A Guerra Do Amor
24 Apenas táticas de guerra
Notas iniciais
Capítulo 24 – Apenas táticas de guerra
Eu acordei um pouco mais tarde com beijos suaves sendo colocados no meu rosto e sorri sentindo lábios macios descendo pelo meu pescoço e clavícula. Então o som mais bonito de todos, a risada do meu contendedor.
– Vamos Roza, abra os olhos. – seus lábios voltaram para minha face, agora beijando as pálpebras delicadamente.
Eu não queria acordar desse sonho.
– Roza, eu vou ter que usar outros métodos? – eu apenas resmunguei alto em resposta.
Eu senti uma movimentação no colchão, para logo depois sentir Dimitri fazendo cócegas no meu pé. Levantei-me abruptamente tentando controlar o riso e me contorcer fora do seu alcance. O meu fim foi quando ele colocou seu corpo por cima do meu, me prendendo totalmente. Agora seu objetivo eram os lados do meu corpo.
– Dimitri, pare! – eu mal conseguia falar. – Por favor...pare!
Rindo Dimitri parou, e quando abri os olhos vi que ele estava com o rosto a centímetros do meu. Um olhar divertido e relaxado.
– Isso não vai ficar assim, você deveria saber. – eu disse.
– Eu gosto quando você usa sua mente diabólica para me provocar. – ele não se abalou. No segundo seguinte meu queixo foi erguido e se encontrou com seus lábios em um beijo lento e demorado.
Antes que as coisas pudessem esquentar eu empurrei seu peito e me afastei com um sorriso. Dimitri parecia meio perdido com minhas ações.
– Estou mudando minhas táticas, contendedor. Você não gosta de ser provocado? – eu disse enquanto procurava meu vestido. Que por incrível que pareça estava jogado perto da pequena cozinha.
Eu ouvi um gemido e olhei para Dimitri jogando a cabeça no travesseiro, completamente exasperado. Eu sorri.
...
Se vestir foi mais difícil do que eu imaginei que poderia ser um dia. Colocávamos uma peça e parávamos para uma longa sessão de beijos e carícias. Eu fiz de tudo para que a camisa de Dimitri fosse a última peça, eu adorava passar as mãos por seu peito quente e musculoso.
Quando finalmente conseguimos essa missão quase impossível, pegamos nossas capas e saímos da pequena cabana, que ficaria na minha memória para sempre.
O lado de fora estava completamente branco. A cabana quase sumia na imensidão de neve.
Pegamos o cavalo no estábulo e seguimos viagem. Agora não estávamos muito longe, mais algumas milhas e chegaríamos ao castelo.
Quando enfim chegamos ao vilarejo em frente ao castelo o dia já estava escurecendo e as pessoas estavam se retirando para suas casas, quase não havia nenhuma movimentação. A rua de pedra que levava ao castelo era formada uma alameda de salgueiros acinzentados e desnudos por conta do inverno.
Um guarda que fazia vigia nos arredores nos parou com uma mão estendida.
– Quem vem lá? – ele perguntou com autoridade e firmeza. – E quais são seus interesses nas terras de Teremur? – Dimitri parou imediatamente.
Eu tirei o capuz e vi os olhos do guarda se arregalarem como dois pires.
– Princesa. – ele se curvou. – Finalmente vossa alteza está de volta. O mensageiro do rei Ibrahim chegou hoje dizendo que a senhorita poderia chegar a qualquer momento. É um alívio tê-la aqui novamente.
– Obrigada senhor. É com muita alegria que estou de volta, evitamos grandes problemas futuros. – eu disse e o guarda acenou em concordância.
Dimitri parou o cavalo ao lado do guarda, que o reconheceu também.
– Príncipe Belikov, meu reconhecimento por ter trazido a nossa princesa em segurança. – ele deu um leve arco.
– Foi uma honra. – Dimitri disse diplomaticamente com um aceno.
– Eu irei acompanhá-los até o portão. – o guarda pegou seu cavalo e nos guiou até o grande portão de ferro.
Dimitri tinha estado muito quieto desde que entramos nos territórios do castelo, a hora do adeus estava chegando, afinal. Pelo menos eu achava que sim.
Os portões foram abertos com um barulho agudo de metal. Os guardas da torre pareciam eufóricos com a esperada volta da princesa.
Descendo do cavalo, Dimitri me pegou pela cintura me ajudando a fazer o mesmo. Assim que meus pés tocaram o chão eu ouvi meu nome sendo chamado.
– Rose. – Eu me virei olhando para meu amigo de infância, que tinha um grande sorriso no rosto.
Ignorando as etiquetas eu corri e o abracei forte. Ele pareceu surpreso no início, mas sem cerimônia me envolveu com seus braços também.
– Nunca mais me assuste desse jeito. – ele tentou me repreender quando se afastou. Eu sorri e o puxei de volta para os meus braços.
– Eu senti sua falta também Christian. – eu disse.
– Você quem está dizendo, eu nunca falei nada. – ele brincou para depois se virar para Dimitri com um olhar agradecido. – Eu sabia que você a encontraria. – ele disse o abraçando.
– Eu faria qualquer coisa para trazê-la de volta. – Dimitri respondeu baixo e me deu um sorriso torto.
– Como capitão da guarda eu lhe dou os devidos agradecimentos Príncipe Belikov. Teremur está em dívida e não hesitaremos em correr para ajudá-lo. – Christian então se ajoelhou oferecendo os cumprimentos reais como ditava o protocolo.
– Eu tenho algo a pedir sendo assim. – Dimitri disse, seu rosto se transformando em um semblante sério. – Mantenha a princesa a salvo e em segurança que a minha dívida estará mais do que paga. – ele pediu categoricamente. Eu sorri para a preocupação que ele tinha comigo, ele sempre cumpriria sua promessa de me manter a salvo.
– Prometo que farei o que estiver ao alcance do meu braço para protegê-la. E Mason deve chegar amanhã, o guardião da princesa seguirá cada passo dela. – Christian disse.
Eu sabia que qualquer um desses soldados faria tudo para me proteger, pois quando ganharam esses títulos prometeram guardar a família real com suas vidas.
– Bem, agora que a princesa está entregue... – Dimitri começou.
– O mínimo que eu poderia fazer é abrir as portas do castelo para o senhor, príncipe Belikov. – eu odiava tratá-lo tão formalmente. Mas eu precisava me acostumar, pelo menos na presença de outras pessoas. – Viajamos por dois dias, entre e descanse antes de partir. – eu praticamente supliquei.
– Meus agradecimentos princesa, eu aprecio sua generosidade.
Eu pedi para que os criados mostrassem os aposentos para Dimitri, e que tudo que ele precisasse fosse disponibilizado.
Quando eu cheguei aos meus aposentos a porta se abriu e eu fui arremessada para trás por braços finos me agarrando. Era como um déjà vu.
– Rose, me desculpe. Eu fui tão cruel com você. – Lissa chorava no meu ombro enquanto me apertava em seus braços. – Como eu fui capaz de compará-la com uma prostituta? Sinto muito.
– Está tudo bem Lissa. Eu sei que você não disse por mal. – tentei acalmá-la.
– Eu me senti tão culpada. Você ficou fora durante a tarde toda e eu achei que você estivesse com raiva de mim. Mas então Christian veio me contar que você tinha sumido do castelo e sido raptada. Eu estava com tanto medo de te perder. – seu rosto já estava vermelho e inchado por conta do choro.
– Eu estou aqui agora. – a puxei para se sentar na minha cama, limpando suas lágrimas.
– Essas foram umas das piores semanas da minha vida. Conte-me o que houve, eu estou tão confusa.
– A culpa é toda minha na verdade. Eu me afastei do castelo, por isso os russos me capturaram. – eu mordi o lábio antes de continuar e contar tudo para Lissa, assim como eu já tinha contado para Dimitri uma vez.
Sua face mostrou diversas expressões ao longo da historia. Medo quando eu contei sobre Rurik, raiva sobre Victor, euforia quando eu contei ter ajudado os feridos e vencido o torneio. E quando eu cheguei à parte da fuga sua mandíbula permaneceu caída, me fazendo rir.
– Eu estava completamente errada sobre Dimitri, ele salvou sua vida. – ela refletiu quando eu terminei a história. Claro que eu parei na parte em que deixamos Norton, ela não precisava saber das minhas atividades dessa tarde.
– Eu tenho que concordar com você. Mas de qualquer forma não importa, Dimitri estará partindo amanhã e isso será o nosso adeus.
– Mas você o ama Rose. – ela elevou um pouco a voz.
– Sim, eu o amo e sempre vou amar. Mas eu tenho obrigações para com o meu reino, e isso vem em primeiro lugar. Quando a hora do casamento chegar eu vou dizer adeus a tudo que aconteceu e guardar na memória.
– Eu espero que você esteja certa disso.
– Eu já tomei minha decisão. – disse com firmeza. Mexer na ferida só fazia com que doesse mais. – Eu preciso de um banho Lissa. Nos vemos na refeição da noite?
– Claro. – ela disse com um sorriso triste antes de sair pela porta.
...
Eu acordei de mau humor no outro dia. Eu tinha perdido o jantar, minha última chance de provocar Dimitri. Depois do banho quente e relaxante eu me deitei na cama apenas para um breve cochilo, e só acordei quando Alberta abriu minhas janelas deixando o sol entrar e me despertar. Droga, por que eu tive que dormir demais?
De qualquer forma eu acordei cedo para cumprir minhas obrigações. Meu pai e Adrian também estariam vindo com Mason, e chegariam a qualquer momento. E como sempre eu estava à porta do castelo esperando como uma princesa da corte deveria fazer.
– Eu senti sua falta no jantar princesa. – Dimitri apareceu com um sorriso. Se abaixando ele pegou minha mão, dando um longo beijo.
– Eu estava mais cansada do que eu esperava meu senhor príncipe.
– Eu nem posso imaginar o motivo minha princesa. – A forma possessiva como ele falou a palavra minha e como seus olhos faiscaram com as memórias não estavam me ajudando a manter a compostura. Eu poderia me perder a qualquer momento.
Minha sorte foi Lissa ter aparecido. Salva pelo gongo.
– É um lindo dia não é? – ela disse olhando para o céu limpo. Eu e Dimitri concordamos, evitando palavras no momento de tensão.
Não demorou muito para observarmos uma movimentação nos portões. Eles haviam chegado.
– Minha filha. – Meu pai atravessou o pátio tão rápido como um coelho em fuga, me pegando nos seus braços. – Minha linda Rosemarie, você está em casa e segura. Eu estava tão preocupado. – ele me soltou pegando meu rosto com as mãos, seus olhos atentos procurando por algo errado.
– Você está bem? Não feriram você não é? – ele já estava começando a se alarmar sem motivos.
– Pai, eu estou complemente bem. – garanti.
– Graças aos deuses, eu não sei o que eu faria se eu perdesse você. – ele voltou a me abraçar.
– Posso ter uma olhada na minha noiva? – Adrian tinha um sorriso de alívio.
Meu pai se afastou apenas para eu ser puxada para novos braços. O cheiro picante de ervas de cravo me rodeou.
– Pequena princesa, não sabe o susto que me deu. Estou tão feliz em saber que você está bem agora.
– Sinto muito, eu não queria preocupar ninguém. – ele riu me abraçando ainda mais apertado.
– Eu senti a sua falta. – ele disse.
– Eu também, senti falta de todos vocês. Estou feliz em estar de volta. – e eu estava. Agora que eu via o alívio e a felicidade de todos, eu sabia que eu estava fazendo o melhor.
– Eu não sei como você não conseguiu Sir Mason morto de um ataque do coração minha filha.
Mason estava vindo em minha direção com um sorriso que valia milhões de moedas de ouro.
– Princesa Rose, é um alívio vê-la em segurança. – ele se curvou educadamente. – Eu falhei com vossa alteza e imploro por perd...
Eu o cortei o puxando para um abraço, fazendo todos rirem e Mason congelar.
– Não há nada para perdoar Mason. Você é o melhor guardião. – eu disse fazendo-o relaxar e me abraçar de volta.
– Príncipe Belikov eu peço que fique essa noite, você é meu convidado de honra. E meus homens e eu concordamos que é merecida uma comemoração ao estilo de Teremur. – meu pai disse me fazendo pular em alegria, claro que internamente. Eu já nem me lembrava que eu deveria estar chateada por ele ter mentido, Dimitri tinha razão e ele estava apenas tentando me proteger.
– Tudo para agradar o rei de Teremur. – Dimitri respondeu com os olhos brilhando.
...
Quando a noite chegou Teremur estava em festa. Sua princesa estava a salvo.
Todos estavam no grande salão. Os soldados e nobres das redondezas tinham sido convidados. Leitões estavam sendo assados no espeto e barris de cerveja tinham sido colocados em todo o salão. A música suave tinha sido substituída por uma alegre, semelhante a que eu ouvi no mercado. Teremur não dava festas assim desde a morte da minha mãe.
Dimitri estava sentado à esquerda do meu pai como convidado de honra. Adrian e eu permanecíamos nessa ordem ao lado direito. Lissa estava sentada ao lado de Christian e estavam tendo uma conversa no pé do ouvido, as coisas entre eles estava cada vez melhor.
– Você fez muito bem pedindo que o senhor Belikov passasse a noite no castelo minha filha, eu realmente queria agradecê-lo pessoalmente. – meu pai dizia alto para se fazer ouvido, os soldados agora cantavam uma canção de vitória.
– É o mínimo que eu poderia ter feito como eu disse. – eu sorri para Dimitri. Eu estava ao mesmo tempo feliz e frustrada tendo ele aqui. Era difícil me concentrar em qualquer coisa quando eu só queria puxá-lo para os meus lábios.
E vendo-o tão relaxado e bonito com suas roupas simples e cabelos presos não estava ajudando.
Ele e o meu pai passaram a maior parte da noite conversando. Enquanto Adrian me distraia, o que eu agradeci.
– Eu nunca estivesse em uma festa assim. – ele confessou bebendo um enorme gole de cerveja. – Os Ivashkov são conhecidos por suas tradições conservadoras, nossas festas não passam de bailes chatos. E o que dizer dessa cerveja? A melhor que eu já provei. — eu ri e ele degustou mais um pouco da bebida.
– Teremur já foi muito conhecido por suas festas e cervejas feita das melhores colheitas de cevada. Mas não fazíamos uma desde que eu tinha doze anos.
– É uma boa coisa que seu pai resolveu mudar isso. Eu poderia me acostumar facilmente vivendo aqui. – quando sua cerveja acabou ele pediu por mais uma caneca.
– Eu até posso imaginar Daniela aqui. – eu ri com o pensamento da rainha em meio aos soldados bêbados.
– Eu gostaria de fazer uma festa assim em Menfis, apenas para ver sua reação. – Adrian também gargalhava, chamando a atenção para os outros da mesa. Dimitri levantou uma sobrancelha vendo nós dois sufocados com a risada.
– Quer dançar comigo minha noiva? – Adrian pediu um tempo depois. Ele vinha observando os soldados tirando as moças jovens e aproveitando a música diferente. Ele já estava meio bêbado, mas seu senso de humor estava alto e ele estava me fazendo rir o tempo todo. Ele tinha se tornado uma boa companhia essa noite.
– Eu adoraria. – sorri pegando sua mão.
Nós copiamos a forma dos soldados dançarem. Ao invés dos passos suaves que estávamos acostumados nos bailes, essa era uma dança em que se colocam os corpos e se rodopiava pelo salão.
Eu estava me divertindo muito, e já estava pegando o jeito rápido de balançar no ritmo pulsante. Eu dancei com meu noivo, com Mason, Christian e alguns soldados que se atreveram a pedir uma dança.
Meu pai não parecia se preocupar com minhas ações. Eu acho que vendo o sorriso no meu rosto o fez mudar de ideia. Eu não poderia estar mais feliz por essa sua súbita mudança de comportamento.
Quando eu voltei novamente para os braços de Adrian eu percebi Dimitri nos olhando por cima da caneca que bebia, e ele parecia mal humorado. Adrian seguiu meu olhar.
– Será que eu estou correndo risco de vida? – eu o olhei confusa.
– O quê?
– O russo está me olhando como se quisesse me partir em dois, e eu diria que você tem algo a ver com isso. – ele levantou uma sobrancelha me encarando.
– Eu não sei do que você está falando. – me fiz de desentendida desviando os olhos.
– Pequena princesa, eu não sou tolo. O que está acontecendo entre vocês? – continuamos dançando, agora mais perto para ninguém ouvir a nossa conversa. Eu podia sentir olhares furiosos nas minhas costas.
– Adrian, você está imaginando coisas. – insisti querendo por um fim no assunto.
– Eu não vou te julgar, até porque você foi bem especifica quando disse que não era a favor desse casamento. Mas eu não confio nele. – ele me fez encará-lo e estreitar os olhos.
– Ele salvou a vida da sua noiva e é assim que você agradece?
– Eu estou grato, não há palavras que expressam a minha gratidão. Eu estava realmente com medo de te perder, mas nem por isso eu preciso confiar nele. – seus olhos estavam sérios, como eu nunca tinha visto antes.
– O que aconteceu para você ter tanto ódio dele?
– Isso é passado e eu gostaria de aproveitar a dança com a minha noiva. – ele disse e lançou um sorriso para alguém atrás de mim. Eu segui o olhar e vi Dimitri apertando os punhos. Eu parei a dança imediatamente.
– Aproveitar a dança ou passar ciúmes no convidado de honra do meu pai? – perguntei com raiva. Eu odiava esses jogos.
– Ele está com ciúmes, não há como negar seus sentimentos, mas o que dizer de você? – ele ergueu uma sobrancelha.
– Não faça com que a simpatia que eu ganhei por você nesses últimos dias se transforme em ódio Adrian. E eu já tive o suficiente de dança por uma noite. – eu saí levantando a saia do meu vestido bege e seguindo em direção ao jardim. Eu agradeci por ele não me seguir.
Eu realmente me sentia um pouco tonta de toda a dança rodopiante e a fumaça dos cachimbos dos soldados também não ajudava. Sem falar que a desconfiança de Adrian me perturbava. E se ele resolvesse agir como o seu pai e rompesse o noivado? Seriam os fins para os dois reinos. Eu tinha que me controlar na presença do Dimitri, assim como ele.
Na porta de pedra em forma de arco que dava para o jardim eu vi Mason que vigiando com olhos atentos. Eu estava sendo vigiada de sol a sol. Mas talvez ele fosse útil.
Eu fiz um sinal com a mão e ele se aproximou.
– Está tudo bem Rose? – ele perguntou alarmado e olhando os arredores em busca de algum perigo.
– Eu só te chamei para conversar. Relaxe Mason. – sorri. Ele relaxou os ombros e soltou um suspiro.
– Na verdade eu queria um favor. Eu gostaria de agradecer o príncipe Belikov devidamente por ter me salvado. Mas meu pai parece ter tomado toda a sua atenção no seu convidado. – eu disse.
– E aonde eu entro? – ele perguntou desconfiado.
– Distraia o meu pai por alguns instantes, o leve para algum lugar fora do salão. E peça para Dimitri me encontrar aqui para que eu possa agradecê-lo sem ter alguém lhe tomando a atenção. – eu fiz minha melhor cara de piedade e tinha certeza que meus olhos estavam brilhando.
– Por que você não pode agradecê-lo como todos nós? Tenho certeza de que ele não se importa. – ele disse como se fosse a coisa mais obvia do mundo. Pense Rose, pense.
– Eu quero perguntar algumas coisas sobre Victor. Meu pai não acharia apropriado uma dama questionar um guerreiro sobre táticas de guerra não é? Por favor, Mason, isso pode nos ajudar futuramente. – eu pisquei meus olhos brilhando em sua direção e ele não pode resistir a isso.
– Tudo bem Rose. Mas se eu me colocar em problemas eu vou dizer a verdade.
– Obrigada. – eu o abracei, fazendo-o ficar vermelho.
– Um comerciante chegou ao entardecer trazendo alguns cavalos de batalha, eu vou convencer seu pai de que a melhor hora para escolher os cavalos é durante a noite. – eu ri. Mason tinha uma mente dinâmica para um mal feito. – Isso não vai levar muito tempo de qualquer maneira, então seja rápida com suas perguntas.
– Eu entendi. – ele sorriu e se afastou.
Eu o vi falando algo perto do ouvido do Dimitri que olhou na direção do jardim com um sorriso. Depois ele se juntou ao meu pai, que concordando ansiosamente com algo que Mason disse se retirou do salão.
Eu me debrucei sobre o parapeito afastado dos olhares curiosos tendo vista para os pátios cobertos de neve do castelo. Uma enorme lua estava no céu fazendo a neve branca se tornar prateada e iluminada.
– Táticas de guerra hm? – Dimitri se juntou a mim e se colocou ao meu lado.
– Tem alguma ideia melhor? – perguntei divertida. – Meu pai parece estar encantado com o príncipe Belikov. – ele soltou uma gargalhada, me fazendo estremecer com seu doce som.
– Você sempre me surpreende Roza. – ele disse pegando as minhas mãos nas suas grandes. Então eu me lembrei do por que estava ali e me afastei suavemente.
– Adrian sabe que nós temos alguma coisa. – fui direta, mas ele não pareceu se abalar.
– Eu percebi isso quanto ele estava me provocando durante a dança e eu sabia que essa conversa viria em breve. Mas eu não vou me afastar Roza, não enquanto você me disser que não me quer mais. – ele cruzou seus braços me olhando sério.
– Dimitri, eu não quero ter essa conversa de novo. – murmurei tentando desviar meus olhos dos seus intensos.
– Roza, eu ainda tenho nove dias para convencer seu pai e o rei Nathan. E eu não posso dizer adeus como combinamos, pelo menos enquanto houver esperanças, não depois de ontem. – ele sussurrou a ultima parte.
– Eu tenho medo que Adrian faça algo impensável. – ele entendeu o que eu queria dizer. Infertilidade, adultério e agressão eram os únicos três motivos em que se podia pedir a anulação de um casamento. E eu me encaixava em um deles. – Se ele descobrir que eu não sou mais virgem...
Dimitri pegou meu rosto com suas duas mãos e me fez olhar em seus olhos, que mostrava todo seu amor por mim.
– Você se arrependeu? – ele perguntou com a voz embargada. O que? Por que ele podia sequer pensar assim?
– Claro que não. Nunca. – e para provar o que eu disse eu colei nossos lábios de forma doce e lenta. – Eu confio em você, mas eu acho que daqui para frente devemos tomar algumas precauções. Adrian já sabe que há algo, então nós temos que provar o contrário, mesmo que não haja casamento precisamos dessa aliança. – ele levantou uma sobrancelha divertida.
– Você está propondo o que eu acho que está?
– É exatamente isso contendedor.
– Isso vai sei interessante. – eu sorri pegando seus lábios novamente e os mordendo. Ele me puxou pela cintura aprofundando o beijo.
– Isso será um adeus temporário. Eu tenho que ver como a minha irmã está, mas como eu sou muito bem vindo aqui agora posso fazer algumas aparições. – ele me deu um sorriso malicioso para logo depois me puxar pele nuca me mostrando como era um adeus adequado.
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