamento, que é fruto de muito amor e respeito. Que os deuses os abençoem e celebrem a união desses reinos.
– E eu, Rei Ibrahim, de Teremur, testemunho esse casamento, que é fruto de muito amor e respeito. Que os deuses os abençoem e celebrem a união desses reinos. Vocês podem fazer seus votos agora.
Dimitri segurou a minha mão, acariciando minha palma com o polegar enquanto falava.
– Princesa Rose, de Teremur, diante dessas testemunhas e da minha própria vontade eu me ligo a você a partir de hoje. Eu te recebo como minha, para que você se torne minha senhora e mãe dos meus filhos. – seus olhos jamais se afastaram dos meus. – Eu serei seu e você será minha.
Uma brisa passou esvoaçando meu cabelo enquanto eu respirava fundo.
– Príncipe Dimitri, da Rússia, diante dessas testemunhas e da minha própria vontade eu me ligo a você a partir de hoje. Eu te recebo como meu, para que você se torne meu senhor e pai dos meus filhos. – eu não pude evitar sorrir. – Eu serei sua e você será meu.
Dimitri segurou meu queixo e ia me beijar, mas meu pai pigarreou nos lembrando de que a cerimonia ainda não tinha acabado. Algumas pessoas riram.
Robert nos ofereceu um pedaço de pão, da qual eu compartilhei com meu quase marido.
Depois Olena se aproximou com uma taça de vinho. Ela colocou na minha mão e voltou para o lugar. Eu bebi um longo gole, sem desviar os olhos do homem na minha frente. Eu quase olhei para onde Daniela estava, mostrando como é que se faz.
Dimitri segurou a taça com ambas às mãos e assim como eu bebeu, terminando com o líquido. Ele virou a taça de cabeça para baixo mostrando que estava vazia.
E por último, Dimitri me puxou pela nuca, me beijando ansiosamente, selando nosso casamento. Eu ouvi a multidão aplaudindo e gritando. Nós estávamos finalmente casados.
– Eu senti sua falta minha esposa. – Dimitri disse nos meus lábios.
– Eu também meu marido. Estar longe de você se fez quase insuportável. – Dimitri riu e me puxou para mais um breve beijo.
– Eu amo você. – ele sorriu me olhando.
– Eu também te amo. – mais um breve beijo se seguiu.
Em seguida Dimitri me puxou até o parapeito da sacada que tinha vista para o vilarejo. Quando eu olhei para baixo, meus olhos se arregalaram. Toda a população estava ali, celebrando nossa união. Eu acenei com sorriso e em troca recebi salvas e vida longa ao futuro rei e rainha.
Quando Dimitri me puxou para ele e beijou minha testa, as pessoas vibraram loucamente. Eu simplesmente poderia explodir de felicidade.
...
Depois de cumprimentarmos todos os convidados, o que foi muito exaustivo, seguimos para o salão de festas. Onde tudo tinha sido preparado ao jeito de Teremur e da Rússia. Músicos tocavam músicas alegres e com batida forte enquanto muitas pessoas dançavam. Um enorme banquete estava sendo servido acompanhado com muita cerveja boa e vinho. Dimitri e eu já havíamos acendido o fogo cerimonial, que seria o mesmo fogo que queimaria no nosso quarto da noite de núpcias.
Enormes mesas de cavaletes tinham sido espalhadas pelo salão. Nobres, soldados a até algumas famílias humildes disputam espaço. Eu até mesmo me assustei quando vi Daniela dançando a dança rodopiante com Nathan. Robert estava dançando com Alberta e estavam se dando muito bem a noite toda, eu sorri internamente.
Sem falar em Mikhail, eu estava feliz em vê-lo novamente. Eu descobri por ele que a motivo do seu jeito estranho era que ele tinha perdido a esposa, e segundo ele, eu lembrava muito ela. Eu sorri ao vê-lo dançando com uma jovem que trabalhava no castelo, o nome dela era Sônia se não me engano.
Meu marido não saiu do meu lado à noite toda, e suas mãos ficavam em contado com o meu corpo de alguma forma, o tempo todo. Não que eu estivesse reclamando. Não havia uma pessoa aqui dentro que mostrasse um semblante triste. As marcas da guerra já estavam sendo apagadas, algumas jamais seriam totalmente, mas a superação era o primeiro passo.
– Isso demorou mais do eu que esperava. – Adrian apareceu na nossa frente com um sorriso brilhante.
– Adrian. – eu sorri.
– Oi pequena princesa. E oi para você também russo. – Dimitri sorriu o cumprimentando. Ele estava feliz demais hoje para alguém o tirar do sério.
– Eu quase não acreditei quando o Dimitri me contou que você tinha fugido. Finalmente você se colou em primeiro lugar e mandou seu pai se ferrar. – Adrian riu.
– Sim, você tinha razão desde o começo pequena princesa, eu era um covarde. Eu devo agradecê-la por me abrir o olho.
– As ordens Adrian.
Uma moça loira e baixinha se aproximou. Ela era muito bonita e seus olhos dourados eram encantadores. Ela sorriu quando se colocou de frente a nossa mesa.
– Princesa Rose, Príncipe Dimitri. – ela se curvou.
Adrian tinha um sorriso apaixonado para ela e imediatamente eu soube que era por ela que ele tinha fugido.
– Essa é Sidney, minha esposa. – Então eu percebi que ela tinha uma barriga saliente.
– Você está grávida? – eu me repreendi por minha boca grande quando a loira corou. Dimitri ria divertido da minha reação.
– Nosso filho deve nascer em algumas semanas. – Adrian disse como todo pai orgulhoso. Eu não pude deixar de pensar como meu marido reagiria quando soubesse.
– Meus parabéns, pelo casamento e pelo filho. – Dimitri disse diplomaticamente. Eu concordei
– Sim, parabéns.
– Obrigada vossas altezas. – Sidney sorriu.
– Vocês estão morando por aqui agora? – eu estava curiosa.
– Não, estamos morando em uma pequena aldeia bem ao norte. A família da Sidney é de lá. Viemos para o casamento e porque minha mãe queria nos dar a sua benção. – Quando minha boca se abriu e nada saiu, Adrian riu e continuou.
– Quando ela soube que teria um neto seu coração deve ter amolecido. Mas eu não pretendo ficar aqui, eu gosto da nossa casa do norte. E de qualquer maneira já abdiquei o trono, Lissa está bem mais preparada do que eu.
Dimitri os convidou para se sentar, eles aceitaram agradecidos e nos contaram como tinha sido a vida nos últimos seis meses. Eu estava muito feliz por eles.
Tudo estava como deveria ser. Lissa estava noiva do Christian e se casariam no outono. Viktoria e Mason ainda estavam se conhecendo, era difícil para ela entrar em outro relacionamento, mas Mason era paciente e carinhoso. Ivan tinha pedido permissão para cortejar Lea, irmã do Eddie, e por isso eles estavam há um mês sem se falar, pelo menos até hoje. Eu olhei para o lado e os vi fazendo uma aposta sobre quem bebia mais canecas de cerveja. Dimitri não pôde deixar de revirar os olhos e entrar no meio da aposta, apostando em Ivan.
Meu pai parecia ter superado a morte da minha mãe e estávamos mais unidos do que nunca. Ele amava Dimitri como um filho e dizia esperar ansiosamente pelos netos. É pai, acho que eles viriam mais cedo do que o esperado.
Dimitri prometeu que me levaria para conhecer a Rússia logo depois do casamento. Mas com a gravidez inesperada, a viagem teria de ser planejada para futuramente.
E Victor. Bem, o final dele não tinha sido tão feliz. Depois de passar cinco meses preso e prestando serviço para recuperar as perdas da guerra ele foi executado por traição ao rei. Olena teve o apoio de toda a família e no fim percebeu o monstro por quem tinha se apaixonado. Eu nem poderia me imaginar na pele dela.
– Pronta para a surpresa? – Dimitri sussurrou no meu ouvido. Eu já estava no meu terceiro pedaço de torta de maça. Meu apetite tinha aumentado muito, mas Dimitri não pareceu notar.
– Eu estou ansiosa desde que você me enviou uma carta sobre isso um meses atrás. – Dimitri riu.
As tradições aqui eram um pouco constrangedoras. Quando o casal de retirasse para a noite de núpcias, os convidados gritavam, batiam e caneca e jogavam fitas coloridas nos recém-casados. Cada cor tinha um significado, desde fartura na mesa até a fertilidade.
– Tem certeza de que está pronto para isso? – Dimitri acenou.
– Podíamos tentar fugir pelos fundos. – Ele lia meus pensamentos. Quando fizemos um movimento para levantar, Ivan percebeu e soltou um grito, batendo a caneca no processo. Logo todos os olhos estavam em nós. Dimitri soltou uma baixa maldição. Eu deveria saber que algo assim aconteceria, afinal, nossa mesa ficava sobre um pavilhão e estávamos no campo de visão de cada pessoa no salão.
Logo nos vimos cercados por fitas coloridas, e conforme íamos passando por entres as mesas barulhentas, mais fitas iam se acumulando em nós. Não contente, Ivan se levantou e subiu na mesa, gritando. Logo outros o acompanharam. Eu tive que tampar os ouvidos devido a barulhoso abafado.
Quando chegamos à porta, finalmente a saída, Dimitri e eu acenamos e uma salva se palmas se seguia acompanhada de mais gritos.
A porta se fechou atrás de nós e um silencioso de eco nos acompanhou.
– Não foi tão ruim assim contendedor. – Dimitri riu.
– Você não quer imaginar o que Ivan pretendia fazer, temos sorte por ele estar bêbado.
– O que ele queria fazer? – eu perguntei enquanto seguíamos de mãos dadas.
– Nos carregar até o quarto. – eu engasguei com uma risada. – Essa é a tradição na Rússia.
– Então tivemos muito sorte mesmo, contendedor.
Eu ia virar para o corredor que dava para os quartos, eu já estava ansiosa para estar com o meu marido. Mas Dimitri me puxou na direção contrária, para a saída do castelo.
– Aonde vamos? – perguntei franzindo a testa. – Eu estou um pouco ansiosa para ter você nu em cima de mim, contendedor. – Eu o senti tremer e apertar minha mão um pouco mais forte.
– Vou te mostrar minha surpresa.
– Ah! – foi tudo o que eu disse, mas na verdade estava me corroendo de curiosidade.
Quando chegamos ao portão de saída que ligava o castelo ao vilarejo pela alameda se salgueiros, agora verdes e majestosos, eu vi que Snow e o cavalo do Dimitri, Valerik, estavam prontos para serem montados.
– Vamos dar uma volta ao luar? – perguntei ansiosa.
– Mais ou menos. – Ele me pegou pela cintura, me montando. Subindo em Valerik logo depois.
Descemos a alameda e para minha surpresa Dimitri seguiu para o bosque, eu franzi a testa, mas o segui curiosa.
Ele tinha uma tocha na mão, que uns dos guardas tinha dado a ele. O bosque no verão era muito mais agradável, exemplo das flores silvestres que disputavam espaço com as árvores verdes. E um vento quente e perfumado balançava meu vestido.
– Contendedor, aonde vamos? – Já estávamos andando por pelo menos uma hora. Dimitri vinha tentando me entreter, mas minha impaciência estava ganhando.
– Já estamos chegando, eu prometo.
Mais algumas milhas e eu me deparei com um grande lago brilhando a luz da lua. Suas águas calmas faziam suaves ondas devido ao vento quente.
– Vamos nadar? – eu perguntei empolgada. Nadar significava Dimitri pelo menos sem a camisa.
– Talvez mais tarde, se você quiser. – eu afundei na cela.
– Contendedor, essa é nossa noite de núpcias eu não quero passar metade dela montada em ... – eu parei meu protestei quando vi o que tinha na minha frente. Então eu reconheci esse lugar.
–A cabana... – eu murmurei. A cabana parecia ter sido reformada, o teto caindo estava agora totalmente em pé e pintado. A varanda tinha sido limpa de todo a mato que a invadia e flores cercavam todo o lugar. Uma pequena estradinha de cascalho ligava o estábulo até a casa, era diferente da primeira vez, mas era a nossa cabana.
– Eu achei que você fosse gostar de passar nossa primeira noite de casados onde nos declaramos um para o outro pela primeira vez. Eu tive alguma ajuda para reforma-la. – Dimitri parecia tímido e um pouco inseguro.
– Isso é perfeito. Não poderia ser melhor Dimitri. – eu sorri para ele.
Deixamos os cavalos no estábulo e de mãos dadas seguimos pela varanda. Dessa vez Dimitri não teve de forçar a porta, ela se abriu com um leve rangido. Entramos e ele colocou o fecho na porta atrás de nós.
Dimitri me puxou até a lareira e acendeu o fogo com a tocha que tinha em mãos. O lugar se iluminou e eu pude enxergar. As paredes de madeira tinham sido lixadas e enceradas. Na cozinha uma grande cesta estava sobre uma nova mesa, eu podia apostar que ali dentro deveriam ter muitas comidas saborosas. As mesmas poltronas estavam ali, mas dessa vez limpas e com mantas creme sobre elas. Então eu me girei para ver a cama. A pequena cama que quase saiu quebrada no processo tinha sido substituída por uma grande de casal. Lençóis brancos a forravam e pétalas de flores estavam jogadas no colchão. Eu estava sem palavras. Dimitri levantou as sobrancelhas em expectativa.
– Dessa vez você quem me surpreendeu contendedor. – ele se aproximou me puxando pelas costas até nossos corpos estarem colados. Sua respiração batia no meu rosto. – Eu amei tudo.
– Esse é o lugar que me trás as melhores lembranças. – Nosso rosto estava cada vez mais perto, e eu me vi ficando nas pontas dos pés para alcança-lo.
– E trará ainda melhores lembranças a partir de hoje. – eu disse beijando seu queixo. Dimitri respirou alto.
– Roza, você me faz louco. – eu não aguentava mais, o puxei para os meus lábios. No começo nosso beijo foi ardente e desesperado, Dimitri me puxava de encontro ao seu corpo mais e mais. Mas então ele foi se tornando doce, lento e apaixonado. Estávamos saboreando o gosto um do outro. Não havia pressa, agora éramos casados e tínhamos todo tempo do mundo. Suas mãos passeavam pelas minhas costas, enquanto eu acariciava sua nuca.
– Eu preciso te contar uma coisa. – eu interrompi o beijo, ofegante. Dimitri tinha os lábios inchados e um sorriso.
– Você pode me contar enquanto bebemos um vinho. – ele foi até a cesta e tirou a bebida e copos de metal, os enchendo e me entregando um.
Dimitri me puxou para estar colada ao seu corpo quente novamente, enquanto acariciava meus cabelos. Eu bebi o vinho doce, pensando em como se dava uma notícia dessas. Eu sabia que Dimitri queria filhos, então porque eu estava tão nervosa?
– Eu...
– O que? – seus olhos intensos me olhavam ansiosos.
– Eu tenho uma coisa importante para te contar.
– Você pode me falar qualquer coisa Roza. – eu senti uma tontura inesperada e me agarrei ao meu marido com força. Dimitri me segurou com os olhos preocupados.
– Roza, o que aconteceu? Você está bem? – sua voz tinha uma nota de desespero. Droga, não era para ser assim. Talvez eu deveria parar de beber o vinho.
– Estou bem. – eu disse tomando respirações profundas. Isso sempre ajudava a passar a tontura. Dimitri tirou o copo da minha mão, e o depositou junto ao seu na mesa.
– Acho melhor você se sentar, está pálida. – ele me colocou na cama, acariciando a minha bochecha. – Talvez não tenha sido uma boa ideia tê-la trazido até aqui.
Eu peguei seu rosto em minhas mãos. Eu não queria arruinar nossa noite.
– Não é isso. Eu estou grávida Dimitri. – ele congelou. Eu temi que ele achasse muito cedo, mas então seus olhos cheios se lágrimas me encararam e um sorriso enorme se formou no seu rosto.
– Roza. – ele me puxou para seus braços. – Vamos ter um bebê? – eu concordei. Ele me beijou com tanta paixão que todos os meus temores se foram.
– Você me fez o homem mais feliz do mundo minha Roza, eu amo tanto você. – ele me encheu de beijos enquanto repetia o quanto ele me amava.
Então ele se abaixou e beijou minha barriga, causando lágrimas rolarem pelo meu rosto. Tudo culpa da gravidez.
– Eu mal posso esperar para ter nosso pequeno embalado nos meus braços. – nosso pequeno. Esse era o melhor som de todos.
Dimitri mimou um pouco mais seu filho e sua esposa, então olhou para o fogo.
– A tocha que eu trouxe continha o fogo cerimonial. Eu queria que tudo fosse perfeito essa noite. – eu nem me lembrava do fogo, eu tinha sorte de ter Dimitri.
– Então vamos pular para a parte boa do casamento, contendedor. – Dimitri sorriu se colocando em cima de mim.
Seus lábios caíram sobre o meu enquanto suas mãos desciam para a minha perna e subiam meu vestido, eu tinha sentido tanta falta dos seus dedos me apertando com a pressão exata. Mas eu não queria perder mais tempo. Eu levei minha mão para baixo puxando sua túnica enquanto eu aprofundava o beijo, mergulhando minha língua na sua boca.
Com um gemido Dimitri respondeu automaticamente. Ele se afastou o suficiente para eu tirar sua roupa. Minhas mãos seguiam pelos seus padrões musculares no abdômen, eu amava cada parte dele.
Quando sua boca desceu arrastando beijos até meu pescoço, eu o prendi com minhas pernas em volta do seu quadril. Eu já podia sentir um volume ali e aproveitando a proximidade comecei a rebolar. Dimitri engasgou e nos girou para começar a desatar os laços do meu vestido.
Não era uma tarefa fácil, mas isso não nos atrapalhou, para cada nó desfeito era uma sessão de amasso que foi ficando mais e mais quente. Eu me sentia ensopada, e estava tão excitada que podia culpar a gravidez por isso. Em certo ponto Dimitri percebeu, mas parecia feliz com a minha empolgação.
Quando o vestido e as roupas íntimas saíram eu aproveitei para deixar Dimitri totalmente nu também. Eu nos grudei, querendo sentir sua pele quente contra a minha. Nossos corpos se mexiam um contra o outro e o atrito entre eles estava me enlouquecendo. A cabana estava ficando mais quente do que o comum, e isso pelo fogo que queimava na lareira e pelo fogo que irradiava de nós dois. Meu corpo já estava suado e escorregando contra o do Dimitri.
Ele beijou meu corpo todo, e por todo eu quero dizer isso. Quando sua língua desceu de encontro a minha intimidade pulsante eu gritei, com alguns movimentos eu estava agarrando seus cabelos com força e quando dois dedos entraram na jogada eu tive meu primeiro orgasmo da noite. Dimitri parecia muito divertido com as minhas reações, eu estava completamente sensível. E ele também não reclamou quando perdeu um bom tempo com os meus seios maiores.
Ele tinha me dado tanto prazer até agora que eu quis fazer algo por ele. Eu empurrei seu peito, o deitando na cama. Minha língua desceu lambendo seu pescoço, peitos, barriga e quando ele viu para onde eu estava indo soltou um suspiro de antecipação. Eu nunca tinha feito isso antes, mas deveria estar fazendo certo pelos gemidos vindos do meu marido. Eu me concentrei ali por um bom tempo e quando Dimitri parecia desesperado já, me puxou para sentar em cima dele.
Depois de provoca-lo um pouco, rebolando, eu decidi acabar com a nossa tortura. Eu me ajeitei e o coloquei dentro de mim, nós dois soltando um murmúrio de satisfação. Eu comecei bem devagar e isso parecia fazer aumentar ainda mais nosso desejo. Mais não era assim que nenhum de nós queria, eu gostava do atrito que os nossos corpos faziam em alta velocidade, e ele também.
Essa foi uma das quatro posições que experimentamos durante a noite. Eu perdi a conta de quantas vezes Dimitri me fez chegar ao ápice. Mas no final, quando ele estava por cima de mim fazendo a cama bater na parede, chegamos juntos, desabando e com a respiração totalmente rápida e descompassada.
– Definitivamente minhas melhores lembranças estão aqui. – Dimitri disse um tempo depois, agora estávamos totalmente relaxados um nos braços do outro.
– Eu ainda quero fazer mais lembranças meu marido. – Dimitri riu e me beijou docemente.
– Eu amo tanto você Roza. Obrigada por estar na minha vida.
– Eu amo você Dimitri.
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