A Guardiã Do Livro Oculto

38 Capítulo Bônus - No mundo inferior...


Notas iniciais
Olá!
Gente, na verdade eu nem deveria estar aqui. Estou em plena semana de provas desesperadoras, atolada de matéria pra estudar.
Esse capítulo é extra, e conta sobre a viagem de nico ao Mundo Inferior em busca da água do rio Lete, para despertar Paige. Eu não ia escrevê-lo, mas a minha amiguinha Mel B praticamente me obrigou... por isso dedico a ela.
Espero que gostem!

Capítulo Bônus – No Mundo Inferior, em busca do rio Lete.

Pov Nico

Em poucos segundos eu já não estava mais lá. Abri os olhos e enxerguei muito pouco devido à tontura provocada pela viagem nas sombras, algo que eu já até acostumei. Esfreguei os olhos lentamente, observando o local.

Olhei para meu lado direito e a visão não era das mais agradáveis. O chão de terra batida emitia uma sensação de abandono, ao mesmo tempo que os pequenos fiapos de planta que brotavam dele – que eu deduzi serem ervas daninhas – diziam ainda ter algum resquício de vida por ali. O campo dos asfódelos escurecia à medida que sua extensão alcançava a linha do horizonte tornando tenebroso apenas o pensamento de um dia ter seu espírito vagando por lá. Pensei em Luke, e na possibilidade de sua alma estar por ali, mas esse pensamento se desvaneceu quando lembrei-me de que ele se arrependeu, e portanto, deve agora estar onde os herois descansam.

Ás vezes me pergunto se esse destino é justo para os herois. Cheguei à conclusão de que, se todos – menos os imortais – morrem um dia, talvez os campos elísios sejam mesmo a melhor opção. Bianca deve estar lá, correndo pelas pastagens macias e amareladas curtindo um arco-íris permanente ao fundo. Por falar nela, já não sinto tanta dor ao lembrar de sua morte, pelo contrário, recordar Bianca é como fazê-la viver novamente em mim, em meus pensamentos, e de certa forma isso é reconfortante.

Saí de meus devaneios assim que associei a ideia de que se demorasse muito, Percy sofreria a perda de sua irmã também, como eu sofri. Perder Paige definitivamente não está em cogitação, até porque tanto eu como todos, eu acho, nos afeiçoamos a ela de uma tal forma seria completamente terrível a todos.

Caminhei a passos lentos pelo familiar chão quente do mundo inferior. Antes de tudo, eu precisaria pedir permissão a meu pai. Seria loucura vir até aqui sem nem sequer avisá-lo de minha missão por seus domínios. Acho que ele até me mataria se eu “aprontasse” uma dessas.

Os portões de ferro vazado se abriram ao meu mínimo toque. Adentrei o castelo negro de Hades, que também é conhecido como minha humilde residência, isso quando meu querido ai me obriga a ficar por aqui para treinar com seus preciosos esqueletos. Pra quem pensa que ser filho de Hades é algo sombrio, devo dizer que acertou, mas eu completaria dizendo que também tem suas vantagens, só que isso não vem ao caso no momento.

Na sala principal, pude ver Perséfone conversando com seus serviçais – que por acaso eram esqueletos. Assim que me viu, abriu um meio sorriso e veio até mim.

- Olá Nico. Você não estava na missão do livro oculto? – ela disse em tom baixo.

- Oh, sim. Bem, olá Perséfone. Ainda estou na missão, mas ocorreu um feitiço com uma meio-sangue e para solucioná-lo preciso de um pouco de água do Rio Lete.

- Foi a filha de Poseidon, não é? Bem, seu pai deve estar em seus aposentos. Fique a vontade.

- Obrigado. – eu disse e saí.

Garanto que alguém achou que Perséfone gosta de mim depois desse diálogo incrivelmente educado. Ledo engano meu caro, ela apenas se esforça para não brigar comigo, e tudo isso depois de Hades dizer que a “harmonia” obrigatoriamente deveria permanecer nessa casa. Irônico não? Eu também acho.

Por falar em Hades, ele estava em seu quarto descansando. Abri a porta e o vi estirado na cama, e parecia ressonar calmamente, até que em uma estalo, levantou-se.

- Olá filho. Sem demora, diga o que precisa. – ele disse olhando-me friamente.

- Co-como sabe que venho lhe pedir algo? – eu disse quase sussurrando.

- Eu sei da missão, na verdade todos os olimpianos estão acompanhando cada passo de vocês, afinal, é o segredo dos deuses que está em jogo. – meu pai suavizou sua expressão.

Dando um meio sorriso, ele completou.

- Vimos até que você está namorando com a filha de Atena. A deusa da sabedoria não está muito feliz com isso, mas quem se importa? – ele disse me dando as costas e acendendo um charuto.

Preciso dizer que fiquei muito rubro? Parecia até que tinha levado umas cinco chineladas em cada lado do rosto. Meu pai riu da minha vergonha, mas logo tratou de desvanecer o assunto.

- Diga Nico, o que precisa?

- Um pouco de água do Rio Lete, para reverter um feitiço de Magia Negra lançado contra Paige. – expliquei.

- A filha maluca de Poseidon? Ela já está famosa no Olimpo... Porque eu te daria permissão para pegar água dos meus domínios?

Como sempre, ele queria complicar, apesar de saber que essa pose “do contra” era apenas uma fachada do meu velho.

- Por que isso diz respeito diretamente a você. Sem a Guardiã de Aquarius, jamais poderá se formar um novo portal para esconder o livro, e vocês, poderosos deuses gregos, perderão sua força. – eu disse com ironia.

- É, faz sentido. Você tem autorização. Agora vá, antes que eu mude de ideia.

Percorri todo o inferno a passos largos, passando pelo desfiladeiro do Tártaro e quase escorregando às margens do Estige. Quando cheguei diante do Lete, eis que um cachorro gigante aparece. Era Cérbero, o cão infernal de três cabeças.

Ele veio enfurecido para o meu lado, mas assim que sentiu meu cheiro acalmou-se. Cérbero pulava de um lado para o outro com suas línguas para fora e abanando a cauda. Ele queria brincar, mas eu não tinha tempo. Afaguei sua cabeça e dei batidinhas em seu dorso, depois me afastei.

Abaixei-me com cuidado na beira do Rio, um passo em falso e eu mergulhava no esquecimento. Tirei o conta gotas que meu pai me deu e coletei boas doses de água, despejando-as em um pequeno tubo de ensaio. Tapei-o e quando ia me virar, Cérbero lambeu meu rosto de surpresa, fazendo com que me desequilibrasse. Derrapei e um bocado de terra que havia debaixo de meus pés migrou pra dentro do rio, mas felizmente consegui me segurar, graças ao cão infernal, que estendeu sua pata para servir de apoio.

- Bom garoto! – passei a mão em sua cabeça enquanto ele voltava a me lamber. Ele se afastou e começou a pular novamente à minha frente, querendo brincar, mas Paige precisava acordar o mais rápido possível.

- Olha, eu não posso brincar agora, mas quando as férias acabarem garanto que volto. Pode esperar. – eu disse alisando a pata que me salvou.

Ele ficou triste. Deu uma última lambida em meu rosto e se virou, indo embora, e eu respirei fundo preparando-me para uma nova viagem nas sombras.

Notas finais
Vocês estão muito relapsos comigo, já que ultimamente a quantidade de reviews tem sido entristecedora. O que acham de se redimir mandando um monte de reviews?ah, também aceito recomendações, se não for pedir demais...
Assim que a turbulência probatória acabar, eu apareço.
Beijokinhas com cheiro de néctar dos deuses *.*