A Grande Mentira

3 Capítulo 03 - Escolhendo os Vestidos


Notas iniciais
E então. Voltei com mais um capítulo. Percebi que bastante pessoas leram os capítulos anteriores mas ninguém comentou ainda! Sera que estão gostando? Devo continuar? devo parar? *Seguimos ao capítulo!

Minha irmã não demorou muito para marcar a data de seu casamento: 13 de maio.

O numero 13 é simbólico para nossa família, eu nasci no dia 13 de março. Quase 12 anos depois minha irmã nasceu em 13 de fevereiro. Em abril temos uma tia avó que faz aniversario no dia 13 e agora em maio vamos ter o casamento da Vanessa.

Durante estas duas semanas que se passaram após o aniversário dela eu escutei muitas fofocas envolvendo o casamento dos dois. Uma de nossas tias até veio me perguntar se ela não estava grávida, por isso quiseram marcar o casamento pra ontem. Já outras tias mais maldosas vieram me perguntar quando eu, a irmã mais velha, iria desencalhar.

Minha mãe não toca no assunto do casamento da Vanessa perto de mim. No fundo acho que ela sabe o que eu sinto pelo Pat, mas nunca chegamos a conversar sobre isso e não vai ser agora que vamos falar.

Hoje é o dia da minha folga e minha irmãzinha fez o favor de marcar para hoje com a costureira o dia perfeito para a escolha dos vestidos.

“Ai, eu estou tão feliz!” Ela falava com suas duas melhores amigas Brenda e Bruna. “Vamos decidir hoje o meu futuro vestido. Sabem já falei com o Pat e nós vamos comprar o vestido. Queremos guardá-lo de recordação!” Ela estava eufórica e as suas amigas também. As duas seriam suas damas de honra. Iríamos escolher todos os vestidos hoje e eu não estava nem um pouco animada para isso!

“E o terno do Pat? Ele quem vai escolher?” Brenda questionou.

“Claro que não!” Vanessa parecia horrorizada com o questionamento de sua amiga. “Quem vai escolher os ternos somos nós. Só temos que marcar a data com a costureira para eles irem prová-los!” Ela terminou de falar e as três começaram a rir.

Eu particularmente não entendi a piada interna, mas nem estava ligando pra nada.

“Anne, quem vai ser seu par no casamento? Até onde sabemos vocês esta solteira e a Vanessa nem escolheu um padrinho pra te acompanhar!” Quem me jogou o veneno foi a Bruna, mas pude ver que a Brenda me dirigia um sorriso de deboche.

“Bruna!” Repreendeu minha irmã.

“Que foi?! Todos querem saber essa questão. Ela sempre levava o Pat aos almoços de família ou festas, mas agora ele é o noivo! Ela não pode levá-lo!” Foi Brenda quem falou desta vez.

“Eu já escolhi o padrinho!” Informou minha irmã. “Vai ser o Nick, meu melhor amigo!” Ela anunciou. “Anne ate onde eu sei ele esta solteiro. Não vai levar ninguém ao casamento. Posso pedir pra ele te fazer companhia durante a festa!” Minha irmã parecia realmente preocupada que eu passasse a festa sozinha, mas mal sabia ela que, ninguém alem do noivo, me deixaria feliz e realmente me faria companhia.

“Que bom que escolheu o Nick para padrinho!” Fiquei realmente feliz com a escolha. Ele é afilhado dos nossos pais, 6 anos mais novo que eu, atualmente faz faculdade de engenharia e é um bom rapaz, o conheço desde que nasceu. “Mas não se preocupe em me arranjar um par para a festa. Já fui a vários casamentos sozinha, acredite em mim quando digo que só sentimos a falta dos homens quando tocam musicas lentas!” Menti. Decidi descontrair o ambiente. No fundo eu sabia que minha irmã não tinha culpa de nada.

Logo saímos para ir até a costureira. Fomos todas em meu carro. Eu não a chamaria de costureira eu a chamaria de modista. Ela desenha lindos vestidos a partir de idéias que as noivas têm.

O atelier dela é lindo. As paredes são pintadas em tom pastel. Por elas têm espalhadas varias fotos de outras noivas e também vários desenhos de vestidos que ela fez. Eu com certeza a procuraria para desenhar meu vestido.

“Olá meninas!” Ela nos recebeu com um belo sorriso no rosto. “Quem é a noiva?” E esta foi a deixa para minha irmã e Luisa, a costureira, começarem a debater sobre modelos de vestidos.

As amigas de minha irmã começaram a olhar os modelos de vestidos que elas poderiam usar e eu acabei me distanciando de toda aquela loucura.

Passei a olhar os vestidos de noiva já prontos e acabei me encantando por um. Ele possuía um corpete regulável, todo bordado com lindas rosas e sua saia completamente volumosa possuía uma espécie de tule por cima onde se viam mais rosas bordadas que davam um ar de delicadeza completamente único ao vestido.

“Lindo, não?!” Levei um susto. “Desculpe, não era minha intenção assustá-la!” A atendente que veio falar comigo parecia sincera ao falar comigo. Possuía um belo sorriso e aparentava estar falando com uma velha amiga. “Quer prová-lo? Garanto que ficara incrível em você!” No começo eu não havia compreendido sua pergunta, mas então percebi uma coisa. Eu estava totalmente distante das meninas e de Luisa, sem dar nenhum palpite sobre suas escolhas, qualquer um que visse a cena diria que eu nunca andaria com elas cheias de gritos e exclamações!

“Não, obrigada. Eu estou com elas.” Apontei para as malucas espalhafatosas. “Sou a madrinha da loira!” Anunciei no exato momento em que minha irmã me chamava para que me juntasse a elas.

“Eu não havia percebido. Realmente me desculpe, mas é que você olhou tanto para o vestido e ate deu aquele sorriso sabe o sorriso de se imaginar caminhando para o amor da sua vida usando o vestido que eu tive que vir atendê-la!” ao fim da explicação ela tinha um sorriso de desculpa nos lábios.

“Não se preocupe, talvez eu tenha devaneado sobre algo parecido!” Comentei enquanto me distanciava dela e me dirigia ao grupo que analisava vestidos em uma espécie de portfólio.

“Anne preciso da ajuda de minha madrinha! As meninas estão em duvida se usam preto ou vermelho para as damas e eu tenho três modelos de vestido para te mostrar, um mais lindo que o outro! Eu estou tão indecisa quanto a tudo!” Ela agora parecia a Duda, falou tanto e em tão pouco tempo que chegou a me deixar tonta.

No fim, descobri que eu e Vanessa temos mais opostos do que eu podia imaginar. Ela escolheu um vestido vermelho e muito estranho para que eu e as damas de honra pudéssemos usar no casamento. E seu modelo de vestido de noiva foi totalmente remodelado por Luisa.

Nada estava bom para ela. Ao final da tarde ela tinha um vestido tomara que caia todo colado ao corpo com um decote ousado nas costas e que só possuía volume de saia próximo aos pés.

Algo que eu não aprovei muito, mas como ela mesma jogou na minha cara, o casamento é dela e ela é quem tem que dar o veredicto final, comigo gostando ou não!

[...]

Uma semana depois foi a vez dos rapazes fazerem a prova dos ternos.

Por alguma razão inexplicável minha irmã não pode comparecer e me deixou encarregada desta função. Afinal, eu sou a madrinha!

No momento esta só o Patrick comigo e com Luisa, os outros estão atrasados.

Patrick esta em uma discussão calorosa com a Luisa por causa de uma gravata. Pelo que eu consegui compreender minha irmã quer que ele use uma gravata cinza, mas não qualquer gravata cinza, uma estilo Christian Grey, e conhecendo o Pat do jeito que conheço, ele não aceitou bem a idéia.

No fim ele disse a Luisa que se ele não pudesse escolher a própria gravata, os vestidos e os ternos seriam comprados em outro local. Luisa ficou assustada com a ameaça e passou a procurar algo que o agradasse.

“Você é impossível!” Comentei com ele assim que ficamos a sós na saleta.

“Você me conhece.” Ele sorriu. “Até mesmo porque você sabe que não gosto de cinza, não me cai bem, e aquela gravata ainda era dois tons de cinza listrados!” Ele fez cara de nojo ao terminar de falar.

Eu ri.

“Encontrei algumas que podem agradá-lo!” Luisa entrou na saleta com varias gravatas nos braços. Pra mim não foi novidade que nenhuma das gravatas tenha agradado ao Pat, mas Luisa parecia decepcionada.

Ela saiu e voltou inúmeras vezes com mais e mais diferentes tipos de gravatas e nada parecia ser bom o suficiente para agradá-lo. Isso estava me dando nos nervos. Então decidi ir junto de Luisa tentar escolher algo.

Ela possuía inúmeras estampas, cores e formatos de gravatas podendo agradar qualquer um, mas absolutamente nenhum daqueles modelos parecia ser o suficiente para agradá-lo.

Comecei a analisá-las uma por uma para ver o que poderia ser oferecido ao meu amigo e encontrei, esquecida ao fundo, a gravata perfeita.

Devia ser feita de seda ou qualquer outro tecido nobre, extremamente macia ao toque e elegantemente bela. Verde esmeralda. Certamente o agradaria. Já ate conseguia imaginá-lo com ela e o contraste que faria com seus olhos verdes.

Quando me virei para mostrar meu achado ao Pat, que havia vindo para a sala das gravatas junto de nós para tentar encontrar algo, percebi que ele não estava a vista. Eu estava sozinha.

Voltei para a saleta onde estávamos antes, mas ela também estava vazia.

“Patrick?!” Eu parecia uma maluca perguntando o nada sobre o nome de alguém, mas obtive um resmungo em resposta, vindo do provador.

Não falei mais nada nem esperei outro tipo de resposta. Simplesmente me dirigi até o provador e entrei. Sem anúncios.

Pat estava de costas pra mim, sem o terno e com a camisa parcialmente aberta. Ele pareceu momentaneamente assustado com minha entrada, mas logo relaxou.

“Você sabe que poderia me encontrar completamente nu aqui dentro, não é?” Ele me olhava através do espelho, ainda desabotoando sua camisa.

“Não há nada ai que eu já não tenha visto!” Respondi com um sorriso e ficando levemente corada. “Ou você esqueceu quem cuidava de você durante seus porres?” O lembrei e ele gargalhou.

“Você tem razão! Mas o que a traz aqui?” Ele arqueou as sobrancelhas enquanto virava-se de frente para mim.

“Isso!” Levantei minha mão lhe mostrando a gravata que tinha encontrado. “O que acha?” Ele a analisava e em resposta começou a abotoar a camisa.

Devidamente alinhado e novamente com o terno ele pegou a gravata de minhas mãos e tentou falhamente fazer o nó, mas era cada falha que chegava a me irritar.

Quando percebi que ele jamais conseguiria fazer o nó eu retirei suas mãos do horrendo trabalho que ele estava fazendo e comecei a arrumá-lo.

“Sorte sua não precisar utilizar gravata no dia a dia!” Comentei enquanto a ajeitava. “Você devia ser mais talentoso com trabalhos manuais!” Terminei de arrumá-lo. “Pronto. O que acha?”.

Ele virou-se para o espelho e se analisou, não pude perceber o que ele tinha achado do resultado, mas então, sem que eu pudesse perceber seus próximos movimentos, ele se virou e me agarrou em um abraço apertado, que de inicio me tirou do chão.

“Você é demais!” Ele falou no meu ouvido ainda abraçado a mim, mas já deixando meus pés tocar o chão.

“Eu sei, você não seria nada sem mim!” Comentei enquanto tentava me soltar de seus braços. Mas ele não deixou que eu me afastasse.

“Você sabe que é extremamente especial pra mim, não sabe?” Ele só podia estar querendo brincar comigo. Eu sempre soube definir a sinceridade em suas palavras, mas desta vez pude perceber que ele estava escondendo algo de mim.

“Interrompo?” Quando iria respondê-lo Luisa abriu a porta do provador e ficou nos encarando, ainda abraçados.

Isso fez com que o Pat afrouxasse o aperto de seus braços em minha cintura e eu aproveitei para me soltar dele, retirando meus braços que haviam ido parar em seus pescoço.

“Claro que não.” Respondi sorrindo para ela. “Estávamos comemorando que finalmente encontramos a gravata perfeita!” E então apontei para o pescoço do Pat. “O verde da gravata realça seus olhos! Não concorda Luisa?” Comente com ele e já pedia a opinião da profissional no assunto. Isso fez com que o foco dela mudasse de mim pra ele.

“Realmente, encontramos.” Ela falou após analisá-lo. “Agora você pode se trocar. Estão liberados!” E manteve-se parada à porta, ate que eu passasse para então ela sair e a fechar.

Ela ficou me analisando por alguns segundos assim que nós saímos para a saleta e eu me sentei em uma das poltronas, mas foi breve e logo ela se retirou.

“Podemos ir?” Estava com meus pensamentos tão longe que nem havia percebido que Patrick estava parado a minha frente. Olhei em meu relógio. Os outros já estavam quase uma hora atrasados.

“Vamos, não tenho culpa se eles não vieram na hora marcada!” Pronunciei ao me levantar e então seguimos para a saída.

Quando estávamos quase na porta três homens passaram por ela. Eu logo os reconheci. Eram Rafael, Lucas e Nickolas.

“Quase atrasados, mas chegamos a tempo!” Quem se pronunciou foi o Nick. “Não me digam que iam embora por alguns minutinhos de atraso!” Ele ainda sorri par mim e eu o lancei um olhar de poucos amigos.

“Minutinhos?! Vocês estão uma hora atrasados!” Acusei-os e todos eles mudaram suas expressões para pura confusão.

“Anne, Vanessa e as meninas frisaram bem o horário pra que não houvesse atrasos. Onze horas elas falaram.” Novamente quem se pronunciou foi Nick.

Com esta nova informação peguei meu telefone e busquei a mensagem de Vanessa onde ela dizia que todos estariam lá as dez horas.

“Acho que houve uma pequena falha de comunicação.” Constatei. “Essa é a deixa para que eu continue aqui por, pelo menos, mais uma hora!” Falei agora diretamente ao Pat, e pude ver por sua expressão que eu não estava demonstrando a mínima felicidade em meu rosto.

“Eu tenho um almoço com meus pais, se não eu ficaria aqui lhe fazendo companhia.” Patrick parecia decepcionado com algo.

“Tudo bem!” Coloquei um sorriso no rosto. “Vá!” Eu não queria deixá-lo ir, mas sabia ser necessário, não só pelo almoço com seus pais, mas por minha irmã. O deixaria ir pelo resto da minha vida!

Ele ficou me olhando por alguns segundos ate que finalmente me deu um beijo no rosto, em despedida e saiu sem dizer uma única palavra a mim ou aos garotos.

“Voltando à tortura!” Comentei ao mesmo tempo em que me virava e solicitava a atenção de Luisa. Eu tinha mais uma longa hora pela frente!

Notas finais
Gostaria de saber o que estão achando! Não faço ideia se paro ou continuo! Comentários?