Notas iniciais
Outubro... Novembro... Dezembro... Janeiro... Fevereiro... Março... Abril. Sete fucking meses que eu não dou as caras por aqui. Se ainda existirem almas acompanhando essa fic toda empoeirada e cheia de teias de aranhas, eu quero pedir muitas desculpas... Fim de 2014 e começo de 2015 foram muito tensos, mal tive tempo pra respirar. Eu comecei esse capítulo uns meses atrás na verdade, mas tive um bloqueio no meio... Então, acabei por terminar hoje (27/04/15) e já estou lançando pra vocês... Não tive tempo de betar, por isso deve ter algum problema... Andei respondendo os reviews atrasados e tal, mas ainda faltam alguns... Prometo responder junto com os desse capítulo, juro mesmo. Enfim, quero agradecer à recomendação da Sah C E, ri um bocado com ela. Adorei o que você disse, acho que isso foi o gás que faltava pra finalizar esse capítulo. Portanto, o dedico à você, doce! Enfim... Boa leitura!

Lucy suspirou audivelmente pela terceira vez, enquanto passava a escova nos cabelos azuis de Levy.

O olhar da menor estava perdido, longe... Revivendo as cenas aterradoras da noite anterior.

Nenhuma lágrima desceu pelo rosto pálido da azulada, assim como quase nenhuma palavra foi proferida por ela. Era como se Levy estivesse vazia, oca... Como se nada importasse desde que perdera sua pureza.

Seu Mizuage fora tomado a força... Aquele homem a possuíra contra a vontade, sem escrúpulos nenhum... Como se ela fosse uma prostituta qualquer.

“–Eu sei que você está gostando! Vamos, peça por mais, sua vagabunda! Peça!

–Não! Por favor! Pare! É errado... Está doendo! Pare!

–Vamos, Levy... Peça por mais! PEÇA!”

–Levy-chan? Está doendo algo?

A voz de Lucy a tirou dos devaneios. Percebeu então que pressionava o quimono bege com força na altura do estômago, furando o algodão com as unhas.

–Não... Não sinto nada, Lucy... — a resposta soou tão fria e vazia quanto Levy se sentia.

A loira deixou a escova de lado, suspirando novamente. Doía ver sua melhor amiga naquele estado...

E sabia que ela não tinha mais futuro como Gueixa.

Afinal, quem ia querer uma mulher que já fora deflorada por outro homem? Como realizar o Mizuage naquela situação?

–Acabou, não é? Okaa-san vai me mandar para fora... Ou para alguma casa no Bairro dos Prazeres... Onde eu terei que satisfazer vários homens como aquele de ontem e...

–Shh... – Lucy acariciou as mãos da menor, ao perceber que ela finalmente estava chorando.

Levy começou a soluçar, apoiando a testa no colo de Lucy, molhando a barra do yukata. A mais alta apenas massageou levemente o couro cabeludo da amiga, murmurando algumas palavras para tentar conforta-la.

Pouco mais de vinte minutos depois, Levy pareceu adormecer. Lucy a moveu delicadamente de seu colo, acomodando-a no futon.

Assustou-se ao deparar-se com Gajeel e Natsu na porta do quarto. Levou o indicador aos lábios, pedindo silêncio, enquanto indicava para que eles aguardassem um pouco do lado de fora.

Depois de cobrir a amiga, a loira saiu, parando para conversar com os dois homens no corredor.

– Posso ajudar em alguma coisa? – ela perguntou, abaixando a cabeça de forma respeitosa.

–Gajeel queria vir ver a garota... Polyushka-san permitiu que subíssemos – Natsu respondeu.

Lucy fitou o moreno, desconfiada. Pelo pouco que Levy dissera desde que chegara, fora o irmão dele, Rogue, quem fizera tudo aquilo.

Por fim, suspirou, dando passagem. Gajeel entrou no quarto, abaixando-se ao lado do futon onde a menor dormia.

Ambos que estavam do lado de fora observaram a cena, em silêncio.

–Sinto muito por sua amiga, Lucy-san... Rogue faz parte da Guarda Imperial, tenha certeza de que será punido com rigor.

A garota desviou os olhos para a figura do rosado, ensaiando um sorriso.

–Obrigada, Dragneel-sama. Por favor, deixe-me oferecer um pouco de chá à sua noiva e à Imperatriz... Tenho certeza de que estão extremamente abaladas.

Natsu a fitou com admiração. Mesmo naquela situação, ela tentava deixar os convidados o mais a vontade possível... Louvável.

Ambos desceram as escadas, caminhando até a sala de visitas. Natsu entrou primeiro, focando o rosto amargurado da mãe, que conversava com Polyushka. Lisanna também estava com elas, mas colocou-se de pé ao ver a Maiko adentrar o lugar.

–Lucy-san... Como ela está? Oh, deve ter sido pavoroso! Eu sinto tanto que isso tenha acontecido, ainda mais agora, tão perto do noivado... – a albina segurou as mãos da loira, que apenas lhe deu um sorriso fraco.

–Sinto muito por terem de presenciar tal situação... – a voz de Polyushka soou seca. –Dragneel-dono a queria para as apresentações durante o noivado, mas infelizmente teremos que substituí-la.

Aquilo foi como um soco em Lucy. Sabia que Levy seria desonrada, mas ainda mantinha esperança de que algo pudesse ser feito...

Pela primeira vez, sentiu-se uma mera mercadoria. A velha mãe parecia não julgá-las mais que isso até realmente se tornarem Gueixas... E, até percorrerem o longo caminho, não eram nada mais do que meras bonecas, facilmente descartáveis caso quebradas.

Lucy sentiu um gosto amargo na boca, crispando os olhos na direção de Polyushka, que a censurou com a cabeça.

–Não me olhe assim, criança. Você sabe que é inevitável... Precisamos reaver nossa honra.

–Espero apenas que o rigor prometido a mim no que diz respeito a esse caso seja mantido. Ou então não mais poderei confiar nos julgamentos do futuro Imperador – a Maiko resmungou, ríspida.

Os olhos da velha mãe quase saltaram das órbitas, enquanto Igneel afogou com o chá. O Imperador se colocou de pé, por mais que fosse Lucy, ele não permitiria tal afronta.

–Posso mandar enforca-la por tamanho desrespeito, mulher! Coloque-se em seu devido lugar, ou serei obrigado a fazê-lo! –Igneel esbravejou, e Grandine segurou-o pela manga do kimono.

Polyushka avançou contra a jovem, usando uma vara para agredi-la.

–Menina insolente! Achei que Mirajane a tinha ensinado melhor! Ande, peça perdão ao príncipe de joelhos, antes que ele mande cortar sua garganta!

Lucy conteve os gritos, enquanto Polyushka a puxava pelos cabelos e a jogava no chão, aos pés de Natsu, que estava em choque. Brandiu a vara contra as costas da mais jovem três vezes, sem mal deixa-la colocar-se de joelhos.

Grandine tentava conter seu marido com a ajuda de Lisanna. Mas todo afobamento acabou quando subitamente Natsu pegou a vara da velha mãe e a partiu ao meio, atirando-a para o lado.

–Já chega! Pai controle-se, não foi você quem a mulher ofendeu! – a voz do príncipe soou cavernosa e irritada.

Abaixou-se, segurando Lucy pelos braços. Ela soltou um soluço ao sentir as mãos do rosado em uma parte dolorida das costas, e então prendeu a respiração.

–Está machucada? – Natsu perguntou, erguendo o rosto da garota, estudando-o — Consegue ficar de pé sozinha?

Havia alguns vergões em sua bochecha esquerda e um pequeno corte na sobrancelha, que começava a inchar. Porém, a maior parte das agressões fora nas regiões cobertas pelo yukata, portanto, não podia ter um parâmetro maior.

–Simplesmente irá aceitar que uma mera mulher como essa lhe falte com o devido respeito, moleque? É assim que irá governar este reino? Com o coração mole?- o Imperador rosnou.

–Eu disse que já chega, Igneel! – Natsu bradou, segurando Lucy contra o peito. –Para início de conversa, você não deveria nem ter admitido aquele homem na Guarda! Ele não possui respeito algum por nada, só quer saber de foder quantas vadias puder! Levy era uma Gueixa, intocável... E Rogue ousou deflorá-la como se fosse uma qualquer! Como espera que eu aceite isso? E se fosse com sua mulher; ou suas filhas?

O ruivo calou-se, relaxando os ombros tensos. Livrou-se do aperto imposto pelas duas mulheres e bufou, se retirando da sala.

Grandine apenas suspirou e, lançando um último olhar ao filho, seguiu o marido, levando Lisanna com ela.

Lucy se soltou do agarre gentil de Natsu, dobrando o corpo para frente dolorosamente.

–Eu peço perdão pela ofensa, Dragneel-sama. Mereço o pior dos castigos – sussurrou, embora não achasse que estava errada.

Natsu suspirou, contrariado, pousando uma das mãos no ombro de Lucy, que ergueu os olhos.

–Não se desculpe... Vou cumprir o que lhe prometi, julgando Rogue com rigor.

Lucy deu um sorriso fraco, endireitando-se. Natsu afastou a mão e se curvou respeitosamente para Polyushka, mas sussurrou por fim:

–Não trate mais essas jovens assim na minha frente... Ou será a sua garganta que mandarei cortar.

A velha mãe engoliu em seco e assentiu, curvando-se para ele. O rosado sorriu para Lucy, e arregalou os olhos ao ver o que escapava da gola do yukata, que estava frouxo e torto.

O colar de dragão.

Mas, antes que pudesse dizer alguma coisa, virou-se e deixou a sala.

Lucy encolheu os ombros, sentindo o corpo doer.

–Suma da minha frente – ouviu Polyushka sibilar, não tardando a obedecê-la.

Notas finais
Eu nem sei se mereço... Mas enfim, deixem seus reviews pra eu saber se vocês estão gostando. A partir de agora, o negócio vai FINALMENTE começar de verdade, e os nossos vilões vão aparecer :v Os personagens estão meio OOC, mas é pelo momento e tal... Prometo trazer o Igneel divertido e zoeiro em breve, não o odeiem por ter tratado a Lucy desse jeito... Devemos sempre lembrar a qual período essa fic pertence, por mais que eu seja até bem flexível em muitas situações :v Enfim, até o próximo! Kissus ne!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.